Quarta-feira, 14 de Novembro, 2018
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Os embaraços do jornalismo na transição digital e a "dívida técnica"

O progresso tecnológico e científico entrou numa fase de tal modo “trepidante de avanço exponencial” que os próprios meios de comunicação, tanto os tradicionais como os digitais, se deixam frequentemente ficar para trás, mantendo procedimentos herdados da fase anterior. Trata-se de uma “dívida técnica” que tende a acumular-se e, em última instância, embaraça a transição digital do próprio jornalismo. Esta reflexão é de Miguel Ormaetxea, especializado nas novas tecnologias e editor de Media-tics.

O autor começa por afirmar que não se trata apenas de “falta de sensibilidade dos directores em relação à tecnologia”, citando o blog de Enrique Dans, onde foi colher o conceito de “dívida técnica”.

Segundo Miguel Ormaetxea, não há muitos jornalistas que “entendam e divulguem as novidades do progresso tecnológico, e que vão além da exposição dos gadgets de tal progresso, os aparelhos, as inovações e as suas características”. 

Há neste terreno “temas profundos e complexos”, que não estarão ao alcance de todos, mas explicá-los “é essencial para entender o mundo que nos rodeia, que se tornou um cavalo selvagem difícil de montar; as derivas do terrorismo e do populismo têm muito a ver com este pânico do progresso, bem como do desconhecimento dos lugares aonde ele nos pode levar”. (...) 

O referido artigo de Enrique Dans, expondo as consequências de manter os nossos sistemas em “dívida técnica”, é esclarecedor sobre aquilo de que se trata. Não é só a resistência à actualização dos softwares e à aquisição do material que os suporte, bem como a incorrecta combinação de sistemas e versões diferentes, mas também o argumento de poupanças que se podem pagar muito caro mais tarde. 

Enrique Dans explica deste modo o recente crash dos sistemas da British Airways, “no contexto de uma polémica gestão do espanhol Alex Cruz como CEO da IAG, que engloba também companhias como Iberia, Vueling ou Air Lingus, caracterizada por agressivas reduções de custos e pela subcontratação progressiva dos sistemas da companhia, uma política bastante comum na indústria do transporte aéreo”. 

Voltando a citar Miguel Ormaetxea:

“A tecnologia está a chegar ao ponto em que as suas conquistas começam cada vez mais a parecer magia, e muitos responsáveis pelos media acumulam com frequência uma dívida técnica, intelectual e cultural, para com estas realidades. Por isso podemos ver como importantes meios de comunicação não conseguem dar o necessário relevo a estes temas. Nem encontram um lugar onde situar estas informações (na Economia ou na Cultura?).” (...) 


O artigo de Miguel Ormaetxea, em Media-tics

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Agravam-se as ameças sobre os jornalistas na Europa Ver galeria

Jornalistas queimados em efígie, insultados e ameaçados, desacreditados pelos dirigentes dos seus próprios países. Processados, assaltados, alvo de ameaças de violação ou de morte, e em vários casos efectivamente assassinados. É este, hoje, o ambiente em que trabalham muitos jornalistas na Europa.

A organização Index on Censorship, com o apoio da Federação Europeia de Jornalistas, reuniu no relatório Mapping Media Freedom mais de três mil episódios de situações deste tipo, registadas desde Maio de 2004. A informação recolhida apresenta os jornalistas e os media onde trabalham como alvos de dirigentes políticos, empresas e mesmo o público em geral  -  mas algumas tendências principais são destacadas e apontadas neste trabalho. O objectivo é fornecer indicações úteis aos legisladores e a quantos desejem continuar a defender o ambiente favorável a uma Imprensa independente e pluralista.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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