Quarta-feira, 18 de Julho, 2018
Fórum

Sobre a sensação de cada jornal ser o gabinete de Imprensa de um partido

Nino Olmeda, agora distinguido com o Prémio APM de Jornalista Especializado em Madrid, pelos 30 anos de carreira na capital espanhola, defende o jornalismo local como “uma forma distinta de fazer jornalismo, e não um trampolim para outras secções, como a de Nacional ou Internacional”. Defende também o jornalismo “reflexivo e de qualidade”, de antes do frenesim dos clics e dos likes. E não suporta o jornalismo agressivo, que aponta o microfone às pessoas “como se fosse uma pistola”. É entrevistado pela Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

Redactor da agência Servimedia e colaborador de Madridiario, Nino Olmeda é conhecido pelo empenho com que tem tratado a defesa e as reivindicações das pessoas portadoras de deficiência. A conversa passou-se na Assembleia de Madrid, onde, como conta, “vivo quase permanentemente, porque é aqui que estão os políticos, e consigo a informação directamente deles”. 

Tem orgulho no seu bairro de origem, Vallekas, com “k”, como reclama, onde nasceu, cresceu, e onde dirige o canal Tele-K

Lamenta o pouco cuidado que é hoje dado ao autêntico jornalismo local:

“Mandam estagiários fazer a informação local, além de os explorarem, e mandam também aqueles que já deixaram de ser úteis para o jornalismo e dos quais querem dar cabo, porque já fizeram 50 anos ou tiveram problemas com a direcção.” 

Sobre a relação entre o jornalismo e a política, assume as necessárias distâncias:

“A minha obrigação é informar, e para isso é preciso ter uma boa relação com o político. E é preciso fazer-se respeitar. Porque um jornalista que se faz respeitar é um jornalista que impõe respeito aos outros. (...) Não estamos [no jornalismo] para elogiar ou louvar o trabalho dos políticos. Estamos para vigiar o que fazem. Para falar bem deles, estão lá os seus gabinetes de Imprensa.” (...) 

“O microfone não pode ser uma pistola. O bom jornalista, como o bom polícia, investiga e procura ter fontes. Só os maus jornalistas e os maus polícias arrancam confissões sob tortura.” (...) 

Assume também que passa muito mais tempo na Assembleia de Madrid do que na redacção da Servimedia:

“Sim, muito mais. Em geral, e não só no jornalismo, considero-me um lobo solitário  - com manada, mas solitário. Não gosto de colectividades, gosto de ir por mim próprio. (...)  Não tenho Twitter, nem quero ter. Quero comunicar com os cidadãos e com os políticos como sempre, em conferências de Imprensa, com notas de Imprensa ou chamadas pessoais. O que não pode ser é que os acontecimentos e os caprichos dos políticos sejam anunciados nas redes sociais às doze, ou à uma da madrugada, ou quando lhes apetece.” (...) 

“O imediatismo não leva a lado nenhum: vamos acabar com o jornalismo, vamos ficando cada vez mais afastados dos leitores, dos ouvintes e dos telespectadores. Creio que o jornalismo está em perigo.” 

Sobre as consequências da precariedade laboral, Nino Olmeda afirma:

“É muito difícil fazer jornalismo de qualidade porque, como em todas as profissões, há condições que são necessárias, e a primeira é a estabilidade. Com salários precários não pode haver trabalho de qualidade. Deste modo, estamos no caminho para algo que me repugna, que é um jornalismo declarativo. E ficamos com a sensação de que cada jornal é um gabinete de Imprensa de um partido concreto. (...) Numa conferência de Imprensa em que não seja permitido fazer perguntas, temos de nos fazer respeitar e não ir. Não podemos ser meios de transmissão das ideias dos partidos.” (...)

 

A entrevista, na íntegra, no site da APM

Connosco
CPI e "Tribuna de Macau" instituem Prémios de Ensaio e de Jornalismo da Lusofonia Ver galeria

O Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído há um ano por iniciativa do jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, com o patrocínio da Fundação Jorge Álvares e o apoio do JL – Jornal de Artes, Letras e Ideias, reparte-se, nesta sua segunda edição, por dois: um aberto a textos originais, que passa a designar-se o Prémio Ensaio da Lusofonia, e outro que mantém o título de Prémio de Jornalismo da Lusofonia, destinado a textos já publicados, em suporte papel ou digital.

Mantém-se o espírito original de distinguir trabalhos “no quadro do desejado aprofundamento de todos os aspectos ligados à Língua Portuguesa, com relevo para a singularidade do posicionamento de Macau no seu papel de plataforma de ligação entre países de Língua Oficial Portuguesa”.

Jornalismo "ao vivo" em festival de Verão de "Le Monde" Ver galeria

Um festival de Verão sem estrondo de altifalantes, sem música de “fogo-de-artifício”, todo baseado na palavra, na conversa em grupo ou no diálogo directo com os jornalistas presentes. Durante o fim-de-semana de 13 a 15 de Julho, cerca de 4500 inscritos animaram a terceira edição do Festival Internacional de Jornalismo organizado pelo grupo Le Monde na localidade de Couthures, em França, à beira do rio Garonne. A aldeia não chega aos 400 habitantes, mas mais de 100 voluntários ajudaram a fazer funcionar, durante três dias, um encontro de muitos debates. Como disse Gilles van Kote, jornalista de Le Monde, a intenção era precisamente a de que tudo pudesse ser posto em questão, “sem tabus”.

O Clube
O CPI – Clube Português de Imprensa voltou a participar no Prémio  Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018,  instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura,  em cooperação com a Europa Nostra, a principal organização europeia de defesa do património,  que o CNC representa em Portugal.   O Prémio foi atribuído, este ano,  à...

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Opinião
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