Quinta-feira, 17 de Janeiro, 2019
Media

Para jornalista espanhol veterano publicam-se notícias sem qualquer relevância

Depois de uma carreira de mais de meio século, quase toda passada no El País, o jornalista espanhol Juan Cruz faz um balanço preocupante: “Creio que nos desviámos dos condicionamentos fundamentais do jornalismo. Estamos no tempo da mentira, e a confusão é total. As pessoas, agora, sentem que ninguém as defende da mentira. É um problema grave, que defrontamos desajeitadamente.”

Juan Cruz recebeu o Prémio APM de Honor pelo mérito de toda uma vida profissional e pela sua “defesa intransigente do jornalismo, que tem exercido com rigor, paixão e entusiasmo”. A entrevista que citamos foi feita pela própria Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria. 

Da sua experiência de mais de quatro décadas no El País, onde continua a ser director-adjunto, recorda a importância do “Livro de Estilo” uma novidade na época, que “nos exigia que não disséssemos coisas que não sabíamos”; e do Provedor do Leitor, que podia dizer-nos que “não estavam presentes todos os elementos de uma notícia”. 

A respeito das derivas recentes, da chamada “pós-verdade” e das fake news, Juan Cruz sublinha a “dependência absoluta da verdade no jornalismo” e a importância tanto da credibilidade como da autêntica relevância das notícias: 

“Actualmente, publicamos notícias que só são notícias porque nós o dizemos, não têm qualquer relevância, não mudam a conduta dos cidadãos. São puras tretas.” (...) 

Juan Cruz critica a tendência, sobretudo na televisão mais popular, para fornecer como noticiário uma quantidade de eventos e “acontecimentos” ligeiros ou chocantes. 

“Creio que os media, e entre eles os jornais de referência, têm que procurar diminuir a atracção pela atracção. Destacar qualquer coisa que não tem importância, mas que atrai. Ler é uma responsabilidade civil, é o mais importante que o homem inventou. Embora ler só por ler possa criar monstros. Não temos que ler tudo, há coisas que lemos e nos prejudicam. Por isso, nos jornais, temos a obrigação de conduzir a leitura.” (...)

 

 

A entrevista na íntegra, na Asociación de la Prensa de Madrid

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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