Quarta-feira, 18 de Julho, 2018
Media

Fragilidades dos jornais tradicionais contagiam "websites" independentes

Os desafios que ameaçam os jornais tradicionais são conhecidos: quebra nas receitas da publicidade, despedimentos, redacções reduzidas. Mas os websites independentes, de cobertura local, que aparecem a tentar ocupar o seu espaço, descobrem agora os seus próprios problemas: pouca receita, também, e exaustão dos que tentam mantê-los vivos. De que estão a morrer esses sites “hiper-locais”? É a questão a que tenta responder a jornalista Ashley McBride, no Poynter.org.

Há geralmente dois tipos de pessoas que fundam estes jornais digitais independentes, “hiper-locais”: o primeiro é o dos jornalistas despedidos; o segundo é o de dirigentes de negócios na comunidade, procurando preencher um “nicho”. É a avaliação de Matt DeRienzo, director da Local Independent Online News Publishers, uma organização que serve estes sites

Mas alguns jornalistas não têm o conhecimento do negócio para o fazer funcionar. “Muitos pensam que, por serem grandes jornalistas, fazem grande jornalismo, e o dinheiro naturalmente aparecia.”  - conta DeRienzo. 

“Equipas diminutas, e inexperiência do lado económico deste negócio, colocam toda a pressão pelo sucesso em cima de uma pessoa.” (...) 

Ashley McBride descreve vários exemplos concretos, começados sempre com muita esperança e encerrados ou vendidos pelos próprios fundadores, com desilusão e amargura. 

Um deles é contado por uma senhora, Joni Hubred-Golden, que, depois de ter sido dispensada, em Janeiro de 2014, do jornal Patch, fundou o Farmington Voice em Agosto do mesmo ano, por insistência de membros da comunidade e outros amigos jornalistas. 

Passados quase três anos, decidiu encerrá-lo em Março de 2017, mas não foi capaz de o vender. “Eu acho que uma pequena parte de mim continua a ter a esperança de que algum dia seja capaz de o reviver”  - Hubred-Golden.

 

O artigo citado, na íntegra, em Poynter.org, e o texto de despedida de Joni Hubred, no Farmington Voice

Connosco
Aumentam assinaturas pagas de meios digitais com algumas surpresas... Ver galeria

As assinaturas pagas são a “tábua de salvação” dos jornais digitais, mas cobrar pelas notícias, neste terreno, é uma estratégia difícil de implementar. Muitos meios de comunicação hesitam em dar este passo, pelo receio de perderem leitores. No entanto, dezenas de outros tiveram êxito, seguindo estratégias diferentes e, também, com diversos graus de sucesso. A FIPP  - Federação Internacional da Imprensa Periódica -  editou recentemente o seu primeiro Global Digital Subscription Snapshot, que permite consultar a tabela com os principais meios online, comparar os seus números de assinantes e preços cobrados e, assim, obter ideias úteis para os que procuram chegar ao desejado equilíbrio financeiro sem terem de perder público.

Como captar audiência e ser fiel ao bom jornalismo Ver galeria

A crise que tem atingido os meios de comunicação, nos últimos anos, com a queda constante das receitas da publicidade e a dependência incerta da adesão dos leitores, tem conduzido editores e jornalistas a apostarem sobretudo nesta segunda direcção. Reatar relações de confiança e construir “audiências leais em torno de um jornalismo de qualidade”, parece ser o único caminho sólido, mesmo que não seja fácil. Os fundamentos da próxima geração de modelos sustentáveis de receita para os media “serão contribuições directas da sua audiência, apoiados por altos níveis de compromisso dos leitores”.

Portanto, uma espécie de “contrato social”, pelo lado do meio de comunicação e dos seus jornalistas, e uma espécie de “conversão pessoal”, pelo lado dos leitores. É esta a linha desenvolvida por um recente estudo do Tow Center for Digital Journalism, da Universidade de Columbia, nos EUA, aqui comentado em artigo publicado na 36ª edição de Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

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