Sexta-feira, 22 de Fevereiro, 2019
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Como nascem as notícias "virais" no mercado maciço das redes sociais

Há uma relação de forças desigual entre a nossa capacidade de atenção e a sobrecarga de informação a que somos submetidos no universo digital. Por efeito das duas, uma notícia verdadeira e uma falsa têm as mesmas probabilidades de se tornarem “virais”, e o combate à mentira deliberada e aos boatos é tão difícil. É este o diagnóstico pouco optimista que resulta de um estudo publicado na revista Nature Human Behaviour, realizado por investigadores da Universidade de Indiana, nos EUA, e do Instituto de Tecnologia de Xangai, na China.

As redes sociais funcionam como “mercados maciços onde ideias e notícias competem pela nossa atenção”. Estudos anteriores já demonstraram que a qualidade não é uma condição necessária para a “viralidade” online, e que o conhecimento que nos chega por escolha dos nossos pares “pode deturpar a relação entre a qualidade e a popularidade”. Mas isto não chega para explicar a “desinformação digital que ameaça a nossa democracia”. 

No meio das redes sociais, mesmo “agentes individuais que preferem uma informação de qualidade têm limitações de comportamento no controlo de um pesado fluxo de informação”. Tanto esta “sobrecarga de informação como os limites da atenção contribuem para uma degradação da capacidade de discriminação do mercado”. É nestes termos que se exprime a síntese de apresentação (Abstract) do referido estudo. 

Segundo explica o Público, que falou com Diego Fregolente Mendes de Oliveira, um dos principais autores do trabalho, “os investigadores analisaram o comportamento de um milhão de utilizadores de redes sociais e dois milhões de memes (uma informação, imagem ou vídeo que se espalha via Internet)”. (...)  

“Para constatar a sobrecarga de informação a que somos sujeitos e a nossa capacidade limitada de atenção, os autores desenvolveram um modelo de difusão de memes com dados reais de algumas redes sociais, como o Facebook, o Tumblr ou o Twitter”. (...) 

Segundo a notícia do Público, que aqui citamos, “no modelo teórico desenvolvido pelos investigadores existe a possibilidade de assegurar uma boa relação entre diversidade e qualidade. No entanto, os autores do estudo acabam por concluir que, na prática, este modelo acaba por não funcionar nas redes sociais por causa da grande quantidade de informação a que somos expostos”.

“Mesmo que sejamos capazes de reconhecer tipos de informações confiáveis nas nossas redes sociais, elas raramente prevalecem”  - defende Diego Oliveira. 

Usamos geralmente as redes sociais para manter contacto com amigos e familiares, “mas os problemas começam a aparecer quando começamos a usar as mesmas redes para aceder a notícias”. 

“Devemos ter em mente que os nossos amigos provavelmente não são bons editores e são mais impulsionados por emoções do que objectividade e confiabilidade”  -  afirma ainda Diego Oliveira.

 

Mais informação na reportagem do Público e o Abstract do estudo citado

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Um fotojornalista português, Mário Cruz, da Agência Lusa, figura entre os nomeados para o World Press Photo 2019, o mais prestigiado prémio de fotojornalismo do mundo, cuja identidade e trabalhos a concurso foram agora conhecidos. A Fundação organizadora introduziu também uma nova categoria a ser premiada, a História do Ano, destinada a “fotógrafos cuja criatividade e habilidades visuais produziram uma história com excelente edição e sequenciamento, que captura ou representa um evento ou assunto de grande importância jornalística”.

A imagem de Mário Cruz, intitulada “Viver entre o que foi deixado para trás”, mostra uma criança recolhendo material reciclável, deitada num colchão cercado por lixo, enquanto flutua no rio Pasig, em Manila, nas Filipinas.

Os vencedores do concurso serão conhecidos na cerimónia marcada para 11 de Abril, em Amesterdão, na Holanda.

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