Sábado, 20 de Outubro, 2018
Media

Os Media como pretexto para investimentos de milionários

Por que motivo investem os novos milionários nos grandes grupos de Imprensa e dos audiovisuais, justamente quando se tornaram economicamente tão frágeis? É a partir desta questão que, segundo Le Monde, dois jornalistas franceses especializados nesta matéria partiram para um livro que procura explicar, tanto a motivação inicial como a eventual recompensa, sintizada no título da obra: “Médias – Les Nouveaux Empires”.

O texto do Le Monde, que aqui citamos, começa por estranhar que o governo agora em funções, decorrente da vitória de Emmanuel Macron nas eleições presidenciais, seja o primeiro, desde há muito tempo, que não tem ministro da Comunicação, “mesmo que, conforme se afirma no palácio Matignon, Françoise Nyssen, a nova ministra da Cultura, tenha o seu perímetro alargado à Comunicação e aos Media”. 

Depois de citar meia dúzia de nomes desses “novos milionários”, o artigo adianta:

“Alguns, como Lagardère ou Dassault, são herdeiros dos seus pais, que, na época em que a Imprensa era florescente, tinham comprado jornais para adquirirem influência política. Os outros, como sublinham os dois autores, investem neste sector ‘para defenderem os seus negócios, pondo a mão nos meios de informação política’.”

 

“Deste modo, cada um desenvolveu o seu império mediático e reforçou as sinergias com os outros sectores económicos (publicidade, telefónicas, sociedades de produção...) do seu grupo. “Pela primeira vez, todos os que detêm os principais diários em França, ou grandes revistas de actualidade, não têm a Imprensa como profissão”  -  escrevem os dois autores, Richard Sénéjoux e Amaury de Rochegonde, respectivamente da Télérama e das Stratégies

Como afirma outro artigo sobre este mesmo tema, publicado em Abril pela TéléOBS:

“Em pouco tempo, a paisagem sofreu uma mutação tecnológica e ‘capitalística’. A quase totalidade dos media reparte-se hoje entre oito milionários cujo ponto comum é o de terem muitas outras actividades: construção e obras públicas, télécoms, luxo...  (...) Quem são eles? Por que motivo apostaram tanto sobre estas ferramentas de influência? Como é que as suas redacções tratam dos temas que os incomodam? Ou da actualidade dos seus concorrentes?” (...)


O texto adianta informação, em parágrafos separados, sobre o percurso de Serge Dassault, Michel Lucas, Martin Bouygues, Vincent Bolloré, Bernard Arnault, Xavier Niel e Patrick Drahi.

 Mais informação em Le Monde e TéléOBS

Connosco
Editorial de Khashoggi defende liberdade de expressão no mundo árabe Ver galeria

O mundo árabe “encheu-se de esperança durante a Primavera de 2011; jornalistas, académicos e a população estavam cheios de entusiasmo por uma sociedade árabe livre nos seus países”, mas as expectativas foram frustradas e “estas sociedades voltaram ao antigo status quo, ou tiveram que enfrentar condições ainda mais duras do que tinham antes”.

É esta a reflexão do último editorial de Jamal Khashoggi, o jornalista saudita interrogado e morto no consulado do seu país em Istambul, segundo apontam cada vez mais as informações que vão chegando. A editora de opinião do jornal The Washington Post, do qual era colaborador regular há um ano, conta que recebeu o texto do seu tradutor e ajudante, um dia depois do desaparecimento. Foi decidido adiar a publicação, na esperança de que ele voltasse e a edição final fosse feita por ambos. Segundo Karen Attiah, o texto “capta na perfeição a sua dedicação e paixão pela liberdade no mundo árabe, uma liberdade pela qual, aparentemente, deu a sua vida”.

Como vivem (e bem) da publicidade os “sites” de desinformação Ver galeria

Os sites que usam e abusam da desinformação são sustentados, em última instância, pela mesma publicidade que todos desejam conservar, incluindo os media tradicionais. Postas as coisas nestes termos, a situação parece paradoxal. Mas uma investigação feita pela equipa Décodex, do diário francês Le Monde, revela que, “mesmo sendo apontados a dedo como nocivos ao debate público, os sites de desinformação não têm dificuldades em encontrar parceiros comerciais”.

Em consequência das mutações ocorridas no funcionamento do mercado digital, “em França há centenas de anunciantes que ainda pagam para aparecerem em sites de desinformação”  - sem necessariamente terem consciência disso, como explica Pierre-Albert Ruquier, da empresa Storyzy. Alertadas por Le Monde, pelo menos duas redes publicitárias, Ligatus e Taboola, declararam ter cortado colaboração com um dos mais populares sites desta natureza, o Santeplusmag.com.

Mas há muito trabalho a fazer, porque os actores do mercado têm relutância em intervir a montante do problema  - fazendo-o, sobretudo, quando são apanhados.

O Clube

Terminou o prazo de recepção dos trabalhos concorrentes ao  Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído há um ano por iniciativa do jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, com o patrocínio da Fundação Jorge Álvares e o apoio do JL – Jornal de Artes, Letras e Ideias.

Nesta segunda edição, o Prémio foi desdobrado em duas modalidades:  uma  aberta a textos originais, que passou a designar-se o Prémio Ensaio da Lusofonia; e outra que manteve  o título de Prémio de Jornalismo da Lusofonia, destinado a textos já publicados, em suporte papel ou digital.


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Opinião
Volta e meia defrontamo-nos com a expressão “cord-cutting”, em referência à alteração de comportamentos nos espectadores de televisão. Que quer isto dizer? Muito simplesmente a expressão indica a decisão de deixar de ter um serviço de televisão paga por cabo, para passar a ver TV somente através de streaming – seja na Netflix, na Amazon ou numa das outras plataformas que começam a...

Na edição de 15 de Setembro o Expresso inseria como manchete, ao alto da primeira página, o seguinte titulo: “Acordo à vista para manter a PGR”. Como se viu, o semanário, habitualmente tido por bem informado, falhou redondamente.

Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

Trump contra o jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
Numa iniciativa inédita, mais de 300 órgãos de comunicação dos EUA manifestaram na quinta-feira repúdio contra os violentos ataques de Trump ao jornalismo.  Como jornalista com muitos anos de profissão, tenho pena de reconhecer que a qualidade do produto jornalístico baixou ao longo das últimas décadas. Mas importa perceber porquê. No século XIX o jornalismo resumia-se a… jornais impressos....
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
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