Sexta-feira, 24 de Novembro, 2017
Media

Corte de meio milhão de euros no orçamento da Lusa

A Lusa vai receber menos financiamento do que estava previsto para o ano de 2017, e o seu director de Informação, Pedro Camacho, manifesta preocupação pelas consequências que este corte pode ter sobre o serviço que presta a agência. O Plano de Actividades e Orçamento previa um reforço, mas o Estado, accionista maioritário, impôs uma diminuição de meio milhão de euros em gastos com pessoal, fornecimentos e serviços externos.

Em declarações ao Diário de Notícias, que aqui citamos, Pedro Camacho congratula-se pela aprovação do Orçamento e Plano de Actividades, bem como pela “autorização para a contratação de três jornalistas”, mas adverte: “No momento em que falo ainda não sabemos qual é o impacto desse corte de 500 mil euros.” 

Sobre a autorização da entrada de pessoal, explica: “Estas contratações não resolvem o problema da Lusa. Não é só na redacção em Lisboa que há falta de pessoal, há nas delegações, quer em Portugal, quer no estrangeiro, e ao nível dos correspondentes. Não chega para assegurar os mínimos. O saldo continua negativo e temos de fazer escolhas. E isto é especialmente importante numa altura em que os jornais também não têm meios e esperam que a Lusa esteja lá.” (...) 

“O orçamento total da Lusa para 2017 cifra-se em 15,3 milhões de euros. No ano passado o Governo decidiu pelo reforço do orçamento da Lusa em dois milhões de euros. Como o orçamento só foi aprovado no fim de Setembro, a gestão corrente obrigou a que os custos não ultrapassassem o exercício do ano anterior, pelo que, na prática, a agência não dispôs desses recursos.”  (...)

 

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Jornalistas são mais operários da notícia do que estrelas do "showbiz"... Ver galeria

O jornalismo “é uma profissão de ilustres desconhecidos, gente que em sua maior parte ganha pouco e luta para prestar serviço ao leitor, telespectador, ouvinte ou internauta; jornalistas estão mais para operários da notícia do que para estrelas do showbiz”. E reflexão é de Ronaldo Leges, que se apresenta como praticante do “jornalismo de bairro” e dirige uma crítica aos profissionais que passam essa fronteira para o lado do espectáculo, especialmente na televisão: “Não são poucos aqueles repórteres que com o ego inflamado buscam aparecer mais do que a fonte entrevistada e no fim distribuem seus autógrafos ao redor da multidão.” No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

A morte anunciada da televisão foi manifestamente exagerada... Ver galeria

Já se fizeram muitos “diagnósticos” (e alguns “prognósticos”) à televisão. Um dos mais recentes é que estava moribunda. Mas este seu fim anunciado é ele próprio “um mito gasto”. O êxito actual das novas séries é um bom exemplo: seria paradoxal anunciar a morte da televisão “no preciso momento em que as suas produções conquistam uma legitimidade cultural que ela procurou durante meio século”. Vistas as coisas em perspectiva histórica, o “discurso de denúncia” contra a televisão já foi usado “contra o romance em folhetins, a BD, o cinema e a leitura (que, como nota o historiador Roger Chartier, perde o seu estatuto sedicioso sob a ameaça da televisão, para se tornar no final do séc. XX o refúgio da cultura)”. Uma reflexão que continua, a propósito do próximo lançamento, em Paris, do livro Sociologie de la télévision.

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Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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