Sábado, 25 de Maio, 2019
Media

Fragilidades dos jornais tradicionais contagiam "websites" independentes

Os desafios que ameaçam os jornais tradicionais são conhecidos: quebra nas receitas da publicidade, despedimentos, redacções reduzidas. Mas os websites independentes, de cobertura local, que aparecem a tentar ocupar o seu espaço, descobrem agora os seus próprios problemas: pouca receita, também, e exaustão dos que tentam mantê-los vivos. De que estão a morrer esses sites “hiper-locais”? É a questão a que tenta responder a jornalista Ashley McBride, no Poynter.org.

Há geralmente dois tipos de pessoas que fundam estes jornais digitais independentes, “hiper-locais”: o primeiro é o dos jornalistas despedidos; o segundo é o de dirigentes de negócios na comunidade, procurando preencher um “nicho”. É a avaliação de Matt DeRienzo, director da Local Independent Online News Publishers, uma organização que serve estes sites

Mas alguns jornalistas não têm o conhecimento do negócio para o fazer funcionar. “Muitos pensam que, por serem grandes jornalistas, fazem grande jornalismo, e o dinheiro naturalmente aparecia.”  - conta DeRienzo. 

“Equipas diminutas, e inexperiência do lado económico deste negócio, colocam toda a pressão pelo sucesso em cima de uma pessoa.” (...) 

Ashley McBride descreve vários exemplos concretos, começados sempre com muita esperança e encerrados ou vendidos pelos próprios fundadores, com desilusão e amargura. 

Um deles é contado por uma senhora, Joni Hubred-Golden, que, depois de ter sido dispensada, em Janeiro de 2014, do jornal Patch, fundou o Farmington Voice em Agosto do mesmo ano, por insistência de membros da comunidade e outros amigos jornalistas. 

Passados quase três anos, decidiu encerrá-lo em Março de 2017, mas não foi capaz de o vender. “Eu acho que uma pequena parte de mim continua a ter a esperança de que algum dia seja capaz de o reviver”  - Hubred-Golden.

 

O artigo citado, na íntegra, em Poynter.org, e o texto de despedida de Joni Hubred, no Farmington Voice

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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