Sábado, 25 de Maio, 2019
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Media europeus esquecem rivalidades para combaterem as plataformas tecnológicas

As duas grandes plataformas tecnológicas norte-americanas, Facebook e Google, conquistaram um poder tão grande que se tornaram num autêntico “duopólio” no mercado da publicidade digital. Para lhes resistir, cada vez mais os grupos de media estão a pôr de lado as suas “rivalidades históricas” e a lançar parcerias de sobrevivência. O diário francês Le Monde faz o ponto de situação deste desenvolvimento muito recente.

Só em França, o Google concentra “mais de 90% do mercado das buscas online e o Facebook tem 33 milhões de utentes activos”. 

“Eles apoiam-se ainda na sua vantagem no domínio dos dados, que está no centro das novas ofertas publicitárias: graças a pontos de contacto muito regulares com os internautas, várias vezes por dia, as duas plataformas entendem o que eles procuram ou apreciam. Passam a dispor também de incomparáveis poderes de cálculo.” 

Os patrões das grandes empresas de media têm estado a chamar a atenção para estes factos. Como afirma Marc Feuillée, director-geral do grupo Figaro:

“A conquista de fatias do mercado pelas Gafam [Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft] tornou-se sistémica e coloca uma assimetria com os grupos de media. Isto toma um rumo inquietante, mesmo para os grupos que conseguiram boas transformações digitais.” 

Segundo a notícia de Le Monde, que aqui citamos, os grupos de media estão a entrar progressivamente “em lógicas de aliança”, por aproximação de administrações, partilhas de dados, identificação comum dos internautas  -  formas de cooperação diversas e que “estão a ser experimentadas dos Estados Unidos a Israel e da Alemanha a Portugal”. 

Estão em curso em França, segundo o mesmo texto, duas aproximações deste tipo: uma entre os grupos de Les Echos, Lagardère Active, SoLocal e SFR Media, para apresentar Gravity, destinada a pôr em comum os dados de todos,  e a outra entre os grupos Figaro e Le Monde, de que se desconhecem por enquanto mais pormenores. 

As questões de escala e dimensão são tão importantes que, já em Março, Raphaël de Andréis, da Havas, propunha que os editores “se aliassem, no terreno dos dados, a um nível europeu”.

 

Mais informação no texto de Le Monde, na íntegra

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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