Sexta-feira, 18 de Janeiro, 2019
Fórum

Só se combate a “pós-verdade” tornando “viral” a verdade

Uma dezena de jornalistas e peritos em comunicação digital, entre eles alguns titulares de blogs, animaram a XX edição do Laboratório de Jornalismo APM sobre “Jornalismo e pós-verdade”. Os vários intervenientes procuraram avaliar a gravidade do fenómeno na actual situação, tendo um dos presentes sintetizado que “para combater a mentira é preciso ‘viralizar’ o desmentido e, para além disso, criar uma comunidade que ratifique qual é a verdade”. A iniciativa é da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria, e que disponibiliza no seu site o vídeo da conferência.

“O problema da ‘pós-verdade’ é que mudou o consenso sobre o que é a verdade”  - afirmou Clara Jiménez. “Embora haja muita gente que não quer saber a verdade, também há uma parte da população que não está consciente de que o que consome é mentira.” 

Outro dos animadores, Gumersindo Lafuente, chamou a atenção para o facto de que a ‘pós-verdade’ é como um vírus criado nos laboratórios dos grandes media, “que a usaram em seu benefício e que um dia lhes escapou”. O que mudou realmente foi a chegada dos “algoritmos multiplicadores da emotividade crédula”. 

Lafuente afirmou também que temos de começar “quase do zero”, e que “têm de nascer novos meios, que criem novas comunidades, que não dependam da publicidade, com uma estrutura totalmente diferente da actual”. 

António Delgado lamentou que “em Espanha sobra opinião e falta investigação e jornalismo de segunda e terceira velocidade”.

 

Estas e outras intervenções encontram-se no site da APM, bem como o vídeo da conferência, que pode ser aberto em diferido

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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Opinião
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