Quinta-feira, 19 de Abril, 2018
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Mudanças tecnológicas recomendam uma "Constituição digital"

Estamos a entrar numa nova vaga de concentração de riqueza, “desta vez impulsionada por uma mudança tecnológica que está a acelerar muitíssimo”. Por contraste com a imagem benévola que habitualmente atribuímos ao progresso, “a engenharia genética, a Inteligência Artificial, os aperfeiçoamentos biológicos e a expansão da mente humana poderiam criar desigualdades que mal podemos imaginar.” É este o sentido de um texto recente de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics, que fala, citando outro autor, da necessidade de “um novo marco regulatório, uma ‘Constituição digital’.”

O seu ponto de partida é a constatação de que “a desiguldade na repartição mundial da riqueza acelerou nos últimos anos, especialmente nos EUA e no Reino Unido, sendo um factor que contribuíu para grandes mudanças políticas e populismos, mas estamos apenas no princípio de uma tendência mais profunda e radical”. 

Miguel Ormaetxea refere-se depois ao livro “The Great Leveler”, do historiador Walter Scheidel, segundo o qual, nos últimos 12.000 anos da história humana, “o ‘grande nivelador’ da tendência para a concentração de riqueza e a consequente desigualdade têm sido acontecimentos violentos, principalmente guerras e desastres naturais”. 

O Antigo Egipto e o Império Romano foram exemplos máximos de concentração de poder. “Entre o ano 2.000 a.C. e 100 d.C.  – segundo Scheidel -  a fortuna dos romanos ricos aumentou cerca de cem vezes. Alguns aristocratas possuíam milhares de escravos.” 

“As duas guerras mundiais do séc. XX produziram um efeito de nivelação maciça. Desgraçadamente, podemos comprovar que o impulso no sentido do nivelamento não acontece por causas pacíficas.” 

Miguel Ormaetxea cita depois o economista francês Thomas Piketty, que explica, em “O capital no séc. XXI”, “como nas últimas décadas a concentração de riqueza tende a acelerar. A desigualdade tem aumentado também com o desaparecimento do comunismo. Na Rússia e na China, e também na Índia, a concentração de riqueza vai nessa direcção.” 

O último autor citado é o presidente da empresa espanhola Telefónica, José María Álvarez-Pallete, que chama a atenção para o crescimento da riqueza e desigualdade resultantes da mudança tecnológica: “Como vamos distribuir essa riqueza e como vamos canalizar o progresso derivado da mudança tecnológica? Tudo isto exige um novo marco regulatório, uma ‘Constituição digital’.” 

Como diz o autor, em antetítulo, “é imprescindível um grande pacto para a redistribuição da grande riqueza emergente, ou vamos enfrentar grandes convulsões políticas”.

 

 

O artigo citado, em Media-tics, e a apresentação do livro de Scheidel, em The Guardian

Connosco
Quando os repórteres são os heróis que nos fazem falta Ver galeria

Parece excessivo declarar que os repórteres são os heróis do nosso tempo, como vem no título do texto que aqui citamos. Quem o diz não é um jornalista, mas um historiador. E explica porquê, e de que repórteres está a falar. Trata-se daqueles que assumem riscos e perdem a vida para investigar a verdade do que sucede à nossa volta  - e esse tipo de reportagem de investigação “é um pedacinho microscópico dessa coisa a que chamamos media”.

Os repórteres que “correm riscos pela verdade” fazem-no por todos nós, incluindo pelos soldados que vamos ou não enviar para a frente de batalha. O único modo de avaliarmos as guerras em que nos envolvemos é tendo repórteres “com a coragem e a capacidade de irem lá fazer reportagem”. Esta reflexão é do historiador norte-americano Timothy Snyder, que citamos da Global Investigative Journalism Network.

O jornalismo com mais “clics” pode não ser o mais lido Ver galeria

Pode acontecer que o melhor jornalismo nem seja o que é mais lido. Não gostamos de ouvir esta notícia, mas foi disto e de outras coisas parecidas que se falou no XXI Laboratorio de Periodismo da APM, o debate periódico sobre temas de actualidade que, na sua edição de Abril de 2017, teve por tema “O que lêem e o que não lêem os leitores”. O encontro decorreu na sede da Asociación de la Prensa de Madrid  - com a qual mantemos um acordo de parceria -  e foi moderado por Nemésio Rodríguez, vice-presidente da APM e actual presidente da FAPE – Federación de las Asociaciones de Periodistas de España.

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site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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