Terça-feira, 11 de Dezembro, 2018
Media

O futuro dos jornais segundo Jeff Bezos no 150º aniversário de “La Stampa”

Jeff Bezos, fundador da Amazon e actual proprietário do Washington Post, esteve na conferência do 150º aniversário do diário La Stampa, de Turim, e falou sobre “O futuro dos jornais”. Defendeu as assinaturas pagas e a qualidade e brilho do que se publica, como resposta à crise, mas admitiu que pode acontecer que ler jornais impressos seja, um dia, “algo exótico, como ter um cavalo”.

Segundo notícia de O Globo, que participou igualmente nesta conferência, para Bezos “não é possível lutar contra o futuro” e vivemos hoje os ganhos da Internet e a troca do modelo de negócios no jornalismo: 

“Pelo antigo modelo, ganhava-se muito dinheiro sobre uma base pequena de leitores. Com a Internet, é preciso pensar numa quantidade de dinheiro pequena de uma base ampla de leitores.” (...) 

“Na sua avaliação, os jornais se tornarão artigo de luxo em algum momento. Questionado se haverá jornais em 2025, Bezos respondeu que sim”: 

“As coisas serão muito mais lentas do que se imagina. É uma experiência diferente. Em algum momento, será um artigo de luxo, algo exótico. Será como ter um cavalo. Hoje não se usa cavalo como meio de transporte, mas porque se gosta de cavalgar.” 

Segundo notícia do Poynter Institute, estiveram presentes vários dirigentes de media dos EUA, incluindo a editora principal do HuffPost, Lydia Polgreen, e os administradores de News Corp., Robert Thomson, e da New York Times Company, Mark Thompson. 

O site Poynter.org publica uma notícia breve, complementada com uma série de tweets enviados da própria conferência.

 

 

Mais informação em O Globo, de onde colhemos a imagem utilizada, e em Poynter.org

Connosco
Estratégia mediática da China usa "barcos emprestados" para "autenticar" a propaganda... Ver galeria

Durante décadas, a estratégia de imagem da China foi defensiva, de resposta, e apontada sobretudo à sua audiência interna. O efeito mais visível era o desaparecimento de conteúdos: revistas estrangeiras com páginas arrancadas, ou as emissões da BBC que ficavam escuras quando tratavam de temas sensíveis, como o Tibete, Taiwan ou o massacre de Tienanmen.

Mas nos últimos anos a China desenvolveu uma estratégia mais sofisticada e assertiva, apontada às audiências internacionais. E Pequim está a fazê-lo com grande investimento financeiro  - que inclui cobertura jornalística patrocinada.

Um dos exemplos mais ostensivos é agora a contratação de jornalistas ocidentais para a China Global Television Network  - o ramo internacional da Televisão Central da China -  com estúdios em Chiswick, Londres. O objectivo deste esforço é, nas palavras do Presidente Xi Jinping, “contar bem a história da China”. E não faltam candidatos. A informação consta de uma reportagem extensa, em The Guardian.

Jornais perdem publicidade e a democracia qualidade Ver galeria

A receita proveniente da publicidade nos diários impressos está a desaparecer num movimento que parece inexorável. Acontece em todos os mercados, e nomeadamente no dos EUA, que pode servir de aviso aos outros: neste caso, a receita da publicidade de todos os diários foi de 13.330 milhões de dólares em 2016, de 9.760 neste ano de 2018, quase a acabar, e será de apenas 4.400 milhões em 2022, segundo a mais recente projecção da eMarketer.

Na Espanha, e segundo os dados da InfoAdex sobre os nove primeiros meses de 2018, regista-se uma queda generalizada de 6,1% no investimento na Imprensa escrita, depois de onze anos de descida sem fim. O balanço é de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics, que conclui: “A desinformação instala-se à vontade e é urgente fazer qualquer coisa. Não abandonemos os editores, ou a qualidade da democracia irá pelo mesmo ralo por onde se escoa a conta de resultados dos meios de comunicação.”

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Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

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