null, 23 de Setembro, 2018
Media

Carta Aberta da "Al-Jazeera" em defesa do seu jornalismo

A estação de TV “Al-Jazeera”, cujo encerramento é exigido por uma coligação de Estados árabes, responde a esta ameaça numa carta aberta em que conta a sua história de pouco mais de vinte anos, refuta as acusações de que tem sido alvo e afirma o seu empenhamento em continuar a fazer um jornalismo “rigoroso, equilibrado e imparcial”. O seu propósito, segundo se afirma no texto, é o de respeitar o direito das pessoas a serem informadas, como a serem escutadas, dando “voz aos que não têm voz”.

Quando a Al-Jazeera em língua árabe nasceu, em 1996, “a maior parte dos media na região eram estatais e frequentemente porta-vozes incontestados dos diversos dirigentes e governos”.

A carta aberta, que aqui citamos, afirma que a nova estação apresentou-se como “uma voz verdadeiramente independente, com a missão de escutar e relatar as histórias humanas que eram de outro modo ignoradas; de cobrir os acontecimentos com equilíbrio e integridade; e de chamar os poderes à responsabilidade”.

Dez anos depois, em 2006, juntou-se a ela o serviço em língua inglesa, com a mesma missão. Segundo o texto citado, a Al-Jazeera em língua árabe tornou-se o canal mais visto em todo o mundo árabe na sua história, tendo hoje mais espectadores “do que o total combinado dos nossos maiores concorrentes”. 

Por seu lado, o serviço em língua inglesa “é visto em mais de 130 países por todo o mundo, por dezenas de milhões de pessoas que respeitam o nosso jornalismo”. A estação reivindica o número de mais de 3.000 trabalhadores, “que são dos mais talentosos e diversos no mundo”, e delegações em mais de 70 lugares, incluindo a sede na cidade de Doha e centros de emissão em Londres e Washington, “com jornalistas cuja coragem e ética de trabalho são inabaláveis”. 

Sobre as críticas que lhe têm sido feitas, a carta aberta responde:

“Fomos acusados de parcialidade, de provocarmos a Primavera Árabe, de termos um programa e de favorecermos um lado contra o outro. Rejeitamos estas alegações, e as nossas emissões são testemunho da nossa integridade.” (...) 

“Fomos acusados de tendenciosismo, porque a Al-Jazeera em árabe foi o primeiro canal árabe a convidar políticos e comentadores de Israel. Mas o que fizémos foi garantir que escutávamos e interpelávamos todas as vozes relevantes na busca de um bom jornalismo.” 

“Fomos acusados de extremismo quando entrevistámos membros dos Taliban, mas a verdade é que estávamos a pôr as perguntas difíceis e a garantir que interpelávamos todos os lados da história.” (...) 

“Os membros da Al-Jazeera foram ameaçados, presos e mortos em consequência do cumprimento do seu dever como jornalistas. Os nossos colegas no Iraque, na Síria e noutros locais pagaram o preço derradeiro enquanto faziam o seu trabalho.” (...) 

“Também fizémos reportagem sobre temas críticos e talvez embaraçosos no Qatar, quando eles surgiram, incluindo o sofrimento dos trabalhadores nos estaleiros de construção e acusações de violação de direitos.” (...) 

A carta aberta termina afirmando que a Al-Jazeera continuará “a fazer o seu trabalho com integridade” e a ser “corajosa na busca da verdade”. 

 

O texto que citámos, na íntegra, na Al-Jazeera

Connosco
CPI e "Tribuna de Macau" instituem Prémios de Ensaio e de Jornalismo da Lusofonia Ver galeria

O Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído há um ano por iniciativa do jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, com o patrocínio da Fundação Jorge Álvares e o apoio do JL – Jornal de Artes, Letras e Ideias, reparte-se, nesta sua segunda edição, por dois: um aberto a textos originais, que passa a designar-se o Prémio Ensaio da Lusofonia, e outro que mantém o título de Prémio de Jornalismo da Lusofonia, destinado a textos já publicados, em suporte papel ou digital.

Mantém-se o espírito original de distinguir trabalhos “no quadro do desejado aprofundamento de todos os aspectos ligados à Língua Portuguesa, com relevo para a singularidade do posicionamento de Macau no seu papel de plataforma de ligação entre países de Língua Oficial Portuguesa”.

O Regulamento do Prémio de Lusofonia vem incluído na segunda imagem que acompanha este texto.

O efeito da revolução digital sobre a arquitectura das redacções Ver galeria

A transformação, no jornalismo, é tão rápida que até os novos termos ficam desactualizados sem que demos conta disso. Pior ainda, sem que os tenhamos sequer assimilado correctamente. É o caso da “convergência redaccional”, ou integração dos vários elementos da redacção no seu espaço reajustado. Esta reflexão é desenvolvida por Félix Bahón, jornalista, docente e investigador do Instituto para la Innovación Periodística, e foi publicada no nº 22 de Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

Lançado em Novembro de 2015, este site do Clube Português de Imprensa tem desenvolvido, desde então, um trabalho de acompanhamento das tendências dominantes, quer no mercado de Imprensa, quer nos media audiovisuais em geral e na Internet em particular.

Interessa-nos, também, debater o jornalismo e o modo como é exercido, em Portugal e fora de fronteiras,  cumprindo um objectivo que está na génese desta Associação.


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