Quarta-feira, 16 de Janeiro, 2019
Media

Jornalista mexicano vítima do narcotráfico homenageado em Madrid

A viúva do jornalista mexicano Javier Valdez, que se tinha especializado na denúncia da violência do narcotráfico e pagou com a vida a 15 de Maio, foi recebida na Asociación de la Prensa de Madrid, onde pediu justiça para o seu marido e todos os jornalistas assassinados no México, que vive há anos “uma tragédia que não acaba”. Griselda Triana evocou a figura de Valdez como a de um daqueles profissionais “que não se calam e assumem uma verdadeira responsabilidade como jornalistas”.

A APM atribuíu a Javier Valdez, a título póstumo, a sua Placa de Honra, no contexto dos Premios APM de Periodismo 2016, entregando-a a Griselda Triana. Victoria Prego, presidente da Asociación de la Prensa de Madrid, recordou que o México encontra-se neste momento no terceiro lugar dos países com maior número de jornalistas assassinados, logo a seguir à Síria e ao Afeganistão. 

Em conferência de Imprensa, Griselda Triana recordou que o trabalho de Valdez “incomodava a muitos”, e que não faltavam os que lhe diziam que ele não escrevia “coisas bonitas” sobre a sua cidade de Culiacán, no estado de Sinaloa: 

“Mas Javier entendia muito claramente que, como jornalista, era difícil escrever sobre os jardins, o entardecer, os rios e a agricultura, enquanto todos os dias caem pessoas mortas, perfuradas, a sangrar, no meio da injustiça, da impunidade e do terror”  - disse. 

Era este o cenário que Javier Valdez retratava nas suas crónicas, “denunciando a falta do Estado perante a beligerância das organizações do narcotráfico”, fazendo-o com ímpeto e esperança de mudar essa realidade. Fez isso, principalmente, nos seus textos em La Jornada, de que foi correspondente durante 18 anos, e no Ríodoce, que tinha fundado há 14 anos com Ismael Bojórquez, mas também nos seus livros sobre o narcotráfico, o último dos quais, “Narcoperiodismo”, foi publicado em 2016.

A história de Javier Valdez está contada noutro local deste site, acessível pela janela de "pesquisar", sob o título  - "Aumenta número de jornalistas assassinados no México".

 

 

Mais informação no site da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria, e no da Global Investigative Journalism Network

Connosco
Como os tablóides britânicos condicionaram debate sobre o Brexit Ver galeria

A Imprensa tablóide britânica tem uma longa tradição eurocéptica e eurofóbica, incluindo a promoção de várias “cruzadas” sobre “Euro-mitos” e o uso de títulos muitas vezes grosseiros. Jornais como The Daily Mail, o Sun ou The Daily Express, “foram muito activos a retratar o Reino Unido como vítima da conspiração ‘cosmopolítica’ de Bruxelas que, segundo alguns títulos, iria obrigar o Parlamento a banir as tradicionais cafeteiras ou lâmpadas eléctricas, ou obrigar as senhoras britânicas a devolverem antigos brinquedos sexuais, para se ajustarem às regras da UE”.

O modo como usaram e abusaram do termo “povo” desempenhou um papel crucial no modo como conseguiram “condicionar o debate sobre o referendo do Brexit em torno de dinâmicas tipicamente populistas”. A reflexão é de Franco Zappettini, docente de Comunicação e Media na Universidade de Liverpool, recentemente publicada no Observatório Europeu de Jornalismo.

Será o jornalismo o primeiro ou o segundo "rascunho da História"? Ver galeria

Segundo a citação tornada famosa, o jornalismo é apenas “o primeiro rascunho tosco da História”. Hoje, ultrapassado em velocidade e abundância de material por toda a desinformação que nos chega pela Internet, já nem isso consegue: o “primeiro rascunho”, agora, vem nas redes sociais, cheias de boatos e teorias de conspiração. E os nossos meios de fact-checking não conseguem ganhar a corrida.

“Fazer fact-checking a Donald Trump, por exemplo, é como ligar um detector de mentiras a um artista de stand-up comedy.”
E combater a desinformação pela Internet “é como disparar uma metralhadora contra um bando desordenado de pássaros.”

As imagens citadas são de James Harkin, director do Centre for Investigative Journalism, e a sua sugestão resume-se numa pergunta:

"Por que não tentarmos restaurar a nossa autoridade fazendo menos, mas com mais profundidade e contexto? O resultado seria um tipo mais lento de jornalismo, que assenta na acumulação de detalhes e aponta para as verdades escondidas por baixo. Esta nova abordagem ao jornalismo já está no ar e podemos chamar-lhe segundo rascunho."
O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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