Terça-feira, 11 de Dezembro, 2018
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Estudo da Reuters comprova desconfiança crescente nas redes sociais

A má notícia é que as “notícias falsas” são a “nova praga do séc. XXI” e que a Internet, especialmente as redes sociais, “facilitaram a proliferação de boatos que muitos utentes tomam como autênticos”. A boa notícia é que está em crescimento o número dos que tomam a sério esta ameaça e fazem algum esforço para comprovar a veracidade do que lhes é transmitido. É esta a síntese de uma avaliação do inquérito Tomorrow’s News 2017, elaborado pela agência Reuters junto dos seus utentes entre Abril e Maio de 2017.

Dos 1.711 entrevistados, 83% tendem a confiar de preferência em títulos de meios de comunicação conhecidos, e comprovam sempre a exactidão das notícias com outras fontes (o que representa um aumento de 6% em relação ao ano de 2016). E 74% respondem que é verdade que recorrem frequentemente a empresas noticiosas em que confiam, para verificar a fonte de uma notícia acabada de chegar (mais 8% do que no ano anterior). 

Segundo artigo publicado em Media-tics, que aqui citamos, “as redes sociais são meios cada vez menos fiáveis, já que apenas 10% dos entrevistados situam o Facebook e o Twitter entre as suas principais fontes de notícias para o futuro, enquanto no ano passado eram 14%”. 

“Caíu também a confiança nas fontes de notícias partilhadas nas redes sociais por familiares e amigos, passando dos 32% para os 28%. Quanto a si mesmos, 69% garantem que só vão partilhar notícias sobre as quais tenham toda a informação.” (...) 

“A inclusão de fake news em meios de comunicação prejudica as marcas publicitárias e a percepção que delas têm os seus utentes. 87% dos entrevistados concorda que é prejudicial para uma marca ser anunciada num website associado a notícias falsas.” (...)

 

Mais informação no artigo em Media-tics e na Reuters

Connosco
Estratégia mediática da China usa "barcos emprestados" para "autenticar" a propaganda... Ver galeria

Durante décadas, a estratégia de imagem da China foi defensiva, de resposta, e apontada sobretudo à sua audiência interna. O efeito mais visível era o desaparecimento de conteúdos: revistas estrangeiras com páginas arrancadas, ou as emissões da BBC que ficavam escuras quando tratavam de temas sensíveis, como o Tibete, Taiwan ou o massacre de Tienanmen.

Mas nos últimos anos a China desenvolveu uma estratégia mais sofisticada e assertiva, apontada às audiências internacionais. E Pequim está a fazê-lo com grande investimento financeiro  - que inclui cobertura jornalística patrocinada.

Um dos exemplos mais ostensivos é agora a contratação de jornalistas ocidentais para a China Global Television Network  - o ramo internacional da Televisão Central da China -  com estúdios em Chiswick, Londres. O objectivo deste esforço é, nas palavras do Presidente Xi Jinping, “contar bem a história da China”. E não faltam candidatos. A informação consta de uma reportagem extensa, em The Guardian.

Jornais perdem publicidade e a democracia qualidade Ver galeria

A receita proveniente da publicidade nos diários impressos está a desaparecer num movimento que parece inexorável. Acontece em todos os mercados, e nomeadamente no dos EUA, que pode servir de aviso aos outros: neste caso, a receita da publicidade de todos os diários foi de 13.330 milhões de dólares em 2016, de 9.760 neste ano de 2018, quase a acabar, e será de apenas 4.400 milhões em 2022, segundo a mais recente projecção da eMarketer.

Na Espanha, e segundo os dados da InfoAdex sobre os nove primeiros meses de 2018, regista-se uma queda generalizada de 6,1% no investimento na Imprensa escrita, depois de onze anos de descida sem fim. O balanço é de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics, que conclui: “A desinformação instala-se à vontade e é urgente fazer qualquer coisa. Não abandonemos os editores, ou a qualidade da democracia irá pelo mesmo ralo por onde se escoa a conta de resultados dos meios de comunicação.”

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
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