Quinta-feira, 19 de Outubro, 2017
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Os embaraços do jornalismo na transição digital e a "dívida técnica"

O progresso tecnológico e científico entrou numa fase de tal modo “trepidante de avanço exponencial” que os próprios meios de comunicação, tanto os tradicionais como os digitais, se deixam frequentemente ficar para trás, mantendo procedimentos herdados da fase anterior. Trata-se de uma “dívida técnica” que tende a acumular-se e, em última instância, embaraça a transição digital do próprio jornalismo. Esta reflexão é de Miguel Ormaetxea, especializado nas novas tecnologias e editor de Media-tics.

O autor começa por afirmar que não se trata apenas de “falta de sensibilidade dos directores em relação à tecnologia”, citando o blog de Enrique Dans, onde foi colher o conceito de “dívida técnica”.

Segundo Miguel Ormaetxea, não há muitos jornalistas que “entendam e divulguem as novidades do progresso tecnológico, e que vão além da exposição dos gadgets de tal progresso, os aparelhos, as inovações e as suas características”. 

Há neste terreno “temas profundos e complexos”, que não estarão ao alcance de todos, mas explicá-los “é essencial para entender o mundo que nos rodeia, que se tornou um cavalo selvagem difícil de montar; as derivas do terrorismo e do populismo têm muito a ver com este pânico do progresso, bem como do desconhecimento dos lugares aonde ele nos pode levar”. (...) 

O referido artigo de Enrique Dans, expondo as consequências de manter os nossos sistemas em “dívida técnica”, é esclarecedor sobre aquilo de que se trata. Não é só a resistência à actualização dos softwares e à aquisição do material que os suporte, bem como a incorrecta combinação de sistemas e versões diferentes, mas também o argumento de poupanças que se podem pagar muito caro mais tarde. 

Enrique Dans explica deste modo o recente crash dos sistemas da British Airways, “no contexto de uma polémica gestão do espanhol Alex Cruz como CEO da IAG, que engloba também companhias como Iberia, Vueling ou Air Lingus, caracterizada por agressivas reduções de custos e pela subcontratação progressiva dos sistemas da companhia, uma política bastante comum na indústria do transporte aéreo”. 

Voltando a citar Miguel Ormaetxea:

“A tecnologia está a chegar ao ponto em que as suas conquistas começam cada vez mais a parecer magia, e muitos responsáveis pelos media acumulam com frequência uma dívida técnica, intelectual e cultural, para com estas realidades. Por isso podemos ver como importantes meios de comunicação não conseguem dar o necessário relevo a estes temas. Nem encontram um lugar onde situar estas informações (na Economia ou na Cultura?).” (...) 


O artigo de Miguel Ormaetxea, em Media-tics

Connosco
“Floriram por Pessanha as rosas bravas, 150 anos depois” - a reportagem vencedora do Prémio de Jornalismo da Lusofonia Ver galeria

Um trabalho sobre Camilo Pessanha, no âmbito das comemorações  dos 150 anos do nascimento do poeta, assinado pela jornalista Sílvia Gonçalves ,  no jornal “Ponto Final” , foi distinguido com o Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído em parceria pelo Clube Português de Imprensa e pelo Jornal Tribuna de Macau.

Trata-se de uma reportagem com o título “Floriram por Pessanha  as rosas bravas, 150 anos depois”  que o júri, escolheu por unanimidade, realçando “a originalidade da abordagem e a forma como foi construída a narrativa” , reconhecendo que o texto “não se limitou a ser evocativo dos 150 anos de Camilo Pessanha,  contribuindo para o conhecimento do poeta e da sua relação estreita com a lusofonia”.

Isabel Mota abre em Outubro novo ciclo de jantares-debate Ver galeria

O novo ciclo de jantares-debate,  promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o  Grémio Literário, vai subordinar-se ao tema genérico “O estado do Estado;  Estado, Sociedade, Opções” e arranca no próximo dia 23 de Outubro, tendo Isabel Mota, presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, como oradora convidada.

Isabel Maria de Lucena Vasconcelos Cruz de Almeida Mota, de seu nome completo, nasceu em Lisboa, teve uma educação tradicional, uma adolescência pacata e  passou dois anos em Moçambique,  onde o pai foi colocado em missão.

Licenciou-se em Economia e Finanças, foi assistente no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras da Universidade Técnica de Lisboa e  conselheira na Representação Permanente de Portugal junto da União Europeia, em Bruxelas, tendo representado  Portugal em várias organizações multilaterais.

O Clube

O cineasta alemão Wim Wenders foi distinguido com o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, pelo seu contributo para a história multicultural da Europa e dos ideais europeus. Ao ser informado da decisão, Wim Wenders declarou que “a Europa é uma utopia em curso, construída, mais do que por qualquer outra coisa, pelo seu legado cultural”. A cerimónia de entrega do Prémio  - instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura, em cooperação com a “Europa Nostra” e o Clube Português de Imprensa -  terá lugar em 24 de Outubro de 2017, na Fundação Calouste Gulbenkian.


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