Sexta-feira, 24 de Novembro, 2017
Media

Jornalista mexicano vítima do narcotráfico homenageado em Madrid

A viúva do jornalista mexicano Javier Valdez, que se tinha especializado na denúncia da violência do narcotráfico e pagou com a vida a 15 de Maio, foi recebida na Asociación de la Prensa de Madrid, onde pediu justiça para o seu marido e todos os jornalistas assassinados no México, que vive há anos “uma tragédia que não acaba”. Griselda Triana evocou a figura de Valdez como a de um daqueles profissionais “que não se calam e assumem uma verdadeira responsabilidade como jornalistas”.

A APM atribuíu a Javier Valdez, a título póstumo, a sua Placa de Honra, no contexto dos Premios APM de Periodismo 2016, entregando-a a Griselda Triana. Victoria Prego, presidente da Asociación de la Prensa de Madrid, recordou que o México encontra-se neste momento no terceiro lugar dos países com maior número de jornalistas assassinados, logo a seguir à Síria e ao Afeganistão. 

Em conferência de Imprensa, Griselda Triana recordou que o trabalho de Valdez “incomodava a muitos”, e que não faltavam os que lhe diziam que ele não escrevia “coisas bonitas” sobre a sua cidade de Culiacán, no estado de Sinaloa: 

“Mas Javier entendia muito claramente que, como jornalista, era difícil escrever sobre os jardins, o entardecer, os rios e a agricultura, enquanto todos os dias caem pessoas mortas, perfuradas, a sangrar, no meio da injustiça, da impunidade e do terror”  - disse. 

Era este o cenário que Javier Valdez retratava nas suas crónicas, “denunciando a falta do Estado perante a beligerância das organizações do narcotráfico”, fazendo-o com ímpeto e esperança de mudar essa realidade. Fez isso, principalmente, nos seus textos em La Jornada, de que foi correspondente durante 18 anos, e no Ríodoce, que tinha fundado há 14 anos com Ismael Bojórquez, mas também nos seus livros sobre o narcotráfico, o último dos quais, “Narcoperiodismo”, foi publicado em 2016.

A história de Javier Valdez está contada noutro local deste site, acessível pela janela de "pesquisar", sob o título  - "Aumenta número de jornalistas assassinados no México".

 

 

Mais informação no site da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria, e no da Global Investigative Journalism Network

Connosco
Jornalistas são mais operários da notícia do que estrelas do "showbiz"... Ver galeria

O jornalismo “é uma profissão de ilustres desconhecidos, gente que em sua maior parte ganha pouco e luta para prestar serviço ao leitor, telespectador, ouvinte ou internauta; jornalistas estão mais para operários da notícia do que para estrelas do showbiz”. E reflexão é de Ronaldo Leges, que se apresenta como praticante do “jornalismo de bairro” e dirige uma crítica aos profissionais que passam essa fronteira para o lado do espectáculo, especialmente na televisão: “Não são poucos aqueles repórteres que com o ego inflamado buscam aparecer mais do que a fonte entrevistada e no fim distribuem seus autógrafos ao redor da multidão.” No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

A morte anunciada da televisão foi manifestamente exagerada... Ver galeria

Já se fizeram muitos “diagnósticos” (e alguns “prognósticos”) à televisão. Um dos mais recentes é que estava moribunda. Mas este seu fim anunciado é ele próprio “um mito gasto”. O êxito actual das novas séries é um bom exemplo: seria paradoxal anunciar a morte da televisão “no preciso momento em que as suas produções conquistam uma legitimidade cultural que ela procurou durante meio século”. Vistas as coisas em perspectiva histórica, o “discurso de denúncia” contra a televisão já foi usado “contra o romance em folhetins, a BD, o cinema e a leitura (que, como nota o historiador Roger Chartier, perde o seu estatuto sedicioso sob a ameaça da televisão, para se tornar no final do séc. XX o refúgio da cultura)”. Uma reflexão que continua, a propósito do próximo lançamento, em Paris, do livro Sociologie de la télévision.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

ver mais >
Opinião
As redes sociais e o passado
Francisco Sarsfield Cabral
O semanário britânico The Economist, geralmente um entusiasta do progresso científico e tecnológico, dedicou a capa e o primeiro editorial de um seu recente número a uma crítica severa às redes sociais. Estas, em vez de contribuírem para o esclarecimento público e o debate racional (como inicialmente se esperava), multiplicam mentiras e falsidades – por exemplo, as milhares de intromissões russas no Facebook e no...
Quem achar que a Amazon é apenas um vendedor de livros ou de discos está enganado, e muito. A Amazon tem estado no último ano a alargar o seu espectro de acção, comprando cadeias de retalhistas, oferecendo novos serviços através de parcerias que estabelece nas mais diversas áreas e, sobretudo, está a começar a utilizar o enorme conhecimento que tem sobre os hábitos dos seus clientes. Poucas empresas da nova economia...
O  estado dos media americanos continua a inspirar apreensão, e desenvolvimentos reportados desde o verão têem acentuado os motivos de preocupação, com poucas  excepções. Os relatórios do Pew Research Center – organização não-partidária com sede em Washington, fundada em 2004, dedicada ao estudo da evolução de sectores como o jornalismo, demografia, política e opinião...
Ao completar 25 anos, a SIC  cresceu, mas não se emancipou nem libertou o seu criador de preocupações. Francisco Pinto Balsemão, com 80 anos feitos, merecia um sossego que não tem, perante a crise que atingiu o Grupo de media que construiu do zero . Balsemão ganhou vários desafios, alguns deles complexos, desde que lançou o Expresso nos idos de 70 do século passado - o seu “navio-almirante”, como gosta de...
Num livro colectivo acabado de publicar, simultaneamente, em treze línguas e em dezenas de países espalhados pelo mundo inteiro, cuja versão francesa se intitula, significativamente, L’âge de la Régression: Pourquoi nous vivons un tournant historique[1], Appadurai disserta sobre o «sentimento de cansaço» que, na sua opinião domina a esfera pública. Sentimento de cansaço relativamente à forma de fazer...
Agenda
27
Nov
10º Congresso Sopcom
09:00 @ Viseu
27
Nov
Formação sobre podcasts
09:00 @ Cenjor,Lisboa
28
Nov
29
Nov
SEO para Jornalistas
09:00 @ Cenjor, Lisboa