Sexta-feira, 22 de Setembro, 2017
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Como é fácil espalhar pela Net uma “teoria da conspiração”

Uma equipa do site francês Spicee, especializado em reportagens de vídeo, produziu e colocou online um pequeno filme com um enredo falso, intencionalmente fabricado segundo as regras das “teorias de conspiração” que inundam a Internet. O objectivo era testar e, depois, denunciar a velocidade e irresponsabilidade com que esse tipo de material se propaga. O resultado final é um documentário de 42 minutos, “Caçador de Conspirações”, que descreve como tudo se passou e que está acessível (além do site Spicee, com acesso pago), no canal Odisseia.

O trabalho de equipa começou poucos dias depois do atentado contra a redacção do Charlie Hebdo, em Paris, em Janeiro de 2015. Menos de duas horas depois do ataque, algumas “teorias de conspiração” já se tinham tornado “virais”. Como conta o sociólogo Gérald Bronner, um dos entrevistados no documentário final, só no primeiro dia já tinha encontrado duas dúzias de argumentos do tipo “teoria da conspiração”, tais como  -  foi o Presidente François Hollande quem ordenou os ataques “para aumentar a sua popularidade”, o terrorista não matou o polícia à saída do jornal, porque não se vê sangue no vídeo, os terroristas eram agentes da Mossad, etc... 

Outros dois entrevistados no documentário são:

O jornalista Rudy Reichstadt, um estudioso destes temas, fundador do site Conspiracy Watch, que explica como os “teoristas” de conspirações imitam os códigos e os procedimentos tradicionais da Imprensa, para se fazerem passar como jornalistas. 

E a professora de liceu Sophie Mazet, que fez um dia a experiência de incluir um artigo falso entre o material de estudo que distribuíu aos seus alunos, pedindo-lhes que o encontrassem; nenhum o conseguiu. É autora do Manuel d’Autodéfense Intelectuelle, com o qual procura combater a vulnerabilidade dos jovens  - que hoje têm como primeira fonte de informação as redes sociais -  às “teorias de conspiração”. Foi entrevistada por Le Figaro sobre este assunto.

 

 

A versão do “Caçador de Conspirações” com legendas em português aparece na programação do canal Odisseia a partir de Março de 2017. Estão previstas duas emissões no dia 15 de Junho, às 8h.33 e às 16h.46

Connosco
A prisão solitária do “egosistema digital” como doença contagiosa do nosso tempo Ver galeria

Há uma geração zombie deambulando pelas ruas sem levantar os olhos dos seus ecrãs, teclando no Whatsapp ou consultando o Facebook. Até os restaurantes se tornaram mais silenciosos, porque chamamos o empregado tocando num botão e conversamos à distância pelo smartphone sem prestar atenção aos vizinhos de mesa que estão a fazer exactamente o mesmo. Não é uma mudança tecnológica, é uma revolução sociológica. E o vírus é contagioso, impregnou o espaço do cosmos. Todos fomos contagiados pela doença do nosso tempo, o egosistema digital.

O jornalismo em “tempos de cólera” e a interacção com o público Ver galeria

Chegámos a um novo “patamar de interacção entre jornais e público, potencializado pela Internet e pelas ferramentas de diálogo”, e é nesse espaço  que “um tipo específico de emoção e de sensação” é agora exposto com mais frequência: “há casos recentes e emblemáticos que ilustram tempos de cólera, intolerância e polarização social por todo o mundo”. A questão de fundo é a de saber que papel de controlo, ou de mediação, pode ainda o jornalismo exercer. É este o tema do “comentário da semana” de ObjEthos, Observatório da Ética Jornalística do Brasil.

O Clube

Está formado o Júri que vai apreciar os trabalhos concorrentes ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído pelo Clube Português de Imprensa (CPI) e pelo Jornal Tribuna de Macau (JTM),  com o apoio da Fundação Jorge Álvares.

O Júri será presidido por Dinis de Abreu, em representação do CPI, e integrado pelos jornalistas José Rocha Diniz, fundador e administrador do Jornal Tribuna de Macau, José Carlos de Vasconcelos, director do JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias, Carlos Magno, pela Fundação Jorge Álvares e por José António Silva Pires, também do CPI.


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Opinião
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