Sexta-feira, 15 de Dezembro, 2017
Media

Para jornalista espanhol veterano publicam-se notícias sem qualquer relevância

Depois de uma carreira de mais de meio século, quase toda passada no El País, o jornalista espanhol Juan Cruz faz um balanço preocupante: “Creio que nos desviámos dos condicionamentos fundamentais do jornalismo. Estamos no tempo da mentira, e a confusão é total. As pessoas, agora, sentem que ninguém as defende da mentira. É um problema grave, que defrontamos desajeitadamente.”

Juan Cruz recebeu o Prémio APM de Honor pelo mérito de toda uma vida profissional e pela sua “defesa intransigente do jornalismo, que tem exercido com rigor, paixão e entusiasmo”. A entrevista que citamos foi feita pela própria Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria. 

Da sua experiência de mais de quatro décadas no El País, onde continua a ser director-adjunto, recorda a importância do “Livro de Estilo” uma novidade na época, que “nos exigia que não disséssemos coisas que não sabíamos”; e do Provedor do Leitor, que podia dizer-nos que “não estavam presentes todos os elementos de uma notícia”. 

A respeito das derivas recentes, da chamada “pós-verdade” e das fake news, Juan Cruz sublinha a “dependência absoluta da verdade no jornalismo” e a importância tanto da credibilidade como da autêntica relevância das notícias: 

“Actualmente, publicamos notícias que só são notícias porque nós o dizemos, não têm qualquer relevância, não mudam a conduta dos cidadãos. São puras tretas.” (...) 

Juan Cruz critica a tendência, sobretudo na televisão mais popular, para fornecer como noticiário uma quantidade de eventos e “acontecimentos” ligeiros ou chocantes. 

“Creio que os media, e entre eles os jornais de referência, têm que procurar diminuir a atracção pela atracção. Destacar qualquer coisa que não tem importância, mas que atrai. Ler é uma responsabilidade civil, é o mais importante que o homem inventou. Embora ler só por ler possa criar monstros. Não temos que ler tudo, há coisas que lemos e nos prejudicam. Por isso, nos jornais, temos a obrigação de conduzir a leitura.” (...)

 

 

A entrevista na íntegra, na Asociación de la Prensa de Madrid

Connosco
Novo presidente da ERC abstém-se de comentar “dossier” Altice - TVI Ver galeria

Tomou posse, na Assembleia da República, o novo Conselho Regulador da ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social, tendo como presidente o juiz-conselheiro Sebastião Póvoas. Instado pelos jornalistas a pronunciar-se sobre a questão sensível da compra da Media Capital pela Altice, o magistrado afirmou: “Eu não conheço os dossiers, tomei agora posse; são dossiers complexos e eu venho de uma área em que só nos pronunciamos depois de ler, consultar, ouvir e estudar, e é assim que vou fazer.” O parecer que competia à ERC tornar público, sobre esta matéria, não chegou a ser dado por falta de acordo entre os três membros que estavam em funções até agora.

O "jornalismo - espectáculo" que condena inocentes na praça pública Ver galeria

A investigação de suspeitos de qualquer conduta ilícita ou criminal é realizada pelas autoridades judiciais, que procuram provas para instrução de processo. Tendo conhecimento dessas condutas, também os meios de comunicação fazem a necessária investigação, para apuramento dos factos e posterior publicação. Uns e outros vão cruzar-se no mesmo terreno  - contidos, de ambos os lados, pelo cumprimento da lei e pela deontologia profissional. Mas o pior pode acontecer quando agentes da autoridade e repórteres se juntam para fazer “jornalismo do espectáculo”. A jornalista Nereide Beirão parte do ocorrido em 1994, com o caso que ficou conhecido como Escola Base, em São Paulo. Descreve o que sucedeu e acrescenta o exemplo de mais alguns casos da mesma natureza. No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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