Terça-feira, 11 de Dezembro, 2018
Media

Fragilidades dos jornais tradicionais contagiam "websites" independentes

Os desafios que ameaçam os jornais tradicionais são conhecidos: quebra nas receitas da publicidade, despedimentos, redacções reduzidas. Mas os websites independentes, de cobertura local, que aparecem a tentar ocupar o seu espaço, descobrem agora os seus próprios problemas: pouca receita, também, e exaustão dos que tentam mantê-los vivos. De que estão a morrer esses sites “hiper-locais”? É a questão a que tenta responder a jornalista Ashley McBride, no Poynter.org.

Há geralmente dois tipos de pessoas que fundam estes jornais digitais independentes, “hiper-locais”: o primeiro é o dos jornalistas despedidos; o segundo é o de dirigentes de negócios na comunidade, procurando preencher um “nicho”. É a avaliação de Matt DeRienzo, director da Local Independent Online News Publishers, uma organização que serve estes sites

Mas alguns jornalistas não têm o conhecimento do negócio para o fazer funcionar. “Muitos pensam que, por serem grandes jornalistas, fazem grande jornalismo, e o dinheiro naturalmente aparecia.”  - conta DeRienzo. 

“Equipas diminutas, e inexperiência do lado económico deste negócio, colocam toda a pressão pelo sucesso em cima de uma pessoa.” (...) 

Ashley McBride descreve vários exemplos concretos, começados sempre com muita esperança e encerrados ou vendidos pelos próprios fundadores, com desilusão e amargura. 

Um deles é contado por uma senhora, Joni Hubred-Golden, que, depois de ter sido dispensada, em Janeiro de 2014, do jornal Patch, fundou o Farmington Voice em Agosto do mesmo ano, por insistência de membros da comunidade e outros amigos jornalistas. 

Passados quase três anos, decidiu encerrá-lo em Março de 2017, mas não foi capaz de o vender. “Eu acho que uma pequena parte de mim continua a ter a esperança de que algum dia seja capaz de o reviver”  - Hubred-Golden.

 

O artigo citado, na íntegra, em Poynter.org, e o texto de despedida de Joni Hubred, no Farmington Voice

Connosco
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Durante décadas, a estratégia de imagem da China foi defensiva, de resposta, e apontada sobretudo à sua audiência interna. O efeito mais visível era o desaparecimento de conteúdos: revistas estrangeiras com páginas arrancadas, ou as emissões da BBC que ficavam escuras quando tratavam de temas sensíveis, como o Tibete, Taiwan ou o massacre de Tienanmen.

Mas nos últimos anos a China desenvolveu uma estratégia mais sofisticada e assertiva, apontada às audiências internacionais. E Pequim está a fazê-lo com grande investimento financeiro  - que inclui cobertura jornalística patrocinada.

Um dos exemplos mais ostensivos é agora a contratação de jornalistas ocidentais para a China Global Television Network  - o ramo internacional da Televisão Central da China -  com estúdios em Chiswick, Londres. O objectivo deste esforço é, nas palavras do Presidente Xi Jinping, “contar bem a história da China”. E não faltam candidatos. A informação consta de uma reportagem extensa, em The Guardian.

Jornais perdem publicidade e a democracia qualidade Ver galeria

A receita proveniente da publicidade nos diários impressos está a desaparecer num movimento que parece inexorável. Acontece em todos os mercados, e nomeadamente no dos EUA, que pode servir de aviso aos outros: neste caso, a receita da publicidade de todos os diários foi de 13.330 milhões de dólares em 2016, de 9.760 neste ano de 2018, quase a acabar, e será de apenas 4.400 milhões em 2022, segundo a mais recente projecção da eMarketer.

Na Espanha, e segundo os dados da InfoAdex sobre os nove primeiros meses de 2018, regista-se uma queda generalizada de 6,1% no investimento na Imprensa escrita, depois de onze anos de descida sem fim. O balanço é de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics, que conclui: “A desinformação instala-se à vontade e é urgente fazer qualquer coisa. Não abandonemos os editores, ou a qualidade da democracia irá pelo mesmo ralo por onde se escoa a conta de resultados dos meios de comunicação.”

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
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