Sexta-feira, 22 de Março, 2019
Estudo

Europeus continuam a confiar mais na rádio e portugueses (à tangente...) na TV

A rádio continua a ser o meio de comunicação em que os cidadãos europeus tendem a depositar maior confiança, seguida pela televisão, com percentagens de 59% e de 50%. Portugal destaca-se um pouco desta média, invertendo a ordem de preferência e pondo a televisão à frente da rádio; mas a diferença é mínima, e mantém-se, em ambos os casos, no quinto lugar. Estes dados são do estudo Trust in Media 2017, realizado pela União Europeia de Radiodifusão a partir de dados do Eurobarómetro, e agora tornado disponível. Esta informação é recolhida da APM – Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

O inquérito foi realizado em 33 países da Europa, incluindo também a Turquia, e descreve os números relativos a 2016, em alguns casos comparando com os anos anteriores mais próximos. A confiança na rádio tem vindo a subir, de modo geral, com uma quebra em 2015, recuperada em 2016. A confiança na Imprensa escrita tem vindo a subir, mas mantendo-se ainda na faixa negativa. A confiança nas redes sociais desce constantemente desde 2014. 

Para situar os países entre si, a unidade de investigação da UER desenvolveu a escala de medida designada por Net Trust Index, que coloca em relação a percentagem dos que tendem a confiar num determinado meio com a percentagem dos que dizem desconfiar, num gráfico até +100 como valor máximo de confiança, e até -100 como máximo de desconfiança. 

As conclusões principais, apresentadas no início do relatório, declaram que:

  1. – Os meios de transmissão (rádio e TV) são os que recebem mais confiança no conjunto da Europa, a rádio em 21 países e a TV em 11.
  2. – Os meios tradicionais, incluindo aqui estes dois e a Imprensa, melhoraram os seus níveis de confiança em relação ao ano passado, enquanto a Internet e as redes sociais continuam a perder.
  3. – As redes sociais e a Imprensa escrita encontram-se entre os media em que menos se confia no conjunto da Europa, mas com diferenças: em 17 dos 33 países estudados, as redes sociais são os meios menos confiáveis (principalmente na Europa Ocidental); em 13 países é a Imprensa escrita que é menos acreditada (principalmente na Europa de Leste).
  4. – Em 13 dos 33 países, os índices de confiança nas cinco categorias de media estudadas vão todos na mesma direcção, em relação ao ano de 2916, pelo que o relatório admite que possam estar presentes outros factores que não a natureza específica dos meios.

 

 

O estudo Trust in Media 2017, com 36 páginas de fácil consulta, incluindo gráficos e mapas da Europa, é aqui apresentado pela APM, com acesso directo para o documento

 

 

Connosco
O jornalismo entre os "apóstolos da certeza" e a "política da dúvida" Ver galeria

Há uma grande diferença entre um jornalismo “de elite” e aquele que vive dependente do clickbait. Há uma grande diferença, temporal, entre o que se faz hoje e o que se fazia há poucos anos  - tratando-se de tecnologia digital, “o que aconteceu há cinco anos é história”. E há uma grande diferença entre entender o que está a acontecer aos jornalistas e entender o que os jornalistas acham que lhes está a acontecer.

A reflexão inicial é de C.W. Anderson, que se define como um etnógrafo dedicado a estudar o modo como o jornalismo está a mudar com o tempo. Foi co-autor, com Emily Bell e Clay Shirky, do Relatório do Jornalismo Pós-Industrial, em 2012, na Universidade de Columbia. O seu trabalho mais recente é Apóstolos da Certeza: Jornalismo de Dados e a Política da Dúvida, livro em que analisa como a ideia de jornalismo de dados mudou ao longo do tempo.

Cidadão dos EUA, C.W. Anderson é hoje professor na Escola de Jornalismo da Universidade de Leeds, no Reino Unido. A entrevista que aqui citamos foi publicada no Farol Jornalismo, do Medium, e reproduzida no Obervatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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