Sexta-feira, 22 de Fevereiro, 2019
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Renovar a fé no jornalismo em diálogo com os estudantes universitários

Em final de ano lectivo, também as escolas de jornalismo têm as suas cerimónias de atribuição de licenciaturas. As Universidades dos EUA têm a tradição de convidar figuras proeminentes dos media para o discurso de honra nesse acto solene dos respectivos cursos de comunicação social. Daniel Funke, ele mesmo um recente college graduate da Universidade da Georgia, fez uma recolha de sete notáveis discursos de graduação que podem “renovar a nossa fé no jornalismo”, identificou os seus autores e citou duas ou três frases principais de cada um.

Esta colecção inclui o link para vários destes discursos na sua totalidade, bem como vídeos das cerimónias em que foram proferidos.

 

 

De Marty Baron, director do The Washington Post, na George Mason University:

“O governo de nós mesmos [self-governance, no original] não termina na urna de voto. É uma obrigação que persiste todos os dias. Tomar a palavra não é uma ameaça. A supressão da expressão é a ameaça. O silêncio é a ameaça.” (...)

“Os que estamos na Imprensa temos uma obrigação especial de tomar a palavra  - por meio da reportagem, da análise e do comentário. Se, por exemplo, a Casa Branca nos manda ficar calados  - como tem feito -  a resposta deve ser não. É a única resposta ética, especialmente quando envolve o escrutínio da pessoa mais poderosa do mundo.” (...)

 

De Ernie Johnson Jr., comentador desportivo para Turner Sports e CBS Sports, na Universidade da Georgia:

“Somos todos vizinhos neste planeta. Isto implica ser eu a levantar-vos [lifting you up, no original]. Implica serem vocês a procurar a pessoa mais próxima e a levantarem-na. Vocês podem falar pela pessoa que não tem voz. Vocês podem levantar os maltratados.” (...)

 

De Nate Silver, director do site Five ThirtyEight, na Georgetown University:

“Vocês ficariam surpreendidos por descobrirem como é fácil, num planeta com 7,5 biliões de pessoas, uma delas tornar-se um dos especialistas mais relevantes em determinado assunto, desde que realmente se esforce muito e o estude. Procurem aprofundar o entendimento de um problema mais do que alguma vez julgaram possível.” (...)

 

De Nikole Hannah-Jones, repórter de investigação na revista New York, na Universidade de North Carolina:

“Nunca percam o sentimento de indignação a respeito das injustiças que nos rodeiam. Este trabalho devia ser, acima de tudo, a nossa missão. Talvez nem sempre vejamos que o nosso trabalho conduz à mudança, mas nunca, nunca devemos deixar de tentar.” (...)

 

De Gregory Gerard Coleman, presidente de BuzzFeed, na Georgetown University:

“No trabalho como na vida, vai haver alturas em que vocês acreditam nalguma coisa que não é popular, e vão ser chamados a defender essa escolha. Demasiadas vezes há pessoas que olham primeiro em volta a ver como os outros estão a pensar, e só depois fazem as suas escolhas baseadas nisso.” (...)

 

De Anne Thompson, correspondente da NBC News para temas do clima, no Stonehill College:

“É o pragmatismo da verdade que nos permite sonhar. É quando estamos ancorados na realidade que ficamos livres para deixar que o nosso espírito voe até aos últimos limites da nossa imaginação.” (...)

 

De Margie Mason, correspondente regional e de temas de medicina da Ásia para The Associated Press, na West Virginia University:

“Procurem aqueles que não pensam como vocês, não falam como vocês ou não prestam culto como vocês. Isso vai enriquecer muito a vossa vida.” (...)


O artigo original, em Poynter.org, a que pertence a imagem utilizada

Connosco
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“Esperamos respostas tão breve quanto possível, porque ainda há muitas questões”  - afirmou.
Prémios do World Press Photo 2019 já têm candidatos escolhidos... Ver galeria

Um fotojornalista português, Mário Cruz, da Agência Lusa, figura entre os nomeados para o World Press Photo 2019, o mais prestigiado prémio de fotojornalismo do mundo, cuja identidade e trabalhos a concurso foram agora conhecidos. A Fundação organizadora introduziu também uma nova categoria a ser premiada, a História do Ano, destinada a “fotógrafos cuja criatividade e habilidades visuais produziram uma história com excelente edição e sequenciamento, que captura ou representa um evento ou assunto de grande importância jornalística”.

A imagem de Mário Cruz, intitulada “Viver entre o que foi deixado para trás”, mostra uma criança recolhendo material reciclável, deitada num colchão cercado por lixo, enquanto flutua no rio Pasig, em Manila, nas Filipinas.

Os vencedores do concurso serão conhecidos na cerimónia marcada para 11 de Abril, em Amesterdão, na Holanda.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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