Terça-feira, 11 de Dezembro, 2018
Media

Os Media como pretexto para investimentos de milionários

Por que motivo investem os novos milionários nos grandes grupos de Imprensa e dos audiovisuais, justamente quando se tornaram economicamente tão frágeis? É a partir desta questão que, segundo Le Monde, dois jornalistas franceses especializados nesta matéria partiram para um livro que procura explicar, tanto a motivação inicial como a eventual recompensa, sintizada no título da obra: “Médias – Les Nouveaux Empires”.

O texto do Le Monde, que aqui citamos, começa por estranhar que o governo agora em funções, decorrente da vitória de Emmanuel Macron nas eleições presidenciais, seja o primeiro, desde há muito tempo, que não tem ministro da Comunicação, “mesmo que, conforme se afirma no palácio Matignon, Françoise Nyssen, a nova ministra da Cultura, tenha o seu perímetro alargado à Comunicação e aos Media”. 

Depois de citar meia dúzia de nomes desses “novos milionários”, o artigo adianta:

“Alguns, como Lagardère ou Dassault, são herdeiros dos seus pais, que, na época em que a Imprensa era florescente, tinham comprado jornais para adquirirem influência política. Os outros, como sublinham os dois autores, investem neste sector ‘para defenderem os seus negócios, pondo a mão nos meios de informação política’.”

 

“Deste modo, cada um desenvolveu o seu império mediático e reforçou as sinergias com os outros sectores económicos (publicidade, telefónicas, sociedades de produção...) do seu grupo. “Pela primeira vez, todos os que detêm os principais diários em França, ou grandes revistas de actualidade, não têm a Imprensa como profissão”  -  escrevem os dois autores, Richard Sénéjoux e Amaury de Rochegonde, respectivamente da Télérama e das Stratégies

Como afirma outro artigo sobre este mesmo tema, publicado em Abril pela TéléOBS:

“Em pouco tempo, a paisagem sofreu uma mutação tecnológica e ‘capitalística’. A quase totalidade dos media reparte-se hoje entre oito milionários cujo ponto comum é o de terem muitas outras actividades: construção e obras públicas, télécoms, luxo...  (...) Quem são eles? Por que motivo apostaram tanto sobre estas ferramentas de influência? Como é que as suas redacções tratam dos temas que os incomodam? Ou da actualidade dos seus concorrentes?” (...)


O texto adianta informação, em parágrafos separados, sobre o percurso de Serge Dassault, Michel Lucas, Martin Bouygues, Vincent Bolloré, Bernard Arnault, Xavier Niel e Patrick Drahi.

 Mais informação em Le Monde e TéléOBS

Connosco
Estratégia mediática da China usa "barcos emprestados" para "autenticar" a propaganda... Ver galeria

Durante décadas, a estratégia de imagem da China foi defensiva, de resposta, e apontada sobretudo à sua audiência interna. O efeito mais visível era o desaparecimento de conteúdos: revistas estrangeiras com páginas arrancadas, ou as emissões da BBC que ficavam escuras quando tratavam de temas sensíveis, como o Tibete, Taiwan ou o massacre de Tienanmen.

Mas nos últimos anos a China desenvolveu uma estratégia mais sofisticada e assertiva, apontada às audiências internacionais. E Pequim está a fazê-lo com grande investimento financeiro  - que inclui cobertura jornalística patrocinada.

Um dos exemplos mais ostensivos é agora a contratação de jornalistas ocidentais para a China Global Television Network  - o ramo internacional da Televisão Central da China -  com estúdios em Chiswick, Londres. O objectivo deste esforço é, nas palavras do Presidente Xi Jinping, “contar bem a história da China”. E não faltam candidatos. A informação consta de uma reportagem extensa, em The Guardian.

Jornais perdem publicidade e a democracia qualidade Ver galeria

A receita proveniente da publicidade nos diários impressos está a desaparecer num movimento que parece inexorável. Acontece em todos os mercados, e nomeadamente no dos EUA, que pode servir de aviso aos outros: neste caso, a receita da publicidade de todos os diários foi de 13.330 milhões de dólares em 2016, de 9.760 neste ano de 2018, quase a acabar, e será de apenas 4.400 milhões em 2022, segundo a mais recente projecção da eMarketer.

Na Espanha, e segundo os dados da InfoAdex sobre os nove primeiros meses de 2018, regista-se uma queda generalizada de 6,1% no investimento na Imprensa escrita, depois de onze anos de descida sem fim. O balanço é de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics, que conclui: “A desinformação instala-se à vontade e é urgente fazer qualquer coisa. Não abandonemos os editores, ou a qualidade da democracia irá pelo mesmo ralo por onde se escoa a conta de resultados dos meios de comunicação.”

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
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