Terça-feira, 23 de Outubro, 2018
Fórum

Renovar a fé no jornalismo em diálogo com os estudantes universitários

Em final de ano lectivo, também as escolas de jornalismo têm as suas cerimónias de atribuição de licenciaturas. As Universidades dos EUA têm a tradição de convidar figuras proeminentes dos media para o discurso de honra nesse acto solene dos respectivos cursos de comunicação social. Daniel Funke, ele mesmo um recente college graduate da Universidade da Georgia, fez uma recolha de sete notáveis discursos de graduação que podem “renovar a nossa fé no jornalismo”, identificou os seus autores e citou duas ou três frases principais de cada um.

Esta colecção inclui o link para vários destes discursos na sua totalidade, bem como vídeos das cerimónias em que foram proferidos.

 

 

De Marty Baron, director do The Washington Post, na George Mason University:

“O governo de nós mesmos [self-governance, no original] não termina na urna de voto. É uma obrigação que persiste todos os dias. Tomar a palavra não é uma ameaça. A supressão da expressão é a ameaça. O silêncio é a ameaça.” (...)

“Os que estamos na Imprensa temos uma obrigação especial de tomar a palavra  - por meio da reportagem, da análise e do comentário. Se, por exemplo, a Casa Branca nos manda ficar calados  - como tem feito -  a resposta deve ser não. É a única resposta ética, especialmente quando envolve o escrutínio da pessoa mais poderosa do mundo.” (...)

 

De Ernie Johnson Jr., comentador desportivo para Turner Sports e CBS Sports, na Universidade da Georgia:

“Somos todos vizinhos neste planeta. Isto implica ser eu a levantar-vos [lifting you up, no original]. Implica serem vocês a procurar a pessoa mais próxima e a levantarem-na. Vocês podem falar pela pessoa que não tem voz. Vocês podem levantar os maltratados.” (...)

 

De Nate Silver, director do site Five ThirtyEight, na Georgetown University:

“Vocês ficariam surpreendidos por descobrirem como é fácil, num planeta com 7,5 biliões de pessoas, uma delas tornar-se um dos especialistas mais relevantes em determinado assunto, desde que realmente se esforce muito e o estude. Procurem aprofundar o entendimento de um problema mais do que alguma vez julgaram possível.” (...)

 

De Nikole Hannah-Jones, repórter de investigação na revista New York, na Universidade de North Carolina:

“Nunca percam o sentimento de indignação a respeito das injustiças que nos rodeiam. Este trabalho devia ser, acima de tudo, a nossa missão. Talvez nem sempre vejamos que o nosso trabalho conduz à mudança, mas nunca, nunca devemos deixar de tentar.” (...)

 

De Gregory Gerard Coleman, presidente de BuzzFeed, na Georgetown University:

“No trabalho como na vida, vai haver alturas em que vocês acreditam nalguma coisa que não é popular, e vão ser chamados a defender essa escolha. Demasiadas vezes há pessoas que olham primeiro em volta a ver como os outros estão a pensar, e só depois fazem as suas escolhas baseadas nisso.” (...)

 

De Anne Thompson, correspondente da NBC News para temas do clima, no Stonehill College:

“É o pragmatismo da verdade que nos permite sonhar. É quando estamos ancorados na realidade que ficamos livres para deixar que o nosso espírito voe até aos últimos limites da nossa imaginação.” (...)

 

De Margie Mason, correspondente regional e de temas de medicina da Ásia para The Associated Press, na West Virginia University:

“Procurem aqueles que não pensam como vocês, não falam como vocês ou não prestam culto como vocês. Isso vai enriquecer muito a vossa vida.” (...)


O artigo original, em Poynter.org, a que pertence a imagem utilizada

Connosco
Jornalista e historiador de Macau vencem Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia Ver galeria

O Júri dos Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia, instituídos pelo Jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, escolheu, por unanimidade, na primeira categoria, o trabalho "Ler sem limites", da jornalista Catarina Brites Soares, publicado no semanário Plataforma, em Macau.

Na categoria Ensaio, atribuída este ano pela primeira vez, foi distinguido o original do historiador António Aresta, de Macau, intitulado "Miguel Torga: um poeta português em Macau".
A Acta do Júri destaca, no primeiro caso, que Catarina Brito Soares  consegue desenhar com o seu texto “uma panorâmica das leituras mais frequentes em Macau, com um levantamento de livros e autores que circulam livremente no território, incluindo alguns que, por diferentes razões, têm limites de acesso fora da RAEM”.
O semanário Plataforma Macau é publicado em Macau, em português e chinês. 

Na categoria Ensaio, o Júri deliberou, também por unanimidade, atribuir o Prémio ao trabalho de António Aresta, considerando tratar-se de “uma narrativa consequente sobre a visita histórica do grande poeta a Macau, com passagem por Cantão e Hong Kong”.

Universidades apoiam e investem no jornalismo de investigação Ver galeria

A sociedade necessita de um jornalismo de investigação que fica caro, e esta necessidade “chega num momento de grande tensão financeira para uma indústria maciçamente perturbada pelas novas tecnologias e alterações económicas”.

“Acreditamos que este tipo de jornalismo, em defesa do povo americano, é mais importante do que nunca na presente cacofonia de informação confusa, contraditória e enganadora, já para não falar de cepticismo  - ou por vezes rejeição absoluta -  dos factos.”

Esta reflexão é assinada por Christopher Callahan e Leonard Downie Jr., docentes na Universidade Estatal do Arizona, sobre a criação de dois centros de ensino de jornalismo de investigação, um na Universidade referida, outro na de Maryland. Tendo em conta a “proliferação de centros de reportagem de investigação independentes, sem objectivo de lucro, em grande parte financiados por [mecenato] filantrópico”, as universidades “estão prontas a assumir funções de liderança neste novo ecossistema de jornalismo de investigação”  - afirmam no seu texto.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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Opinião
Como está o papel?
Manuel Falcão
Durante muitos anos a imprensa – jornais e revistas – captava a segunda maior fatia do investimento publicitário, logo a seguir à televisão, que sensivelmente fica com metade do total do bolo publicitário. Mas desde o princípio desta década a queda do investimento em imprensa foi sempre aumentando e, agora, desceu para a quinta posição, atrás, por esta ordem, da TV, digital, outdoor e rádio. Ao ritmo a que...

Na edição de 15 de Setembro o Expresso inseria como manchete, ao alto da primeira página, o seguinte titulo: “Acordo à vista para manter a PGR”. Como se viu, o semanário, habitualmente tido por bem informado, falhou redondamente.

Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

Trump contra o jornalismo
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