Quinta-feira, 17 de Janeiro, 2019
Media

The "New York Times" ensaia mudanças na estrutura editorial

O diário The New York Times tem estado a fazer mudanças na sua estrutura editorial, que nem sempre passam sem tensões internas. Entre as mais recentes contam-se uma redução drástica no número dos editores e revisores de texto, com aumento do contingente e responsabilidades dos repórteres. Foi também extinto o cargo do Provedor do Leitor (Ombudsman), para abrir espaço a maior participação dos leitores. Carlos Castilho, editor do Observatório da Imprensa do Brasil  - com o qual mantemos um acordo de parceria -  interroga-se sobre o efeito que podem ter “naquilo que o jornal tem de mais valorizado, a sua credibilidade”.

Ao tomar esta decisão, como escreve Carlos Castilho, “o NYT busca eliminar o que classificou como ‘linha de montagem de notícias’ para beneficiar um sistema menos burocratizado e hierárquico na produção e publicação de reportagens; a simplificação do processo de produção noticiosa também tem um objectivo financeiro, ao reduzir o número de profissionais contratados”. (...)

“A nova orientação diminui as diferenças entre a produção de notícias impressas e as da versão na Internet. Trata-se de uma ousadia ainda não testada por nenhum grande jornal norte-americano”, mas, como conta o autor, “foi mal recebida pelos copy desks e revisores porque reduz drasticamente a participação de um sector da redacção, que até agora era considerado o guardião do estilo, exactidão e credibilidade dos textos publicados”. (…) 

“A Internet também está por detrás desta nova experiência do The New York Times, que passa a incorporar as críticas dos leitores como um factor estrutural na avaliação da performance do jornal. A alteração deve provocar uma forte celeuma sobre a validade da existência desta função num ambiente informativo onde o público assume um protagonismo cada vez maior no monitoramento crítico da Imprensa.”

 

O texto de Carlos Castilho, na íntegra, no Observatório da Imprensa, e a crónica de despedida da última Provedora, Lyz Spayd
Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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