Sábado, 25 de Maio, 2019
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Mudanças tecnológicas recomendam uma "Constituição digital"

Estamos a entrar numa nova vaga de concentração de riqueza, “desta vez impulsionada por uma mudança tecnológica que está a acelerar muitíssimo”. Por contraste com a imagem benévola que habitualmente atribuímos ao progresso, “a engenharia genética, a Inteligência Artificial, os aperfeiçoamentos biológicos e a expansão da mente humana poderiam criar desigualdades que mal podemos imaginar.” É este o sentido de um texto recente de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics, que fala, citando outro autor, da necessidade de “um novo marco regulatório, uma ‘Constituição digital’.”

O seu ponto de partida é a constatação de que “a desiguldade na repartição mundial da riqueza acelerou nos últimos anos, especialmente nos EUA e no Reino Unido, sendo um factor que contribuíu para grandes mudanças políticas e populismos, mas estamos apenas no princípio de uma tendência mais profunda e radical”. 

Miguel Ormaetxea refere-se depois ao livro “The Great Leveler”, do historiador Walter Scheidel, segundo o qual, nos últimos 12.000 anos da história humana, “o ‘grande nivelador’ da tendência para a concentração de riqueza e a consequente desigualdade têm sido acontecimentos violentos, principalmente guerras e desastres naturais”. 

O Antigo Egipto e o Império Romano foram exemplos máximos de concentração de poder. “Entre o ano 2.000 a.C. e 100 d.C.  – segundo Scheidel -  a fortuna dos romanos ricos aumentou cerca de cem vezes. Alguns aristocratas possuíam milhares de escravos.” 

“As duas guerras mundiais do séc. XX produziram um efeito de nivelação maciça. Desgraçadamente, podemos comprovar que o impulso no sentido do nivelamento não acontece por causas pacíficas.” 

Miguel Ormaetxea cita depois o economista francês Thomas Piketty, que explica, em “O capital no séc. XXI”, “como nas últimas décadas a concentração de riqueza tende a acelerar. A desigualdade tem aumentado também com o desaparecimento do comunismo. Na Rússia e na China, e também na Índia, a concentração de riqueza vai nessa direcção.” 

O último autor citado é o presidente da empresa espanhola Telefónica, José María Álvarez-Pallete, que chama a atenção para o crescimento da riqueza e desigualdade resultantes da mudança tecnológica: “Como vamos distribuir essa riqueza e como vamos canalizar o progresso derivado da mudança tecnológica? Tudo isto exige um novo marco regulatório, uma ‘Constituição digital’.” 

Como diz o autor, em antetítulo, “é imprescindível um grande pacto para a redistribuição da grande riqueza emergente, ou vamos enfrentar grandes convulsões políticas”.

 

 

O artigo citado, em Media-tics, e a apresentação do livro de Scheidel, em The Guardian

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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