Terça-feira, 27 de Junho, 2017
Fórum

Sobre a sensação de cada jornal ser o gabinete de Imprensa de um partido

Nino Olmeda, agora distinguido com o Prémio APM de Jornalista Especializado em Madrid, pelos 30 anos de carreira na capital espanhola, defende o jornalismo local como “uma forma distinta de fazer jornalismo, e não um trampolim para outras secções, como a de Nacional ou Internacional”. Defende também o jornalismo “reflexivo e de qualidade”, de antes do frenesim dos clics e dos likes. E não suporta o jornalismo agressivo, que aponta o microfone às pessoas “como se fosse uma pistola”. É entrevistado pela Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

Redactor da agência Servimedia e colaborador de Madridiario, Nino Olmeda é conhecido pelo empenho com que tem tratado a defesa e as reivindicações das pessoas portadoras de deficiência. A conversa passou-se na Assembleia de Madrid, onde, como conta, “vivo quase permanentemente, porque é aqui que estão os políticos, e consigo a informação directamente deles”. 

Tem orgulho no seu bairro de origem, Vallekas, com “k”, como reclama, onde nasceu, cresceu, e onde dirige o canal Tele-K

Lamenta o pouco cuidado que é hoje dado ao autêntico jornalismo local:

“Mandam estagiários fazer a informação local, além de os explorarem, e mandam também aqueles que já deixaram de ser úteis para o jornalismo e dos quais querem dar cabo, porque já fizeram 50 anos ou tiveram problemas com a direcção.” 

Sobre a relação entre o jornalismo e a política, assume as necessárias distâncias:

“A minha obrigação é informar, e para isso é preciso ter uma boa relação com o político. E é preciso fazer-se respeitar. Porque um jornalista que se faz respeitar é um jornalista que impõe respeito aos outros. (...) Não estamos [no jornalismo] para elogiar ou louvar o trabalho dos políticos. Estamos para vigiar o que fazem. Para falar bem deles, estão lá os seus gabinetes de Imprensa.” (...) 

“O microfone não pode ser uma pistola. O bom jornalista, como o bom polícia, investiga e procura ter fontes. Só os maus jornalistas e os maus polícias arrancam confissões sob tortura.” (...) 

Assume também que passa muito mais tempo na Assembleia de Madrid do que na redacção da Servimedia:

“Sim, muito mais. Em geral, e não só no jornalismo, considero-me um lobo solitário  - com manada, mas solitário. Não gosto de colectividades, gosto de ir por mim próprio. (...)  Não tenho Twitter, nem quero ter. Quero comunicar com os cidadãos e com os políticos como sempre, em conferências de Imprensa, com notas de Imprensa ou chamadas pessoais. O que não pode ser é que os acontecimentos e os caprichos dos políticos sejam anunciados nas redes sociais às doze, ou à uma da madrugada, ou quando lhes apetece.” (...) 

“O imediatismo não leva a lado nenhum: vamos acabar com o jornalismo, vamos ficando cada vez mais afastados dos leitores, dos ouvintes e dos telespectadores. Creio que o jornalismo está em perigo.” 

Sobre as consequências da precariedade laboral, Nino Olmeda afirma:

“É muito difícil fazer jornalismo de qualidade porque, como em todas as profissões, há condições que são necessárias, e a primeira é a estabilidade. Com salários precários não pode haver trabalho de qualidade. Deste modo, estamos no caminho para algo que me repugna, que é um jornalismo declarativo. E ficamos com a sensação de que cada jornal é um gabinete de Imprensa de um partido concreto. (...) Numa conferência de Imprensa em que não seja permitido fazer perguntas, temos de nos fazer respeitar e não ir. Não podemos ser meios de transmissão das ideias dos partidos.” (...)

 

A entrevista, na íntegra, no site da APM

Connosco
Uma foto icónica partilhada por jornais e redes sociais Ver galeria

Há imagens que valem por mil palavras. Esta que reproduzimos acima é uma delas, registada pelo bombeiro Pedro Brás, no segundo dia do incêndio de Pedrogão Grande, quando 13 companheiros se deitaram no chão exaustos, no combate aos fogos.

A foto foi reproduzida, originalmente, pelos jornais espanhóis El Mundo e El Pais e, também, entre outros, pelo site electrónico Observador, doqual retiramos este documento.

Mais tarde, a imagem percorreu mundo, através das redes sociais e tornou-se icónica de uma luta desigual contra uma calamidade em que morreram 64 habitantes de Pedrogão Grande e 254 ficaram feridos, segundo as ultimas estimativas.

A foto foi tirada na manhã de 18 de Junho, e ganhou estatuto de viral. É uma imagem que “fala por si”, representando, simbolicamente, a homenagem a todos os bombeiros que estiveram envolvidos na contenção do  terrível sinistro.

Em pouco tempo, registaram-se cerca de 80 mil partilhas na rede social Facebook, e a  foto ganhou expressão, também, no Twitter e noutros  meios de comunicação social espalhados pelo mundo.

Dirigentes europeus intimam redes sociais a envolverem-se na luta contra o extremismo online Ver galeria
O Clube

 
O Prémio de Jornalismo da Lusofonia é a nova iniciativa promovida pelo Clube Português de Imprensa (CPI) em parceria com o Jornal Tribuna de Macau (JTM), no quadro das comorações que assinalam o 35º aniversário daquele diário de língua portuguesa em Macau.

Com o valor de 10 mil euros e periodicidade anual, o Prémio será atribuído por um Júri constituído por representantes do CPI, do JTM e por personalidades de reconhecido mérito na área do jornalismo ou que se tenham distinguido na defesa, divulgação ou ensino da Língua Portuguesa no Mundo.

Trata-se, pois, de um novo Prémio que, de acordo com o respectivo Regulamento (que inserimos noutro espaço deste site) se destina “a jornalistas e à Imprensa de Língua Portuguesa de todo o Mundo, em suporte papel ou digital”. 


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Opinião
Que terá movido o Sindicato dos Jornalistas (SJ) a questionar o jornal espanhol El Mundo sobre a identidade de  um seu correspondente que cobriu os incêndios de Pedrogão Grande?   Diz a direcção do Sindicato, no respectivo site,  que “ decidiu pedir informações sobre as dúvidas levantadas acerca do suposto jornalista Sebastião Pereira(…)” . O Sindicato levou os seus esforços de...
Dados os muitos terabytes de prosa – sólidamente negativa – com que os media globais saudaram a decisão do presidente Trump, anunciada em discurso na Casa Branca no passado dia 1 de Junho, de retirar os EUA. do Acordo de Paris, seria de esperar uma cobertura exaustiva do tema, ou seja, que nenhum aspecto ou complexidade dessa terrível ameaça para a saúde do planeta escapasse à atenção dos “opinion leaders”, em...
Trump, Macron e a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral

O Presidente Trump está em guerra aberta com a comunicação social americana. E esta, na sua grande maioria, não gosta de Trump. Vários presidentes anteriores foram muito criticados pela Imprensa dos EUA – Reagan, por exemplo. Mas o grau de hostilidade que agora existe entre a Casa Branca e os jornalistas é de nível excepcionalmente alto.

Num livro colectivo acabado de publicar, simultaneamente, em treze línguas e em dezenas de países espalhados pelo mundo inteiro, cuja versão francesa se intitula, significativamente, L’âge de la Régression: Pourquoi nous vivons un tournant historique[1], Appadurai disserta sobre o «sentimento de cansaço» que, na sua opinião domina a esfera pública. Sentimento de cansaço relativamente à forma de fazer...
Fim de semana alucinante, sábado épico, jornada inédita. Muito se tem chamado a este 13 de maio, dia de Fátima, do Santo Padre, do anjo Vitória e do arcanjo Sobral. As notícias, as reportagens, os diretos. O frenesim tem sido imenso. Aliás já começou há uns dias. Amanhã, depois do nascer do sol, era bom que houvesse alguma reflexão sobre o que se passou. Será que tanta agitação na...
Agenda
11
Jul
Exposição de Jornais Centenários em Bruxelas
09:00 @ Parlamento Europeu, Bruxelas
12
Jul
Curso de Verão “Jornalismo de Investigação”
09:00 @ Universidade Internacional Menéndez Pelayo, Santander
13
Jul
Westminster Media Forum
09:00 @ Central London, Londres
27
Jul
Festival de Jornalismos de Verão
09:00 @ Couthures, França