Quinta-feira, 18 de Julho, 2019
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Sobre a sensação de cada jornal ser o gabinete de Imprensa de um partido

Nino Olmeda, agora distinguido com o Prémio APM de Jornalista Especializado em Madrid, pelos 30 anos de carreira na capital espanhola, defende o jornalismo local como “uma forma distinta de fazer jornalismo, e não um trampolim para outras secções, como a de Nacional ou Internacional”. Defende também o jornalismo “reflexivo e de qualidade”, de antes do frenesim dos clics e dos likes. E não suporta o jornalismo agressivo, que aponta o microfone às pessoas “como se fosse uma pistola”. É entrevistado pela Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

Redactor da agência Servimedia e colaborador de Madridiario, Nino Olmeda é conhecido pelo empenho com que tem tratado a defesa e as reivindicações das pessoas portadoras de deficiência. A conversa passou-se na Assembleia de Madrid, onde, como conta, “vivo quase permanentemente, porque é aqui que estão os políticos, e consigo a informação directamente deles”. 

Tem orgulho no seu bairro de origem, Vallekas, com “k”, como reclama, onde nasceu, cresceu, e onde dirige o canal Tele-K

Lamenta o pouco cuidado que é hoje dado ao autêntico jornalismo local:

“Mandam estagiários fazer a informação local, além de os explorarem, e mandam também aqueles que já deixaram de ser úteis para o jornalismo e dos quais querem dar cabo, porque já fizeram 50 anos ou tiveram problemas com a direcção.” 

Sobre a relação entre o jornalismo e a política, assume as necessárias distâncias:

“A minha obrigação é informar, e para isso é preciso ter uma boa relação com o político. E é preciso fazer-se respeitar. Porque um jornalista que se faz respeitar é um jornalista que impõe respeito aos outros. (...) Não estamos [no jornalismo] para elogiar ou louvar o trabalho dos políticos. Estamos para vigiar o que fazem. Para falar bem deles, estão lá os seus gabinetes de Imprensa.” (...) 

“O microfone não pode ser uma pistola. O bom jornalista, como o bom polícia, investiga e procura ter fontes. Só os maus jornalistas e os maus polícias arrancam confissões sob tortura.” (...) 

Assume também que passa muito mais tempo na Assembleia de Madrid do que na redacção da Servimedia:

“Sim, muito mais. Em geral, e não só no jornalismo, considero-me um lobo solitário  - com manada, mas solitário. Não gosto de colectividades, gosto de ir por mim próprio. (...)  Não tenho Twitter, nem quero ter. Quero comunicar com os cidadãos e com os políticos como sempre, em conferências de Imprensa, com notas de Imprensa ou chamadas pessoais. O que não pode ser é que os acontecimentos e os caprichos dos políticos sejam anunciados nas redes sociais às doze, ou à uma da madrugada, ou quando lhes apetece.” (...) 

“O imediatismo não leva a lado nenhum: vamos acabar com o jornalismo, vamos ficando cada vez mais afastados dos leitores, dos ouvintes e dos telespectadores. Creio que o jornalismo está em perigo.” 

Sobre as consequências da precariedade laboral, Nino Olmeda afirma:

“É muito difícil fazer jornalismo de qualidade porque, como em todas as profissões, há condições que são necessárias, e a primeira é a estabilidade. Com salários precários não pode haver trabalho de qualidade. Deste modo, estamos no caminho para algo que me repugna, que é um jornalismo declarativo. E ficamos com a sensação de que cada jornal é um gabinete de Imprensa de um partido concreto. (...) Numa conferência de Imprensa em que não seja permitido fazer perguntas, temos de nos fazer respeitar e não ir. Não podemos ser meios de transmissão das ideias dos partidos.” (...)

 

A entrevista, na íntegra, no site da APM

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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“Fake news”, ontem e hoje
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Ago
Composição Fotográfica
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21
Ago
Edinburgh TV Festival
09:00 @ Edinburgo, Escócia
27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigéria
16
Set