Sexta-feira, 22 de Março, 2019
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O imediatismo como adversário da informação digital

A grande debilidade da informação digital é que, “geralmente, se difunde sem fontes”. A outra é o imediatismo. A tecnologia “quase conseguiu suprimir a categoria tempo”, mas “a notícia completa, como o pensamento, necessita de tempo”. É esta a reflexão de Javier Darío Restrepo, jornalista colombiano com mais de 50 anos de carreira, director do Consultório Ético da Fundação Gabriel García Márquez para o Novo Jornalismo Iberoamericano (FNPI) desde 1995.

Interrogado sobre qual foi o primeiro dilema ético que enfrentou, responde que “é o dos efeitos que pode gerar uma informação”, citando o caso de uma avalanche que matou 20 mil pessoas, ou o que acontece em cenários de guerra:  “O dilema era  - informar primeiro para gerar impacto ou pensar primeiro nos efeitos possíveis e depois informar?” 

As questões que são postas ao seu Consultório Ético da FNPI “indicam os temas de responsabilidade como os mais frequentes. E entre eles os que representam as imagens de violência: Devemos usá-las? Como? E como substituí-las?” 

Pelo meio da entrevista, que aqui citamos de ObjEthos – Observatório da Ética Jornalística, do Brasil, Javier Darío Restrepo tem palavras fortes sobre a ética como caminho para a excelência: 

“Acabo de ler em Paul Ricoeur que, se o homem tem história, é porque trabalha. São inseparáveis o ser e o fazer. Portanto, a excelência pessoal corresponde à excelência em fazer, no exercício profissional. A ética como vocação para a excelência afasta o jornalista, definitivamente, do fazer rotineiro e do medíocre, e exige sempre o grau máximo de qualidade profissional.” 

A concluir, tem uma exortação sobre “o fortalecimento da liberdade pessoal a partir da convicção de que a liberdade não nos é dada por ninguém, nem retirada”: 

“Os governos devem limitar-se a não desordená-la e o jornalista deve tomar consciência de que a liberdade é um trabalho pessoal e constante. Nunca se tem a liberdade, sempre se planeja construí-la, porque quando ela não cresce, decresce.” 


A entrevista na íntegra, em ObjEthos, e o site da FNPI

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O jornalismo entre os "apóstolos da certeza" e a "política da dúvida" Ver galeria

Há uma grande diferença entre um jornalismo “de elite” e aquele que vive dependente do clickbait. Há uma grande diferença, temporal, entre o que se faz hoje e o que se fazia há poucos anos  - tratando-se de tecnologia digital, “o que aconteceu há cinco anos é história”. E há uma grande diferença entre entender o que está a acontecer aos jornalistas e entender o que os jornalistas acham que lhes está a acontecer.

A reflexão inicial é de C.W. Anderson, que se define como um etnógrafo dedicado a estudar o modo como o jornalismo está a mudar com o tempo. Foi co-autor, com Emily Bell e Clay Shirky, do Relatório do Jornalismo Pós-Industrial, em 2012, na Universidade de Columbia. O seu trabalho mais recente é Apóstolos da Certeza: Jornalismo de Dados e a Política da Dúvida, livro em que analisa como a ideia de jornalismo de dados mudou ao longo do tempo.

Cidadão dos EUA, C.W. Anderson é hoje professor na Escola de Jornalismo da Universidade de Leeds, no Reino Unido. A entrevista que aqui citamos foi publicada no Farol Jornalismo, do Medium, e reproduzida no Obervatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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