Quarta-feira, 18 de Julho, 2018
Estudo

Portugueses entre os europeus que mais confiam nas notícias

Portugal aparece no segundo lugar entre os países europeus, logo a seguir à Finlândia, no índice de confiança nas notícias (ficando o Brasil entre os dois). A Finlândia atinge os 62%, Portugal chega aos 58%, e os países mais em baixo, Grécia e Coreia do Sul, ficam nos 23%. Estes são alguns números do Digital News Report 2017 do Reuters Institute, que sublinha no texto de sumário que “a revolução digital está cheia de contradições e excepções” e que as diferenças para cada país podem ser procuradas nas páginas que lhes são dedicadas, no desenvolvimento do relatório.

O mesmo texto de sumário e conclusões principais revela que só um quarto (24%) dos que responderam ao inquérito acham que as redes sociais fazem bom trabalho na distinção entre facto e ficção, em comparação com os 40% que acreditam mais nos meios noticiosos. Os dados qualitativos sugerem que “os utentes sentem que a combinação de falta de regras e de algoritmos virais encorajam a baixa qualidade e a proliferação rápida das fakenews”. 

Outra informação surpreendente é a de que “os smartphones são agora tão importantes para as notícias dentro de casa como fora; a maior parte dos utentes de smartphones (46%) abre as notícias na cama, em vez de usar o aparelho na viagem para o trabalho”. (...) 

“Quanto às assinaturas de notícias online, temos assistido a um substancial Trump bump nos Estados Unidos (de 9% para 16%), com um triplicar de doações aos meios noticiosos. Muitos destes novos pagamentos vêm dos jovens, o que é um correctivo forte à ideia de que os jovens não estão preparados para pagar por meios online, menos ainda por notícias.” 

Segundo artigo da Lusa, que agora citamos, “quase um terço da amostra (29%) afirma que evita as notícias frequentemente ou por vezes e, destes, quase metade (44%) diz fazê-lo porque as notícias têm um efeito negativo no seu humor e um terço (33%) diz que não confia na sua veracidade”. 

“O estudo revela ainda que, em Portugal, as três marcas offline mais usadas como fonte de notícias são a SIC, a TVI e a RTP, enquanto no online as mais citadas são o Notícias ao Minuto, o Sapo e a SIC Notícias.”

 

“O relatório traça também o perfil de tendência política dos respondentes relacionando-o com os órgãos de comunicação social, concluindo, por exemplo, que o Diário de Notícias é mais lido por pessoas com tendência ideológica mais de esquerda, enquanto o Observador é mais lido por pessoas com tendência mais de direita.”

O Digital News Report 2017 é baseado num inquérito online feito a 70.000 pessoas, de 36 países, em cinco continentes.

 

Mais informação na notícia da Lusa e no texto de apresentação do Reuters Institute, que contém o link para acesso ao relatório na sua totalidade, em PDF. O mesmo tema em NiemanLab e no European Journalism Observatory

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Aumentam assinaturas pagas de meios digitais com algumas surpresas... Ver galeria

As assinaturas pagas são a “tábua de salvação” dos jornais digitais, mas cobrar pelas notícias, neste terreno, é uma estratégia difícil de implementar. Muitos meios de comunicação hesitam em dar este passo, pelo receio de perderem leitores. No entanto, dezenas de outros tiveram êxito, seguindo estratégias diferentes e, também, com diversos graus de sucesso. A FIPP  - Federação Internacional da Imprensa Periódica -  editou recentemente o seu primeiro Global Digital Subscription Snapshot, que permite consultar a tabela com os principais meios online, comparar os seus números de assinantes e preços cobrados e, assim, obter ideias úteis para os que procuram chegar ao desejado equilíbrio financeiro sem terem de perder público.

Como captar audiência e ser fiel ao bom jornalismo Ver galeria

A crise que tem atingido os meios de comunicação, nos últimos anos, com a queda constante das receitas da publicidade e a dependência incerta da adesão dos leitores, tem conduzido editores e jornalistas a apostarem sobretudo nesta segunda direcção. Reatar relações de confiança e construir “audiências leais em torno de um jornalismo de qualidade”, parece ser o único caminho sólido, mesmo que não seja fácil. Os fundamentos da próxima geração de modelos sustentáveis de receita para os media “serão contribuições directas da sua audiência, apoiados por altos níveis de compromisso dos leitores”.

Portanto, uma espécie de “contrato social”, pelo lado do meio de comunicação e dos seus jornalistas, e uma espécie de “conversão pessoal”, pelo lado dos leitores. É esta a linha desenvolvida por um recente estudo do Tow Center for Digital Journalism, da Universidade de Columbia, nos EUA, aqui comentado em artigo publicado na 36ª edição de Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

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