Quinta-feira, 21 de Setembro, 2017
Media

“Público” continuará em papel... "enquanto fizer sentido"

No cenário instável em que se move presentemente a comunicação social, o ponto de vista de um jornal concreto não define a situação de todos, mas deve ser observado por isso mesmo que é  - o testemunho de um caso específico, o modo como encara os desafios comuns, as expectativas que alimenta. A entrevista com a administradora do Público, Cristina Soares, à revista Meios & Publicidade, fala das mudanças já feitas e das que podem vir adiante.

A primeira parte detém-se no processo de mudança da direcção, o modo como foi feito e o porquê da escolha do novo director. Sobre as novidades previstas: 

“Vamos lançar no Verão um novo site, com uma nova arquitectura de informação. (...)  O futuro assenta muito no digital. Mas, para além da reorganização no site e no papel, também fizemos alguns conteúdos exclusivos, como o áudio no P24, o vídeo 360º e estamos a desenvolver outros projectos ao nível do jornalismo de proximidade.” 

“Tudo isto resultou em um aumento de vendas em banca de 1,5 por cento, de segunda a sexta-feira (dados dos últimos seis meses, versus os seis meses anteriores). No fundo, podemos dizer que esta estratégia atenuou a quebra e até teve um aumento de 1,5 por cento, o que contraria o mercado e a tendência do Público nos últimos anos. Não estamos a dizer que vamos crescer, mas isto demonstra muito o dinamismo e a diferença em termos de jornal e de conteúdos.” (...) 

Depois de ter referido um aumento de mais de 40 por cento nas assinaturas do site, em relação ao ano passado, Cristina Soares afirma:

“O que queria realçar é que há um reconhecimento grande da estratégia que desenhámos e que está em permanente desenvolvimento. (...)  Para além da circulação, do tráfego digital e das assinaturas, a publicidade também cresceu. Estamos a crescer versus o ano passado. E, pela primeira vez, posso dizer que o crescimento do digital compensou a quebra de algum investimento no print.” (...) 

Depois de afirmar que o Público está “a caminhar para a sustentabilidade, que é o nosso objectivo”, Cristina Soares fala dos resultados e acrescenta:

“Essencialmente os resultados traduzem o bom investimento que estamos a fazer em termos de competências. Queria dizer que é possível aliar, e isto é que é importante, uma comunidade de assinantes a uma gestão eficaz de publicidade. Ou seja, num projecto como o Público, que queira ter um drive no digital, acreditamos que o caminho para a sustentabilidade passa pela conjugação entre uma comunidade de assinantes e uma gestão eficaz de publicidade. Daí a paywall, que permite isso.” (...) 

Em resposta à pergunta final, sobre se o papel continua a fazer sentido, afirma:

“É uma pergunta clássica. Até posso dizer que, como estamos a crescer, o papel está vivo. Mas estamos mais preocupados em produzir conteúdos e ser uma referência do jornalismo em Portugal, com reconhecimento internacional. O papel do papel… ele vai existir enquanto fizer sentido. E fizer sentido sobretudo para os leitores, para a sociedade e para o Público.” 

“Digamos que há aqui um triângulo. Hoje verifico que a sociedade política ainda se move muito com o print, não podemos esquecer que a nossa população é muito envelhecida, portanto há toda uma franja de leitores que ainda acha muito cómodo o jornal. O pdf é muito cómodo de se ler, mas sobretudo ao fim de semana as pessoas ainda compram o print…”

 

A entrevista, na íntegra, na M&P

Connosco
A prisão solitária do “egosistema digital” como doença contagiosa do nosso tempo Ver galeria

Há uma geração zombie deambulando pelas ruas sem levantar os olhos dos seus ecrãs, teclando no Whatsapp ou consultando o Facebook. Até os restaurantes se tornaram mais silenciosos, porque chamamos o empregado tocando num botão e conversamos à distância pelo smartphone sem prestar atenção aos vizinhos de mesa que estão a fazer exactamente o mesmo. Não é uma mudança tecnológica, é uma revolução sociológica. E o vírus é contagioso, impregnou o espaço do cosmos. Todos fomos contagiados pela doença do nosso tempo, o egosistema digital.

O jornalismo em “tempos de cólera” e a interacção com o público Ver galeria

Chegámos a um novo “patamar de interacção entre jornais e público, potencializado pela Internet e pelas ferramentas de diálogo”, e é nesse espaço  que “um tipo específico de emoção e de sensação” é agora exposto com mais frequência: “há casos recentes e emblemáticos que ilustram tempos de cólera, intolerância e polarização social por todo o mundo”. A questão de fundo é a de saber que papel de controlo, ou de mediação, pode ainda o jornalismo exercer. É este o tema do “comentário da semana” de ObjEthos, Observatório da Ética Jornalística do Brasil.

O Clube

Está formado o Júri que vai apreciar os trabalhos concorrentes ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído pelo Clube Português de Imprensa (CPI) e pelo Jornal Tribuna de Macau (JTM),  com o apoio da Fundação Jorge Álvares.

O Júri será presidido por Dinis de Abreu, em representação do CPI, e integrado pelos jornalistas José Rocha Diniz, fundador e administrador do Jornal Tribuna de Macau, José Carlos de Vasconcelos, director do JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias, Carlos Magno, pela Fundação Jorge Álvares e por José António Silva Pires, também do CPI.


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Opinião
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