Quarta-feira, 18 de Julho, 2018
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O imediatismo como adversário da informação digital

A grande debilidade da informação digital é que, “geralmente, se difunde sem fontes”. A outra é o imediatismo. A tecnologia “quase conseguiu suprimir a categoria tempo”, mas “a notícia completa, como o pensamento, necessita de tempo”. É esta a reflexão de Javier Darío Restrepo, jornalista colombiano com mais de 50 anos de carreira, director do Consultório Ético da Fundação Gabriel García Márquez para o Novo Jornalismo Iberoamericano (FNPI) desde 1995.

Interrogado sobre qual foi o primeiro dilema ético que enfrentou, responde que “é o dos efeitos que pode gerar uma informação”, citando o caso de uma avalanche que matou 20 mil pessoas, ou o que acontece em cenários de guerra:  “O dilema era  - informar primeiro para gerar impacto ou pensar primeiro nos efeitos possíveis e depois informar?” 

As questões que são postas ao seu Consultório Ético da FNPI “indicam os temas de responsabilidade como os mais frequentes. E entre eles os que representam as imagens de violência: Devemos usá-las? Como? E como substituí-las?” 

Pelo meio da entrevista, que aqui citamos de ObjEthos – Observatório da Ética Jornalística, do Brasil, Javier Darío Restrepo tem palavras fortes sobre a ética como caminho para a excelência: 

“Acabo de ler em Paul Ricoeur que, se o homem tem história, é porque trabalha. São inseparáveis o ser e o fazer. Portanto, a excelência pessoal corresponde à excelência em fazer, no exercício profissional. A ética como vocação para a excelência afasta o jornalista, definitivamente, do fazer rotineiro e do medíocre, e exige sempre o grau máximo de qualidade profissional.” 

A concluir, tem uma exortação sobre “o fortalecimento da liberdade pessoal a partir da convicção de que a liberdade não nos é dada por ninguém, nem retirada”: 

“Os governos devem limitar-se a não desordená-la e o jornalista deve tomar consciência de que a liberdade é um trabalho pessoal e constante. Nunca se tem a liberdade, sempre se planeja construí-la, porque quando ela não cresce, decresce.” 


A entrevista na íntegra, em ObjEthos, e o site da FNPI

Connosco
CPI e "Tribuna de Macau" instituem Prémios de Ensaio e de Jornalismo da Lusofonia Ver galeria

O Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído há um ano por iniciativa do jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, com o patrocínio da Fundação Jorge Álvares e o apoio do JL – Jornal de Artes, Letras e Ideias, reparte-se, nesta sua segunda edição, por dois: um aberto a textos originais, que passa a designar-se o Prémio Ensaio da Lusofonia, e outro que mantém o título de Prémio de Jornalismo da Lusofonia, destinado a textos já publicados, em suporte papel ou digital.

Mantém-se o espírito original de distinguir trabalhos “no quadro do desejado aprofundamento de todos os aspectos ligados à Língua Portuguesa, com relevo para a singularidade do posicionamento de Macau no seu papel de plataforma de ligação entre países de Língua Oficial Portuguesa”.

Jornalismo "ao vivo" em festival de Verão de "Le Monde" Ver galeria

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