Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Media

The "New York Times" ensaia mudanças na estrutura editorial

O diário The New York Times tem estado a fazer mudanças na sua estrutura editorial, que nem sempre passam sem tensões internas. Entre as mais recentes contam-se uma redução drástica no número dos editores e revisores de texto, com aumento do contingente e responsabilidades dos repórteres. Foi também extinto o cargo do Provedor do Leitor (Ombudsman), para abrir espaço a maior participação dos leitores. Carlos Castilho, editor do Observatório da Imprensa do Brasil  - com o qual mantemos um acordo de parceria -  interroga-se sobre o efeito que podem ter “naquilo que o jornal tem de mais valorizado, a sua credibilidade”.

Ao tomar esta decisão, como escreve Carlos Castilho, “o NYT busca eliminar o que classificou como ‘linha de montagem de notícias’ para beneficiar um sistema menos burocratizado e hierárquico na produção e publicação de reportagens; a simplificação do processo de produção noticiosa também tem um objectivo financeiro, ao reduzir o número de profissionais contratados”. (...)

“A nova orientação diminui as diferenças entre a produção de notícias impressas e as da versão na Internet. Trata-se de uma ousadia ainda não testada por nenhum grande jornal norte-americano”, mas, como conta o autor, “foi mal recebida pelos copy desks e revisores porque reduz drasticamente a participação de um sector da redacção, que até agora era considerado o guardião do estilo, exactidão e credibilidade dos textos publicados”. (…) 

“A Internet também está por detrás desta nova experiência do The New York Times, que passa a incorporar as críticas dos leitores como um factor estrutural na avaliação da performance do jornal. A alteração deve provocar uma forte celeuma sobre a validade da existência desta função num ambiente informativo onde o público assume um protagonismo cada vez maior no monitoramento crítico da Imprensa.”

 

O texto de Carlos Castilho, na íntegra, no Observatório da Imprensa, e a crónica de despedida da última Provedora, Lyz Spayd
Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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