Quarta-feira, 18 de Julho, 2018
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Ser mulher jornalista em países muçulmanos segundo uma iraniana

“Ser uma jornalista tem riscos, em sociedades islâmicas patriarcais como o Irão.” Quando foi presa, em 2014, juntamente com o marido, a iraniana Yeganeh Rezaian conta que havia nessa altura cinco dúzias de jornalistas atrás das grades, sendo dez mulheres. Da sua própria experiência, como da que conheceu de outras, e não só no Irão, recolheu os testemunhos que apresenta no trabalho “Como as mulheres jornalistas são silenciadas num mundo de homens: a espada de dois gumes de fazer reportagem em países muçulmanos”.

A autora conta que esteve detida 72 noites, 69 das quais em cela solitária, antes de sair em liberdade condicional, sob fiança. Não foi acusada nem levada a julgamento, e hoje pensa que estava a ser usada como pressão sobre o marido, Jason Rezaian, que fora chefe da delegação do Washington Post em Teerão e passou 18 meses na prisão, enquanto o Irão e as potências mundiais, incluindo os EUA, negociavam o histórico acordo nuclear. 

“Eu compreendi que, embora as mulheres jornalistas sejam um número pequeno entre todos os que se encontram presos, nós enfrentamos ameaças e desafios distintos, muitos dos quais podem ficar escondidos do mundo por meio de tácticas de pressão como aquelas que eu tive de suportar. Também compreendi que fazem parte de um objectivo mais vasto, de silenciar as mulheres e desorganizar os movimentos de base no sentido da igualdade de género.” (...) 

“As mulheres jornalistas enfrentam determinadas ameaças, tais como initimidação sexual, agressão ou assédio sexual, com muito maior frequência do que os seus colegas masculinos, o que torna necessária e imperiosa uma formação em segurança específica para o seu género, segundo o Comité para a Protecção dos Jornalistas e outras organizações. Não há recursos nem programas de formação suficientes nem mesmo para os membros regulares das maiores empresas internacionais de media, no sentido de preparar as mulheres para o confronto com a violência e outras ameaças. Para as freelancers, não há praticamente nada.” (...) 

No seu texto, Yeganeh Rezaian descreve casos frequentes  - um deles passado consigo -  em que uma jornalista cuja reportagem começa a tornar-se incómoda se torna alvo de chantagem via e-mail, com ameaças de divulgação de escândalos sexuais inventados, mas eficazes para degradação da sua imagem pública. 

Os homens que têm de entrevistar podem assumir atitudes de vários tipos: há os mais conservadores, que chegam a evitar o contacto visual, ou se recusam mesmo a falar com uma repórter, porque “aceitam a visão extrema segundo a qual não é permitido encontrar-se com uma mulher que não seja membro da sua família”. Mas outros “tratam-na como uma sedutora, interagindo com ela como se a sua única utilidade como mulher fosse para gratificação sexual; nunca o dizem em voz alta, mas o movimento dos seus olhos diz tudo.” (...) 

Curiosamente, há um ponto em que ser mulher pode beneficiar o seu trabalho como jornalista. Khadija Ismayilova, uma jornalista do Azerbeijão, contou-lhe que isso sucede porque muitas pessoas “subestimam a inteligência da mulher”: 

“Pelo facto de sermos mulheres, os nossos entrevistados consideram-nos umas tontas e explicam tudo com mais detalhe. Isto torna as nossas entrevistas mais completas. É mais fácil para uma mulher conseguir um autêntico soundbite”  - disse.

 

 

O trabalho de Yeganeh Rezaian, inicialmente publicado no site do Shorenstein Center, é aqui parcialmente citado da Global Investigative Journalism Network. A imagem presente neste site do GIJN é de Shifa Gardi, jornalista de uma estação de televisão curda do Iraque, que foi morta em reportagem, pela explosão de uma bomba.

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Aumentam assinaturas pagas de meios digitais com algumas surpresas... Ver galeria

As assinaturas pagas são a “tábua de salvação” dos jornais digitais, mas cobrar pelas notícias, neste terreno, é uma estratégia difícil de implementar. Muitos meios de comunicação hesitam em dar este passo, pelo receio de perderem leitores. No entanto, dezenas de outros tiveram êxito, seguindo estratégias diferentes e, também, com diversos graus de sucesso. A FIPP  - Federação Internacional da Imprensa Periódica -  editou recentemente o seu primeiro Global Digital Subscription Snapshot, que permite consultar a tabela com os principais meios online, comparar os seus números de assinantes e preços cobrados e, assim, obter ideias úteis para os que procuram chegar ao desejado equilíbrio financeiro sem terem de perder público.

Como captar audiência e ser fiel ao bom jornalismo Ver galeria

A crise que tem atingido os meios de comunicação, nos últimos anos, com a queda constante das receitas da publicidade e a dependência incerta da adesão dos leitores, tem conduzido editores e jornalistas a apostarem sobretudo nesta segunda direcção. Reatar relações de confiança e construir “audiências leais em torno de um jornalismo de qualidade”, parece ser o único caminho sólido, mesmo que não seja fácil. Os fundamentos da próxima geração de modelos sustentáveis de receita para os media “serão contribuições directas da sua audiência, apoiados por altos níveis de compromisso dos leitores”.

Portanto, uma espécie de “contrato social”, pelo lado do meio de comunicação e dos seus jornalistas, e uma espécie de “conversão pessoal”, pelo lado dos leitores. É esta a linha desenvolvida por um recente estudo do Tow Center for Digital Journalism, da Universidade de Columbia, nos EUA, aqui comentado em artigo publicado na 36ª edição de Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

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