Sábado, 25 de Maio, 2019
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Como nascem as notícias "virais" no mercado maciço das redes sociais

Há uma relação de forças desigual entre a nossa capacidade de atenção e a sobrecarga de informação a que somos submetidos no universo digital. Por efeito das duas, uma notícia verdadeira e uma falsa têm as mesmas probabilidades de se tornarem “virais”, e o combate à mentira deliberada e aos boatos é tão difícil. É este o diagnóstico pouco optimista que resulta de um estudo publicado na revista Nature Human Behaviour, realizado por investigadores da Universidade de Indiana, nos EUA, e do Instituto de Tecnologia de Xangai, na China.

As redes sociais funcionam como “mercados maciços onde ideias e notícias competem pela nossa atenção”. Estudos anteriores já demonstraram que a qualidade não é uma condição necessária para a “viralidade” online, e que o conhecimento que nos chega por escolha dos nossos pares “pode deturpar a relação entre a qualidade e a popularidade”. Mas isto não chega para explicar a “desinformação digital que ameaça a nossa democracia”. 

No meio das redes sociais, mesmo “agentes individuais que preferem uma informação de qualidade têm limitações de comportamento no controlo de um pesado fluxo de informação”. Tanto esta “sobrecarga de informação como os limites da atenção contribuem para uma degradação da capacidade de discriminação do mercado”. É nestes termos que se exprime a síntese de apresentação (Abstract) do referido estudo. 

Segundo explica o Público, que falou com Diego Fregolente Mendes de Oliveira, um dos principais autores do trabalho, “os investigadores analisaram o comportamento de um milhão de utilizadores de redes sociais e dois milhões de memes (uma informação, imagem ou vídeo que se espalha via Internet)”. (...)  

“Para constatar a sobrecarga de informação a que somos sujeitos e a nossa capacidade limitada de atenção, os autores desenvolveram um modelo de difusão de memes com dados reais de algumas redes sociais, como o Facebook, o Tumblr ou o Twitter”. (...) 

Segundo a notícia do Público, que aqui citamos, “no modelo teórico desenvolvido pelos investigadores existe a possibilidade de assegurar uma boa relação entre diversidade e qualidade. No entanto, os autores do estudo acabam por concluir que, na prática, este modelo acaba por não funcionar nas redes sociais por causa da grande quantidade de informação a que somos expostos”.

“Mesmo que sejamos capazes de reconhecer tipos de informações confiáveis nas nossas redes sociais, elas raramente prevalecem”  - defende Diego Oliveira. 

Usamos geralmente as redes sociais para manter contacto com amigos e familiares, “mas os problemas começam a aparecer quando começamos a usar as mesmas redes para aceder a notícias”. 

“Devemos ter em mente que os nossos amigos provavelmente não são bons editores e são mais impulsionados por emoções do que objectividade e confiabilidade”  -  afirma ainda Diego Oliveira.

 

Mais informação na reportagem do Público e o Abstract do estudo citado

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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