Sexta-feira, 16 de Novembro, 2018
Fórum

Só se combate a “pós-verdade” tornando “viral” a verdade

Uma dezena de jornalistas e peritos em comunicação digital, entre eles alguns titulares de blogs, animaram a XX edição do Laboratório de Jornalismo APM sobre “Jornalismo e pós-verdade”. Os vários intervenientes procuraram avaliar a gravidade do fenómeno na actual situação, tendo um dos presentes sintetizado que “para combater a mentira é preciso ‘viralizar’ o desmentido e, para além disso, criar uma comunidade que ratifique qual é a verdade”. A iniciativa é da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria, e que disponibiliza no seu site o vídeo da conferência.

“O problema da ‘pós-verdade’ é que mudou o consenso sobre o que é a verdade”  - afirmou Clara Jiménez. “Embora haja muita gente que não quer saber a verdade, também há uma parte da população que não está consciente de que o que consome é mentira.” 

Outro dos animadores, Gumersindo Lafuente, chamou a atenção para o facto de que a ‘pós-verdade’ é como um vírus criado nos laboratórios dos grandes media, “que a usaram em seu benefício e que um dia lhes escapou”. O que mudou realmente foi a chegada dos “algoritmos multiplicadores da emotividade crédula”. 

Lafuente afirmou também que temos de começar “quase do zero”, e que “têm de nascer novos meios, que criem novas comunidades, que não dependam da publicidade, com uma estrutura totalmente diferente da actual”. 

António Delgado lamentou que “em Espanha sobra opinião e falta investigação e jornalismo de segunda e terceira velocidade”.

 

Estas e outras intervenções encontram-se no site da APM, bem como o vídeo da conferência, que pode ser aberto em diferido

Connosco
Bettany Hugues, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hugues, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hugues como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
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As notícias falsas e a internet
Francisco Sarsfield Cabral
As redes sociais são, hoje, a principal fonte de informação, se não mesmo a única, para imensa gente. O combate às “fake news” tem que ser feito, não pela censura, mas pela consciencialização dos utilizadores da net. Jair Bolsonaro foi eleito presidente do Brasil graças à utilização maciça das redes sociais. A maioria dos jornais brasileiros de referência não o apoiou, o...
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