Terça-feira, 21 de Novembro, 2017
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Como é fácil espalhar pela Net uma “teoria da conspiração”

Uma equipa do site francês Spicee, especializado em reportagens de vídeo, produziu e colocou online um pequeno filme com um enredo falso, intencionalmente fabricado segundo as regras das “teorias de conspiração” que inundam a Internet. O objectivo era testar e, depois, denunciar a velocidade e irresponsabilidade com que esse tipo de material se propaga. O resultado final é um documentário de 42 minutos, “Caçador de Conspirações”, que descreve como tudo se passou e que está acessível (além do site Spicee, com acesso pago), no canal Odisseia.

O trabalho de equipa começou poucos dias depois do atentado contra a redacção do Charlie Hebdo, em Paris, em Janeiro de 2015. Menos de duas horas depois do ataque, algumas “teorias de conspiração” já se tinham tornado “virais”. Como conta o sociólogo Gérald Bronner, um dos entrevistados no documentário final, só no primeiro dia já tinha encontrado duas dúzias de argumentos do tipo “teoria da conspiração”, tais como  -  foi o Presidente François Hollande quem ordenou os ataques “para aumentar a sua popularidade”, o terrorista não matou o polícia à saída do jornal, porque não se vê sangue no vídeo, os terroristas eram agentes da Mossad, etc... 

Outros dois entrevistados no documentário são:

O jornalista Rudy Reichstadt, um estudioso destes temas, fundador do site Conspiracy Watch, que explica como os “teoristas” de conspirações imitam os códigos e os procedimentos tradicionais da Imprensa, para se fazerem passar como jornalistas. 

E a professora de liceu Sophie Mazet, que fez um dia a experiência de incluir um artigo falso entre o material de estudo que distribuíu aos seus alunos, pedindo-lhes que o encontrassem; nenhum o conseguiu. É autora do Manuel d’Autodéfense Intelectuelle, com o qual procura combater a vulnerabilidade dos jovens  - que hoje têm como primeira fonte de informação as redes sociais -  às “teorias de conspiração”. Foi entrevistada por Le Figaro sobre este assunto.

 

 

A versão do “Caçador de Conspirações” com legendas em português aparece na programação do canal Odisseia a partir de Março de 2017. Estão previstas duas emissões no dia 15 de Junho, às 8h.33 e às 16h.46

Connosco
Imprensa nas mãos de grupos financeiros "proletariza" jornalistas Ver galeria

“Um jornal, hoje, não pode viver sem se pôr de joelhos diante da Google”. Foi esta a síntese de Casimiro García Abadillo, director de El Independiente, na comemoração do centenário do jornal El Sol. Disse ainda que as quedas da tiragem e da receita publicitária, desde a chegada da Internet, trouxeram uma “debilidade financeira” que permitiu que os grandes jornais fossem apropriados pela banca e outros grupos empresariais. Outra consequência foi a perda de emprego para muitos profissionais e uma desvalorização salarial que “proletarizou [a profissão] até limites insuportáveis”. A reportagem é da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

Jornalismo de investigação em crise por falta de suporte financeiro Ver galeria

“Podíamos pensar que não devia haver discussão a respeito da importância do jornalismo de investigação. Mas o colapso da base financeira do jornalismo nestes últimos 15 anos causou muitas vítimas, e uma das principais foi o campo da investigação. (...) O jornalismo de investigação passou a ser visto, cada vez mais, como um desperdício de tempo, custoso e ineficiente.” Esta reflexão faz parte da síntese de apresentação do novo relatório produzido pelo Global Investigative Journalism Network, que desmente o preconceito e demonstra o verdadeiro impacto do jornalismo de investigação, bem como o seu contributo essencial para uma vida democrática saudável.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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