Quarta-feira, 14 de Novembro, 2018
Media

A Turquia tornou-se o "maior cárcere de jornalistas do mundo"

O divórcio litigioso entre o povo turco e o seu governo começou há quatro anos, em Maio de 2013, quando grupos de ambientalistas ocuparam o Parque Taksim Gezi, manifestando-se contra o arranque das árvores para dar lugar à reconstrução de um quartel. “Três anos mais tarde, e depois de violentas repressões, Ankara tomou a desforra. Já não há vozes que se levantem contra o Sultão da Europa.”  É esta a reflexão de Beatriz Yubero, jornalista espanhola que, em Agosto de 2016, foi deportada da Turquia, onde fazia um doutoramento.

“Esta é a nova Turquia, o projecto ‘neo-otomanista’ do presidente Erdogan que, graças ao fracassado golpe de Estado de 15 de Julho  - que deixou 290 mortos e mais de 78 mil detidos -  tomou um impulso inesperado”  -  escreve Beatriz Yubero num texto publicado em Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

“Este levantamento foi uma grande prenda que Deus nos deu”  - disse então Erdogan. O movimento Hizmet, dirigido por Fetullah Güllen, foi prontamente acusado de ser o verdadeiro promotor do golpe. A autora deste comentário recorda que, em Dezembro de 2013, Güllen desvendou “o maior caso de corrupção do AKP”, o partido de Erdogan. 

“No entanto, a Turquia tem hoje muito mais inimigos do que os gulenistas. As purgas políticas afectaram directamente os seculares laicos, os curdos, os académicos e, nesta última etapa, especialmente os jornalistas.” (...) 

Beatriz Yubero descreve os vários passos desta repressão, que passa pela promoção de meios afectos à política oficial (havuz medyasi), ataque directo ou intimidação dos restantes, e desemboca na situação presente: 

“Ankara fechou nos últimos quatro meses um total de 195 meios de comunicação e prendeu quase 150 jornalistas nacionais, a quem o Governo acusou de terrorismo e difusão de propaganda terrorista. Os centros desportivos transformaram-se em pavilhões de terror onde se amordaça a Imprensa livre. Segundo a Plataforma para o Jornalismo Independente, 3.000 profissionais do sector da comunicação foram despedidos deste a intentona golpista. Exceptuando alguns meios na Internet  - como Diken, Gazete Duvar e T24 -  depois da rusga sobre o diário ‘kemalista’ Cumhuriyet, podemos afirmar que praticamente já não existe qualquer voz de oposição entre os media na Turquia.” 

E, citando o Comité para a Protecção dos Jornalistas, Beatriz Yubero descreve a Turquia de hoje como “o maior cárcere de jornalistas do mundo”.

 

O artigo na íntegra, em Cuadernos de Periodistas, e o site do think tank a que pertence a autora, Baab al Shams

Connosco
Agravam-se as ameças sobre os jornalistas na Europa Ver galeria

Jornalistas queimados em efígie, insultados e ameaçados, desacreditados pelos dirigentes dos seus próprios países. Processados, assaltados, alvo de ameaças de violação ou de morte, e em vários casos efectivamente assassinados. É este, hoje, o ambiente em que trabalham muitos jornalistas na Europa.

A organização Index on Censorship, com o apoio da Federação Europeia de Jornalistas, reuniu no relatório Mapping Media Freedom mais de três mil episódios de situações deste tipo, registadas desde Maio de 2004. A informação recolhida apresenta os jornalistas e os media onde trabalham como alvos de dirigentes políticos, empresas e mesmo o público em geral  -  mas algumas tendências principais são destacadas e apontadas neste trabalho. O objectivo é fornecer indicações úteis aos legisladores e a quantos desejem continuar a defender o ambiente favorável a uma Imprensa independente e pluralista.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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