Quinta-feira, 17 de Janeiro, 2019
Fórum

Geração dos “millennials” consome mais informação nas redes sociais do que na TV e Imprensa

Um grupo de jovens de seis países europeus estiveram reunidos em Forli, na Itália, para discutir o acesso à informação e o futuro dos órgãos de comunicação.

Segundo revelou o jornal i que participou no encontro, de inicio reinou um certo pessimismo junto desta geração relativamente à informação pelos meios convencionais.

E, conforme enfatiza o jornal, é uma geração que lê cada vez menos jornais e considera a televisão dispensável.

As redes sociais fazem parte da sua vida, mas estarão a redescobrir a vantagem de “partilhar e discutir fora do mundo virtual”.

Durante uma semana, 46 millennials de Portugal, Espanha, Itália, Polónia, Roménia e Eslovénia, entre os 21 e os 30 anos, assumiram a missão de discutir a importância que a sua geração atribui à política, às dimensões sociais e à forma como a última geração do século XX encara a mudança do mundo intelectual com a revolução tecnológica com que cresceram. E para onde caminham os media tradicionais e o que mudou no consumo de informação.

Segundo o estudo mais recente do Pew Research Center, que abrange nesta geração os nascidos entre 1981 e 1997, dos 7,4 mil milhões de habitantes do planeta, dois mil milhões são millennials.

Por seu lado, a CNN reuniu um conjunto de estudos sobre os novos desafios de consumo de informação.

De acordo com a sua análise, quase 70% dos millennials recebem notícias diariamente. Pouco menos de metade têm o hábito de seguir, pelo menos, cinco tópicos diferentes de notícias ao mesmo tempo e 40% pagam no mínimo um serviço, aplicativo ou assinatura digital especializado em conteúdo noticioso.

A grande diferença está na forma “como consomem, interagem e compartilham notícias, que é muito diferente do público para o qual estávamos programados”, assume a CNN. “Talvez agora as empresas ainda não tenham a mistura certa de conteúdo, distribuição e mensagens para alcançar esse consumidor de notícias moderno”, explica. “Com millennials à mistura, precisamos de olhar para onde estamos agora e perceber o que temos de mudar para avançar. O consumo de notícias é mais imediato do que nunca, graças aos smartphones e aos vídeos em transmissão ao vivo nas redes sociais”, continuava a análise da CNN.

Ainda segundo o jornal i, o estudo de 2016 do Pew Research Center for Journalism and Media dá algumas pistas para análise: apenas 18% dos jovens entre os 19 e os 29 anos vêem televisão e só 5% lêem, enquanto nos adultos mais velhos 58% consomem informação através da televisão e 20% lêem jornais. Por outro lado, aproximadamente 48% dos jovens inquiridos liam notícias online e, no caso dos restantes adultos, 40% usavam a net como fonte de notícias, o que não é uma diferença assim tão grande.

Os jovens parecem estar a querer sair do mundo virtual para se informarem no terreno, estando uns com os outros? Parece ser uma das pistas na cabeça dos embaixadores da Geração i, reunidos em Itália, ainda que os motivos sejam negativos. “Só sabemos que nada sabemos”, conclui o jornal.

 

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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