Sexta-feira, 23 de Fevereiro, 2018
Media

Governo mexicano suspeito de espiar jornalistas "infectando" os seus telemóveis

Jornalistas mexicanos que se têm destacado por fazerem reportagens de investigação sobre temas sensíveis para o Poder acusam o governo de ter “infectado” os seus telemóveis com programas “piratas” que lêem os seus dados e geolocalização, podendo ainda servir-se da câmara e do microfone incorporados. O governo do México nega as acusações, mas várias organizações de defesa da liberdade de Imprensa apresentaram um relatório que descreve esta operação como vindo já desde 2015.

A jornalista Carmen Aristegui e dois outros membros da sua equipa de investigação recebiam, a partir de Janeiro de 2015, mensagens que se apresentavam como vindas dos seus bancos, da Embaixada dos Estados Unidos ou da operadora dos telemóveis, convidando-os a “clicar” em determinado endereço. 

Segundo artigo de Le Monde, que aqui citamos, isso bastava para introduzir um vírus “espião” que passava a ter conhecimento de todos os seus arquivos, incluindo chamadas e mensagens, tendo ainda acesso à geolocalização do utente e ao serviço do microfone e da câmara do aparelho. 

“Este espião é comercializado pela sociedade israelita NSO Group, que só o vende a agências governamentais para combater o terrorismo e o crime organizado. Mas, apoiado por cópias de contratos de licença, o relatório revela que a empresa conta entre os seus clientes os ministérios da Defesa e da Justiça, bem como os serviços secretos mexicanos.” 

Entre as vítimas desta operação contam-se outros jornalistas “incómodos”, como Carlos Loret de Mola, apresentador de um canal de televisão, que denunciou a execução de 22 presumidos delinquentes por forças policiais, em Maio de 2015, ou Mario Patron, da organização de defesa dos Direitos Humanos Centro Prodh, que apoia os familiares dos 43 estudantes desaparecidos em Setembro de 2014, depois de serem detidos. 

“Nós tornámo-nos os inimigos do Estado”, declarou Juan Pardinas, director do Instituto Mexicano para a Competitividade, que foi espiado quando elaborava um projecto de lei contra a corrupção política. 

“Deputados da oposição exigem um inquérito, bem como as organizações Amnistia Internacional e Human Rights Watch. As vítimas apresentaram queixa, pedindo investigadores independentes, num país em que 99% dos delitos contra a Imprensa permanecem na impunidade.”

 

Mais informação no texto de Le Monde e em Global Investigative Journalism Network

Connosco
Joana Marques Vidal em Março no novo ciclo de jantares-debate Ver galeria

Magistrada do Ministério Público de carreira desde 1979, Joana Marques Vidal é a próxima oradora-convidada, a 14 de Março,   no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”, promovido pelo Clube Português de Imprensa em parceria com o CNC - Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário.

Nomeada Procuradora- Geral da República, em Outubro de 2012  pelo então Presidente Aníbal Cavaco Silva, Joana Marques Vidal foi a primeira mulher a ocupar o cargo em Portugal em 180 anos de magistratura do Ministério Público. O seu mandato, que ficará certamente na história, termina em Outubro, sendo ainda uma incógnita se será ou não reconduzida.   

Com uma personalidade reservada, e intervenções públicas muito espaçadas,  a sua presença neste ciclo representará decerto um importante contributo para o debate em curso sobre a Justiça.

  

 

 

Utilização de "drones" por jornalistas com "regime específico" Ver galeria

A Comissão Nacional de Protecção de Dados divulgou o parecer que lhe fora pedido pelo secretário de Estado das Infraestruturas sobre o novo regime jurídico para a utilização de aeronaves de controlo remoto (drones), recomendando uma reformulação do projecto de decreto-lei já elaborado. No âmbito da sua competência específica, esta Comissão adverte que o novo regime não pode limitar-se a acautelar a segurança e a responsabilidade civil, “deixando de fora” a tutela da privacidade. É também recomendada a criação de um “regime específico” para a captação por jornalistas.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
Em 2021, quando terminar o mandato do próximo Conselho de Administração da RTP, como vai ser a televisão? Tudo indica que os canais generalistas continuarão a perder espectadores e que o tempo consagrado por cada pessoa a ver estações de televisão tradicionais continuará a diminuir. Em contrapartida, o visionamento em streaming, da Netflix, Amazon ou de outras plataformas que surjam entretanto continuará a crescer. Há...
O essencial da palestra que o conhecido jurista e comentador político António Lobo Xavier veio proferir, no passado dia 24 de janeiro, no  Grémio Literário pode resumir-se a uma frase que ele disse na parte final da sua intervenção: "não há distribuição sem crescimento". Aconteceu isto na terceira conferência do ciclo "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opcões", uma iniciativa do Clube de Imprensa em...
O novo livro do jornalista americano Howard Kurtz, “Media Madness: Donald Trump, the Press, and the War Over the Truth”, lançado pela editora Regnery em 29 de Janeiro - por coincidência intencional ou não, na véspera do primeiro discurso “State of the Union” de  Trump perante o Congresso, marcado para o dia seguinte - é um marco oportuno e de leitura imprescindível para quem acompanhe, por interesse profissional ou...
“The Post”, o filme de Spielberg sobre a divulgação, em 1971, de documentos confidenciais do Pentágono sobre a guerra do Vietname levou-me a recordar que, nessa altura, como jovem jornalista do “Diário Popular”, sugeri que o jornal publicasse parte dessas revelações. A sugestão foi aceite e, por isso, traduzi e talvez tenha resumido (não me lembro bem) alguns dos artigos que o “Washington Post”...
Os últimos dados auditados pela APCT, no ano findo, estão longe de serem tranquilizadores sobre a boa saúde da Imprensa escrita.  De um modo geral,  os generalistas  continuam  a perder vendas em banca e os raros que escapam a essa erosão fatal não exibem subidas convincentes. Um dos recuos mais evidentes é o do centenário “Diário de  Noticias”,  que já deslizou para uma fasquia...