Quarta-feira, 18 de Julho, 2018
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O dilema de proteger as fontes jornalísticas na era digital

“Os jornalistas têm de lutar com mais dificuldades do que nunca para protegerem as suas fontes, e estas ficam cada vez mais relutantes em falar. Este ambiente torna a reportagem mais lenta e menos frutuosa.” Esta conclusão é da Human Rights Watch, mas há mais organizações a estudar o fenómeno, chegando a resultados semelhantes. O Pew Research Center também fez a sua investigação sobre “percepções de vulnerabilidade e alterações de comportamento” entre os jornalistas de investigação, e a UNESCO publicou um relatório sobre “Protecção das Fontes na Era Digital”.

A chegada da informática foi, no entanto, saudada como uma espécie de movimento de libertação. Gerard Ryle, director do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (conhecido pela sigla ICIJ, e famoso pelo tratamento dos Panama Papers), disse que a era digital seria uma “Idade de Ouro para o Jornalismo”: 

“A tecnologia torna possível que a informação seja divulgada a uma vasta escala, que não poderia ter sido imaginada. Para mim, como jornalista, estes tempos são de euforia [boom times, no original], porque podemos colher informação incrivelmente detalhada e notícias que não era possível obter antes.” 

O outro lado deste desenvolvimento é que ele teve consequências para “o jornalismo depois de Snowden”.

Daoud Kuttab, fundador da Arabic Media Internet Network, sintetiza os dois aspectos da questão:

“Por um lado, eu acho que acelerou e alargou a quantidade de dados que ficam acessíveis a toda a gente, e tornou muito fácil transferir informação e documentos. Mas, ao mesmo tempo, os governos são também capazes de invadir a nossa privacidade muito mais facilmente, e colher informação.”

Martin Baron, famoso pelo seu papel na equipa Spotlight, do Boston Globe, e hoje director do Washington Post, explica como estas preocupações alteraram o comportamento dos profissionais, durante a cobertura do material de Snowden: 

“Eu não esperava que tivéssemos de chegar a comunicar uns com os outros de forma cifrada e, no entanto, foi isso mesmo que sucedeu. Em muitas ocasiões, quando nos reuníamos toda a gente desligava os telemóveis, ou nem sequer os levava consigo.” 

Alan Rusbridger, que foi editor principal do The Guardian, põe em causa que o jornalismo de investigação baseado em fontes confidenciais ainda seja possível na era digital  - a menos que os jornalistas regressem ao básico: 

“Eu sei que o jornalismo de investigação já acontecia antes da invenção do telefone, e acho que estamos a voltar literalmente a essa idade, quando a única coisa segura que havia era o contacto face a face, envelopes cinzentos, encontros em parques, esse tipo de coisas.”

 

O artigo na íntegra, no site da GIJN, e o relatório da UNESCO aqui referido

Connosco
CPI e "Tribuna de Macau" instituem Prémios de Ensaio e de Jornalismo da Lusofonia Ver galeria

O Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído há um ano por iniciativa do jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, com o patrocínio da Fundação Jorge Álvares e o apoio do JL – Jornal de Artes, Letras e Ideias, reparte-se, nesta sua segunda edição, por dois: um aberto a textos originais, que passa a designar-se o Prémio Ensaio da Lusofonia, e outro que mantém o título de Prémio de Jornalismo da Lusofonia, destinado a textos já publicados, em suporte papel ou digital.

Mantém-se o espírito original de distinguir trabalhos “no quadro do desejado aprofundamento de todos os aspectos ligados à Língua Portuguesa, com relevo para a singularidade do posicionamento de Macau no seu papel de plataforma de ligação entre países de Língua Oficial Portuguesa”.

Jornalismo "ao vivo" em festival de Verão de "Le Monde" Ver galeria

Um festival de Verão sem estrondo de altifalantes, sem música de “fogo-de-artifício”, todo baseado na palavra, na conversa em grupo ou no diálogo directo com os jornalistas presentes. Durante o fim-de-semana de 13 a 15 de Julho, cerca de 4500 inscritos animaram a terceira edição do Festival Internacional de Jornalismo organizado pelo grupo Le Monde na localidade de Couthures, em França, à beira do rio Garonne. A aldeia não chega aos 400 habitantes, mas mais de 100 voluntários ajudaram a fazer funcionar, durante três dias, um encontro de muitos debates. Como disse Gilles van Kote, jornalista de Le Monde, a intenção era precisamente a de que tudo pudesse ser posto em questão, “sem tabus”.

O Clube
O CPI – Clube Português de Imprensa voltou a participar no Prémio  Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018,  instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura,  em cooperação com a Europa Nostra, a principal organização europeia de defesa do património,  que o CNC representa em Portugal.   O Prémio foi atribuído, este ano,  à...

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Opinião
Público: uma tradição manchada
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Ao ler no centenário “Diário de Noticias” a noticia da extinção formal da sua edição em papel, de Segunda–Feira a Sábado , a partir de Julho, fica a saber-se que o seu actual director, o  jornalista Ferreira Fernandes, entrou em “oito cafés(…) a caminho do cinema S. Jorge onde decorreu a apresentação do novo jornal” e só “contou três pessoas a ler o jornal em...
Boa ideia, Pedro
Manuel Falcão
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O optimismo de Centeno
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