Quinta-feira, 19 de Outubro, 2017
Estudo

Os algoritmos tomaram poder a mais. Poderemos metê-los na ordem?

Os algoritmos estão por todo o lado na nossa vida de todos os dias, e exercem muito poder na sociedade. “Eles arrumam por ordem de prioridade, classificam, ligam e filtram informação, e estão sempre a tomar decisões por nós, automaticamente.” Uma questão que nos interessa: estes algoritmos serão imparciais? Podemos chamá-los à responsabilidade? Há uma área, no jornalismo de investigação, que está a pensar nisso. Podemos “picar” os algoritmos e tentar perceber como eles “respondem”. Esta reflexão é de Nicholas Diakopoulos, assistente na Universidade de Maryland, um investigador interessado na responsabilização dos algoritmos.

As polémicas em volta deste assunto são recentes e têm a ver com eleições e referendos. Já foi demonstrado que, “beliscando os algoritmos na fonte do fluxo noticioso do Facebook, é possível influenciar o sentido dos votantes nas eleições americanas”. Já agora, “se Mark Zuckerberg quiser algum dia concorrer à Presidência, teoricamente teria uma ferramenta com um poder enorme à sua disposição”... 

Sobre a questão da justiça e imparcialidade dos algoritmos, o autor do artigo que citamos conta dois episódios de possível discriminação racial  -  um deles é a “análise de risco” calculada para outorgar a saída condicional de um preso, ou os tempos de espera da Uber em Washington, num bairro maioritariamente branco ou não. 

“Há uma quantidade de jornalismo de investigação que ainda pode ser feito neste campo. De modo geral, tentando ‘picar’ os algoritmos para ver como respondem  - fazendo a relação entre consequência e causa [output & input, no original] -  podemos tentar perceber de que modo eles funcionam. Jornalistas de investigação podem entrar neste jogo, recolher e analisar os dados e determinar se os resultados são justos ou discriminatórios. Ou talvez eles conduzam a outras consequências negativas ou indesejáveis  -  censura, atropelo da lei, violações de privacidade ou previsões falsas.” (...) 

“Mas talvez seja mais importante e necessário interrogarmo-nos sobre quais são as nossas expectativas. O que é que consideramos serem algoritmos ‘justos’? Pessoas diferentes vão ter leituras diferentes sobre isso, mas talvez não devamos deixar que continuem a ser os algoritmos a decidir por nós.” 

No final da sua reflexão, Nicholas Diakopoulos deixa aos jornalistas interessados nesta matéria a sugestão de um site com boas “dicas”, só para começar:  algorithmtips.org


O artigo original, reproduzido na Global Investigative Journalism Network

Connosco
Relatório assinala em Espanha quebra do consumo de TV por assinatura Ver galeria

O consumo doméstico de televisão por assinatura em Espanha, no ano de 2016, foi de 14,5 euros por mês, por habitação, o que significa quase 21% do seu gasto total em tecnologias de informação e comunicação. Esta quantia é 6,5% inferior à de 2015, que se situava numa média de 15,4%. Os dados são do relatório La sociedad en red 2016, elaborado pelo Observatorio Nacional de las Tecnologías de la Sociedad de la Información (ONTSI).

As imagens e as palavras depois da tragédia Ver galeria

A tragédia causada pelos incêndios no centro e norte do País, neste domingo 15 de Outubro, já considerado “o pior dia do ano” em número de ocorrências (mais de 500), simultâneas ou consecutivas, é retratado nas primeiras páginas dos jornais de 17. Quase todos destacam os números das vítimas, somando as de agora às de Pedrógão. Os dois jornais que usam a mesma foto, de três mulheres junto de uma casa destruída, abraçando-se ao lado de uma menina, são também os que procuram as palavras fortes para caracterizar o ocorrido: “Imperdoável” (Correio da Manhã); “Cem mortes sem desculpa” (Jornal de Notícias). 

O Clube

Está formado o Júri que vai apreciar os trabalhos concorrentes ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído pelo Clube Português de Imprensa (CPI) e pelo Jornal Tribuna de Macau (JTM),  com o apoio da Fundação Jorge Álvares.

O Júri será presidido por Dinis de Abreu, em representação do CPI, e integrado pelos jornalistas José Rocha Diniz, fundador e administrador do Jornal Tribuna de Macau, José Carlos de Vasconcelos, director do JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias, Carlos Magno, pela Fundação Jorge Álvares e por José António Silva Pires, também do CPI.


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