Terça-feira, 11 de Dezembro, 2018
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Como nascem as notícias "virais" no mercado maciço das redes sociais

Há uma relação de forças desigual entre a nossa capacidade de atenção e a sobrecarga de informação a que somos submetidos no universo digital. Por efeito das duas, uma notícia verdadeira e uma falsa têm as mesmas probabilidades de se tornarem “virais”, e o combate à mentira deliberada e aos boatos é tão difícil. É este o diagnóstico pouco optimista que resulta de um estudo publicado na revista Nature Human Behaviour, realizado por investigadores da Universidade de Indiana, nos EUA, e do Instituto de Tecnologia de Xangai, na China.

As redes sociais funcionam como “mercados maciços onde ideias e notícias competem pela nossa atenção”. Estudos anteriores já demonstraram que a qualidade não é uma condição necessária para a “viralidade” online, e que o conhecimento que nos chega por escolha dos nossos pares “pode deturpar a relação entre a qualidade e a popularidade”. Mas isto não chega para explicar a “desinformação digital que ameaça a nossa democracia”. 

No meio das redes sociais, mesmo “agentes individuais que preferem uma informação de qualidade têm limitações de comportamento no controlo de um pesado fluxo de informação”. Tanto esta “sobrecarga de informação como os limites da atenção contribuem para uma degradação da capacidade de discriminação do mercado”. É nestes termos que se exprime a síntese de apresentação (Abstract) do referido estudo. 

Segundo explica o Público, que falou com Diego Fregolente Mendes de Oliveira, um dos principais autores do trabalho, “os investigadores analisaram o comportamento de um milhão de utilizadores de redes sociais e dois milhões de memes (uma informação, imagem ou vídeo que se espalha via Internet)”. (...)  

“Para constatar a sobrecarga de informação a que somos sujeitos e a nossa capacidade limitada de atenção, os autores desenvolveram um modelo de difusão de memes com dados reais de algumas redes sociais, como o Facebook, o Tumblr ou o Twitter”. (...) 

Segundo a notícia do Público, que aqui citamos, “no modelo teórico desenvolvido pelos investigadores existe a possibilidade de assegurar uma boa relação entre diversidade e qualidade. No entanto, os autores do estudo acabam por concluir que, na prática, este modelo acaba por não funcionar nas redes sociais por causa da grande quantidade de informação a que somos expostos”.

“Mesmo que sejamos capazes de reconhecer tipos de informações confiáveis nas nossas redes sociais, elas raramente prevalecem”  - defende Diego Oliveira. 

Usamos geralmente as redes sociais para manter contacto com amigos e familiares, “mas os problemas começam a aparecer quando começamos a usar as mesmas redes para aceder a notícias”. 

“Devemos ter em mente que os nossos amigos provavelmente não são bons editores e são mais impulsionados por emoções do que objectividade e confiabilidade”  -  afirma ainda Diego Oliveira.

 

Mais informação na reportagem do Público e o Abstract do estudo citado

Connosco
Estratégia mediática da China usa "barcos emprestados" para "autenticar" a propaganda... Ver galeria

Durante décadas, a estratégia de imagem da China foi defensiva, de resposta, e apontada sobretudo à sua audiência interna. O efeito mais visível era o desaparecimento de conteúdos: revistas estrangeiras com páginas arrancadas, ou as emissões da BBC que ficavam escuras quando tratavam de temas sensíveis, como o Tibete, Taiwan ou o massacre de Tienanmen.

Mas nos últimos anos a China desenvolveu uma estratégia mais sofisticada e assertiva, apontada às audiências internacionais. E Pequim está a fazê-lo com grande investimento financeiro  - que inclui cobertura jornalística patrocinada.

Um dos exemplos mais ostensivos é agora a contratação de jornalistas ocidentais para a China Global Television Network  - o ramo internacional da Televisão Central da China -  com estúdios em Chiswick, Londres. O objectivo deste esforço é, nas palavras do Presidente Xi Jinping, “contar bem a história da China”. E não faltam candidatos. A informação consta de uma reportagem extensa, em The Guardian.

Jornais perdem publicidade e a democracia qualidade Ver galeria

A receita proveniente da publicidade nos diários impressos está a desaparecer num movimento que parece inexorável. Acontece em todos os mercados, e nomeadamente no dos EUA, que pode servir de aviso aos outros: neste caso, a receita da publicidade de todos os diários foi de 13.330 milhões de dólares em 2016, de 9.760 neste ano de 2018, quase a acabar, e será de apenas 4.400 milhões em 2022, segundo a mais recente projecção da eMarketer.

Na Espanha, e segundo os dados da InfoAdex sobre os nove primeiros meses de 2018, regista-se uma queda generalizada de 6,1% no investimento na Imprensa escrita, depois de onze anos de descida sem fim. O balanço é de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics, que conclui: “A desinformação instala-se à vontade e é urgente fazer qualquer coisa. Não abandonemos os editores, ou a qualidade da democracia irá pelo mesmo ralo por onde se escoa a conta de resultados dos meios de comunicação.”

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Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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