Sexta-feira, 23 de Fevereiro, 2018
Media

Carta Aberta da "Al-Jazeera" em defesa do seu jornalismo

A estação de TV “Al-Jazeera”, cujo encerramento é exigido por uma coligação de Estados árabes, responde a esta ameaça numa carta aberta em que conta a sua história de pouco mais de vinte anos, refuta as acusações de que tem sido alvo e afirma o seu empenhamento em continuar a fazer um jornalismo “rigoroso, equilibrado e imparcial”. O seu propósito, segundo se afirma no texto, é o de respeitar o direito das pessoas a serem informadas, como a serem escutadas, dando “voz aos que não têm voz”.

Quando a Al-Jazeera em língua árabe nasceu, em 1996, “a maior parte dos media na região eram estatais e frequentemente porta-vozes incontestados dos diversos dirigentes e governos”.

A carta aberta, que aqui citamos, afirma que a nova estação apresentou-se como “uma voz verdadeiramente independente, com a missão de escutar e relatar as histórias humanas que eram de outro modo ignoradas; de cobrir os acontecimentos com equilíbrio e integridade; e de chamar os poderes à responsabilidade”.

Dez anos depois, em 2006, juntou-se a ela o serviço em língua inglesa, com a mesma missão. Segundo o texto citado, a Al-Jazeera em língua árabe tornou-se o canal mais visto em todo o mundo árabe na sua história, tendo hoje mais espectadores “do que o total combinado dos nossos maiores concorrentes”. 

Por seu lado, o serviço em língua inglesa “é visto em mais de 130 países por todo o mundo, por dezenas de milhões de pessoas que respeitam o nosso jornalismo”. A estação reivindica o número de mais de 3.000 trabalhadores, “que são dos mais talentosos e diversos no mundo”, e delegações em mais de 70 lugares, incluindo a sede na cidade de Doha e centros de emissão em Londres e Washington, “com jornalistas cuja coragem e ética de trabalho são inabaláveis”. 

Sobre as críticas que lhe têm sido feitas, a carta aberta responde:

“Fomos acusados de parcialidade, de provocarmos a Primavera Árabe, de termos um programa e de favorecermos um lado contra o outro. Rejeitamos estas alegações, e as nossas emissões são testemunho da nossa integridade.” (...) 

“Fomos acusados de tendenciosismo, porque a Al-Jazeera em árabe foi o primeiro canal árabe a convidar políticos e comentadores de Israel. Mas o que fizémos foi garantir que escutávamos e interpelávamos todas as vozes relevantes na busca de um bom jornalismo.” 

“Fomos acusados de extremismo quando entrevistámos membros dos Taliban, mas a verdade é que estávamos a pôr as perguntas difíceis e a garantir que interpelávamos todos os lados da história.” (...) 

“Os membros da Al-Jazeera foram ameaçados, presos e mortos em consequência do cumprimento do seu dever como jornalistas. Os nossos colegas no Iraque, na Síria e noutros locais pagaram o preço derradeiro enquanto faziam o seu trabalho.” (...) 

“Também fizémos reportagem sobre temas críticos e talvez embaraçosos no Qatar, quando eles surgiram, incluindo o sofrimento dos trabalhadores nos estaleiros de construção e acusações de violação de direitos.” (...) 

A carta aberta termina afirmando que a Al-Jazeera continuará “a fazer o seu trabalho com integridade” e a ser “corajosa na busca da verdade”. 

 

O texto que citámos, na íntegra, na Al-Jazeera

Connosco
Joana Marques Vidal em Março no novo ciclo de jantares-debate Ver galeria

Magistrada do Ministério Público de carreira desde 1979, Joana Marques Vidal é a próxima oradora-convidada, a 14 de Março,   no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”, promovido pelo Clube Português de Imprensa em parceria com o CNC - Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário.

Nomeada Procuradora- Geral da República, em Outubro de 2012  pelo então Presidente Aníbal Cavaco Silva, Joana Marques Vidal foi a primeira mulher a ocupar o cargo em Portugal em 180 anos de magistratura do Ministério Público. O seu mandato, que ficará certamente na história, termina em Outubro, sendo ainda uma incógnita se será ou não reconduzida.   

Com uma personalidade reservada, e intervenções públicas muito espaçadas,  a sua presença neste ciclo representará decerto um importante contributo para o debate em curso sobre a Justiça.

  

 

 

Utilização de "drones" por jornalistas com "regime específico" Ver galeria

A Comissão Nacional de Protecção de Dados divulgou o parecer que lhe fora pedido pelo secretário de Estado das Infraestruturas sobre o novo regime jurídico para a utilização de aeronaves de controlo remoto (drones), recomendando uma reformulação do projecto de decreto-lei já elaborado. No âmbito da sua competência específica, esta Comissão adverte que o novo regime não pode limitar-se a acautelar a segurança e a responsabilidade civil, “deixando de fora” a tutela da privacidade. É também recomendada a criação de um “regime específico” para a captação por jornalistas.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
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O essencial da palestra que o conhecido jurista e comentador político António Lobo Xavier veio proferir, no passado dia 24 de janeiro, no  Grémio Literário pode resumir-se a uma frase que ele disse na parte final da sua intervenção: "não há distribuição sem crescimento". Aconteceu isto na terceira conferência do ciclo "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opcões", uma iniciativa do Clube de Imprensa em...
O novo livro do jornalista americano Howard Kurtz, “Media Madness: Donald Trump, the Press, and the War Over the Truth”, lançado pela editora Regnery em 29 de Janeiro - por coincidência intencional ou não, na véspera do primeiro discurso “State of the Union” de  Trump perante o Congresso, marcado para o dia seguinte - é um marco oportuno e de leitura imprescindível para quem acompanhe, por interesse profissional ou...
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