Segunda-feira, 10 de Dezembro, 2018
Media

“Público” continuará em papel... "enquanto fizer sentido"

No cenário instável em que se move presentemente a comunicação social, o ponto de vista de um jornal concreto não define a situação de todos, mas deve ser observado por isso mesmo que é  - o testemunho de um caso específico, o modo como encara os desafios comuns, as expectativas que alimenta. A entrevista com a administradora do Público, Cristina Soares, à revista Meios & Publicidade, fala das mudanças já feitas e das que podem vir adiante.

A primeira parte detém-se no processo de mudança da direcção, o modo como foi feito e o porquê da escolha do novo director. Sobre as novidades previstas: 

“Vamos lançar no Verão um novo site, com uma nova arquitectura de informação. (...)  O futuro assenta muito no digital. Mas, para além da reorganização no site e no papel, também fizemos alguns conteúdos exclusivos, como o áudio no P24, o vídeo 360º e estamos a desenvolver outros projectos ao nível do jornalismo de proximidade.” 

“Tudo isto resultou em um aumento de vendas em banca de 1,5 por cento, de segunda a sexta-feira (dados dos últimos seis meses, versus os seis meses anteriores). No fundo, podemos dizer que esta estratégia atenuou a quebra e até teve um aumento de 1,5 por cento, o que contraria o mercado e a tendência do Público nos últimos anos. Não estamos a dizer que vamos crescer, mas isto demonstra muito o dinamismo e a diferença em termos de jornal e de conteúdos.” (...) 

Depois de ter referido um aumento de mais de 40 por cento nas assinaturas do site, em relação ao ano passado, Cristina Soares afirma:

“O que queria realçar é que há um reconhecimento grande da estratégia que desenhámos e que está em permanente desenvolvimento. (...)  Para além da circulação, do tráfego digital e das assinaturas, a publicidade também cresceu. Estamos a crescer versus o ano passado. E, pela primeira vez, posso dizer que o crescimento do digital compensou a quebra de algum investimento no print.” (...) 

Depois de afirmar que o Público está “a caminhar para a sustentabilidade, que é o nosso objectivo”, Cristina Soares fala dos resultados e acrescenta:

“Essencialmente os resultados traduzem o bom investimento que estamos a fazer em termos de competências. Queria dizer que é possível aliar, e isto é que é importante, uma comunidade de assinantes a uma gestão eficaz de publicidade. Ou seja, num projecto como o Público, que queira ter um drive no digital, acreditamos que o caminho para a sustentabilidade passa pela conjugação entre uma comunidade de assinantes e uma gestão eficaz de publicidade. Daí a paywall, que permite isso.” (...) 

Em resposta à pergunta final, sobre se o papel continua a fazer sentido, afirma:

“É uma pergunta clássica. Até posso dizer que, como estamos a crescer, o papel está vivo. Mas estamos mais preocupados em produzir conteúdos e ser uma referência do jornalismo em Portugal, com reconhecimento internacional. O papel do papel… ele vai existir enquanto fizer sentido. E fizer sentido sobretudo para os leitores, para a sociedade e para o Público.” 

“Digamos que há aqui um triângulo. Hoje verifico que a sociedade política ainda se move muito com o print, não podemos esquecer que a nossa população é muito envelhecida, portanto há toda uma franja de leitores que ainda acha muito cómodo o jornal. O pdf é muito cómodo de se ler, mas sobretudo ao fim de semana as pessoas ainda compram o print…”

 

A entrevista, na íntegra, na M&P

Connosco
O fascínio pelas imagens de motins como nova cultura dos Media Ver galeria

Um pequeno video das manifestações em Paris, feito na manhã de 2 de Dezembro e colocado no Twitter, mostra umas dezenas de indivíduos de capuz, a correr na rua, com um fogo em segundo plano. Uma legenda diz que os desordeiros [casseurs, no original] põem a polícia em fuga. Três horas depois de ser publicada, a sequência já teve 45 mil visualizações. À tarde, o contador regista 145 mil e no dia seguinte o dobro, sem contar com a sua reprodução nos media. No YouTube, no Reddit e outros meios semelhantes, estes vídeos chegam facilmente aos milhões.

“Este fascínio pelas imagens de motins  - ou de revolta, segundo o ponto de vista -  é agora chamado riot porn  - designando o prazer (um pouco culpado) de ver ou partilhar um certo tipo de imagens, como o food porn, de pratos de comida, ou o sky porn para imagens do céu e de cenas de pôr-de-sol.”

A reflexão é de Emilie Tôn, em L’Express, num trabalho que aborda o voyeurisme da violência nas ruas, em que todos podemos ser protagonistas, mesmo que involuntários, espectadores ou realizadores de documentário, com um telemóvel na mão.

A “missão impossível” dos repórteres árabes de investigação Ver galeria

A auto-confiança com que actuaram os executores de Jamal Khashoggi tem várias razões, e uma delas tem a ver connosco, jornalistas. Quando chegou, finalmente, a admissão do crime, jornalistas por todo o mundo árabe vieram em defesa de Riade. “Eles não sabiam nada  - mas escreveram o que lhes foi dito que escrevessem. E de cada vez que mudava a versão oficial, eles mudavam a sua para se ajustar, sem embaraço ou hesitação.”

“E não estavam sozinhos. Os sauditas tinham uma segunda linha de defesa: um grupo menor, mas não menos influente, de jornalistas do Ocidente, que tinham passado mais de um ano a contar a história de uma Arábia Saudita reformista, acabada de retocar, de ventos de mudança soprando no deserto, com as suas visões e ambições comoventes louvadas por todo o mundo.”

A reflexão é da jornalista jordana Rana Sabbagh, que está à frente da Rede de Jornalismo de Investigação Árabe (membro da Global Investigative Journalism Network) e foi a primeira mulher árabe a dirigir um jornal político no Médio Oriente, o Jordan Times.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
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Perante a bem conhecida e infelizmente bem real crise da comunicação social o Presidente da República questionou, há dias, se o Estado não tem a obrigação de intervir. Para Marcelo Rebelo de Sousa há uma "situação de emergência", que já constitui um problema democrático e de regime. A crise está longe de ser apenas portuguesa: é mundial. E tem sobretudo a ver com o facto de cada vez mais...
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