Sexta-feira, 22 de Março, 2019
Media

Carta Aberta da "Al-Jazeera" em defesa do seu jornalismo

A estação de TV “Al-Jazeera”, cujo encerramento é exigido por uma coligação de Estados árabes, responde a esta ameaça numa carta aberta em que conta a sua história de pouco mais de vinte anos, refuta as acusações de que tem sido alvo e afirma o seu empenhamento em continuar a fazer um jornalismo “rigoroso, equilibrado e imparcial”. O seu propósito, segundo se afirma no texto, é o de respeitar o direito das pessoas a serem informadas, como a serem escutadas, dando “voz aos que não têm voz”.

Quando a Al-Jazeera em língua árabe nasceu, em 1996, “a maior parte dos media na região eram estatais e frequentemente porta-vozes incontestados dos diversos dirigentes e governos”.

A carta aberta, que aqui citamos, afirma que a nova estação apresentou-se como “uma voz verdadeiramente independente, com a missão de escutar e relatar as histórias humanas que eram de outro modo ignoradas; de cobrir os acontecimentos com equilíbrio e integridade; e de chamar os poderes à responsabilidade”.

Dez anos depois, em 2006, juntou-se a ela o serviço em língua inglesa, com a mesma missão. Segundo o texto citado, a Al-Jazeera em língua árabe tornou-se o canal mais visto em todo o mundo árabe na sua história, tendo hoje mais espectadores “do que o total combinado dos nossos maiores concorrentes”. 

Por seu lado, o serviço em língua inglesa “é visto em mais de 130 países por todo o mundo, por dezenas de milhões de pessoas que respeitam o nosso jornalismo”. A estação reivindica o número de mais de 3.000 trabalhadores, “que são dos mais talentosos e diversos no mundo”, e delegações em mais de 70 lugares, incluindo a sede na cidade de Doha e centros de emissão em Londres e Washington, “com jornalistas cuja coragem e ética de trabalho são inabaláveis”. 

Sobre as críticas que lhe têm sido feitas, a carta aberta responde:

“Fomos acusados de parcialidade, de provocarmos a Primavera Árabe, de termos um programa e de favorecermos um lado contra o outro. Rejeitamos estas alegações, e as nossas emissões são testemunho da nossa integridade.” (...) 

“Fomos acusados de tendenciosismo, porque a Al-Jazeera em árabe foi o primeiro canal árabe a convidar políticos e comentadores de Israel. Mas o que fizémos foi garantir que escutávamos e interpelávamos todas as vozes relevantes na busca de um bom jornalismo.” 

“Fomos acusados de extremismo quando entrevistámos membros dos Taliban, mas a verdade é que estávamos a pôr as perguntas difíceis e a garantir que interpelávamos todos os lados da história.” (...) 

“Os membros da Al-Jazeera foram ameaçados, presos e mortos em consequência do cumprimento do seu dever como jornalistas. Os nossos colegas no Iraque, na Síria e noutros locais pagaram o preço derradeiro enquanto faziam o seu trabalho.” (...) 

“Também fizémos reportagem sobre temas críticos e talvez embaraçosos no Qatar, quando eles surgiram, incluindo o sofrimento dos trabalhadores nos estaleiros de construção e acusações de violação de direitos.” (...) 

A carta aberta termina afirmando que a Al-Jazeera continuará “a fazer o seu trabalho com integridade” e a ser “corajosa na busca da verdade”. 

 

O texto que citámos, na íntegra, na Al-Jazeera

Connosco
O jornalismo entre os "apóstolos da certeza" e a "política da dúvida" Ver galeria

Há uma grande diferença entre um jornalismo “de elite” e aquele que vive dependente do clickbait. Há uma grande diferença, temporal, entre o que se faz hoje e o que se fazia há poucos anos  - tratando-se de tecnologia digital, “o que aconteceu há cinco anos é história”. E há uma grande diferença entre entender o que está a acontecer aos jornalistas e entender o que os jornalistas acham que lhes está a acontecer.

A reflexão inicial é de C.W. Anderson, que se define como um etnógrafo dedicado a estudar o modo como o jornalismo está a mudar com o tempo. Foi co-autor, com Emily Bell e Clay Shirky, do Relatório do Jornalismo Pós-Industrial, em 2012, na Universidade de Columbia. O seu trabalho mais recente é Apóstolos da Certeza: Jornalismo de Dados e a Política da Dúvida, livro em que analisa como a ideia de jornalismo de dados mudou ao longo do tempo.

Cidadão dos EUA, C.W. Anderson é hoje professor na Escola de Jornalismo da Universidade de Leeds, no Reino Unido. A entrevista que aqui citamos foi publicada no Farol Jornalismo, do Medium, e reproduzida no Obervatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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