Quarta-feira, 16 de Agosto, 2017
Fórum

Na cultura digital "os dados são o petróleo do séc. XXI"

A situação actual é muito perigosa para os Media que formam a opinião pública europeia. As marcas que geram as notícias passam despercebidas nas redes sociais, e os valiosíssimos dados dos seus leitores ficam nas mãos dos gigantes norte-americanos. “Os dados são o petróleo do séc. XXI”, afirmava recentemente The Economist. É uma evidência cada vez mais segura, mas a Europa não parece estar a reagir de modo adequado. É esta a reflexão de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics.

O seu ponto de partida é a recente tomada de posição colectiva de três dezenas de grandes jornais de referência europeus contra o projecto de alteração da política de protecção de dados na União Europeia, de que damos informação noutro local deste site. Mas a sua preocupação principal vem na forma de uma dupla pergunta: 

“Por que motivo a política está, com frequência, tão afastada de questões técnicas que são chaves para o futuro da Europa? Entendem os políticos a nascente cultura digital?” 

E a resposta que encontra volta a ser preocupante, também em dois sentidos:

“Os políticos europeus estão prisioneiros de uma contradição: o mundo digital é profundamente disruptivo sobre o mundo analógico, mas os políticos vêem-se fortemente impelidos a defender os interesses do status quo estabelecido, pelo que têm grandes dificuldades em pôr as bases reguladoras da nova economia digital.” (...) 

“Os políticos padecem, além disso, de uma falta de visão estratégica para a digitalização. Esta carência, na Espanha, é dramática. A consultura Kreab organizou recentemente um encontro com representantes dos principais partidos: PP, PSOE, Cuidadanos e Podemos. Este encontro serviu para pôr em evidência até que ponto os nossos políticos estão perdidos nas suas carências digitais.” (...)

 

O texto na íntegra, em Media-tics

Connosco
Modos de combater a vigilância electrónica sobre jornalistas e as suas fontes Ver galeria

Jornalistas que tenham de trabalhar em ambientes autoritários tendem a ser alvo de vigilância electrónica. Muitos acabam por se adaptar e aceitá-la como um risco indesejado, mas inevitável na sua profissão. Ou podem tentar combatê-la. “Afinal de contas, ela ameaça a sua segurança, bem como das suas fontes, e constitui um ataque à liberdade de Imprensa e de expressão.” A reflexão é do jornalista mexicano Jorge Luis Sierra, perito em segurança digital, que adianta alguns conselhos práticos para casos destes. 

A avalancha da Internet atropelou a nossa capacidade de lidar com tantos dados Ver galeria

A grande revolução nas rotinas e normas do jornalismo foi-nos imposta, não pelo computador, mas pela Internet, quando “a avalancha informativa e as redes sociais virtuais atropelaram a capacidade das redacções processarem informações; (...) o volume cresceu em tal magnitude que se tornaram incapazes de lidar com tantos dados, factos e eventos”.

A “curadoria de notícias”, que parecia inerente ao trabalho de qualquer jornalista, tornou-se mais necessária do que nunca, mas, “como actividade lucrativa, só funciona em nichos especializados de informação”. É esta a reflexão de Carlos Castilho, ex-assessor da União Europeia para projectos de comunicação na América Central e membro da direcção do Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


O Clube Português de Imprensa fecha em Agosto para férias. E este site também. A partir de 31 de Julho e até 27 de Agosto não serão feitas as habituais actualizações diárias.

Em vésperas de fazermos esta pausa, e à semelhança do que já aconteceu no Verão passado, queremos agradecer aos jornalistas (e aos não jornalistas) pela sua preferência e que têm contribuído com as suas visitas regulares para alargar a audiência deste espaço, lançado há  menos de dois anos, com objectivo de constituir uma alternativa de informação e de reflexão sobre os jornalismo e os jornalistas, sem receio de problematizar as questões que hoje se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, tanto  às empresas editoriais como aos profissionais do sector.

São esses os conteúdos que privilegiamos, a par da cobertura das actividades do Clube, desde os ciclos de jantares-debate, em parceria com o CNC-Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o Jornal Tribuna de Macau; e ao Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, instituído pelo CNC, em conjunto com o CPI e a Europa Nostra .

No regresso prometemos mais novidades no Clube e no site. Boas Férias!   


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Opinião
Ser Jornalista
Dinis de Abreu

O jornalismo vive dias difíceis. O avanço no digital não compensa os jornais que fecham e as redacções que reduzem os quadros. Criou-se um sentimento de precariedade no oficio de jornalsita que ameaça a sua independência. Ou pior: que o coloca numa grande dependência perante as incertezas.

Uma comunicação mal comunicada
Francisco Sarsfield Cabral
A tragédia dos incêndios florestal tem evidenciado uma preocupante desorganização no seu combate. Essa desorganização também se manifesta no campo da comunicação social. A Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) anunciou há dias que passaria a concentrar a informação sobre os fogos em dois “briefings” diários na sua sede em Carnaxide – um de manhã, outro...
Dados os muitos terabytes de prosa – sólidamente negativa – com que os media globais saudaram a decisão do presidente Trump, anunciada em discurso na Casa Branca no passado dia 1 de Junho, de retirar os EUA. do Acordo de Paris, seria de esperar uma cobertura exaustiva do tema, ou seja, que nenhum aspecto ou complexidade dessa terrível ameaça para a saúde do planeta escapasse à atenção dos “opinion leaders”, em...
Num livro colectivo acabado de publicar, simultaneamente, em treze línguas e em dezenas de países espalhados pelo mundo inteiro, cuja versão francesa se intitula, significativamente, L’âge de la Régression: Pourquoi nous vivons un tournant historique[1], Appadurai disserta sobre o «sentimento de cansaço» que, na sua opinião domina a esfera pública. Sentimento de cansaço relativamente à forma de fazer...
Fim de semana alucinante, sábado épico, jornada inédita. Muito se tem chamado a este 13 de maio, dia de Fátima, do Santo Padre, do anjo Vitória e do arcanjo Sobral. As notícias, as reportagens, os diretos. O frenesim tem sido imenso. Aliás já começou há uns dias. Amanhã, depois do nascer do sol, era bom que houvesse alguma reflexão sobre o que se passou. Será que tanta agitação na...
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