Terça-feira, 27 de Junho, 2017
Media

A Turquia tornou-se o "maior cárcere de jornalistas do mundo"

O divórcio litigioso entre o povo turco e o seu governo começou há quatro anos, em Maio de 2013, quando grupos de ambientalistas ocuparam o Parque Taksim Gezi, manifestando-se contra o arranque das árvores para dar lugar à reconstrução de um quartel. “Três anos mais tarde, e depois de violentas repressões, Ankara tomou a desforra. Já não há vozes que se levantem contra o Sultão da Europa.”  É esta a reflexão de Beatriz Yubero, jornalista espanhola que, em Agosto de 2016, foi deportada da Turquia, onde fazia um doutoramento.

“Esta é a nova Turquia, o projecto ‘neo-otomanista’ do presidente Erdogan que, graças ao fracassado golpe de Estado de 15 de Julho  - que deixou 290 mortos e mais de 78 mil detidos -  tomou um impulso inesperado”  -  escreve Beatriz Yubero num texto publicado em Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

“Este levantamento foi uma grande prenda que Deus nos deu”  - disse então Erdogan. O movimento Hizmet, dirigido por Fetullah Güllen, foi prontamente acusado de ser o verdadeiro promotor do golpe. A autora deste comentário recorda que, em Dezembro de 2013, Güllen desvendou “o maior caso de corrupção do AKP”, o partido de Erdogan. 

“No entanto, a Turquia tem hoje muito mais inimigos do que os gulenistas. As purgas políticas afectaram directamente os seculares laicos, os curdos, os académicos e, nesta última etapa, especialmente os jornalistas.” (...) 

Beatriz Yubero descreve os vários passos desta repressão, que passa pela promoção de meios afectos à política oficial (havuz medyasi), ataque directo ou intimidação dos restantes, e desemboca na situação presente: 

“Ankara fechou nos últimos quatro meses um total de 195 meios de comunicação e prendeu quase 150 jornalistas nacionais, a quem o Governo acusou de terrorismo e difusão de propaganda terrorista. Os centros desportivos transformaram-se em pavilhões de terror onde se amordaça a Imprensa livre. Segundo a Plataforma para o Jornalismo Independente, 3.000 profissionais do sector da comunicação foram despedidos deste a intentona golpista. Exceptuando alguns meios na Internet  - como Diken, Gazete Duvar e T24 -  depois da rusga sobre o diário ‘kemalista’ Cumhuriyet, podemos afirmar que praticamente já não existe qualquer voz de oposição entre os media na Turquia.” 

E, citando o Comité para a Protecção dos Jornalistas, Beatriz Yubero descreve a Turquia de hoje como “o maior cárcere de jornalistas do mundo”.

 

O artigo na íntegra, em Cuadernos de Periodistas, e o site do think tank a que pertence a autora, Baab al Shams

Connosco
Uma foto icónica partilhada por jornais e redes sociais Ver galeria

Há imagens que valem por mil palavras. Esta que reproduzimos acima é uma delas, registada pelo bombeiro Pedro Brás, no segundo dia do incêndio de Pedrogão Grande, quando 13 companheiros se deitaram no chão exaustos, no combate aos fogos.

A foto foi reproduzida, originalmente, pelos jornais espanhóis El Mundo e El Pais e, também, entre outros, pelo site electrónico Observador, doqual retiramos este documento.

Mais tarde, a imagem percorreu mundo, através das redes sociais e tornou-se icónica de uma luta desigual contra uma calamidade em que morreram 64 habitantes de Pedrogão Grande e 254 ficaram feridos, segundo as ultimas estimativas.

A foto foi tirada na manhã de 18 de Junho, e ganhou estatuto de viral. É uma imagem que “fala por si”, representando, simbolicamente, a homenagem a todos os bombeiros que estiveram envolvidos na contenção do  terrível sinistro.

Em pouco tempo, registaram-se cerca de 80 mil partilhas na rede social Facebook, e a  foto ganhou expressão, também, no Twitter e noutros  meios de comunicação social espalhados pelo mundo.

Dirigentes europeus intimam redes sociais a envolverem-se na luta contra o extremismo online Ver galeria
O Clube

 
O Prémio de Jornalismo da Lusofonia é a nova iniciativa promovida pelo Clube Português de Imprensa (CPI) em parceria com o Jornal Tribuna de Macau (JTM), no quadro das comorações que assinalam o 35º aniversário daquele diário de língua portuguesa em Macau.

Com o valor de 10 mil euros e periodicidade anual, o Prémio será atribuído por um Júri constituído por representantes do CPI, do JTM e por personalidades de reconhecido mérito na área do jornalismo ou que se tenham distinguido na defesa, divulgação ou ensino da Língua Portuguesa no Mundo.

Trata-se, pois, de um novo Prémio que, de acordo com o respectivo Regulamento (que inserimos noutro espaço deste site) se destina “a jornalistas e à Imprensa de Língua Portuguesa de todo o Mundo, em suporte papel ou digital”. 


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Opinião
Que terá movido o Sindicato dos Jornalistas (SJ) a questionar o jornal espanhol El Mundo sobre a identidade de  um seu correspondente que cobriu os incêndios de Pedrogão Grande?   Diz a direcção do Sindicato, no respectivo site,  que “ decidiu pedir informações sobre as dúvidas levantadas acerca do suposto jornalista Sebastião Pereira(…)” . O Sindicato levou os seus esforços de...
Dados os muitos terabytes de prosa – sólidamente negativa – com que os media globais saudaram a decisão do presidente Trump, anunciada em discurso na Casa Branca no passado dia 1 de Junho, de retirar os EUA. do Acordo de Paris, seria de esperar uma cobertura exaustiva do tema, ou seja, que nenhum aspecto ou complexidade dessa terrível ameaça para a saúde do planeta escapasse à atenção dos “opinion leaders”, em...
Trump, Macron e a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral

O Presidente Trump está em guerra aberta com a comunicação social americana. E esta, na sua grande maioria, não gosta de Trump. Vários presidentes anteriores foram muito criticados pela Imprensa dos EUA – Reagan, por exemplo. Mas o grau de hostilidade que agora existe entre a Casa Branca e os jornalistas é de nível excepcionalmente alto.

Num livro colectivo acabado de publicar, simultaneamente, em treze línguas e em dezenas de países espalhados pelo mundo inteiro, cuja versão francesa se intitula, significativamente, L’âge de la Régression: Pourquoi nous vivons un tournant historique[1], Appadurai disserta sobre o «sentimento de cansaço» que, na sua opinião domina a esfera pública. Sentimento de cansaço relativamente à forma de fazer...
Fim de semana alucinante, sábado épico, jornada inédita. Muito se tem chamado a este 13 de maio, dia de Fátima, do Santo Padre, do anjo Vitória e do arcanjo Sobral. As notícias, as reportagens, os diretos. O frenesim tem sido imenso. Aliás já começou há uns dias. Amanhã, depois do nascer do sol, era bom que houvesse alguma reflexão sobre o que se passou. Será que tanta agitação na...
Agenda
11
Jul
Exposição de Jornais Centenários em Bruxelas
09:00 @ Parlamento Europeu, Bruxelas
12
Jul
Curso de Verão “Jornalismo de Investigação”
09:00 @ Universidade Internacional Menéndez Pelayo, Santander
13
Jul
Westminster Media Forum
09:00 @ Central London, Londres
27
Jul
Festival de Jornalismos de Verão
09:00 @ Couthures, França