Quinta-feira, 19 de Outubro, 2017
Estudo

A “verificação dos factos”, os limites da eficácia e os "curto-circuitos" mentais

Ninguém pode recordar todas as coisas durante todo o tempo, por isso usamos uma espécie de “curto-circuitos” mentais. É mais provável que julguemos verdadeira determinada coisa se a encontrarmos com mais frequência. Uma frase disparatada, como  - “Um sari é a saia que os homens usam na Escócia” -  lida a partir da segunda vez, torna mais provável que as pessoas a aceitem como verdadeira do que à primeira. É a partir daqui que Alexios Mantzarlis, especializado em verificação de factos no Poynter Institute, parte para uma reflexão sobre o papel da repetição em todo este problema.

Num estudo elaborado por psicólogos na Universidade de Western Australia chegou-se à conclusão de que explicações mais detalhadas ajudam as pessoas a recordar durante mais tempo as correcções feitas, mas que os indivíduos acima dos 65 anos são comparativamente piores a manter a informação correctiva (isto é, são mais propensos a voltar a lembrar o mito como sendo facto). 

Um dos problemas que se põem a todos os fact-checkers é que, para corrigir uma falsa afirmação, é preciso identificá-la, portanto afirmá-la outra vez.   

Mas os psicólogos referidos neste estudo assentam em pelo menos duas conclusões:

  1. -  "Os fact-checks detalhados são mais eficientes. No caso deste estudo, as explicações detalhadas continham apenas três ou quatro frases, o que é relativamente curto para ser esclarecido pelos fact-checkers. Mas sugere que os títulos, ou os tweets, por si sós podem não ser tão eficientes para corrigir uma percepção errada."
  2. -  "Os fact-checkers podem ter de repetir frequentemente as suas correcções, para conseguirem contrariar a regressão à ideia de que o mito é um facto, que todos experienciamos ao longo do tempo. O estudo reconhece que esta recomendação é ‘um tanto irónica’, mas o tornar a correcção mais familiar aos leitores pode valer o inconveniente de lhes lembrar o mito que está por baixo."


Apesar deste esforço, estudos feitos sobre eleitores, tanto em França como nos Estados Unidos, concluíram que o fact-checking “corrigiu as crenças das pessoas, mas não reduziu a sua inclinação para votarem no candidato apanhado a mentir”. (...)

 

O artigo original, na íntegra, em Poynter.org

Connosco
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O Clube

Está formado o Júri que vai apreciar os trabalhos concorrentes ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído pelo Clube Português de Imprensa (CPI) e pelo Jornal Tribuna de Macau (JTM),  com o apoio da Fundação Jorge Álvares.

O Júri será presidido por Dinis de Abreu, em representação do CPI, e integrado pelos jornalistas José Rocha Diniz, fundador e administrador do Jornal Tribuna de Macau, José Carlos de Vasconcelos, director do JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias, Carlos Magno, pela Fundação Jorge Álvares e por José António Silva Pires, também do CPI.


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