Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Media

Há um jornalismo que se reinventa nos EUA atraindo profissionais jovens e veteranos

Estão a nascer novos jornais locais nos Estados Unidos, feitos por jovens empresários que misturam um pouco de várias coisas para criar a sua própria audiência: eventos de natureza cultural ou de entretenimento, newsletters que respondam às expectativas dos leitores. O noticiário acaba por ser uma mistura disso com conteúdos patrocinados e uma intuição comum: estabelecer contactos. Como explica Gordon Borrell, analista dos media, “é complicado pôr online notícias locais”; o custo é elevado e não gera receita suficiente, “mas gera uma audiência com a qual se podem fazer outras coisas”.

O artigo que citamos, da Columbia Journalism Review, toma como primeiro entrevistado Chris Sopher, de 28 anos, administrador de The New Tropic, uma publicação em Miami, com dois anos de existência, cujo modelo de negócio depende sobretudo da produção de projectos não tradicionais como eventos públicos entre o cultural e o entretenimento, mas que “levem as pessoas a prestar atenção”. 

“Em 2015 nasceram três projectos semelhantes, no espaço de poucos meses. O seu alvo é a geração dos millennials e outras pessoas curiosas e socialmente activas, vivendo em cidades, por meio de publicações online que chegam geralmente na forma de newsletters de diálogo, por e-mail, e de posts nas redes sociais, para além dos requeridos websites.  Chris Sopher lançou uma start-up local chamada WhereBy.Us, cuja primeira publicação foi The New Tropic.” (...) 

Há o caso de Jim Brady, vindo do WashingtonPost.com, que lançou Billy Penn, com website e newsletter, em Filadélfia; a sua empresa, Spirited Media, acrescentou depois uma publicação em Pittsburgh, chamada The Incline. Há o caso de Ted Williams, que deixou o cargo de director de estratégia digital do Charlotte Observer para criar uma publicação concorrente, com o título de Charlotte Agenda

Um ano mais tarde, em 2016, Gordon Crovitz veio do Wall Street Journal para lançar Denverite, mais um website com newsletter publicando noticiário local e relatos de eventos em Denver.  

O que os leitores destes novos projectos procuram neles pode não ser jornalismo no sentido próprio do termo, nem mesmo a cultura musical associada aos eventos referidos. O autor do artigo que citamos conta que o seu condutor da Uber, que tem tentado a música e as empresas tecnológicas, lhe disse que é assinante de The New Tropic porque o faz sentir-se em contacto com o meio de Miami: “Eu tenho um sonho de um bilião de dólares” – disse ele. “A música não faz ninguém bilionário. Encontrar as pessoas e fazer contactos é que faz bilionários.” (...)

 

O artigo original, na íntegra, na Columbia Journalism Review, a que pertence também a imagem utilizada

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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