Sexta-feira, 5 de Junho, 2020
Media

Governo mexicano suspeito de espiar jornalistas "infectando" os seus telemóveis

Jornalistas mexicanos que se têm destacado por fazerem reportagens de investigação sobre temas sensíveis para o Poder acusam o governo de ter “infectado” os seus telemóveis com programas “piratas” que lêem os seus dados e geolocalização, podendo ainda servir-se da câmara e do microfone incorporados. O governo do México nega as acusações, mas várias organizações de defesa da liberdade de Imprensa apresentaram um relatório que descreve esta operação como vindo já desde 2015.

A jornalista Carmen Aristegui e dois outros membros da sua equipa de investigação recebiam, a partir de Janeiro de 2015, mensagens que se apresentavam como vindas dos seus bancos, da Embaixada dos Estados Unidos ou da operadora dos telemóveis, convidando-os a “clicar” em determinado endereço. 

Segundo artigo de Le Monde, que aqui citamos, isso bastava para introduzir um vírus “espião” que passava a ter conhecimento de todos os seus arquivos, incluindo chamadas e mensagens, tendo ainda acesso à geolocalização do utente e ao serviço do microfone e da câmara do aparelho. 

“Este espião é comercializado pela sociedade israelita NSO Group, que só o vende a agências governamentais para combater o terrorismo e o crime organizado. Mas, apoiado por cópias de contratos de licença, o relatório revela que a empresa conta entre os seus clientes os ministérios da Defesa e da Justiça, bem como os serviços secretos mexicanos.” 

Entre as vítimas desta operação contam-se outros jornalistas “incómodos”, como Carlos Loret de Mola, apresentador de um canal de televisão, que denunciou a execução de 22 presumidos delinquentes por forças policiais, em Maio de 2015, ou Mario Patron, da organização de defesa dos Direitos Humanos Centro Prodh, que apoia os familiares dos 43 estudantes desaparecidos em Setembro de 2014, depois de serem detidos. 

“Nós tornámo-nos os inimigos do Estado”, declarou Juan Pardinas, director do Instituto Mexicano para a Competitividade, que foi espiado quando elaborava um projecto de lei contra a corrupção política. 

“Deputados da oposição exigem um inquérito, bem como as organizações Amnistia Internacional e Human Rights Watch. As vítimas apresentaram queixa, pedindo investigadores independentes, num país em que 99% dos delitos contra a Imprensa permanecem na impunidade.”

 

Mais informação no texto de Le Monde e em Global Investigative Journalism Network

Connosco
Inteligência artificial inventa "robots" na China e Rússia mas não substitui papel do jornalista Ver galeria

A inteligência artificial está a ser introduzida em todos os sectores e os “media” não são excepção, recorda um editorial do jornal indiano “Policy Times”.

As redacções estão a adoptar sistemas automáticos para verificar factos, encontrar fontes, transcrever entrevistas, e detectar plágios.

Além disso, empresas de tecnologia, como a Microsoft, estão a dispensar os seus jornalistas, substituindo-os por sistemas artificiais, programados para redigir artigos com base em notícias já publicadas.

A equipa que desenvolvia o “site” não escrevia artigos originais, mas exercia controlo editorial, publicando conteúdos e manchetes, para que estas se adequassem ao perfil da plataforma.

Na China e na Rússia, a automatização está, ainda, mais avançada, agora que alguns canais já colocaram “robots” a apresentar os telejornais. Apesar de inovadora, esta iniciativa foi mal recebida pelo público, que estranhou não ter um humano a estabelecer uma “ponte” entre a informação e os cidadãos.


Como o “Monde” desenvolveu um “lifeblog” durante a emergência Ver galeria

Perante a pandemia e o risco de isolamento, muitas publicações desenvolveram novos projectos e adoptaram diversas ferramentas para estabelecer contacto com as audiências, mas, talvez a iniciativa do “Le Monde” tenha sido a mais ambiciosa.

Durante 83 dias, sem interrupções, os jornalistas do “Monde” desenvolveram um “lifeblog”, com actualizações ao minuto, e com um “chat” aberto, onde os leitores deixaram as suas dúvidas e sugestões.

A audiência média diária foi de um milhão.

Findo o projecto, a equipa do jornal preparou um artigo para explicar a fórmula adoptada para o desenvolvimento do “lifeblog” mais longo da  sua história.

De acordo com o jornal, o projecto contou com a colaboração de  45 jornalistas, incluindo correspondentes sediados no estrangeiros.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas