Quarta-feira, 14 de Novembro, 2018
Fórum

Sobre a sensação de cada jornal ser o gabinete de Imprensa de um partido

Nino Olmeda, agora distinguido com o Prémio APM de Jornalista Especializado em Madrid, pelos 30 anos de carreira na capital espanhola, defende o jornalismo local como “uma forma distinta de fazer jornalismo, e não um trampolim para outras secções, como a de Nacional ou Internacional”. Defende também o jornalismo “reflexivo e de qualidade”, de antes do frenesim dos clics e dos likes. E não suporta o jornalismo agressivo, que aponta o microfone às pessoas “como se fosse uma pistola”. É entrevistado pela Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

Redactor da agência Servimedia e colaborador de Madridiario, Nino Olmeda é conhecido pelo empenho com que tem tratado a defesa e as reivindicações das pessoas portadoras de deficiência. A conversa passou-se na Assembleia de Madrid, onde, como conta, “vivo quase permanentemente, porque é aqui que estão os políticos, e consigo a informação directamente deles”. 

Tem orgulho no seu bairro de origem, Vallekas, com “k”, como reclama, onde nasceu, cresceu, e onde dirige o canal Tele-K

Lamenta o pouco cuidado que é hoje dado ao autêntico jornalismo local:

“Mandam estagiários fazer a informação local, além de os explorarem, e mandam também aqueles que já deixaram de ser úteis para o jornalismo e dos quais querem dar cabo, porque já fizeram 50 anos ou tiveram problemas com a direcção.” 

Sobre a relação entre o jornalismo e a política, assume as necessárias distâncias:

“A minha obrigação é informar, e para isso é preciso ter uma boa relação com o político. E é preciso fazer-se respeitar. Porque um jornalista que se faz respeitar é um jornalista que impõe respeito aos outros. (...) Não estamos [no jornalismo] para elogiar ou louvar o trabalho dos políticos. Estamos para vigiar o que fazem. Para falar bem deles, estão lá os seus gabinetes de Imprensa.” (...) 

“O microfone não pode ser uma pistola. O bom jornalista, como o bom polícia, investiga e procura ter fontes. Só os maus jornalistas e os maus polícias arrancam confissões sob tortura.” (...) 

Assume também que passa muito mais tempo na Assembleia de Madrid do que na redacção da Servimedia:

“Sim, muito mais. Em geral, e não só no jornalismo, considero-me um lobo solitário  - com manada, mas solitário. Não gosto de colectividades, gosto de ir por mim próprio. (...)  Não tenho Twitter, nem quero ter. Quero comunicar com os cidadãos e com os políticos como sempre, em conferências de Imprensa, com notas de Imprensa ou chamadas pessoais. O que não pode ser é que os acontecimentos e os caprichos dos políticos sejam anunciados nas redes sociais às doze, ou à uma da madrugada, ou quando lhes apetece.” (...) 

“O imediatismo não leva a lado nenhum: vamos acabar com o jornalismo, vamos ficando cada vez mais afastados dos leitores, dos ouvintes e dos telespectadores. Creio que o jornalismo está em perigo.” 

Sobre as consequências da precariedade laboral, Nino Olmeda afirma:

“É muito difícil fazer jornalismo de qualidade porque, como em todas as profissões, há condições que são necessárias, e a primeira é a estabilidade. Com salários precários não pode haver trabalho de qualidade. Deste modo, estamos no caminho para algo que me repugna, que é um jornalismo declarativo. E ficamos com a sensação de que cada jornal é um gabinete de Imprensa de um partido concreto. (...) Numa conferência de Imprensa em que não seja permitido fazer perguntas, temos de nos fazer respeitar e não ir. Não podemos ser meios de transmissão das ideias dos partidos.” (...)

 

A entrevista, na íntegra, no site da APM

Connosco
Agravam-se as ameças sobre os jornalistas na Europa Ver galeria

Jornalistas queimados em efígie, insultados e ameaçados, desacreditados pelos dirigentes dos seus próprios países. Processados, assaltados, alvo de ameaças de violação ou de morte, e em vários casos efectivamente assassinados. É este, hoje, o ambiente em que trabalham muitos jornalistas na Europa.

A organização Index on Censorship, com o apoio da Federação Europeia de Jornalistas, reuniu no relatório Mapping Media Freedom mais de três mil episódios de situações deste tipo, registadas desde Maio de 2004. A informação recolhida apresenta os jornalistas e os media onde trabalham como alvos de dirigentes políticos, empresas e mesmo o público em geral  -  mas algumas tendências principais são destacadas e apontadas neste trabalho. O objectivo é fornecer indicações úteis aos legisladores e a quantos desejem continuar a defender o ambiente favorável a uma Imprensa independente e pluralista.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


ver mais >
Opinião
1.Segundo um estudo da Marktest sobre a utilização que os portugueses fazem das redes sociais 65.9% dos inquiridos referem o Facebook, 16.4% indicam o Instagram, 8.3% oWhatsApp, 4% o Youtube e 5.4% outras redes. O estudo sublinha que esta predominância do Facebook não é transversal a toda a população: “Entre os jovens utilizadores de redes sociais, os resultados de 2018 mostram uma inversão das redes visitadas com mais...
Há cerca de um ano, António Barreto  costumava assinar uma assertiva coluna de opinião no Diário de Noticias, entretanto desaparecida como outras, sem deixar rasto. Numa delas,  reconhecia ser “simplesmente desmoralizante. Ver e ouvir os serviços de notícias das três ou quatro estações de televisão” . E comentava, a propósito,  que  “a vulgaridade é sinal de verdade. A...
Ironias de uma tragédia
Francisco Sarsfield Cabral
O horrível assassinato de um jornalista saudita no consulado do seu país em Istambul tem várias e graves implicações políticas. Embaraça Trump, que logo no início do seu mandato decidiu apoiar a Arábia Saudita, contra o seu ódio de estimação, o Irão. Por outro lado, ninguém acredita que o até aqui todo poderoso príncipe herdeiro saudita, M. bin Salman, seja alheio ao crime. Pelo...
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
Agenda
14
Nov
News Xchange 2018
09:00 @ Edinburgo, Escócia
14
Nov
10ª Conferência Comunicação e Jornalismo
10:00 @ Universidade Lusófona, Lisboa
17
Nov
Google Analytics para Jornalistas
09:00 @ Cenjor,Lisboa
19
Nov