Quarta-feira, 14 de Novembro, 2018
Media

The "New York Times" ensaia mudanças na estrutura editorial

O diário The New York Times tem estado a fazer mudanças na sua estrutura editorial, que nem sempre passam sem tensões internas. Entre as mais recentes contam-se uma redução drástica no número dos editores e revisores de texto, com aumento do contingente e responsabilidades dos repórteres. Foi também extinto o cargo do Provedor do Leitor (Ombudsman), para abrir espaço a maior participação dos leitores. Carlos Castilho, editor do Observatório da Imprensa do Brasil  - com o qual mantemos um acordo de parceria -  interroga-se sobre o efeito que podem ter “naquilo que o jornal tem de mais valorizado, a sua credibilidade”.

Ao tomar esta decisão, como escreve Carlos Castilho, “o NYT busca eliminar o que classificou como ‘linha de montagem de notícias’ para beneficiar um sistema menos burocratizado e hierárquico na produção e publicação de reportagens; a simplificação do processo de produção noticiosa também tem um objectivo financeiro, ao reduzir o número de profissionais contratados”. (...)

“A nova orientação diminui as diferenças entre a produção de notícias impressas e as da versão na Internet. Trata-se de uma ousadia ainda não testada por nenhum grande jornal norte-americano”, mas, como conta o autor, “foi mal recebida pelos copy desks e revisores porque reduz drasticamente a participação de um sector da redacção, que até agora era considerado o guardião do estilo, exactidão e credibilidade dos textos publicados”. (…) 

“A Internet também está por detrás desta nova experiência do The New York Times, que passa a incorporar as críticas dos leitores como um factor estrutural na avaliação da performance do jornal. A alteração deve provocar uma forte celeuma sobre a validade da existência desta função num ambiente informativo onde o público assume um protagonismo cada vez maior no monitoramento crítico da Imprensa.”

 

O texto de Carlos Castilho, na íntegra, no Observatório da Imprensa, e a crónica de despedida da última Provedora, Lyz Spayd
Connosco
Agravam-se as ameças sobre os jornalistas na Europa Ver galeria

Jornalistas queimados em efígie, insultados e ameaçados, desacreditados pelos dirigentes dos seus próprios países. Processados, assaltados, alvo de ameaças de violação ou de morte, e em vários casos efectivamente assassinados. É este, hoje, o ambiente em que trabalham muitos jornalistas na Europa.

A organização Index on Censorship, com o apoio da Federação Europeia de Jornalistas, reuniu no relatório Mapping Media Freedom mais de três mil episódios de situações deste tipo, registadas desde Maio de 2004. A informação recolhida apresenta os jornalistas e os media onde trabalham como alvos de dirigentes políticos, empresas e mesmo o público em geral  -  mas algumas tendências principais são destacadas e apontadas neste trabalho. O objectivo é fornecer indicações úteis aos legisladores e a quantos desejem continuar a defender o ambiente favorável a uma Imprensa independente e pluralista.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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Opinião
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Ironias de uma tragédia
Francisco Sarsfield Cabral
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Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...