Quinta-feira, 21 de Setembro, 2017
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Renovar a fé no jornalismo em diálogo com os estudantes universitários

Em final de ano lectivo, também as escolas de jornalismo têm as suas cerimónias de atribuição de licenciaturas. As Universidades dos EUA têm a tradição de convidar figuras proeminentes dos media para o discurso de honra nesse acto solene dos respectivos cursos de comunicação social. Daniel Funke, ele mesmo um recente college graduate da Universidade da Georgia, fez uma recolha de sete notáveis discursos de graduação que podem “renovar a nossa fé no jornalismo”, identificou os seus autores e citou duas ou três frases principais de cada um.

Esta colecção inclui o link para vários destes discursos na sua totalidade, bem como vídeos das cerimónias em que foram proferidos.

 

 

De Marty Baron, director do The Washington Post, na George Mason University:

“O governo de nós mesmos [self-governance, no original] não termina na urna de voto. É uma obrigação que persiste todos os dias. Tomar a palavra não é uma ameaça. A supressão da expressão é a ameaça. O silêncio é a ameaça.” (...)

“Os que estamos na Imprensa temos uma obrigação especial de tomar a palavra  - por meio da reportagem, da análise e do comentário. Se, por exemplo, a Casa Branca nos manda ficar calados  - como tem feito -  a resposta deve ser não. É a única resposta ética, especialmente quando envolve o escrutínio da pessoa mais poderosa do mundo.” (...)

 

De Ernie Johnson Jr., comentador desportivo para Turner Sports e CBS Sports, na Universidade da Georgia:

“Somos todos vizinhos neste planeta. Isto implica ser eu a levantar-vos [lifting you up, no original]. Implica serem vocês a procurar a pessoa mais próxima e a levantarem-na. Vocês podem falar pela pessoa que não tem voz. Vocês podem levantar os maltratados.” (...)

 

De Nate Silver, director do site Five ThirtyEight, na Georgetown University:

“Vocês ficariam surpreendidos por descobrirem como é fácil, num planeta com 7,5 biliões de pessoas, uma delas tornar-se um dos especialistas mais relevantes em determinado assunto, desde que realmente se esforce muito e o estude. Procurem aprofundar o entendimento de um problema mais do que alguma vez julgaram possível.” (...)

 

De Nikole Hannah-Jones, repórter de investigação na revista New York, na Universidade de North Carolina:

“Nunca percam o sentimento de indignação a respeito das injustiças que nos rodeiam. Este trabalho devia ser, acima de tudo, a nossa missão. Talvez nem sempre vejamos que o nosso trabalho conduz à mudança, mas nunca, nunca devemos deixar de tentar.” (...)

 

De Gregory Gerard Coleman, presidente de BuzzFeed, na Georgetown University:

“No trabalho como na vida, vai haver alturas em que vocês acreditam nalguma coisa que não é popular, e vão ser chamados a defender essa escolha. Demasiadas vezes há pessoas que olham primeiro em volta a ver como os outros estão a pensar, e só depois fazem as suas escolhas baseadas nisso.” (...)

 

De Anne Thompson, correspondente da NBC News para temas do clima, no Stonehill College:

“É o pragmatismo da verdade que nos permite sonhar. É quando estamos ancorados na realidade que ficamos livres para deixar que o nosso espírito voe até aos últimos limites da nossa imaginação.” (...)

 

De Margie Mason, correspondente regional e de temas de medicina da Ásia para The Associated Press, na West Virginia University:

“Procurem aqueles que não pensam como vocês, não falam como vocês ou não prestam culto como vocês. Isso vai enriquecer muito a vossa vida.” (...)


O artigo original, em Poynter.org, a que pertence a imagem utilizada

Connosco
A prisão solitária do “egosistema digital” como doença contagiosa do nosso tempo Ver galeria

Há uma geração zombie deambulando pelas ruas sem levantar os olhos dos seus ecrãs, teclando no Whatsapp ou consultando o Facebook. Até os restaurantes se tornaram mais silenciosos, porque chamamos o empregado tocando num botão e conversamos à distância pelo smartphone sem prestar atenção aos vizinhos de mesa que estão a fazer exactamente o mesmo. Não é uma mudança tecnológica, é uma revolução sociológica. E o vírus é contagioso, impregnou o espaço do cosmos. Todos fomos contagiados pela doença do nosso tempo, o egosistema digital.

O jornalismo em “tempos de cólera” e a interacção com o público Ver galeria

Chegámos a um novo “patamar de interacção entre jornais e público, potencializado pela Internet e pelas ferramentas de diálogo”, e é nesse espaço  que “um tipo específico de emoção e de sensação” é agora exposto com mais frequência: “há casos recentes e emblemáticos que ilustram tempos de cólera, intolerância e polarização social por todo o mundo”. A questão de fundo é a de saber que papel de controlo, ou de mediação, pode ainda o jornalismo exercer. É este o tema do “comentário da semana” de ObjEthos, Observatório da Ética Jornalística do Brasil.

O Clube

Está formado o Júri que vai apreciar os trabalhos concorrentes ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído pelo Clube Português de Imprensa (CPI) e pelo Jornal Tribuna de Macau (JTM),  com o apoio da Fundação Jorge Álvares.

O Júri será presidido por Dinis de Abreu, em representação do CPI, e integrado pelos jornalistas José Rocha Diniz, fundador e administrador do Jornal Tribuna de Macau, José Carlos de Vasconcelos, director do JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias, Carlos Magno, pela Fundação Jorge Álvares e por José António Silva Pires, também do CPI.


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Opinião
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