Segunda-feira, 22 de Janeiro, 2018
Fórum

Ser mulher jornalista em países muçulmanos segundo uma iraniana

“Ser uma jornalista tem riscos, em sociedades islâmicas patriarcais como o Irão.” Quando foi presa, em 2014, juntamente com o marido, a iraniana Yeganeh Rezaian conta que havia nessa altura cinco dúzias de jornalistas atrás das grades, sendo dez mulheres. Da sua própria experiência, como da que conheceu de outras, e não só no Irão, recolheu os testemunhos que apresenta no trabalho “Como as mulheres jornalistas são silenciadas num mundo de homens: a espada de dois gumes de fazer reportagem em países muçulmanos”.

A autora conta que esteve detida 72 noites, 69 das quais em cela solitária, antes de sair em liberdade condicional, sob fiança. Não foi acusada nem levada a julgamento, e hoje pensa que estava a ser usada como pressão sobre o marido, Jason Rezaian, que fora chefe da delegação do Washington Post em Teerão e passou 18 meses na prisão, enquanto o Irão e as potências mundiais, incluindo os EUA, negociavam o histórico acordo nuclear. 

“Eu compreendi que, embora as mulheres jornalistas sejam um número pequeno entre todos os que se encontram presos, nós enfrentamos ameaças e desafios distintos, muitos dos quais podem ficar escondidos do mundo por meio de tácticas de pressão como aquelas que eu tive de suportar. Também compreendi que fazem parte de um objectivo mais vasto, de silenciar as mulheres e desorganizar os movimentos de base no sentido da igualdade de género.” (...) 

“As mulheres jornalistas enfrentam determinadas ameaças, tais como initimidação sexual, agressão ou assédio sexual, com muito maior frequência do que os seus colegas masculinos, o que torna necessária e imperiosa uma formação em segurança específica para o seu género, segundo o Comité para a Protecção dos Jornalistas e outras organizações. Não há recursos nem programas de formação suficientes nem mesmo para os membros regulares das maiores empresas internacionais de media, no sentido de preparar as mulheres para o confronto com a violência e outras ameaças. Para as freelancers, não há praticamente nada.” (...) 

No seu texto, Yeganeh Rezaian descreve casos frequentes  - um deles passado consigo -  em que uma jornalista cuja reportagem começa a tornar-se incómoda se torna alvo de chantagem via e-mail, com ameaças de divulgação de escândalos sexuais inventados, mas eficazes para degradação da sua imagem pública. 

Os homens que têm de entrevistar podem assumir atitudes de vários tipos: há os mais conservadores, que chegam a evitar o contacto visual, ou se recusam mesmo a falar com uma repórter, porque “aceitam a visão extrema segundo a qual não é permitido encontrar-se com uma mulher que não seja membro da sua família”. Mas outros “tratam-na como uma sedutora, interagindo com ela como se a sua única utilidade como mulher fosse para gratificação sexual; nunca o dizem em voz alta, mas o movimento dos seus olhos diz tudo.” (...) 

Curiosamente, há um ponto em que ser mulher pode beneficiar o seu trabalho como jornalista. Khadija Ismayilova, uma jornalista do Azerbeijão, contou-lhe que isso sucede porque muitas pessoas “subestimam a inteligência da mulher”: 

“Pelo facto de sermos mulheres, os nossos entrevistados consideram-nos umas tontas e explicam tudo com mais detalhe. Isto torna as nossas entrevistas mais completas. É mais fácil para uma mulher conseguir um autêntico soundbite”  - disse.

 

 

O trabalho de Yeganeh Rezaian, inicialmente publicado no site do Shorenstein Center, é aqui parcialmente citado da Global Investigative Journalism Network. A imagem presente neste site do GIJN é de Shifa Gardi, jornalista de uma estação de televisão curda do Iraque, que foi morta em reportagem, pela explosão de uma bomba.

Connosco
Quatro congressos de jornalistas e gestores de Media em Portugal Ver galeria

Vão decorrer este ano, em Lisboa e Cascais, quase em simultâneo, quatro importantes encontros internacionais de jornalistas, directores e proprietários de media, ou ainda de especialistas nas novas tecnologias digitais aplicadas à comunicação. O título que os agrupa todos é Media Summit, e os dois mais concorridos trazem ao nosso País, cada um deles, perto de um milhar de participantes. Entre o final de Maio e o princípio de Junho, os grandes nomes de referência dos jornais e agências de Imprensa, os Repórteres sem Fronteiras como o Consórcio Internacional de Jornalistas, as plataformas das redes sociais como os representantes da Federação Internacional de Jornalistas, vão poder, pela proximidade física entre todos os eventos, avaliar problemas diversos ou comuns e, eventualmente, marcar encontros entre si.

António Lobo Xavier em Janeiro no novo ciclo de jantares-debate do CPI Ver galeria

O novo ciclo de jantares-debate,  promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o  Grémio Literário, subordinado ao tema genérico O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções” prossegue  no próximo dia 24 de Janeiro, sendo orador convidado António Lobo Xavier, advogado, político e conselheiro de Estado designado por Marcelo Rebelo de Sousa.  

António Bernardo Aranha da Gama Lobo Xavier, de seu nome completo, nasceu em Coimbra em 1959, e é um prestigiado advogado, ligado desde a juventude ao CDS-PP, com uma intervenção política regular e respeitada, designadamente, no programa televisivo “Quadratura do Círculo”, no qual participa desde 2004.


O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

ver mais >
Opinião
Como será o ano de 2018 para os mídia e a actividade publicitária? Vamos então brincar às bolas de cristal. Em primeiro lugar as estações de televisão generalistas estão a perder espectadores e estas quedas são mais rápidas do que se pensava. A culpa, já se sabe, é da internet – que é a razão para todas as crises de mídia do mundo. Explicando melhor, a culpa é do...
Jornalismo melhor ou pior em Portugal?
Francisco Sarsfield Cabral
Esta interrogação vem a propósito de um recente artigo de João Miguel Tavares no Público, refutando afirmações de Pacheco Pereira no mesmo jornal sobre a qualidade do jornalismo no nosso país. Pacheco Pereira sempre foi crítico dos jornalistas portugueses e dos seus métodos de trabalho. Há anos, quando era deputado do PSD, procurou isolar o mais possível, no Parlamento, os deputados dos jornalistas que ali...
Os últimos dados auditados pela APCT, no ano findo, estão longe de serem tranquilizadores sobre a boa saúde da Imprensa escrita.  De um modo geral,  os generalistas  continuam  a perder vendas em banca e os raros que escapam a essa erosão fatal não exibem subidas convincentes. Um dos recuos mais evidentes é o do centenário “Diário de  Noticias”,  que já deslizou para uma fasquia...
Se 2016 foi o ano em que se tornou evidente o impacto do Facebook e da Google nos meios de comunicação social tradicionais em termos de perda de receita publicitária, então 2017 foi quando se tornou impossível ignorar outros impactos. O ano que agora começa pode acelerar essas tendências ou testemunhar uma intensificação dos esforços recentes para as contrariar. No Reino Unido, o Parlamento deu ao Facebook e ao Twitter...
Gostaria de felicitar a Assembleia da República pela organização desta Conferência sobre a agência portuguesa de notícias – LUSA. Três razões justificam, só por si, a iniciativa. Passo a enunciá-las. Primeira razão: a LUSA é hoje, e de longe, o principal fornecedor de conteúdos para os órgãos de comunicação social portugueses. Cerca de 70% do material informativo que...
Agenda
25
Jan
Salão da Radio 2018
09:00 @ Paris, França
26
Jan
Fake News and Weaponized Defamation: Global Perspectives
09:00 @ Los Angeles, Estados Unidos da América
02
Fev
04
Fev
05
Fev
Email Insider Summit: Europe
09:00 @ Grindelwald, Suiça