null, 26 de Maio, 2019
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A reportagem sobre terrorismo e os dilemas da liberdade de expressão

“O desafio urgente que se põe aos jornalistas é o de controlar a retórica política que possa criar medo e incitar mais ódio, desta vez apontado às minorias religiosas. Mas é mais fácil dizê-lo do que fazê-lo.” É nestes termos que Aidan White, director da Ethical Journalism Network, avalia a missão da Imprensa no actual contexto de atentados terroristas constantes. Porque, mesmo pedindo este cuidado, “é essencial que os media mantenham a liberdade de fazer reportagem sem a ameaça da censura derivada da legislação anti-terrorista”. Também a UNESCO produziu e divulgou, em Março de 2017, um manual para uso dos jornalistas na cobertura do terrorismo, que é aqui apresentado.

No texto que citamos, a EJN defende que a reportagem sobre o terrorismo frequentemente relacionado com o extremismo islâmico seja cuidadosa e sensível, “mas estamos contra actos de auto-censura que atentem contra o direito das pessoas a serem informadas sobre as circunstâncias do terrorismo quando é inspirado por uma pequena minoria de extremistas religiosos”. 

Neste contexto, e à luz dos vários atentados recentes, a Ethical Journalism Network “está a planear o desenvolvimento de diálogos internacionais que possam ajudar os media a garantir que a reportagem sobre terrorismo inclua todos os lados da comunidade muçulmana”. 

No desenvolvimento deste tema, a mesma página da EJN que citamos coloca outro artigo, de Chris Elliot, de The Guardian, sobre o que correu melhor ou pior na cobertura dos ataques em Paris, e remete ainda para o trabalho publicado pela UNESCO, em inglês e em francês, definido como um Manual para Jornalistas sobre “Terrorismo e os Media”.

 

Os artigos citados, na EJ Network 

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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