Sexta-feira, 16 de Novembro, 2018
Fórum

Projecto de directiva comunitária contestado pelos maiores jornais europeus

Mais de três dezenas das editoras dos maiores jornais de referência na Europa assinaram uma carta aberta dirigida ao Parlamento e ao Conselho Europeu, contestando as novas regras de privacidade online, que, segundo afirmam, darão mais poder ao Google e ao Facebook na competição pela publicidade digital. O projecto de regulamento apresentado pela Comissão Europeia pretende alterar a norma do “consentimento prévio” da aceitação dos cookies em cada entrada no site procurado pelo internauta, substituindo-a por uma decisão inicial à entrada no navegador, válida a partir daí para todos os sites visitados.

Segundo Le Figaro-Médias, que aqui citamos, “esta futura directiva daria a cada internauta a possibilidade de decidir, desde a sua primeira conexão, o nível de protecção que deseja para o conjunto dos sites que vai visitar a seguir; dito de outro modo, em vez de escolher site por site, como está em uso, ele decidiria uma vez por todas aceitar ou não os cookies, estes ficheiros invisíveis que entram no computador para seguir o percurso de conexões dos internautas”. 

Os editores de jornais alertam para um efeito secundário previsível desta medida, supostamente benéfica para os utentes da Internet:  

“Com efeito, ela arrisca-se a colocar nas mãos de alguns grupos, como Google e o seu navegador Chrome, as preferências de conexão dos internautas. Por outro lado, estes mesmos gigantes das tecnologias serão poupados por esta medida, visto que os seus utentes já estão conectados em permanência nos seus sites, como é o caso no Facebook, ou ainda no Google, com o Gmail. Quanto aos editores da Imprensa, vão perder a sua relação directa com os leitores.” 

“Se, como resultado destas propostas, os editores de notícias não conseguissem oferecer publicidade relevante aos nossos leitores, tal reduziria a nossa capacidade de competir com a capacidade das plataformas digitais dominantes nas receitas de publicidade digital, acabando por prejudicar a nossa capacidade de investir em jornalismo de alta qualidade em toda a Europa”, explicam na missiva  - aqui citada do Jornal de Negócios

Representantes de mais de 30 publicações, incluindo The Daily Mail, The Guardian, Financial Times, Die Zeit e os jornais franceses Le Monde, Le Figaro, Les Échos, Libération, Le Parisien, La Croix e L’Humanité, dirigiram ao Parlamento e ao Conselho Europeu a carta aberta aqui reproduzida. 


Mais informação em Le Figaro, Le Monde e Jornal de Negócios

Connosco
Bettany Hugues defendeu a importância da memória na construção do futuro e da paz Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hugues, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hugues como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Para Alberto Dines, “o jornalismo era o próprio sentido da vida” Ver galeria

Cada história é uma vida, e algumas delas são muito especiais. “Alberto Dines foi autor e protagonista de uma dessas trajectórias incomuns: um intelectual visceral, que usou a sua inteligência e lucidez não para disputar uma partida, mas para mudar o jogo.” Sob o título “Uma vida sem ponto final”, um dos seus numerosos discípulos, Bruno Thys, evoca com a saudade de uma relação muito pessoal o percurso e obra de Alberto Dines, falecido em São Paulo em Maio deste ano.

O autor do texto que citamos valoriza uma parte da biografia menos mencionada de Alberto Dines, a que o coloca numa linhagem de judeus emigrados de uma Europa em várias convulsões:

“Dines tornou-se uma das mais cintilantes estrelas de sua geração, a primeira de judeus nascidos no Brasil. (...) Da geração de seus pais, herdou a cultura ancestral. Dines tinha sólida formação humanística e as suas raízes remontam à Haskalá, o iluminismo judaico que floresceu na Europa Ocidental nos séculos XVIII e XIX. Este movimento pregava a interacção da sabedoria judaica com a cultura europeia e produziu nomes como Einstein, Freud, Herzel e Stefan Zweig, o grande biógrafo austríaco, que, muitos anos depois, seria biografado por Dines.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
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