Segunda-feira, 24 de Fevereiro, 2020
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Renovar a fé no jornalismo em diálogo com os estudantes universitários

Em final de ano lectivo, também as escolas de jornalismo têm as suas cerimónias de atribuição de licenciaturas. As Universidades dos EUA têm a tradição de convidar figuras proeminentes dos media para o discurso de honra nesse acto solene dos respectivos cursos de comunicação social. Daniel Funke, ele mesmo um recente college graduate da Universidade da Georgia, fez uma recolha de sete notáveis discursos de graduação que podem “renovar a nossa fé no jornalismo”, identificou os seus autores e citou duas ou três frases principais de cada um.

Esta colecção inclui o link para vários destes discursos na sua totalidade, bem como vídeos das cerimónias em que foram proferidos.

 

 

De Marty Baron, director do The Washington Post, na George Mason University:

“O governo de nós mesmos [self-governance, no original] não termina na urna de voto. É uma obrigação que persiste todos os dias. Tomar a palavra não é uma ameaça. A supressão da expressão é a ameaça. O silêncio é a ameaça.” (...)

“Os que estamos na Imprensa temos uma obrigação especial de tomar a palavra  - por meio da reportagem, da análise e do comentário. Se, por exemplo, a Casa Branca nos manda ficar calados  - como tem feito -  a resposta deve ser não. É a única resposta ética, especialmente quando envolve o escrutínio da pessoa mais poderosa do mundo.” (...)

 

De Ernie Johnson Jr., comentador desportivo para Turner Sports e CBS Sports, na Universidade da Georgia:

“Somos todos vizinhos neste planeta. Isto implica ser eu a levantar-vos [lifting you up, no original]. Implica serem vocês a procurar a pessoa mais próxima e a levantarem-na. Vocês podem falar pela pessoa que não tem voz. Vocês podem levantar os maltratados.” (...)

 

De Nate Silver, director do site Five ThirtyEight, na Georgetown University:

“Vocês ficariam surpreendidos por descobrirem como é fácil, num planeta com 7,5 biliões de pessoas, uma delas tornar-se um dos especialistas mais relevantes em determinado assunto, desde que realmente se esforce muito e o estude. Procurem aprofundar o entendimento de um problema mais do que alguma vez julgaram possível.” (...)

 

De Nikole Hannah-Jones, repórter de investigação na revista New York, na Universidade de North Carolina:

“Nunca percam o sentimento de indignação a respeito das injustiças que nos rodeiam. Este trabalho devia ser, acima de tudo, a nossa missão. Talvez nem sempre vejamos que o nosso trabalho conduz à mudança, mas nunca, nunca devemos deixar de tentar.” (...)

 

De Gregory Gerard Coleman, presidente de BuzzFeed, na Georgetown University:

“No trabalho como na vida, vai haver alturas em que vocês acreditam nalguma coisa que não é popular, e vão ser chamados a defender essa escolha. Demasiadas vezes há pessoas que olham primeiro em volta a ver como os outros estão a pensar, e só depois fazem as suas escolhas baseadas nisso.” (...)

 

De Anne Thompson, correspondente da NBC News para temas do clima, no Stonehill College:

“É o pragmatismo da verdade que nos permite sonhar. É quando estamos ancorados na realidade que ficamos livres para deixar que o nosso espírito voe até aos últimos limites da nossa imaginação.” (...)

 

De Margie Mason, correspondente regional e de temas de medicina da Ásia para The Associated Press, na West Virginia University:

“Procurem aqueles que não pensam como vocês, não falam como vocês ou não prestam culto como vocês. Isso vai enriquecer muito a vossa vida.” (...)


O artigo original, em Poynter.org, a que pertence a imagem utilizada

Connosco
Faleceu Vasco Pulido Valente cronista singular de imprensa Ver galeria

Faleceu o historiador, escritor, ensaísta e  cronista de imprensa, enquanto comentador político, Vasco Pulido Valente. A informação foi confirmada ao jornal “Público” e ao “Observador” por fonte familiar. 

 Vasco Pulido Valente, distinguiu-se como colunista com textos repartidos por vários jornais, e pela acidez irónica que cultivava nos seus comentários, invariavelmente cáusticos e certeiros em relação a não poucos actores do espaço político-partidário.

 O nome que o tornou célebre (e temido), era o pseudónimo de Vasco Valente Correia Guedes, que nasceu em Lisboa a 21 de Novembro de 1941. Licenciou-se em Filosofia pela Faculdade de Letras de Lisboa e tirou um doutoramento em História pela Universidade de Oxford. No final da década de 60, uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian permitiu-lhe estudar em Inglaterra, onde se doutorou, sendo um devoto de uma certa cultura académica, típica de Oxford.


Guia para um discurso jornalístico simplificado... Ver galeria

As “hard news” podem tornar-se pouco atractivas para os leitores, devido à linguagem formal e à utilização de conceitos desconhecidos pela maioria do “comum dos mortais”. 

Por muito que os jornalistas se esforcem para fazer passar a mensagem de forma clara, muitas vezes trabalham em “contra-relógio”, o que torna difícil a tarefa de escrever de maneira apelativa. Foi a pensar nesses profissionais que a jornalista Roy Peter Clark elaborou um pequeno guia, publicado na revista “Poynter”. 

Para a autora, o mais importante é escrever como quem conversa com um amigo num bar. É crucial utilizar linguagem simplificada, dar exemplos e explicar conceitos. Assim, poderá ser útil falar sobre o conteúdo, ainda que em monólogo, e só depois escrevê-lo.

O Clube


Três jornais açorianos celebram este ano aniversários redondos. O Diário dos Açores completa século e meio de existência , o que é marcante. O Jornal dos Açores perfaz cem anos, outra vitória sobre o tempo. E o Açoriano Oriental , chega aos 185 anos , uma longevidade qualificada , que o coloca entre os diários mais antigos em publicação. A todos o Clube Português de Imprensa felicita , pela resistência e pelo mérito , numa época em que floresce a falta de memória nas redações. E associa-se neste site às respectivas efemérides.
Houve tempo em que os jornais se felicitavam com júbilo, e parabenizavam os concorrentes aniversariantes. Tempos idos. Agora , ignoram-se como se houvesse um deserto à volta de cada um.
Ser diário centenário num arquipélago de pouca gente, de onde tantos emigraram, e sobreviver em confronto com a agressividade da Internet e dos audiovisuais , é proeza de vulto.
São uma lição que merece relevo, cheia de ensinamentos para outros que desistiram antes de tempo.

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Opinião
Neste primeiro semestre, três jornais açorianos comemoram uma longevidade assinalável. Conforme se regista noutros espaços deste site, o Diário dos Açores acabou de completar século e meio de existência;  em Abril, será a vez do Açoriano Oriental,  o mais antigo, soprar 185 velas; e, finalmente em Maio, o Correio dos Açores alcança o seu primeiro centenário. Em tempo de crise na Imprensa,...
O volume de investimento publicitário na imprensa tem estado em queda, mas vários estudos indicam que os leitores de jornais e revistas continuam a ser influenciados pela publicidade que encontram nas páginas das publicações que consomem regularmente. Por outro lado a análise dos dados do mais recente estudo Bareme Impresa, da Marktest, revela que os indivíduos da classe alta têm níveis de audiência de imprensa 40% acima dos...
Graves ameaças à BBC News
Francisco Sarsfield Cabral
A BBC é, provavelmente, a referência mundial mais importante do jornalismo. Foi uma rádio muito ouvida em Portugal no tempo da ditadura, para conhecer notícias que a censura não deixava publicar. E mesmo depois do 25 de Abril, durante o chamado PREC (processo revolucionário em curso) também o recurso à BBC News por vezes dava jeito para obter uma informação não distorcida por ideologias políticas.Ora a BBC News...