Quinta-feira, 21 de Setembro, 2017
Media

Os Media como pretexto para investimentos de milionários

Por que motivo investem os novos milionários nos grandes grupos de Imprensa e dos audiovisuais, justamente quando se tornaram economicamente tão frágeis? É a partir desta questão que, segundo Le Monde, dois jornalistas franceses especializados nesta matéria partiram para um livro que procura explicar, tanto a motivação inicial como a eventual recompensa, sintizada no título da obra: “Médias – Les Nouveaux Empires”.

O texto do Le Monde, que aqui citamos, começa por estranhar que o governo agora em funções, decorrente da vitória de Emmanuel Macron nas eleições presidenciais, seja o primeiro, desde há muito tempo, que não tem ministro da Comunicação, “mesmo que, conforme se afirma no palácio Matignon, Françoise Nyssen, a nova ministra da Cultura, tenha o seu perímetro alargado à Comunicação e aos Media”. 

Depois de citar meia dúzia de nomes desses “novos milionários”, o artigo adianta:

“Alguns, como Lagardère ou Dassault, são herdeiros dos seus pais, que, na época em que a Imprensa era florescente, tinham comprado jornais para adquirirem influência política. Os outros, como sublinham os dois autores, investem neste sector ‘para defenderem os seus negócios, pondo a mão nos meios de informação política’.”

 

“Deste modo, cada um desenvolveu o seu império mediático e reforçou as sinergias com os outros sectores económicos (publicidade, telefónicas, sociedades de produção...) do seu grupo. “Pela primeira vez, todos os que detêm os principais diários em França, ou grandes revistas de actualidade, não têm a Imprensa como profissão”  -  escrevem os dois autores, Richard Sénéjoux e Amaury de Rochegonde, respectivamente da Télérama e das Stratégies

Como afirma outro artigo sobre este mesmo tema, publicado em Abril pela TéléOBS:

“Em pouco tempo, a paisagem sofreu uma mutação tecnológica e ‘capitalística’. A quase totalidade dos media reparte-se hoje entre oito milionários cujo ponto comum é o de terem muitas outras actividades: construção e obras públicas, télécoms, luxo...  (...) Quem são eles? Por que motivo apostaram tanto sobre estas ferramentas de influência? Como é que as suas redacções tratam dos temas que os incomodam? Ou da actualidade dos seus concorrentes?” (...)


O texto adianta informação, em parágrafos separados, sobre o percurso de Serge Dassault, Michel Lucas, Martin Bouygues, Vincent Bolloré, Bernard Arnault, Xavier Niel e Patrick Drahi.

 Mais informação em Le Monde e TéléOBS

Connosco
A prisão solitária do “egosistema digital” como doença contagiosa do nosso tempo Ver galeria

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Chegámos a um novo “patamar de interacção entre jornais e público, potencializado pela Internet e pelas ferramentas de diálogo”, e é nesse espaço  que “um tipo específico de emoção e de sensação” é agora exposto com mais frequência: “há casos recentes e emblemáticos que ilustram tempos de cólera, intolerância e polarização social por todo o mundo”. A questão de fundo é a de saber que papel de controlo, ou de mediação, pode ainda o jornalismo exercer. É este o tema do “comentário da semana” de ObjEthos, Observatório da Ética Jornalística do Brasil.

O Clube

Está formado o Júri que vai apreciar os trabalhos concorrentes ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído pelo Clube Português de Imprensa (CPI) e pelo Jornal Tribuna de Macau (JTM),  com o apoio da Fundação Jorge Álvares.

O Júri será presidido por Dinis de Abreu, em representação do CPI, e integrado pelos jornalistas José Rocha Diniz, fundador e administrador do Jornal Tribuna de Macau, José Carlos de Vasconcelos, director do JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias, Carlos Magno, pela Fundação Jorge Álvares e por José António Silva Pires, também do CPI.


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Opinião
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