Sexta-feira, 15 de Dezembro, 2017
Estudo

Os algoritmos tomaram poder a mais. Poderemos metê-los na ordem?

Os algoritmos estão por todo o lado na nossa vida de todos os dias, e exercem muito poder na sociedade. “Eles arrumam por ordem de prioridade, classificam, ligam e filtram informação, e estão sempre a tomar decisões por nós, automaticamente.” Uma questão que nos interessa: estes algoritmos serão imparciais? Podemos chamá-los à responsabilidade? Há uma área, no jornalismo de investigação, que está a pensar nisso. Podemos “picar” os algoritmos e tentar perceber como eles “respondem”. Esta reflexão é de Nicholas Diakopoulos, assistente na Universidade de Maryland, um investigador interessado na responsabilização dos algoritmos.

As polémicas em volta deste assunto são recentes e têm a ver com eleições e referendos. Já foi demonstrado que, “beliscando os algoritmos na fonte do fluxo noticioso do Facebook, é possível influenciar o sentido dos votantes nas eleições americanas”. Já agora, “se Mark Zuckerberg quiser algum dia concorrer à Presidência, teoricamente teria uma ferramenta com um poder enorme à sua disposição”... 

Sobre a questão da justiça e imparcialidade dos algoritmos, o autor do artigo que citamos conta dois episódios de possível discriminação racial  -  um deles é a “análise de risco” calculada para outorgar a saída condicional de um preso, ou os tempos de espera da Uber em Washington, num bairro maioritariamente branco ou não. 

“Há uma quantidade de jornalismo de investigação que ainda pode ser feito neste campo. De modo geral, tentando ‘picar’ os algoritmos para ver como respondem  - fazendo a relação entre consequência e causa [output & input, no original] -  podemos tentar perceber de que modo eles funcionam. Jornalistas de investigação podem entrar neste jogo, recolher e analisar os dados e determinar se os resultados são justos ou discriminatórios. Ou talvez eles conduzam a outras consequências negativas ou indesejáveis  -  censura, atropelo da lei, violações de privacidade ou previsões falsas.” (...) 

“Mas talvez seja mais importante e necessário interrogarmo-nos sobre quais são as nossas expectativas. O que é que consideramos serem algoritmos ‘justos’? Pessoas diferentes vão ter leituras diferentes sobre isso, mas talvez não devamos deixar que continuem a ser os algoritmos a decidir por nós.” 

No final da sua reflexão, Nicholas Diakopoulos deixa aos jornalistas interessados nesta matéria a sugestão de um site com boas “dicas”, só para começar:  algorithmtips.org


O artigo original, reproduzido na Global Investigative Journalism Network

Connosco
Novo presidente da ERC abstém-se de comentar “dossier” Altice - TVI Ver galeria

Tomou posse, na Assembleia da República, o novo Conselho Regulador da ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social, tendo como presidente o juiz-conselheiro Sebastião Póvoas. Instado pelos jornalistas a pronunciar-se sobre a questão sensível da compra da Media Capital pela Altice, o magistrado afirmou: “Eu não conheço os dossiers, tomei agora posse; são dossiers complexos e eu venho de uma área em que só nos pronunciamos depois de ler, consultar, ouvir e estudar, e é assim que vou fazer.” O parecer que competia à ERC tornar público, sobre esta matéria, não chegou a ser dado por falta de acordo entre os três membros que estavam em funções até agora.

O "jornalismo - espectáculo" que condena inocentes na praça pública Ver galeria

A investigação de suspeitos de qualquer conduta ilícita ou criminal é realizada pelas autoridades judiciais, que procuram provas para instrução de processo. Tendo conhecimento dessas condutas, também os meios de comunicação fazem a necessária investigação, para apuramento dos factos e posterior publicação. Uns e outros vão cruzar-se no mesmo terreno  - contidos, de ambos os lados, pelo cumprimento da lei e pela deontologia profissional. Mas o pior pode acontecer quando agentes da autoridade e repórteres se juntam para fazer “jornalismo do espectáculo”. A jornalista Nereide Beirão parte do ocorrido em 1994, com o caso que ficou conhecido como Escola Base, em São Paulo. Descreve o que sucedeu e acrescenta o exemplo de mais alguns casos da mesma natureza. No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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