Terça-feira, 21 de Novembro, 2017
Media

Diários generalistas em quebra de vendas no quadrimestre

Os jornais portugueses mantêm uma tendência decrescente na sua circulação impressa paga. Segundo os dados da Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação, referentes aos quatro diários generalistas, nos primeiros quatro meses de 2017 venderam-se menos 17.538 jornais por dia (161.478 exemplares), uma quebra na ordem dos 9,8% face ao período homólogo em 2016, quando totalizavam uma média de 179.016 exemplares. Na circulação digital paga todos registam subidas, menos o Correio da Manhã, mas só o Público e o Diário de Notícias chegam ao fim deste período com saldo positivo, o primeiro com 2,8% na circulação total paga, e o DN com apenas 0,41%.

Segundo notícia da Meios & Publicidade, que aqui citamos, o líder em circulação impressa paga continua a ser o Correio da Manhã, embora com os seus números reduzidos para os 87.078 exemplares vendidos por dia, entre Janeiro e Abril, uma quebra de 11,64% relativamente ao período homólogo em 2016 (-11.474 exemplares). 

Na segunda posição continua o Jornal de Notícias, com 46.278 exemplares, uma descida de 7,28% (-3.631 exemplares) seguindo-se o Público com 17.840, uma descida de 3,63%, e o Diário de Notícias com a maior quebra em termos percentuais (a maior em números absolutos pertence ao Correio da Manhã), vendo a sua circulação impressa paga cair 14,62%, para os 10.282 exemplares (-1.761 exemplares). 

Quando ao Expresso, o único semanário com números auditados pela Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação, registou entre Janeiro e Abril deste ano vendas em papel na casa dos 68.403 exemplares, uma quebra de 7.926 exemplares (-10,38%) face ao período homólogo. Nas newsmagazines mantém-se a liderança da Visão, com 61.971 exemplares (-11,73%), enquanto a Sábado registou 42.982 (-7,22%). 

Ao nível da circulação digital paga, o Expresso lidera destacado com 23.216, uma crescimento de 17,87% comparativamente aos primeiros quatro meses de 2016. Na segunda posição surge o Público, que é líder no digital entre os diários, com uma circulação digital paga de 13.163, uma subida de 13,06%. Seguem-se o JN com 4.536 (+17,76%), o DN com 3.534 (+105,94%) e o Correio da Manhã, que com 928 (-26,17%) é o único título a sofrer quebras também no digital.

 

Connosco
Imprensa nas mãos de grupos financeiros "proletariza" jornalistas Ver galeria

“Um jornal, hoje, não pode viver sem se pôr de joelhos diante da Google”. Foi esta a síntese de Casimiro García Abadillo, director de El Independiente, na comemoração do centenário do jornal El Sol. Disse ainda que as quedas da tiragem e da receita publicitária, desde a chegada da Internet, trouxeram uma “debilidade financeira” que permitiu que os grandes jornais fossem apropriados pela banca e outros grupos empresariais. Outra consequência foi a perda de emprego para muitos profissionais e uma desvalorização salarial que “proletarizou [a profissão] até limites insuportáveis”. A reportagem é da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

Jornalismo de investigação em crise por falta de suporte financeiro Ver galeria

“Podíamos pensar que não devia haver discussão a respeito da importância do jornalismo de investigação. Mas o colapso da base financeira do jornalismo nestes últimos 15 anos causou muitas vítimas, e uma das principais foi o campo da investigação. (...) O jornalismo de investigação passou a ser visto, cada vez mais, como um desperdício de tempo, custoso e ineficiente.” Esta reflexão faz parte da síntese de apresentação do novo relatório produzido pelo Global Investigative Journalism Network, que desmente o preconceito e demonstra o verdadeiro impacto do jornalismo de investigação, bem como o seu contributo essencial para uma vida democrática saudável.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
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