Terça-feira, 21 de Novembro, 2017
Fórum

Renovar a fé no jornalismo em diálogo com os estudantes universitários

Em final de ano lectivo, também as escolas de jornalismo têm as suas cerimónias de atribuição de licenciaturas. As Universidades dos EUA têm a tradição de convidar figuras proeminentes dos media para o discurso de honra nesse acto solene dos respectivos cursos de comunicação social. Daniel Funke, ele mesmo um recente college graduate da Universidade da Georgia, fez uma recolha de sete notáveis discursos de graduação que podem “renovar a nossa fé no jornalismo”, identificou os seus autores e citou duas ou três frases principais de cada um.

Esta colecção inclui o link para vários destes discursos na sua totalidade, bem como vídeos das cerimónias em que foram proferidos.

 

 

De Marty Baron, director do The Washington Post, na George Mason University:

“O governo de nós mesmos [self-governance, no original] não termina na urna de voto. É uma obrigação que persiste todos os dias. Tomar a palavra não é uma ameaça. A supressão da expressão é a ameaça. O silêncio é a ameaça.” (...)

“Os que estamos na Imprensa temos uma obrigação especial de tomar a palavra  - por meio da reportagem, da análise e do comentário. Se, por exemplo, a Casa Branca nos manda ficar calados  - como tem feito -  a resposta deve ser não. É a única resposta ética, especialmente quando envolve o escrutínio da pessoa mais poderosa do mundo.” (...)

 

De Ernie Johnson Jr., comentador desportivo para Turner Sports e CBS Sports, na Universidade da Georgia:

“Somos todos vizinhos neste planeta. Isto implica ser eu a levantar-vos [lifting you up, no original]. Implica serem vocês a procurar a pessoa mais próxima e a levantarem-na. Vocês podem falar pela pessoa que não tem voz. Vocês podem levantar os maltratados.” (...)

 

De Nate Silver, director do site Five ThirtyEight, na Georgetown University:

“Vocês ficariam surpreendidos por descobrirem como é fácil, num planeta com 7,5 biliões de pessoas, uma delas tornar-se um dos especialistas mais relevantes em determinado assunto, desde que realmente se esforce muito e o estude. Procurem aprofundar o entendimento de um problema mais do que alguma vez julgaram possível.” (...)

 

De Nikole Hannah-Jones, repórter de investigação na revista New York, na Universidade de North Carolina:

“Nunca percam o sentimento de indignação a respeito das injustiças que nos rodeiam. Este trabalho devia ser, acima de tudo, a nossa missão. Talvez nem sempre vejamos que o nosso trabalho conduz à mudança, mas nunca, nunca devemos deixar de tentar.” (...)

 

De Gregory Gerard Coleman, presidente de BuzzFeed, na Georgetown University:

“No trabalho como na vida, vai haver alturas em que vocês acreditam nalguma coisa que não é popular, e vão ser chamados a defender essa escolha. Demasiadas vezes há pessoas que olham primeiro em volta a ver como os outros estão a pensar, e só depois fazem as suas escolhas baseadas nisso.” (...)

 

De Anne Thompson, correspondente da NBC News para temas do clima, no Stonehill College:

“É o pragmatismo da verdade que nos permite sonhar. É quando estamos ancorados na realidade que ficamos livres para deixar que o nosso espírito voe até aos últimos limites da nossa imaginação.” (...)

 

De Margie Mason, correspondente regional e de temas de medicina da Ásia para The Associated Press, na West Virginia University:

“Procurem aqueles que não pensam como vocês, não falam como vocês ou não prestam culto como vocês. Isso vai enriquecer muito a vossa vida.” (...)


O artigo original, em Poynter.org, a que pertence a imagem utilizada

Connosco
Imprensa nas mãos de grupos financeiros "proletariza" jornalistas Ver galeria

“Um jornal, hoje, não pode viver sem se pôr de joelhos diante da Google”. Foi esta a síntese de Casimiro García Abadillo, director de El Independiente, na comemoração do centenário do jornal El Sol. Disse ainda que as quedas da tiragem e da receita publicitária, desde a chegada da Internet, trouxeram uma “debilidade financeira” que permitiu que os grandes jornais fossem apropriados pela banca e outros grupos empresariais. Outra consequência foi a perda de emprego para muitos profissionais e uma desvalorização salarial que “proletarizou [a profissão] até limites insuportáveis”. A reportagem é da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

Jornalismo de investigação em crise por falta de suporte financeiro Ver galeria

“Podíamos pensar que não devia haver discussão a respeito da importância do jornalismo de investigação. Mas o colapso da base financeira do jornalismo nestes últimos 15 anos causou muitas vítimas, e uma das principais foi o campo da investigação. (...) O jornalismo de investigação passou a ser visto, cada vez mais, como um desperdício de tempo, custoso e ineficiente.” Esta reflexão faz parte da síntese de apresentação do novo relatório produzido pelo Global Investigative Journalism Network, que desmente o preconceito e demonstra o verdadeiro impacto do jornalismo de investigação, bem como o seu contributo essencial para uma vida democrática saudável.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
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Francisco Sarsfield Cabral
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