Segunda-feira, 10 de Dezembro, 2018
Prémio

Drama dos refugiados inspira Grande Prémio do "World Press Cartoon" 2017

O “cartoonista” iraniano Alizera Pakdel, de 36 anos, foi distinguido com o Grande Prémio do World Press Cartoon 2017, com a imagem de um barco cheio de refugiados a afundar-se num oceanário, à vista indiferente dos visitantes. A tragédia e o terror, nas suas diversas formas, são temas fortes entre as mais de duas centenas e meia de trabalhos expostos. António Jorge Gonçalves foi o único português com direito a distinção, com o seu “Brexit”, feito para o jornal Público.

Tendo como director o conhecido “cartoonista” português António Antunes, e sendo realizada na terra onde produziu grande parte da sua obra outro famoso caricaturista, Rafael Bordalo Pinheiro, esta foi a 12.ª edição deste evento, que chega às Caldas da Rainha depois de ter passado por Sintra e Cascais e de não se ter realizado no ano passado devido a dificuldades financeiras.

 

Sobre a variedade dos trabalhos expostos, e segundo o DN, que aqui citamos:

“Há um Donald Trump em forma de Pato Donald. Há muitos outros ‘Trumps’ de outras formas. Também há terroristas, refugiados, vários políticos da União Europeia e caricaturas do futebolista Cristiano Ronaldo. Na exposição World Press Cartoon está um pouco de tudo o que aconteceu no nosso mundo ao longo do último ano, mas em forma de desenho. No total são quase 270 imagens, entre caricaturas, cartoons editoriais e desenhos de humor publicados na Imprensa mundial e selecionados por um júri entre as cerca de 500 imagens que concorreram.” 

Os trabalhos vencedores foram seleccionados por um júri internacional de “cartoonistas”, que reuniu nas Caldas da Rainha em Abril, e que integrou, além do director do salão, o português António Antunes, Ross Thomson, da Grã-Bretanha, Hermenegildo Sábat, do Uruguai, Angel Boligán, do México, e Zoran Petrovic, da Alemanha. 

Além do 1.º lugar atribuído a Alireza Pakdel, na categoria de Cartoon Editorial, o 2.º lugar foi atribuído a Mikhael Kountouris (da Grécia) e o 3.º ao francês Cost. 

Na categoria de Desenho de Humor, o vencedor foi Toshow, da Sérvia, tendo os segundo e terceiro prémios sido atribuídos a Swen, da Suíça, e a Bonil, do Equador, respectivamente. Dois brasileiros, Fernandes e Baptistão, conquistaram respectivamente o 1.º e 2.º prémios na categoria de Caricatura, que atribuiu o 3.º lugar a Gio, da Itália. 

 

Mais informação no Público e no Expresso, que publica uma galeria com a reprodução dos principais trabalhos premiados

Connosco
O fascínio pelas imagens de motins como nova cultura dos Media Ver galeria

Um pequeno video das manifestações em Paris, feito na manhã de 2 de Dezembro e colocado no Twitter, mostra umas dezenas de indivíduos de capuz, a correr na rua, com um fogo em segundo plano. Uma legenda diz que os desordeiros [casseurs, no original] põem a polícia em fuga. Três horas depois de ser publicada, a sequência já teve 45 mil visualizações. À tarde, o contador regista 145 mil e no dia seguinte o dobro, sem contar com a sua reprodução nos media. No YouTube, no Reddit e outros meios semelhantes, estes vídeos chegam facilmente aos milhões.

“Este fascínio pelas imagens de motins  - ou de revolta, segundo o ponto de vista -  é agora chamado riot porn  - designando o prazer (um pouco culpado) de ver ou partilhar um certo tipo de imagens, como o food porn, de pratos de comida, ou o sky porn para imagens do céu e de cenas de pôr-de-sol.”

A reflexão é de Emilie Tôn, em L’Express, num trabalho que aborda o voyeurisme da violência nas ruas, em que todos podemos ser protagonistas, mesmo que involuntários, espectadores ou realizadores de documentário, com um telemóvel na mão.

A “missão impossível” dos repórteres árabes de investigação Ver galeria

A auto-confiança com que actuaram os executores de Jamal Khashoggi tem várias razões, e uma delas tem a ver connosco, jornalistas. Quando chegou, finalmente, a admissão do crime, jornalistas por todo o mundo árabe vieram em defesa de Riade. “Eles não sabiam nada  - mas escreveram o que lhes foi dito que escrevessem. E de cada vez que mudava a versão oficial, eles mudavam a sua para se ajustar, sem embaraço ou hesitação.”

“E não estavam sozinhos. Os sauditas tinham uma segunda linha de defesa: um grupo menor, mas não menos influente, de jornalistas do Ocidente, que tinham passado mais de um ano a contar a história de uma Arábia Saudita reformista, acabada de retocar, de ventos de mudança soprando no deserto, com as suas visões e ambições comoventes louvadas por todo o mundo.”

A reflexão é da jornalista jordana Rana Sabbagh, que está à frente da Rede de Jornalismo de Investigação Árabe (membro da Global Investigative Journalism Network) e foi a primeira mulher árabe a dirigir um jornal político no Médio Oriente, o Jordan Times.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
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Perante a bem conhecida e infelizmente bem real crise da comunicação social o Presidente da República questionou, há dias, se o Estado não tem a obrigação de intervir. Para Marcelo Rebelo de Sousa há uma "situação de emergência", que já constitui um problema democrático e de regime. A crise está longe de ser apenas portuguesa: é mundial. E tem sobretudo a ver com o facto de cada vez mais...
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