Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Estudo

A “verificação dos factos”, os limites da eficácia e os "curto-circuitos" mentais

Ninguém pode recordar todas as coisas durante todo o tempo, por isso usamos uma espécie de “curto-circuitos” mentais. É mais provável que julguemos verdadeira determinada coisa se a encontrarmos com mais frequência. Uma frase disparatada, como  - “Um sari é a saia que os homens usam na Escócia” -  lida a partir da segunda vez, torna mais provável que as pessoas a aceitem como verdadeira do que à primeira. É a partir daqui que Alexios Mantzarlis, especializado em verificação de factos no Poynter Institute, parte para uma reflexão sobre o papel da repetição em todo este problema.

Num estudo elaborado por psicólogos na Universidade de Western Australia chegou-se à conclusão de que explicações mais detalhadas ajudam as pessoas a recordar durante mais tempo as correcções feitas, mas que os indivíduos acima dos 65 anos são comparativamente piores a manter a informação correctiva (isto é, são mais propensos a voltar a lembrar o mito como sendo facto). 

Um dos problemas que se põem a todos os fact-checkers é que, para corrigir uma falsa afirmação, é preciso identificá-la, portanto afirmá-la outra vez.   

Mas os psicólogos referidos neste estudo assentam em pelo menos duas conclusões:

  1. -  "Os fact-checks detalhados são mais eficientes. No caso deste estudo, as explicações detalhadas continham apenas três ou quatro frases, o que é relativamente curto para ser esclarecido pelos fact-checkers. Mas sugere que os títulos, ou os tweets, por si sós podem não ser tão eficientes para corrigir uma percepção errada."
  2. -  "Os fact-checkers podem ter de repetir frequentemente as suas correcções, para conseguirem contrariar a regressão à ideia de que o mito é um facto, que todos experienciamos ao longo do tempo. O estudo reconhece que esta recomendação é ‘um tanto irónica’, mas o tornar a correcção mais familiar aos leitores pode valer o inconveniente de lhes lembrar o mito que está por baixo."


Apesar deste esforço, estudos feitos sobre eleitores, tanto em França como nos Estados Unidos, concluíram que o fact-checking “corrigiu as crenças das pessoas, mas não reduziu a sua inclinação para votarem no candidato apanhado a mentir”. (...)

 

O artigo original, na íntegra, em Poynter.org

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
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