Terça-feira, 22 de Agosto, 2017
Media

Jornal brasileiro “Gazeta do Povo” adopta modelo misto em papel e digital

O jornal brasileiro Gazeta do Povo passou a fazer parte do clube de títulos que abandonaram a impressão em papel.

Esta decisão foi tomada tendo em conta a redução do número de leitores, com base no desenvolvimento de um novo modelo, susceptível de dar garantias da sustentabilidade do negócio. Assim, os responsáveis do jornal decidiram que havia chegado o momento de apostar na edição digital e móvel.

Segundo referiu ao Centro Knight, Guilherme Pereira director do Grupo GRPCom – Grupo Paranense de Comunicação, proprietário da Gazeta do Povo, as medidas tomadas para impulsionar o negócio digital, reduziram os custos fixos, e aumentaram a margem de lucro da versão impressa.

Por seu lado, o Centro Knight para o jornalismo as Américas, refere que a Gazeta investiu cerca de 7 milhões de dólares em tecnologia, para renovar os equipamentos, ao mesmo tempo que encerrava as instalações de impressão, optando pelo outsourcing, mais económico.

Mas, a Gazeta do Povo vai manter uma edição impressa, distribuída semanalmente aos sábados. Nesta versão, mais parecida com uma revista, poderemos encontrar uma análise mais aprofundada das informações que foram notícia ao longo da semana.

Há alguns meses atrás, Mário Garcia, um dos maiores especialistas em design de jornais, assegurava que o futuro da imprensa passava pela edição em papel ao fim de semana; e o presidente do Grupo GRPCom acredita que mantendo uma ligação com o negócio tradicional, os leitores se habituarão, pouco a pouco, ao novo modelo.

A intenção do Grupo GRPCom é que a Gazeta do Povo consiga inverter a situação actual, e que 70% das receitas sejam provenientes da publicidade e 30% dos leitores.

Aliás, o periódico conseguiu que 92% dos seus subscritores tivessem mantido a subscrição semanal, quando se passou ao digital. A previsão era de 60 %, apenas.

Antes do processo de mudança, havia 18  mil  subscritores no digital e 44 mil no papel. O objectivo é alcançar os 50 mil digitais no final de Junho e 300 mil no termo de 2018.

Actualmente, a Gazeta do Povo é o primeiro periódico do Brasil a ser feito originalmente para plataformas móveis e os jornalistas que ali trabalham publicam os seus artigos directamente na aplicação Méthode Memo, o que permite a divulgação imediata de informação.

Connosco
Como a prometida liberdade em “rede social” nos trouxe à ditadura das notícias falsas Ver galeria

A história de como a Internet, depois de ter prometido dar voz e libertação a todos os marginalizados, desembocou na presente ditadura das fake news em “rede social”, é uma longa teia de ilusões aceitáveis e de equívocos pouco inocentes. O jornalista Marcelo Rech, presidente do Fórum Mundial de Editores, desfia esta narrativa num artigo extenso, mas de leitura indispensável. É melhor percebermos como chegámos até aqui. E, se pudermos, mantendo a atitude que ele escolheu como título  -  “Uma chance para o optimismo”.

Este artigo é o terceiro da série sobre o tema “Da pós-verdade ao risco da pós-imprensa”, no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Dois anos de notícias falsas, com duas plataformas chamadas à responsabilidade Ver galeria

A chamada “era de ouro das notícias falsas” não tem mais de dois anos, e está hoje bem documentada, pelo que vale a pena rever a sua história. É este o tema de um artigo do jornalista Nelson de Sá, da Folha de S. Paulo, que descreve o que se passou com o “duopólio” Google-Facebook  -  a sua inicial desvalorização do problema, as tentativas de auto-justificação, as primeiras medidas de controlo e o reconhecimento de que a estrutura de financiamento das grandes plataformas está edificada para premiar o que é “viral”, não o que é verdadeiro.

O Clube


O Clube Português de Imprensa fecha em Agosto para férias. E este site também. A partir de 31 de Julho e até 27 de Agosto não serão feitas as habituais actualizações diárias.

Em vésperas de fazermos esta pausa, e à semelhança do que já aconteceu no Verão passado, queremos agradecer aos jornalistas (e aos não jornalistas) pela sua preferência e que têm contribuído com as suas visitas regulares para alargar a audiência deste espaço, lançado há  menos de dois anos, com objectivo de constituir uma alternativa de informação e de reflexão sobre os jornalismo e os jornalistas, sem receio de problematizar as questões que hoje se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, tanto  às empresas editoriais como aos profissionais do sector.

São esses os conteúdos que privilegiamos, a par da cobertura das actividades do Clube, desde os ciclos de jantares-debate, em parceria com o CNC-Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o Jornal Tribuna de Macau; e ao Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, instituído pelo CNC, em conjunto com o CPI e a Europa Nostra .

No regresso prometemos mais novidades no Clube e no site. Boas Férias!   


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