Quarta-feira, 18 de Julho, 2018
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Media europeus esquecem rivalidades para combaterem as plataformas tecnológicas

As duas grandes plataformas tecnológicas norte-americanas, Facebook e Google, conquistaram um poder tão grande que se tornaram num autêntico “duopólio” no mercado da publicidade digital. Para lhes resistir, cada vez mais os grupos de media estão a pôr de lado as suas “rivalidades históricas” e a lançar parcerias de sobrevivência. O diário francês Le Monde faz o ponto de situação deste desenvolvimento muito recente.

Só em França, o Google concentra “mais de 90% do mercado das buscas online e o Facebook tem 33 milhões de utentes activos”. 

“Eles apoiam-se ainda na sua vantagem no domínio dos dados, que está no centro das novas ofertas publicitárias: graças a pontos de contacto muito regulares com os internautas, várias vezes por dia, as duas plataformas entendem o que eles procuram ou apreciam. Passam a dispor também de incomparáveis poderes de cálculo.” 

Os patrões das grandes empresas de media têm estado a chamar a atenção para estes factos. Como afirma Marc Feuillée, director-geral do grupo Figaro:

“A conquista de fatias do mercado pelas Gafam [Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft] tornou-se sistémica e coloca uma assimetria com os grupos de media. Isto toma um rumo inquietante, mesmo para os grupos que conseguiram boas transformações digitais.” 

Segundo a notícia de Le Monde, que aqui citamos, os grupos de media estão a entrar progressivamente “em lógicas de aliança”, por aproximação de administrações, partilhas de dados, identificação comum dos internautas  -  formas de cooperação diversas e que “estão a ser experimentadas dos Estados Unidos a Israel e da Alemanha a Portugal”. 

Estão em curso em França, segundo o mesmo texto, duas aproximações deste tipo: uma entre os grupos de Les Echos, Lagardère Active, SoLocal e SFR Media, para apresentar Gravity, destinada a pôr em comum os dados de todos,  e a outra entre os grupos Figaro e Le Monde, de que se desconhecem por enquanto mais pormenores. 

As questões de escala e dimensão são tão importantes que, já em Março, Raphaël de Andréis, da Havas, propunha que os editores “se aliassem, no terreno dos dados, a um nível europeu”.

 

Mais informação no texto de Le Monde, na íntegra

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Portanto, uma espécie de “contrato social”, pelo lado do meio de comunicação e dos seus jornalistas, e uma espécie de “conversão pessoal”, pelo lado dos leitores. É esta a linha desenvolvida por um recente estudo do Tow Center for Digital Journalism, da Universidade de Columbia, nos EUA, aqui comentado em artigo publicado na 36ª edição de Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

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