Quarta-feira, 18 de Julho, 2018
Media

Os Media como pretexto para investimentos de milionários

Por que motivo investem os novos milionários nos grandes grupos de Imprensa e dos audiovisuais, justamente quando se tornaram economicamente tão frágeis? É a partir desta questão que, segundo Le Monde, dois jornalistas franceses especializados nesta matéria partiram para um livro que procura explicar, tanto a motivação inicial como a eventual recompensa, sintizada no título da obra: “Médias – Les Nouveaux Empires”.

O texto do Le Monde, que aqui citamos, começa por estranhar que o governo agora em funções, decorrente da vitória de Emmanuel Macron nas eleições presidenciais, seja o primeiro, desde há muito tempo, que não tem ministro da Comunicação, “mesmo que, conforme se afirma no palácio Matignon, Françoise Nyssen, a nova ministra da Cultura, tenha o seu perímetro alargado à Comunicação e aos Media”. 

Depois de citar meia dúzia de nomes desses “novos milionários”, o artigo adianta:

“Alguns, como Lagardère ou Dassault, são herdeiros dos seus pais, que, na época em que a Imprensa era florescente, tinham comprado jornais para adquirirem influência política. Os outros, como sublinham os dois autores, investem neste sector ‘para defenderem os seus negócios, pondo a mão nos meios de informação política’.”

 

“Deste modo, cada um desenvolveu o seu império mediático e reforçou as sinergias com os outros sectores económicos (publicidade, telefónicas, sociedades de produção...) do seu grupo. “Pela primeira vez, todos os que detêm os principais diários em França, ou grandes revistas de actualidade, não têm a Imprensa como profissão”  -  escrevem os dois autores, Richard Sénéjoux e Amaury de Rochegonde, respectivamente da Télérama e das Stratégies

Como afirma outro artigo sobre este mesmo tema, publicado em Abril pela TéléOBS:

“Em pouco tempo, a paisagem sofreu uma mutação tecnológica e ‘capitalística’. A quase totalidade dos media reparte-se hoje entre oito milionários cujo ponto comum é o de terem muitas outras actividades: construção e obras públicas, télécoms, luxo...  (...) Quem são eles? Por que motivo apostaram tanto sobre estas ferramentas de influência? Como é que as suas redacções tratam dos temas que os incomodam? Ou da actualidade dos seus concorrentes?” (...)


O texto adianta informação, em parágrafos separados, sobre o percurso de Serge Dassault, Michel Lucas, Martin Bouygues, Vincent Bolloré, Bernard Arnault, Xavier Niel e Patrick Drahi.

 Mais informação em Le Monde e TéléOBS

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Aumentam assinaturas pagas de meios digitais com algumas surpresas... Ver galeria

As assinaturas pagas são a “tábua de salvação” dos jornais digitais, mas cobrar pelas notícias, neste terreno, é uma estratégia difícil de implementar. Muitos meios de comunicação hesitam em dar este passo, pelo receio de perderem leitores. No entanto, dezenas de outros tiveram êxito, seguindo estratégias diferentes e, também, com diversos graus de sucesso. A FIPP  - Federação Internacional da Imprensa Periódica -  editou recentemente o seu primeiro Global Digital Subscription Snapshot, que permite consultar a tabela com os principais meios online, comparar os seus números de assinantes e preços cobrados e, assim, obter ideias úteis para os que procuram chegar ao desejado equilíbrio financeiro sem terem de perder público.

Como captar audiência e ser fiel ao bom jornalismo Ver galeria

A crise que tem atingido os meios de comunicação, nos últimos anos, com a queda constante das receitas da publicidade e a dependência incerta da adesão dos leitores, tem conduzido editores e jornalistas a apostarem sobretudo nesta segunda direcção. Reatar relações de confiança e construir “audiências leais em torno de um jornalismo de qualidade”, parece ser o único caminho sólido, mesmo que não seja fácil. Os fundamentos da próxima geração de modelos sustentáveis de receita para os media “serão contribuições directas da sua audiência, apoiados por altos níveis de compromisso dos leitores”.

Portanto, uma espécie de “contrato social”, pelo lado do meio de comunicação e dos seus jornalistas, e uma espécie de “conversão pessoal”, pelo lado dos leitores. É esta a linha desenvolvida por um recente estudo do Tow Center for Digital Journalism, da Universidade de Columbia, nos EUA, aqui comentado em artigo publicado na 36ª edição de Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

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