Sexta-feira, 5 de Junho, 2020
Media

Jornalista mexicano vítima do narcotráfico homenageado em Madrid

A viúva do jornalista mexicano Javier Valdez, que se tinha especializado na denúncia da violência do narcotráfico e pagou com a vida a 15 de Maio, foi recebida na Asociación de la Prensa de Madrid, onde pediu justiça para o seu marido e todos os jornalistas assassinados no México, que vive há anos “uma tragédia que não acaba”. Griselda Triana evocou a figura de Valdez como a de um daqueles profissionais “que não se calam e assumem uma verdadeira responsabilidade como jornalistas”.

A APM atribuíu a Javier Valdez, a título póstumo, a sua Placa de Honra, no contexto dos Premios APM de Periodismo 2016, entregando-a a Griselda Triana. Victoria Prego, presidente da Asociación de la Prensa de Madrid, recordou que o México encontra-se neste momento no terceiro lugar dos países com maior número de jornalistas assassinados, logo a seguir à Síria e ao Afeganistão. 

Em conferência de Imprensa, Griselda Triana recordou que o trabalho de Valdez “incomodava a muitos”, e que não faltavam os que lhe diziam que ele não escrevia “coisas bonitas” sobre a sua cidade de Culiacán, no estado de Sinaloa: 

“Mas Javier entendia muito claramente que, como jornalista, era difícil escrever sobre os jardins, o entardecer, os rios e a agricultura, enquanto todos os dias caem pessoas mortas, perfuradas, a sangrar, no meio da injustiça, da impunidade e do terror”  - disse. 

Era este o cenário que Javier Valdez retratava nas suas crónicas, “denunciando a falta do Estado perante a beligerância das organizações do narcotráfico”, fazendo-o com ímpeto e esperança de mudar essa realidade. Fez isso, principalmente, nos seus textos em La Jornada, de que foi correspondente durante 18 anos, e no Ríodoce, que tinha fundado há 14 anos com Ismael Bojórquez, mas também nos seus livros sobre o narcotráfico, o último dos quais, “Narcoperiodismo”, foi publicado em 2016.

A história de Javier Valdez está contada noutro local deste site, acessível pela janela de "pesquisar", sob o título  - "Aumenta número de jornalistas assassinados no México".

 

 

Mais informação no site da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria, e no da Global Investigative Journalism Network

Connosco
Inteligência artificial inventa "robots" na China e Rússia mas não substitui papel do jornalista Ver galeria

A inteligência artificial está a ser introduzida em todos os sectores e os “media” não são excepção, recorda um editorial do jornal indiano “Policy Times”.

As redacções estão a adoptar sistemas automáticos para verificar factos, encontrar fontes, transcrever entrevistas, e detectar plágios.

Além disso, empresas de tecnologia, como a Microsoft, estão a dispensar os seus jornalistas, substituindo-os por sistemas artificiais, programados para redigir artigos com base em notícias já publicadas.

A equipa que desenvolvia o “site” não escrevia artigos originais, mas exercia controlo editorial, publicando conteúdos e manchetes, para que estas se adequassem ao perfil da plataforma.

Na China e na Rússia, a automatização está, ainda, mais avançada, agora que alguns canais já colocaram “robots” a apresentar os telejornais. Apesar de inovadora, esta iniciativa foi mal recebida pelo público, que estranhou não ter um humano a estabelecer uma “ponte” entre a informação e os cidadãos.


Como o “Monde” desenvolveu um “lifeblog” durante a emergência Ver galeria

Perante a pandemia e o risco de isolamento, muitas publicações desenvolveram novos projectos e adoptaram diversas ferramentas para estabelecer contacto com as audiências, mas, talvez a iniciativa do “Le Monde” tenha sido a mais ambiciosa.

Durante 83 dias, sem interrupções, os jornalistas do “Monde” desenvolveram um “lifeblog”, com actualizações ao minuto, e com um “chat” aberto, onde os leitores deixaram as suas dúvidas e sugestões.

A audiência média diária foi de um milhão.

Findo o projecto, a equipa do jornal preparou um artigo para explicar a fórmula adoptada para o desenvolvimento do “lifeblog” mais longo da  sua história.

De acordo com o jornal, o projecto contou com a colaboração de  45 jornalistas, incluindo correspondentes sediados no estrangeiros.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas