Segunda-feira, 18 de Fevereiro, 2019
Estudo

Os “Dez Mandamentos” do combate às notícias falsas segundo o “Laboratorio de Periodismo”

Os jornalistas e especialistas em várias disciplinas da comunicação, que protagonizaram o recente Laboratorio de Periodismo da APM, redigiram, a partir das conclusões do debate realizado, uma espécie de Decálogo da luta contra as “notícias falsas”. São esses “Dez Mandamentos” de ética jornalística que aqui reproduzimos, do site da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

O relato desse debate vem descrito noutro local do nosso site, que é acessível sob o título “Só se combate a ‘pós-verdade’ tornando ‘viral’ a verdade”, na janela de pesquisa. 

Segue um resumo temático desses “Dez Mandamentos” :

  1. – Os meios de comunicação devem cumprir com renovado reforço as regras clássicas da profissão: ética, rigor, comprovação e inclusão da máxima quantidade possível de fontes e dados.
  2. – Dada a proliferação das “notícias falsas”, tem especial importância a verificação dos factos.
  3. – Os jornalistas devem dominar as novas ferramentas, gratuitas na Internet, para verificar a autenticidade dos factos.
  4. – O jornalismo de investigação e o jornalismo de dados são especialmente recomendados para contrariar a desinformação.
  5. – A obsessão de sermos os primeiros a publicar uma informação pode facilitar a produção de notícias falsas. É mais importante a continuada qualidade da informação que se dá.
  6. – Os media devem viver na Rede, compreender como funciona e como evoluem os hábitos dos seus utentes.
  7. – São mais necessários jornalistas experimentados, qualificados e de grande preparação, neste tempo de excesso de informação.
  8. – Para combater as mentiras que se propagam na Rede é preciso tornar “virais” os desmentidos, com a mesma eficácia.
  9. – Para ese efeito, são necessários formatos muito ‘viralizáveis’, com imagem e vídeo, que sejam atractivos às novas audiências.
  10. – É fundamental promover um espírito crítico na leitura de notícias, para evitar a circulação maciça de boatos.

 

 

O texto na íntegra, no site da APM, que inclui também o vídeo do Laboratorio de Periodismo

Connosco
Os "clicks" são um sismógrafo de pouca confiança... Ver galeria

Num ambiente mediático saturado de notícias, os leitores valorizam mais as que lhes são pessoalmente pertinentes  - e isto não pode ser definido, numa redacção, medindo os clicks.

“As pessoas abrem frequentemente artigos que são divertidos, ou triviais, ou estranhos, sem sentido cívico evidente. Mas mantêm uma noção clara da diferença entre o que é trivial e o que é importante. De modo geral, querem estar informadas sobre o que se passa à sua volta, a nível local, nacional e internacional.”

A reflexão é de Kim Christian Schroder, um investigador dinamarquês que passou metade do ano de 2018 em Oxford, fazendo para o Reuters Institute um estudo sobre a relevância das notícias para os leitores  - e o que isso aconselha às redacções.

“Na medida em que queiram dar prioridade às notícias com valor cívico, os jornalistas fazem melhor em confiar no seu instinto do que nesse sismógrafo de pouca confiança que são as listas dos textos ‘mais lidos’.”

Jorge Soares em Fevereiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

Prossegue a 27  Fevereiro o ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, promovido pelo CPI, em parceria com o CNC e o Grémio Literário, tendo como orador convidado o Prof. Jorge Soares, que preside ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, desde 2016, preenchendo o lugar deixado vago por morte de João Lobo Antunes.  

Director do Programa Gulbenkian Inovar em Saúde, da Fundação Calouste Gulbenkian, Jorge Soares já fazia parte daquele Conselho, antes de ser eleito para a sua presidência .

O seu currículo é vasto. Presidiu também à  Comissão Externa para Avaliação da Qualidade do Ensino, e, mais tarde,  assumiu a vice-presidência da Comissão de Ética da Fundação Champalimaud, e, a partir de 2016, foi presidente da Comissão Nacional dos Centros de Referência. É Perito Nacional na União Europeia do 3rd Programme “EuropeAgainst Cancer” .

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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