Sexta-feira, 16 de Novembro, 2018
Media

Há um jornalismo que se reinventa nos EUA atraindo profissionais jovens e veteranos

Estão a nascer novos jornais locais nos Estados Unidos, feitos por jovens empresários que misturam um pouco de várias coisas para criar a sua própria audiência: eventos de natureza cultural ou de entretenimento, newsletters que respondam às expectativas dos leitores. O noticiário acaba por ser uma mistura disso com conteúdos patrocinados e uma intuição comum: estabelecer contactos. Como explica Gordon Borrell, analista dos media, “é complicado pôr online notícias locais”; o custo é elevado e não gera receita suficiente, “mas gera uma audiência com a qual se podem fazer outras coisas”.

O artigo que citamos, da Columbia Journalism Review, toma como primeiro entrevistado Chris Sopher, de 28 anos, administrador de The New Tropic, uma publicação em Miami, com dois anos de existência, cujo modelo de negócio depende sobretudo da produção de projectos não tradicionais como eventos públicos entre o cultural e o entretenimento, mas que “levem as pessoas a prestar atenção”. 

“Em 2015 nasceram três projectos semelhantes, no espaço de poucos meses. O seu alvo é a geração dos millennials e outras pessoas curiosas e socialmente activas, vivendo em cidades, por meio de publicações online que chegam geralmente na forma de newsletters de diálogo, por e-mail, e de posts nas redes sociais, para além dos requeridos websites.  Chris Sopher lançou uma start-up local chamada WhereBy.Us, cuja primeira publicação foi The New Tropic.” (...) 

Há o caso de Jim Brady, vindo do WashingtonPost.com, que lançou Billy Penn, com website e newsletter, em Filadélfia; a sua empresa, Spirited Media, acrescentou depois uma publicação em Pittsburgh, chamada The Incline. Há o caso de Ted Williams, que deixou o cargo de director de estratégia digital do Charlotte Observer para criar uma publicação concorrente, com o título de Charlotte Agenda

Um ano mais tarde, em 2016, Gordon Crovitz veio do Wall Street Journal para lançar Denverite, mais um website com newsletter publicando noticiário local e relatos de eventos em Denver.  

O que os leitores destes novos projectos procuram neles pode não ser jornalismo no sentido próprio do termo, nem mesmo a cultura musical associada aos eventos referidos. O autor do artigo que citamos conta que o seu condutor da Uber, que tem tentado a música e as empresas tecnológicas, lhe disse que é assinante de The New Tropic porque o faz sentir-se em contacto com o meio de Miami: “Eu tenho um sonho de um bilião de dólares” – disse ele. “A música não faz ninguém bilionário. Encontrar as pessoas e fazer contactos é que faz bilionários.” (...)

 

O artigo original, na íntegra, na Columbia Journalism Review, a que pertence também a imagem utilizada

Connosco
Bettany Hugues, prémio Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hugues, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hugues como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
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Francisco Sarsfield Cabral
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