Sábado, 25 de Maio, 2019
Media

O futuro dos jornais segundo Jeff Bezos no 150º aniversário de “La Stampa”

Jeff Bezos, fundador da Amazon e actual proprietário do Washington Post, esteve na conferência do 150º aniversário do diário La Stampa, de Turim, e falou sobre “O futuro dos jornais”. Defendeu as assinaturas pagas e a qualidade e brilho do que se publica, como resposta à crise, mas admitiu que pode acontecer que ler jornais impressos seja, um dia, “algo exótico, como ter um cavalo”.

Segundo notícia de O Globo, que participou igualmente nesta conferência, para Bezos “não é possível lutar contra o futuro” e vivemos hoje os ganhos da Internet e a troca do modelo de negócios no jornalismo: 

“Pelo antigo modelo, ganhava-se muito dinheiro sobre uma base pequena de leitores. Com a Internet, é preciso pensar numa quantidade de dinheiro pequena de uma base ampla de leitores.” (...) 

“Na sua avaliação, os jornais se tornarão artigo de luxo em algum momento. Questionado se haverá jornais em 2025, Bezos respondeu que sim”: 

“As coisas serão muito mais lentas do que se imagina. É uma experiência diferente. Em algum momento, será um artigo de luxo, algo exótico. Será como ter um cavalo. Hoje não se usa cavalo como meio de transporte, mas porque se gosta de cavalgar.” 

Segundo notícia do Poynter Institute, estiveram presentes vários dirigentes de media dos EUA, incluindo a editora principal do HuffPost, Lydia Polgreen, e os administradores de News Corp., Robert Thomson, e da New York Times Company, Mark Thompson. 

O site Poynter.org publica uma notícia breve, complementada com uma série de tweets enviados da própria conferência.

 

 

Mais informação em O Globo, de onde colhemos a imagem utilizada, e em Poynter.org

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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