Terça-feira, 23 de Outubro, 2018
Media

“Público” continuará em papel... "enquanto fizer sentido"

No cenário instável em que se move presentemente a comunicação social, o ponto de vista de um jornal concreto não define a situação de todos, mas deve ser observado por isso mesmo que é  - o testemunho de um caso específico, o modo como encara os desafios comuns, as expectativas que alimenta. A entrevista com a administradora do Público, Cristina Soares, à revista Meios & Publicidade, fala das mudanças já feitas e das que podem vir adiante.

A primeira parte detém-se no processo de mudança da direcção, o modo como foi feito e o porquê da escolha do novo director. Sobre as novidades previstas: 

“Vamos lançar no Verão um novo site, com uma nova arquitectura de informação. (...)  O futuro assenta muito no digital. Mas, para além da reorganização no site e no papel, também fizemos alguns conteúdos exclusivos, como o áudio no P24, o vídeo 360º e estamos a desenvolver outros projectos ao nível do jornalismo de proximidade.” 

“Tudo isto resultou em um aumento de vendas em banca de 1,5 por cento, de segunda a sexta-feira (dados dos últimos seis meses, versus os seis meses anteriores). No fundo, podemos dizer que esta estratégia atenuou a quebra e até teve um aumento de 1,5 por cento, o que contraria o mercado e a tendência do Público nos últimos anos. Não estamos a dizer que vamos crescer, mas isto demonstra muito o dinamismo e a diferença em termos de jornal e de conteúdos.” (...) 

Depois de ter referido um aumento de mais de 40 por cento nas assinaturas do site, em relação ao ano passado, Cristina Soares afirma:

“O que queria realçar é que há um reconhecimento grande da estratégia que desenhámos e que está em permanente desenvolvimento. (...)  Para além da circulação, do tráfego digital e das assinaturas, a publicidade também cresceu. Estamos a crescer versus o ano passado. E, pela primeira vez, posso dizer que o crescimento do digital compensou a quebra de algum investimento no print.” (...) 

Depois de afirmar que o Público está “a caminhar para a sustentabilidade, que é o nosso objectivo”, Cristina Soares fala dos resultados e acrescenta:

“Essencialmente os resultados traduzem o bom investimento que estamos a fazer em termos de competências. Queria dizer que é possível aliar, e isto é que é importante, uma comunidade de assinantes a uma gestão eficaz de publicidade. Ou seja, num projecto como o Público, que queira ter um drive no digital, acreditamos que o caminho para a sustentabilidade passa pela conjugação entre uma comunidade de assinantes e uma gestão eficaz de publicidade. Daí a paywall, que permite isso.” (...) 

Em resposta à pergunta final, sobre se o papel continua a fazer sentido, afirma:

“É uma pergunta clássica. Até posso dizer que, como estamos a crescer, o papel está vivo. Mas estamos mais preocupados em produzir conteúdos e ser uma referência do jornalismo em Portugal, com reconhecimento internacional. O papel do papel… ele vai existir enquanto fizer sentido. E fizer sentido sobretudo para os leitores, para a sociedade e para o Público.” 

“Digamos que há aqui um triângulo. Hoje verifico que a sociedade política ainda se move muito com o print, não podemos esquecer que a nossa população é muito envelhecida, portanto há toda uma franja de leitores que ainda acha muito cómodo o jornal. O pdf é muito cómodo de se ler, mas sobretudo ao fim de semana as pessoas ainda compram o print…”

 

A entrevista, na íntegra, na M&P

Connosco
Jornalista e historiador de Macau vencem Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia Ver galeria

O Júri dos Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia, instituídos pelo Jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, escolheu, por unanimidade, na primeira categoria, o trabalho "Ler sem limites", da jornalista Catarina Brites Soares, publicado no semanário Plataforma, em Macau.

Na categoria Ensaio, atribuída este ano pela primeira vez, foi distinguido o original do historiador António Aresta, de Macau, intitulado "Miguel Torga: um poeta português em Macau".
A Acta do Júri destaca, no primeiro caso, que Catarina Brito Soares  consegue desenhar com o seu texto “uma panorâmica das leituras mais frequentes em Macau, com um levantamento de livros e autores que circulam livremente no território, incluindo alguns que, por diferentes razões, têm limites de acesso fora da RAEM”.
O semanário Plataforma Macau é publicado em Macau, em português e chinês. 

Na categoria Ensaio, o Júri deliberou, também por unanimidade, atribuir o Prémio ao trabalho de António Aresta, considerando tratar-se de “uma narrativa consequente sobre a visita histórica do grande poeta a Macau, com passagem por Cantão e Hong Kong”.

Universidades apoiam e investem no jornalismo de investigação Ver galeria

A sociedade necessita de um jornalismo de investigação que fica caro, e esta necessidade “chega num momento de grande tensão financeira para uma indústria maciçamente perturbada pelas novas tecnologias e alterações económicas”.

“Acreditamos que este tipo de jornalismo, em defesa do povo americano, é mais importante do que nunca na presente cacofonia de informação confusa, contraditória e enganadora, já para não falar de cepticismo  - ou por vezes rejeição absoluta -  dos factos.”

Esta reflexão é assinada por Christopher Callahan e Leonard Downie Jr., docentes na Universidade Estatal do Arizona, sobre a criação de dois centros de ensino de jornalismo de investigação, um na Universidade referida, outro na de Maryland. Tendo em conta a “proliferação de centros de reportagem de investigação independentes, sem objectivo de lucro, em grande parte financiados por [mecenato] filantrópico”, as universidades “estão prontas a assumir funções de liderança neste novo ecossistema de jornalismo de investigação”  - afirmam no seu texto.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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Opinião
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Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

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