Sexta-feira, 18 de Janeiro, 2019
Fórum

O imediatismo como adversário da informação digital

A grande debilidade da informação digital é que, “geralmente, se difunde sem fontes”. A outra é o imediatismo. A tecnologia “quase conseguiu suprimir a categoria tempo”, mas “a notícia completa, como o pensamento, necessita de tempo”. É esta a reflexão de Javier Darío Restrepo, jornalista colombiano com mais de 50 anos de carreira, director do Consultório Ético da Fundação Gabriel García Márquez para o Novo Jornalismo Iberoamericano (FNPI) desde 1995.

Interrogado sobre qual foi o primeiro dilema ético que enfrentou, responde que “é o dos efeitos que pode gerar uma informação”, citando o caso de uma avalanche que matou 20 mil pessoas, ou o que acontece em cenários de guerra:  “O dilema era  - informar primeiro para gerar impacto ou pensar primeiro nos efeitos possíveis e depois informar?” 

As questões que são postas ao seu Consultório Ético da FNPI “indicam os temas de responsabilidade como os mais frequentes. E entre eles os que representam as imagens de violência: Devemos usá-las? Como? E como substituí-las?” 

Pelo meio da entrevista, que aqui citamos de ObjEthos – Observatório da Ética Jornalística, do Brasil, Javier Darío Restrepo tem palavras fortes sobre a ética como caminho para a excelência: 

“Acabo de ler em Paul Ricoeur que, se o homem tem história, é porque trabalha. São inseparáveis o ser e o fazer. Portanto, a excelência pessoal corresponde à excelência em fazer, no exercício profissional. A ética como vocação para a excelência afasta o jornalista, definitivamente, do fazer rotineiro e do medíocre, e exige sempre o grau máximo de qualidade profissional.” 

A concluir, tem uma exortação sobre “o fortalecimento da liberdade pessoal a partir da convicção de que a liberdade não nos é dada por ninguém, nem retirada”: 

“Os governos devem limitar-se a não desordená-la e o jornalista deve tomar consciência de que a liberdade é um trabalho pessoal e constante. Nunca se tem a liberdade, sempre se planeja construí-la, porque quando ela não cresce, decresce.” 


A entrevista na íntegra, em ObjEthos, e o site da FNPI

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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Opinião
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