Terça-feira, 22 de Agosto, 2017
Estudo

Os algoritmos tomaram poder a mais. Poderemos metê-los na ordem?

Os algoritmos estão por todo o lado na nossa vida de todos os dias, e exercem muito poder na sociedade. “Eles arrumam por ordem de prioridade, classificam, ligam e filtram informação, e estão sempre a tomar decisões por nós, automaticamente.” Uma questão que nos interessa: estes algoritmos serão imparciais? Podemos chamá-los à responsabilidade? Há uma área, no jornalismo de investigação, que está a pensar nisso. Podemos “picar” os algoritmos e tentar perceber como eles “respondem”. Esta reflexão é de Nicholas Diakopoulos, assistente na Universidade de Maryland, um investigador interessado na responsabilização dos algoritmos.

As polémicas em volta deste assunto são recentes e têm a ver com eleições e referendos. Já foi demonstrado que, “beliscando os algoritmos na fonte do fluxo noticioso do Facebook, é possível influenciar o sentido dos votantes nas eleições americanas”. Já agora, “se Mark Zuckerberg quiser algum dia concorrer à Presidência, teoricamente teria uma ferramenta com um poder enorme à sua disposição”... 

Sobre a questão da justiça e imparcialidade dos algoritmos, o autor do artigo que citamos conta dois episódios de possível discriminação racial  -  um deles é a “análise de risco” calculada para outorgar a saída condicional de um preso, ou os tempos de espera da Uber em Washington, num bairro maioritariamente branco ou não. 

“Há uma quantidade de jornalismo de investigação que ainda pode ser feito neste campo. De modo geral, tentando ‘picar’ os algoritmos para ver como respondem  - fazendo a relação entre consequência e causa [output & input, no original] -  podemos tentar perceber de que modo eles funcionam. Jornalistas de investigação podem entrar neste jogo, recolher e analisar os dados e determinar se os resultados são justos ou discriminatórios. Ou talvez eles conduzam a outras consequências negativas ou indesejáveis  -  censura, atropelo da lei, violações de privacidade ou previsões falsas.” (...) 

“Mas talvez seja mais importante e necessário interrogarmo-nos sobre quais são as nossas expectativas. O que é que consideramos serem algoritmos ‘justos’? Pessoas diferentes vão ter leituras diferentes sobre isso, mas talvez não devamos deixar que continuem a ser os algoritmos a decidir por nós.” 

No final da sua reflexão, Nicholas Diakopoulos deixa aos jornalistas interessados nesta matéria a sugestão de um site com boas “dicas”, só para começar:  algorithmtips.org


O artigo original, reproduzido na Global Investigative Journalism Network

Connosco
Como a prometida liberdade em “rede social” nos trouxe à ditadura das notícias falsas Ver galeria

A história de como a Internet, depois de ter prometido dar voz e libertação a todos os marginalizados, desembocou na presente ditadura das fake news em “rede social”, é uma longa teia de ilusões aceitáveis e de equívocos pouco inocentes. O jornalista Marcelo Rech, presidente do Fórum Mundial de Editores, desfia esta narrativa num artigo extenso, mas de leitura indispensável. É melhor percebermos como chegámos até aqui. E, se pudermos, mantendo a atitude que ele escolheu como título  -  “Uma chance para o optimismo”.

Este artigo é o terceiro da série sobre o tema “Da pós-verdade ao risco da pós-imprensa”, no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Dois anos de notícias falsas, com duas plataformas chamadas à responsabilidade Ver galeria

A chamada “era de ouro das notícias falsas” não tem mais de dois anos, e está hoje bem documentada, pelo que vale a pena rever a sua história. É este o tema de um artigo do jornalista Nelson de Sá, da Folha de S. Paulo, que descreve o que se passou com o “duopólio” Google-Facebook  -  a sua inicial desvalorização do problema, as tentativas de auto-justificação, as primeiras medidas de controlo e o reconhecimento de que a estrutura de financiamento das grandes plataformas está edificada para premiar o que é “viral”, não o que é verdadeiro.

O Clube


O Clube Português de Imprensa fecha em Agosto para férias. E este site também. A partir de 31 de Julho e até 27 de Agosto não serão feitas as habituais actualizações diárias.

Em vésperas de fazermos esta pausa, e à semelhança do que já aconteceu no Verão passado, queremos agradecer aos jornalistas (e aos não jornalistas) pela sua preferência e que têm contribuído com as suas visitas regulares para alargar a audiência deste espaço, lançado há  menos de dois anos, com objectivo de constituir uma alternativa de informação e de reflexão sobre os jornalismo e os jornalistas, sem receio de problematizar as questões que hoje se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, tanto  às empresas editoriais como aos profissionais do sector.

São esses os conteúdos que privilegiamos, a par da cobertura das actividades do Clube, desde os ciclos de jantares-debate, em parceria com o CNC-Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o Jornal Tribuna de Macau; e ao Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, instituído pelo CNC, em conjunto com o CPI e a Europa Nostra .

No regresso prometemos mais novidades no Clube e no site. Boas Férias!   


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