Terça-feira, 11 de Dezembro, 2018
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Como é fácil espalhar pela Net uma “teoria da conspiração”

Uma equipa do site francês Spicee, especializado em reportagens de vídeo, produziu e colocou online um pequeno filme com um enredo falso, intencionalmente fabricado segundo as regras das “teorias de conspiração” que inundam a Internet. O objectivo era testar e, depois, denunciar a velocidade e irresponsabilidade com que esse tipo de material se propaga. O resultado final é um documentário de 42 minutos, “Caçador de Conspirações”, que descreve como tudo se passou e que está acessível (além do site Spicee, com acesso pago), no canal Odisseia.

O trabalho de equipa começou poucos dias depois do atentado contra a redacção do Charlie Hebdo, em Paris, em Janeiro de 2015. Menos de duas horas depois do ataque, algumas “teorias de conspiração” já se tinham tornado “virais”. Como conta o sociólogo Gérald Bronner, um dos entrevistados no documentário final, só no primeiro dia já tinha encontrado duas dúzias de argumentos do tipo “teoria da conspiração”, tais como  -  foi o Presidente François Hollande quem ordenou os ataques “para aumentar a sua popularidade”, o terrorista não matou o polícia à saída do jornal, porque não se vê sangue no vídeo, os terroristas eram agentes da Mossad, etc... 

Outros dois entrevistados no documentário são:

O jornalista Rudy Reichstadt, um estudioso destes temas, fundador do site Conspiracy Watch, que explica como os “teoristas” de conspirações imitam os códigos e os procedimentos tradicionais da Imprensa, para se fazerem passar como jornalistas. 

E a professora de liceu Sophie Mazet, que fez um dia a experiência de incluir um artigo falso entre o material de estudo que distribuíu aos seus alunos, pedindo-lhes que o encontrassem; nenhum o conseguiu. É autora do Manuel d’Autodéfense Intelectuelle, com o qual procura combater a vulnerabilidade dos jovens  - que hoje têm como primeira fonte de informação as redes sociais -  às “teorias de conspiração”. Foi entrevistada por Le Figaro sobre este assunto.

 

 

A versão do “Caçador de Conspirações” com legendas em português aparece na programação do canal Odisseia a partir de Março de 2017. Estão previstas duas emissões no dia 15 de Junho, às 8h.33 e às 16h.46

Connosco
Estratégia mediática da China usa "barcos emprestados" para "autenticar" a propaganda... Ver galeria

Durante décadas, a estratégia de imagem da China foi defensiva, de resposta, e apontada sobretudo à sua audiência interna. O efeito mais visível era o desaparecimento de conteúdos: revistas estrangeiras com páginas arrancadas, ou as emissões da BBC que ficavam escuras quando tratavam de temas sensíveis, como o Tibete, Taiwan ou o massacre de Tienanmen.

Mas nos últimos anos a China desenvolveu uma estratégia mais sofisticada e assertiva, apontada às audiências internacionais. E Pequim está a fazê-lo com grande investimento financeiro  - que inclui cobertura jornalística patrocinada.

Um dos exemplos mais ostensivos é agora a contratação de jornalistas ocidentais para a China Global Television Network  - o ramo internacional da Televisão Central da China -  com estúdios em Chiswick, Londres. O objectivo deste esforço é, nas palavras do Presidente Xi Jinping, “contar bem a história da China”. E não faltam candidatos. A informação consta de uma reportagem extensa, em The Guardian.

Jornais perdem publicidade e a democracia qualidade Ver galeria

A receita proveniente da publicidade nos diários impressos está a desaparecer num movimento que parece inexorável. Acontece em todos os mercados, e nomeadamente no dos EUA, que pode servir de aviso aos outros: neste caso, a receita da publicidade de todos os diários foi de 13.330 milhões de dólares em 2016, de 9.760 neste ano de 2018, quase a acabar, e será de apenas 4.400 milhões em 2022, segundo a mais recente projecção da eMarketer.

Na Espanha, e segundo os dados da InfoAdex sobre os nove primeiros meses de 2018, regista-se uma queda generalizada de 6,1% no investimento na Imprensa escrita, depois de onze anos de descida sem fim. O balanço é de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics, que conclui: “A desinformação instala-se à vontade e é urgente fazer qualquer coisa. Não abandonemos os editores, ou a qualidade da democracia irá pelo mesmo ralo por onde se escoa a conta de resultados dos meios de comunicação.”

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
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