null, 25 de Junho, 2017
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O dilema de proteger as fontes jornalísticas na era digital

“Os jornalistas têm de lutar com mais dificuldades do que nunca para protegerem as suas fontes, e estas ficam cada vez mais relutantes em falar. Este ambiente torna a reportagem mais lenta e menos frutuosa.” Esta conclusão é da Human Rights Watch, mas há mais organizações a estudar o fenómeno, chegando a resultados semelhantes. O Pew Research Center também fez a sua investigação sobre “percepções de vulnerabilidade e alterações de comportamento” entre os jornalistas de investigação, e a UNESCO publicou um relatório sobre “Protecção das Fontes na Era Digital”.

A chegada da informática foi, no entanto, saudada como uma espécie de movimento de libertação. Gerard Ryle, director do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (conhecido pela sigla ICIJ, e famoso pelo tratamento dos Panama Papers), disse que a era digital seria uma “Idade de Ouro para o Jornalismo”: 

“A tecnologia torna possível que a informação seja divulgada a uma vasta escala, que não poderia ter sido imaginada. Para mim, como jornalista, estes tempos são de euforia [boom times, no original], porque podemos colher informação incrivelmente detalhada e notícias que não era possível obter antes.” 

O outro lado deste desenvolvimento é que ele teve consequências para “o jornalismo depois de Snowden”.

Daoud Kuttab, fundador da Arabic Media Internet Network, sintetiza os dois aspectos da questão:

“Por um lado, eu acho que acelerou e alargou a quantidade de dados que ficam acessíveis a toda a gente, e tornou muito fácil transferir informação e documentos. Mas, ao mesmo tempo, os governos são também capazes de invadir a nossa privacidade muito mais facilmente, e colher informação.”

Martin Baron, famoso pelo seu papel na equipa Spotlight, do Boston Globe, e hoje director do Washington Post, explica como estas preocupações alteraram o comportamento dos profissionais, durante a cobertura do material de Snowden: 

“Eu não esperava que tivéssemos de chegar a comunicar uns com os outros de forma cifrada e, no entanto, foi isso mesmo que sucedeu. Em muitas ocasiões, quando nos reuníamos toda a gente desligava os telemóveis, ou nem sequer os levava consigo.” 

Alan Rusbridger, que foi editor principal do The Guardian, põe em causa que o jornalismo de investigação baseado em fontes confidenciais ainda seja possível na era digital  - a menos que os jornalistas regressem ao básico: 

“Eu sei que o jornalismo de investigação já acontecia antes da invenção do telefone, e acho que estamos a voltar literalmente a essa idade, quando a única coisa segura que havia era o contacto face a face, envelopes cinzentos, encontros em parques, esse tipo de coisas.”

 

O artigo na íntegra, no site da GIJN, e o relatório da UNESCO aqui referido

Connosco
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Portugal aparece no segundo lugar entre os países europeus, logo a seguir à Finlândia, no índice de confiança nas notícias (ficando o Brasil entre os dois). A Finlândia atinge os 62%, Portugal chega aos 58%, e os países mais em baixo, Grécia e Coreia do Sul, ficam nos 23%. Estes são alguns números do Digital News Report 2017 do Reuters Institute, que sublinha no texto de sumário que “a revolução digital está cheia de contradições e excepções” e que as diferenças para cada país podem ser procuradas nas páginas que lhes são dedicadas, no desenvolvimento do relatório.

O Clube

 
O Prémio de Jornalismo da Lusofonia é a nova iniciativa promovida pelo Clube Português de Imprensa (CPI) em parceria com o Jornal Tribuna de Macau (JTM), no quadro das comorações que assinalam o 35º aniversário daquele diário de língua portuguesa em Macau.

Com o valor de 10 mil euros e periodicidade anual, o Prémio será atribuído por um Júri constituído por representantes do CPI, do JTM e por personalidades de reconhecido mérito na área do jornalismo ou que se tenham distinguido na defesa, divulgação ou ensino da Língua Portuguesa no Mundo.

Trata-se, pois, de um novo Prémio que, de acordo com o respectivo Regulamento (que inserimos noutro espaço deste site) se destina “a jornalistas e à Imprensa de Língua Portuguesa de todo o Mundo, em suporte papel ou digital”. 


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Há dias um jornalista que foi director de um  antigo jornal de referência, em acelerado processo de definhamento, interrogava-se sobre o futuro próximo da Imprensa em suporte de papel e profetizava , sem mencionar, que um dos diários nacionais “terá de tomar a traumática – talvez acertada, certamente inevitável -- decisão de fechar as edições em papel durante a semana, mantendo apenas as edições...
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Agenda
11
Jul
Exposição de Jornais Centenários em Bruxelas
09:00 @ Parlamento Europeu, Bruxelas
12
Jul
Curso de Verão “Jornalismo de Investigação”
09:00 @ Universidade Internacional Menéndez Pelayo, Santander
13
Jul
Westminster Media Forum
09:00 @ Central London, Londres
27
Jul
Festival de Jornalismos de Verão
09:00 @ Couthures, França