Sábado, 25 de Maio, 2019
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Como é fácil espalhar pela Net uma “teoria da conspiração”

Uma equipa do site francês Spicee, especializado em reportagens de vídeo, produziu e colocou online um pequeno filme com um enredo falso, intencionalmente fabricado segundo as regras das “teorias de conspiração” que inundam a Internet. O objectivo era testar e, depois, denunciar a velocidade e irresponsabilidade com que esse tipo de material se propaga. O resultado final é um documentário de 42 minutos, “Caçador de Conspirações”, que descreve como tudo se passou e que está acessível (além do site Spicee, com acesso pago), no canal Odisseia.

O trabalho de equipa começou poucos dias depois do atentado contra a redacção do Charlie Hebdo, em Paris, em Janeiro de 2015. Menos de duas horas depois do ataque, algumas “teorias de conspiração” já se tinham tornado “virais”. Como conta o sociólogo Gérald Bronner, um dos entrevistados no documentário final, só no primeiro dia já tinha encontrado duas dúzias de argumentos do tipo “teoria da conspiração”, tais como  -  foi o Presidente François Hollande quem ordenou os ataques “para aumentar a sua popularidade”, o terrorista não matou o polícia à saída do jornal, porque não se vê sangue no vídeo, os terroristas eram agentes da Mossad, etc... 

Outros dois entrevistados no documentário são:

O jornalista Rudy Reichstadt, um estudioso destes temas, fundador do site Conspiracy Watch, que explica como os “teoristas” de conspirações imitam os códigos e os procedimentos tradicionais da Imprensa, para se fazerem passar como jornalistas. 

E a professora de liceu Sophie Mazet, que fez um dia a experiência de incluir um artigo falso entre o material de estudo que distribuíu aos seus alunos, pedindo-lhes que o encontrassem; nenhum o conseguiu. É autora do Manuel d’Autodéfense Intelectuelle, com o qual procura combater a vulnerabilidade dos jovens  - que hoje têm como primeira fonte de informação as redes sociais -  às “teorias de conspiração”. Foi entrevistada por Le Figaro sobre este assunto.

 

 

A versão do “Caçador de Conspirações” com legendas em português aparece na programação do canal Odisseia a partir de Março de 2017. Estão previstas duas emissões no dia 15 de Junho, às 8h.33 e às 16h.46

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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