Sexta-feira, 22 de Março, 2019
Media

Francisco Balsemão e a reabilitação dos Media contra “a lixeira da Internet”

Num discurso sobre “O que é, hoje, lutar pela liberdade de expressão”, Francisco Pinto Balsemão afirmou que é, em primeiro lugar, lutar contra a censura, que continua “em mais de metade do globo”, e em segundo contra a desinformação, “que prospera e se multiplica na lixeira da Internet”. Sublinhou, neste ponto, a importância de reforçar a legislação sobre propriedade intelectual, lutando também “contra o abuso de posição dominante dos gigantes da Internet”. E advertiu que, “na democracia do nosso tempo, o poder político parece mais empenhado em dar prioridade à segurança do que em proteger a liberdade”.

O fundador do Expresso e “chairman” do grupo Impresa recebeu a medalha de ouro do Instituto Politécnico de Lisboa (IPL), numa cerimónia comemorativa dos 31 anos da instituição. Nas palavras do presidente do IPL, Elmano Margato, a distinção homenageia “uma figura ímpar e incontornável”, reconhecendo o “muito que Francisco Pinto Balsemão contribuiu, como cidadão, como jornalista e como empresário, para o desenvolvimento do país”. 

Como recorda a revista Visão, “Francisco Pinto Balsemão foi um dos signatários de uma carta aberta de 33 grupos europeus de media, recentemente enviada a Bruxelas, sobre os riscos das novas iniciativas legislativas na área digital”  - tema que vem desenvolvido noutro local deste site. O perigo exposto por esses grandes meios de referência é o de se reforçar a “posição dominante” de gigantes como o Google ou o Facebook, que “usam conteúdos e não pagam, ficam com 80% da publicidade digital, pagam poucos impostos em países como Portugal e dão guarida a falsas notícias e a opiniões sobre elas construídas”  - citando, novamente, Francisco Balsemão. 

Sobre o modo displicente como estas questões são tratadas, o orador deu o exemplo das recentes eleições presidenciais em França, onde se chegou “ao extremo de recorrer aos gigantes da Internet, que são os principais responsáveis pela disseminação das mentiras e das meias verdades, para tentar travar os efeitos daquilo que eles próprios, alegando a neutralidade dos seus algoritmos, contribuíram para gerar”. 

E quanto ao uso das redes sociais, que cada vez mais pessoas assumem como fonte primária de informação, Francisco Balsemão defende que “os jornalistas (e os produtores de conteúdos profissionais de qualidade, em geral) se reposicionem”: 

“No caso do jornalismo, temos cada vez mais de nos dedicar ao como e ao porquê de cada notícia, visto que, mal ou bem, as redes sociais já se encarregam do quando, do onde e do quem” – afirmou. 

Francisco Pinto Balsemão aludiu ainda à “ampla influência” do poder político na área dos media, por exemplo nas nomeações para os órgãos reguladores ou no “financiamento e funcionamento da RTP”. O co-fundador do PSD, que liderou o Governo entre 1981 e 1983, completou que a intervenção dos governos pode reflectir-se também ao “enviar ou reenviar” inspecções das Finanças ou do Trabalho às empresas jornalísticas; ao “patrocinar operações de venda de determinados meios a determinadas empresas, como quase aconteceu com a venda da TVI à PT”; ou ao “perturbar o mercado, como ocorreu com o nado-morto Canal 5, como ia sucedendo com a privatização da RTP e, embora com menores consequências, sucedeu recentemente com a inclusão da RTP3 e da RTP Memória na TDT”. 

Noutro ponto da sua intervenção, Francisco Balsemão disse ainda:

“Para que esse quadro fique completo, deverá assinalar-se a existência de empresas de media que não estão preocupadas em ganhar dinheiro e, assim, garantir a sua independência, mas apenas em influenciar o poder político para, por essa via, garantirem o êxito noutros negócios.” (...)

 
Recorde-se que Francisco Balsemão foi um dos fundadores do Clube Português de Imprensa, que lhe atribuíu, oportunamente, o Prémio Carreira.

 

Mais informação no Jornal de Negócios, a Visão e o Expresso

 

Connosco
O jornalismo entre os "apóstolos da certeza" e a "política da dúvida" Ver galeria

Há uma grande diferença entre um jornalismo “de elite” e aquele que vive dependente do clickbait. Há uma grande diferença, temporal, entre o que se faz hoje e o que se fazia há poucos anos  - tratando-se de tecnologia digital, “o que aconteceu há cinco anos é história”. E há uma grande diferença entre entender o que está a acontecer aos jornalistas e entender o que os jornalistas acham que lhes está a acontecer.

A reflexão inicial é de C.W. Anderson, que se define como um etnógrafo dedicado a estudar o modo como o jornalismo está a mudar com o tempo. Foi co-autor, com Emily Bell e Clay Shirky, do Relatório do Jornalismo Pós-Industrial, em 2012, na Universidade de Columbia. O seu trabalho mais recente é Apóstolos da Certeza: Jornalismo de Dados e a Política da Dúvida, livro em que analisa como a ideia de jornalismo de dados mudou ao longo do tempo.

Cidadão dos EUA, C.W. Anderson é hoje professor na Escola de Jornalismo da Universidade de Leeds, no Reino Unido. A entrevista que aqui citamos foi publicada no Farol Jornalismo, do Medium, e reproduzida no Obervatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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