Quinta-feira, 18 de Julho, 2019
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Só se combate a “pós-verdade” tornando “viral” a verdade

Uma dezena de jornalistas e peritos em comunicação digital, entre eles alguns titulares de blogs, animaram a XX edição do Laboratório de Jornalismo APM sobre “Jornalismo e pós-verdade”. Os vários intervenientes procuraram avaliar a gravidade do fenómeno na actual situação, tendo um dos presentes sintetizado que “para combater a mentira é preciso ‘viralizar’ o desmentido e, para além disso, criar uma comunidade que ratifique qual é a verdade”. A iniciativa é da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria, e que disponibiliza no seu site o vídeo da conferência.

“O problema da ‘pós-verdade’ é que mudou o consenso sobre o que é a verdade”  - afirmou Clara Jiménez. “Embora haja muita gente que não quer saber a verdade, também há uma parte da população que não está consciente de que o que consome é mentira.” 

Outro dos animadores, Gumersindo Lafuente, chamou a atenção para o facto de que a ‘pós-verdade’ é como um vírus criado nos laboratórios dos grandes media, “que a usaram em seu benefício e que um dia lhes escapou”. O que mudou realmente foi a chegada dos “algoritmos multiplicadores da emotividade crédula”. 

Lafuente afirmou também que temos de começar “quase do zero”, e que “têm de nascer novos meios, que criem novas comunidades, que não dependam da publicidade, com uma estrutura totalmente diferente da actual”. 

António Delgado lamentou que “em Espanha sobra opinião e falta investigação e jornalismo de segunda e terceira velocidade”.

 

Estas e outras intervenções encontram-se no site da APM, bem como o vídeo da conferência, que pode ser aberto em diferido

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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