Terça-feira, 11 de Dezembro, 2018
Estudo

Portugueses entre os europeus que mais confiam nas notícias

Portugal aparece no segundo lugar entre os países europeus, logo a seguir à Finlândia, no índice de confiança nas notícias (ficando o Brasil entre os dois). A Finlândia atinge os 62%, Portugal chega aos 58%, e os países mais em baixo, Grécia e Coreia do Sul, ficam nos 23%. Estes são alguns números do Digital News Report 2017 do Reuters Institute, que sublinha no texto de sumário que “a revolução digital está cheia de contradições e excepções” e que as diferenças para cada país podem ser procuradas nas páginas que lhes são dedicadas, no desenvolvimento do relatório.

O mesmo texto de sumário e conclusões principais revela que só um quarto (24%) dos que responderam ao inquérito acham que as redes sociais fazem bom trabalho na distinção entre facto e ficção, em comparação com os 40% que acreditam mais nos meios noticiosos. Os dados qualitativos sugerem que “os utentes sentem que a combinação de falta de regras e de algoritmos virais encorajam a baixa qualidade e a proliferação rápida das fakenews”. 

Outra informação surpreendente é a de que “os smartphones são agora tão importantes para as notícias dentro de casa como fora; a maior parte dos utentes de smartphones (46%) abre as notícias na cama, em vez de usar o aparelho na viagem para o trabalho”. (...) 

“Quanto às assinaturas de notícias online, temos assistido a um substancial Trump bump nos Estados Unidos (de 9% para 16%), com um triplicar de doações aos meios noticiosos. Muitos destes novos pagamentos vêm dos jovens, o que é um correctivo forte à ideia de que os jovens não estão preparados para pagar por meios online, menos ainda por notícias.” 

Segundo artigo da Lusa, que agora citamos, “quase um terço da amostra (29%) afirma que evita as notícias frequentemente ou por vezes e, destes, quase metade (44%) diz fazê-lo porque as notícias têm um efeito negativo no seu humor e um terço (33%) diz que não confia na sua veracidade”. 

“O estudo revela ainda que, em Portugal, as três marcas offline mais usadas como fonte de notícias são a SIC, a TVI e a RTP, enquanto no online as mais citadas são o Notícias ao Minuto, o Sapo e a SIC Notícias.”

 

“O relatório traça também o perfil de tendência política dos respondentes relacionando-o com os órgãos de comunicação social, concluindo, por exemplo, que o Diário de Notícias é mais lido por pessoas com tendência ideológica mais de esquerda, enquanto o Observador é mais lido por pessoas com tendência mais de direita.”

O Digital News Report 2017 é baseado num inquérito online feito a 70.000 pessoas, de 36 países, em cinco continentes.

 

Mais informação na notícia da Lusa e no texto de apresentação do Reuters Institute, que contém o link para acesso ao relatório na sua totalidade, em PDF. O mesmo tema em NiemanLab e no European Journalism Observatory

Connosco
Estratégia mediática da China usa "barcos emprestados" para "autenticar" a propaganda... Ver galeria

Durante décadas, a estratégia de imagem da China foi defensiva, de resposta, e apontada sobretudo à sua audiência interna. O efeito mais visível era o desaparecimento de conteúdos: revistas estrangeiras com páginas arrancadas, ou as emissões da BBC que ficavam escuras quando tratavam de temas sensíveis, como o Tibete, Taiwan ou o massacre de Tienanmen.

Mas nos últimos anos a China desenvolveu uma estratégia mais sofisticada e assertiva, apontada às audiências internacionais. E Pequim está a fazê-lo com grande investimento financeiro  - que inclui cobertura jornalística patrocinada.

Um dos exemplos mais ostensivos é agora a contratação de jornalistas ocidentais para a China Global Television Network  - o ramo internacional da Televisão Central da China -  com estúdios em Chiswick, Londres. O objectivo deste esforço é, nas palavras do Presidente Xi Jinping, “contar bem a história da China”. E não faltam candidatos. A informação consta de uma reportagem extensa, em The Guardian.

Jornais perdem publicidade e a democracia qualidade Ver galeria

A receita proveniente da publicidade nos diários impressos está a desaparecer num movimento que parece inexorável. Acontece em todos os mercados, e nomeadamente no dos EUA, que pode servir de aviso aos outros: neste caso, a receita da publicidade de todos os diários foi de 13.330 milhões de dólares em 2016, de 9.760 neste ano de 2018, quase a acabar, e será de apenas 4.400 milhões em 2022, segundo a mais recente projecção da eMarketer.

Na Espanha, e segundo os dados da InfoAdex sobre os nove primeiros meses de 2018, regista-se uma queda generalizada de 6,1% no investimento na Imprensa escrita, depois de onze anos de descida sem fim. O balanço é de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics, que conclui: “A desinformação instala-se à vontade e é urgente fazer qualquer coisa. Não abandonemos os editores, ou a qualidade da democracia irá pelo mesmo ralo por onde se escoa a conta de resultados dos meios de comunicação.”

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
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Há, na ideia de uma comunicação social estatizada ou ajudada pelo governo, uma contradição incontornável: como pode a imprensa depender da entidade que mais se queixa da imprensa? Uma parte da comunicação social portuguesa – televisão, rádio, imprensa escrita — é deficitária, está endividada e admite “problemas de tesouraria”. Mas acima desse, há outro problema, mais grave:...
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