Terça-feira, 27 de Junho, 2017
Media

Francisco Balsemão e a reabilitação dos Media contra “a lixeira da Internet”

Num discurso sobre “O que é, hoje, lutar pela liberdade de expressão”, Francisco Pinto Balsemão afirmou que é, em primeiro lugar, lutar contra a censura, que continua “em mais de metade do globo”, e em segundo contra a desinformação, “que prospera e se multiplica na lixeira da Internet”. Sublinhou, neste ponto, a importância de reforçar a legislação sobre propriedade intelectual, lutando também “contra o abuso de posição dominante dos gigantes da Internet”. E advertiu que, “na democracia do nosso tempo, o poder político parece mais empenhado em dar prioridade à segurança do que em proteger a liberdade”.

O fundador do Expresso e “chairman” do grupo Impresa recebeu a medalha de ouro do Instituto Politécnico de Lisboa (IPL), numa cerimónia comemorativa dos 31 anos da instituição. Nas palavras do presidente do IPL, Elmano Margato, a distinção homenageia “uma figura ímpar e incontornável”, reconhecendo o “muito que Francisco Pinto Balsemão contribuiu, como cidadão, como jornalista e como empresário, para o desenvolvimento do país”. 

Como recorda a revista Visão, “Francisco Pinto Balsemão foi um dos signatários de uma carta aberta de 33 grupos europeus de media, recentemente enviada a Bruxelas, sobre os riscos das novas iniciativas legislativas na área digital”  - tema que vem desenvolvido noutro local deste site. O perigo exposto por esses grandes meios de referência é o de se reforçar a “posição dominante” de gigantes como o Google ou o Facebook, que “usam conteúdos e não pagam, ficam com 80% da publicidade digital, pagam poucos impostos em países como Portugal e dão guarida a falsas notícias e a opiniões sobre elas construídas”  - citando, novamente, Francisco Balsemão. 

Sobre o modo displicente como estas questões são tratadas, o orador deu o exemplo das recentes eleições presidenciais em França, onde se chegou “ao extremo de recorrer aos gigantes da Internet, que são os principais responsáveis pela disseminação das mentiras e das meias verdades, para tentar travar os efeitos daquilo que eles próprios, alegando a neutralidade dos seus algoritmos, contribuíram para gerar”. 

E quanto ao uso das redes sociais, que cada vez mais pessoas assumem como fonte primária de informação, Francisco Balsemão defende que “os jornalistas (e os produtores de conteúdos profissionais de qualidade, em geral) se reposicionem”: 

“No caso do jornalismo, temos cada vez mais de nos dedicar ao como e ao porquê de cada notícia, visto que, mal ou bem, as redes sociais já se encarregam do quando, do onde e do quem” – afirmou. 

Francisco Pinto Balsemão aludiu ainda à “ampla influência” do poder político na área dos media, por exemplo nas nomeações para os órgãos reguladores ou no “financiamento e funcionamento da RTP”. O co-fundador do PSD, que liderou o Governo entre 1981 e 1983, completou que a intervenção dos governos pode reflectir-se também ao “enviar ou reenviar” inspecções das Finanças ou do Trabalho às empresas jornalísticas; ao “patrocinar operações de venda de determinados meios a determinadas empresas, como quase aconteceu com a venda da TVI à PT”; ou ao “perturbar o mercado, como ocorreu com o nado-morto Canal 5, como ia sucedendo com a privatização da RTP e, embora com menores consequências, sucedeu recentemente com a inclusão da RTP3 e da RTP Memória na TDT”. 

Noutro ponto da sua intervenção, Francisco Balsemão disse ainda:

“Para que esse quadro fique completo, deverá assinalar-se a existência de empresas de media que não estão preocupadas em ganhar dinheiro e, assim, garantir a sua independência, mas apenas em influenciar o poder político para, por essa via, garantirem o êxito noutros negócios.” (...)

 
Recorde-se que Francisco Balsemão foi um dos fundadores do Clube Português de Imprensa, que lhe atribuíu, oportunamente, o Prémio Carreira.

 

Mais informação no Jornal de Negócios, a Visão e o Expresso

 

Connosco
Uma foto icónica partilhada por jornais e redes sociais Ver galeria

Há imagens que valem por mil palavras. Esta que reproduzimos acima é uma delas, registada pelo bombeiro Pedro Brás, no segundo dia do incêndio de Pedrogão Grande, quando 13 companheiros se deitaram no chão exaustos, no combate aos fogos.

A foto foi reproduzida, originalmente, pelos jornais espanhóis El Mundo e El Pais e, também, entre outros, pelo site electrónico Observador, doqual retiramos este documento.

Mais tarde, a imagem percorreu mundo, através das redes sociais e tornou-se icónica de uma luta desigual contra uma calamidade em que morreram 64 habitantes de Pedrogão Grande e 254 ficaram feridos, segundo as ultimas estimativas.

A foto foi tirada na manhã de 18 de Junho, e ganhou estatuto de viral. É uma imagem que “fala por si”, representando, simbolicamente, a homenagem a todos os bombeiros que estiveram envolvidos na contenção do  terrível sinistro.

Em pouco tempo, registaram-se cerca de 80 mil partilhas na rede social Facebook, e a  foto ganhou expressão, também, no Twitter e noutros  meios de comunicação social espalhados pelo mundo.

Dirigentes europeus intimam redes sociais a envolverem-se na luta contra o extremismo online Ver galeria
O Clube

 
O Prémio de Jornalismo da Lusofonia é a nova iniciativa promovida pelo Clube Português de Imprensa (CPI) em parceria com o Jornal Tribuna de Macau (JTM), no quadro das comorações que assinalam o 35º aniversário daquele diário de língua portuguesa em Macau.

Com o valor de 10 mil euros e periodicidade anual, o Prémio será atribuído por um Júri constituído por representantes do CPI, do JTM e por personalidades de reconhecido mérito na área do jornalismo ou que se tenham distinguido na defesa, divulgação ou ensino da Língua Portuguesa no Mundo.

Trata-se, pois, de um novo Prémio que, de acordo com o respectivo Regulamento (que inserimos noutro espaço deste site) se destina “a jornalistas e à Imprensa de Língua Portuguesa de todo o Mundo, em suporte papel ou digital”. 


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Opinião
Que terá movido o Sindicato dos Jornalistas (SJ) a questionar o jornal espanhol El Mundo sobre a identidade de  um seu correspondente que cobriu os incêndios de Pedrogão Grande?   Diz a direcção do Sindicato, no respectivo site,  que “ decidiu pedir informações sobre as dúvidas levantadas acerca do suposto jornalista Sebastião Pereira(…)” . O Sindicato levou os seus esforços de...
Dados os muitos terabytes de prosa – sólidamente negativa – com que os media globais saudaram a decisão do presidente Trump, anunciada em discurso na Casa Branca no passado dia 1 de Junho, de retirar os EUA. do Acordo de Paris, seria de esperar uma cobertura exaustiva do tema, ou seja, que nenhum aspecto ou complexidade dessa terrível ameaça para a saúde do planeta escapasse à atenção dos “opinion leaders”, em...
Trump, Macron e a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral

O Presidente Trump está em guerra aberta com a comunicação social americana. E esta, na sua grande maioria, não gosta de Trump. Vários presidentes anteriores foram muito criticados pela Imprensa dos EUA – Reagan, por exemplo. Mas o grau de hostilidade que agora existe entre a Casa Branca e os jornalistas é de nível excepcionalmente alto.

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Fim de semana alucinante, sábado épico, jornada inédita. Muito se tem chamado a este 13 de maio, dia de Fátima, do Santo Padre, do anjo Vitória e do arcanjo Sobral. As notícias, as reportagens, os diretos. O frenesim tem sido imenso. Aliás já começou há uns dias. Amanhã, depois do nascer do sol, era bom que houvesse alguma reflexão sobre o que se passou. Será que tanta agitação na...
Agenda
11
Jul
Exposição de Jornais Centenários em Bruxelas
09:00 @ Parlamento Europeu, Bruxelas
12
Jul
Curso de Verão “Jornalismo de Investigação”
09:00 @ Universidade Internacional Menéndez Pelayo, Santander
13
Jul
Westminster Media Forum
09:00 @ Central London, Londres
27
Jul
Festival de Jornalismos de Verão
09:00 @ Couthures, França