Sexta-feira, 22 de Março, 2019
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Geração dos “millennials” consome mais informação nas redes sociais do que na TV e Imprensa

Um grupo de jovens de seis países europeus estiveram reunidos em Forli, na Itália, para discutir o acesso à informação e o futuro dos órgãos de comunicação.

Segundo revelou o jornal i que participou no encontro, de inicio reinou um certo pessimismo junto desta geração relativamente à informação pelos meios convencionais.

E, conforme enfatiza o jornal, é uma geração que lê cada vez menos jornais e considera a televisão dispensável.

As redes sociais fazem parte da sua vida, mas estarão a redescobrir a vantagem de “partilhar e discutir fora do mundo virtual”.

Durante uma semana, 46 millennials de Portugal, Espanha, Itália, Polónia, Roménia e Eslovénia, entre os 21 e os 30 anos, assumiram a missão de discutir a importância que a sua geração atribui à política, às dimensões sociais e à forma como a última geração do século XX encara a mudança do mundo intelectual com a revolução tecnológica com que cresceram. E para onde caminham os media tradicionais e o que mudou no consumo de informação.

Segundo o estudo mais recente do Pew Research Center, que abrange nesta geração os nascidos entre 1981 e 1997, dos 7,4 mil milhões de habitantes do planeta, dois mil milhões são millennials.

Por seu lado, a CNN reuniu um conjunto de estudos sobre os novos desafios de consumo de informação.

De acordo com a sua análise, quase 70% dos millennials recebem notícias diariamente. Pouco menos de metade têm o hábito de seguir, pelo menos, cinco tópicos diferentes de notícias ao mesmo tempo e 40% pagam no mínimo um serviço, aplicativo ou assinatura digital especializado em conteúdo noticioso.

A grande diferença está na forma “como consomem, interagem e compartilham notícias, que é muito diferente do público para o qual estávamos programados”, assume a CNN. “Talvez agora as empresas ainda não tenham a mistura certa de conteúdo, distribuição e mensagens para alcançar esse consumidor de notícias moderno”, explica. “Com millennials à mistura, precisamos de olhar para onde estamos agora e perceber o que temos de mudar para avançar. O consumo de notícias é mais imediato do que nunca, graças aos smartphones e aos vídeos em transmissão ao vivo nas redes sociais”, continuava a análise da CNN.

Ainda segundo o jornal i, o estudo de 2016 do Pew Research Center for Journalism and Media dá algumas pistas para análise: apenas 18% dos jovens entre os 19 e os 29 anos vêem televisão e só 5% lêem, enquanto nos adultos mais velhos 58% consomem informação através da televisão e 20% lêem jornais. Por outro lado, aproximadamente 48% dos jovens inquiridos liam notícias online e, no caso dos restantes adultos, 40% usavam a net como fonte de notícias, o que não é uma diferença assim tão grande.

Os jovens parecem estar a querer sair do mundo virtual para se informarem no terreno, estando uns com os outros? Parece ser uma das pistas na cabeça dos embaixadores da Geração i, reunidos em Itália, ainda que os motivos sejam negativos. “Só sabemos que nada sabemos”, conclui o jornal.

 

Connosco
O jornalismo entre os "apóstolos da certeza" e a "política da dúvida" Ver galeria

Há uma grande diferença entre um jornalismo “de elite” e aquele que vive dependente do clickbait. Há uma grande diferença, temporal, entre o que se faz hoje e o que se fazia há poucos anos  - tratando-se de tecnologia digital, “o que aconteceu há cinco anos é história”. E há uma grande diferença entre entender o que está a acontecer aos jornalistas e entender o que os jornalistas acham que lhes está a acontecer.

A reflexão inicial é de C.W. Anderson, que se define como um etnógrafo dedicado a estudar o modo como o jornalismo está a mudar com o tempo. Foi co-autor, com Emily Bell e Clay Shirky, do Relatório do Jornalismo Pós-Industrial, em 2012, na Universidade de Columbia. O seu trabalho mais recente é Apóstolos da Certeza: Jornalismo de Dados e a Política da Dúvida, livro em que analisa como a ideia de jornalismo de dados mudou ao longo do tempo.

Cidadão dos EUA, C.W. Anderson é hoje professor na Escola de Jornalismo da Universidade de Leeds, no Reino Unido. A entrevista que aqui citamos foi publicada no Farol Jornalismo, do Medium, e reproduzida no Obervatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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