Quarta-feira, 18 de Julho, 2018
Media

Para jornalista espanhol veterano publicam-se notícias sem qualquer relevância

Depois de uma carreira de mais de meio século, quase toda passada no El País, o jornalista espanhol Juan Cruz faz um balanço preocupante: “Creio que nos desviámos dos condicionamentos fundamentais do jornalismo. Estamos no tempo da mentira, e a confusão é total. As pessoas, agora, sentem que ninguém as defende da mentira. É um problema grave, que defrontamos desajeitadamente.”

Juan Cruz recebeu o Prémio APM de Honor pelo mérito de toda uma vida profissional e pela sua “defesa intransigente do jornalismo, que tem exercido com rigor, paixão e entusiasmo”. A entrevista que citamos foi feita pela própria Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria. 

Da sua experiência de mais de quatro décadas no El País, onde continua a ser director-adjunto, recorda a importância do “Livro de Estilo” uma novidade na época, que “nos exigia que não disséssemos coisas que não sabíamos”; e do Provedor do Leitor, que podia dizer-nos que “não estavam presentes todos os elementos de uma notícia”. 

A respeito das derivas recentes, da chamada “pós-verdade” e das fake news, Juan Cruz sublinha a “dependência absoluta da verdade no jornalismo” e a importância tanto da credibilidade como da autêntica relevância das notícias: 

“Actualmente, publicamos notícias que só são notícias porque nós o dizemos, não têm qualquer relevância, não mudam a conduta dos cidadãos. São puras tretas.” (...) 

Juan Cruz critica a tendência, sobretudo na televisão mais popular, para fornecer como noticiário uma quantidade de eventos e “acontecimentos” ligeiros ou chocantes. 

“Creio que os media, e entre eles os jornais de referência, têm que procurar diminuir a atracção pela atracção. Destacar qualquer coisa que não tem importância, mas que atrai. Ler é uma responsabilidade civil, é o mais importante que o homem inventou. Embora ler só por ler possa criar monstros. Não temos que ler tudo, há coisas que lemos e nos prejudicam. Por isso, nos jornais, temos a obrigação de conduzir a leitura.” (...)

 

 

A entrevista na íntegra, na Asociación de la Prensa de Madrid

Connosco
CPI e "Tribuna de Macau" instituem Prémios de Ensaio e de Jornalismo da Lusofonia Ver galeria

O Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído há um ano por iniciativa do jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, com o patrocínio da Fundação Jorge Álvares e o apoio do JL – Jornal de Artes, Letras e Ideias, reparte-se, nesta sua segunda edição, por dois: um aberto a textos originais, que passa a designar-se o Prémio Ensaio da Lusofonia, e outro que mantém o título de Prémio de Jornalismo da Lusofonia, destinado a textos já publicados, em suporte papel ou digital.

Mantém-se o espírito original de distinguir trabalhos “no quadro do desejado aprofundamento de todos os aspectos ligados à Língua Portuguesa, com relevo para a singularidade do posicionamento de Macau no seu papel de plataforma de ligação entre países de Língua Oficial Portuguesa”.

Jornalismo "ao vivo" em festival de Verão de "Le Monde" Ver galeria

Um festival de Verão sem estrondo de altifalantes, sem música de “fogo-de-artifício”, todo baseado na palavra, na conversa em grupo ou no diálogo directo com os jornalistas presentes. Durante o fim-de-semana de 13 a 15 de Julho, cerca de 4500 inscritos animaram a terceira edição do Festival Internacional de Jornalismo organizado pelo grupo Le Monde na localidade de Couthures, em França, à beira do rio Garonne. A aldeia não chega aos 400 habitantes, mas mais de 100 voluntários ajudaram a fazer funcionar, durante três dias, um encontro de muitos debates. Como disse Gilles van Kote, jornalista de Le Monde, a intenção era precisamente a de que tudo pudesse ser posto em questão, “sem tabus”.

O Clube
O CPI – Clube Português de Imprensa voltou a participar no Prémio  Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018,  instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura,  em cooperação com a Europa Nostra, a principal organização europeia de defesa do património,  que o CNC representa em Portugal.   O Prémio foi atribuído, este ano,  à...

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Opinião
Público: uma tradição manchada
Francisco Sarsfield Cabral
No início do corrente mês de julho os leitores do diário “Público” foram surpreendidos pela notícia de que o seu diretor, o prestigiado jornalista David Dinis, se havia demitido. Por aquilo que veio a saber-se através da comunicação social e de afirmações da administradora do jornal Cristina Soares – que é a única informação que possuo – a demissão de D. Dinis ficou a...
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Manuel Falcão
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O optimismo de Centeno
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Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
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