Quarta-feira, 18 de Julho, 2018
Fórum

Os "deslizes do jornalismo" como tema de debate no Brasil

Três jornalistas brasileiros estiveram juntos numa entrevista sobre “os deslizes do jornalismo”  - quando ele erra, quando se precipita, quando publica sem tomar o tempo de investigar. As consequências estão à vista e dividem a classe profissional, a classe política e o público, naturalmente. Conclusão provisória em situações destas, dada por Paula Cesarino, provedora do leitor de A Folha de S. Paulo: “A Imprensa tem que ter mais desconfiança. É saudável a desconfiança do que a Procuradoria fala e do que a defesa fala.”

Muitos problemas resultam dessa pressa em publicar, da natureza parcial das primeiras impressões. Como diz Paula Cesarino: 

“Você tem o desafio da concorrência. Será que você precisa colocar imediatamente e mais rápido que os outros? Sem ter lido, sem ter o mínimo de reflexão, de calma? O que é melhor para o leitor? É ter uma informação mais rápida, mas menos precisa? Ou você ter um pouco mais de tempo para poder dar uma informação de maior qualidade?”

 

Por palavras diferentes, os três jornalistas neste debate acabam por estar de acordo em que todos os intervenientes no processo relatado  - da transcrição de uma frase gravada de Michel Temer, sem o contexto e o resto do discurso, agravada pela prontidão da interpretação que circulou -  não ficaram na posse de uma verdade incontestável.

 

São eles, além da já referida Paula Cesarino, o repórter da Agência Pública, Lucas Ferraz, que faz a entrevista, e o editor do Nexo Jornal, João Paulo Charleaux. A sua conversa, divulgada primeiramente pela Agência Pública, é reproduzida no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

 

A segunda questão vem da origem das fugas de informação que são lançadas para as primeiras páginas, e que saem da “parte acusatória”, a Procuradoria-Geral da República, ou da “delação premiada”, a qual, “pelo que vai se descobrindo, premeia o exagero, aparentemente”. 

João Paulo Charleaux declara que trabalhou neste assunto “e ficou forte para mim a cronologia”. Descreve em pormenor o que ia aparecendo nas primeiras horas do escândalo, a seguir à revelação de O Globo

“A fonte era, até então, uma só. Só depois é que aparece o áudio que, efectivamente, não fala na palavra mesada, na palavra dinheiro, propina… É um diálogo muito menos assertivo, o que fez com que a Folha de S.Paulo dissesse que era um diálogo inconclusivo. A pergunta que a gente se fazia era: de onde veio essa constatação inicial tão forte de que se tratava de um relato de dinheiro? Era uma interpretação de quem? Só então veio o documento da PGR, onde no início se diz que aos 11 minutos e não sei quantos segundos existe um diálogo entre Joesley e o presidente Michel Temer… e aí o procurador preenche as lacunas e afirma que esse trecho do diálogo diz respeito ao pagamento mensal de dinheiro pro Cunha etc. e tal.” (...) 

Sendo embora uma selecção dos “principais trechos”, o discurso do debate, agora proporcionado pelo Observatório da Imprensa, é uma reflexão entre profissionais sobre as fraquezas do seu ofício, uma admissão de erros cometidos e uma reafirmação dos princípios deontológicos a que é sempre necessário voltar: não publicar antes de estar seguro dos factos, ouvir todas as partes envolvidas e assumir prontamente a correcção dos erros publicados.

 

O texto da entrevista, que inclui um vídeo da Agência Pública sobre a mesma e o tema que está na sua origem

 

Connosco
CPI e "Tribuna de Macau" instituem Prémios de Ensaio e de Jornalismo da Lusofonia Ver galeria

O Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído há um ano por iniciativa do jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, com o patrocínio da Fundação Jorge Álvares e o apoio do JL – Jornal de Artes, Letras e Ideias, reparte-se, nesta sua segunda edição, por dois: um aberto a textos originais, que passa a designar-se o Prémio Ensaio da Lusofonia, e outro que mantém o título de Prémio de Jornalismo da Lusofonia, destinado a textos já publicados, em suporte papel ou digital.

Mantém-se o espírito original de distinguir trabalhos “no quadro do desejado aprofundamento de todos os aspectos ligados à Língua Portuguesa, com relevo para a singularidade do posicionamento de Macau no seu papel de plataforma de ligação entre países de Língua Oficial Portuguesa”.

Jornalismo "ao vivo" em festival de Verão de "Le Monde" Ver galeria

Um festival de Verão sem estrondo de altifalantes, sem música de “fogo-de-artifício”, todo baseado na palavra, na conversa em grupo ou no diálogo directo com os jornalistas presentes. Durante o fim-de-semana de 13 a 15 de Julho, cerca de 4500 inscritos animaram a terceira edição do Festival Internacional de Jornalismo organizado pelo grupo Le Monde na localidade de Couthures, em França, à beira do rio Garonne. A aldeia não chega aos 400 habitantes, mas mais de 100 voluntários ajudaram a fazer funcionar, durante três dias, um encontro de muitos debates. Como disse Gilles van Kote, jornalista de Le Monde, a intenção era precisamente a de que tudo pudesse ser posto em questão, “sem tabus”.

O Clube
O CPI – Clube Português de Imprensa voltou a participar no Prémio  Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018,  instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura,  em cooperação com a Europa Nostra, a principal organização europeia de defesa do património,  que o CNC representa em Portugal.   O Prémio foi atribuído, este ano,  à...

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Opinião
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No início do corrente mês de julho os leitores do diário “Público” foram surpreendidos pela notícia de que o seu diretor, o prestigiado jornalista David Dinis, se havia demitido. Por aquilo que veio a saber-se através da comunicação social e de afirmações da administradora do jornal Cristina Soares – que é a única informação que possuo – a demissão de D. Dinis ficou a...
Ao ler no centenário “Diário de Noticias” a noticia da extinção formal da sua edição em papel, de Segunda–Feira a Sábado , a partir de Julho, fica a saber-se que o seu actual director, o  jornalista Ferreira Fernandes, entrou em “oito cafés(…) a caminho do cinema S. Jorge onde decorreu a apresentação do novo jornal” e só “contou três pessoas a ler o jornal em...
Boa ideia, Pedro
Manuel Falcão
Trabalhei um pouco mais de dois anos literalmente lado a lado com o Pedro Rolo Duarte no Se7e, dividíamos a direcção. Partilhávamos uma sala onde todos os dias fabricávamos ideias para fazer ressuscitar o jornal e agitar as águas, que era uma coisa que nos entretinha bastante. Foram dois anos de intensas e produtivas discussões, de muita criatividade e de várias crises - e sempre nos apoiámos mutuamente dos ataques que...
O optimismo de Centeno
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