Quinta-feira, 17 de Janeiro, 2019
Media

A Turquia tornou-se o "maior cárcere de jornalistas do mundo"

O divórcio litigioso entre o povo turco e o seu governo começou há quatro anos, em Maio de 2013, quando grupos de ambientalistas ocuparam o Parque Taksim Gezi, manifestando-se contra o arranque das árvores para dar lugar à reconstrução de um quartel. “Três anos mais tarde, e depois de violentas repressões, Ankara tomou a desforra. Já não há vozes que se levantem contra o Sultão da Europa.”  É esta a reflexão de Beatriz Yubero, jornalista espanhola que, em Agosto de 2016, foi deportada da Turquia, onde fazia um doutoramento.

“Esta é a nova Turquia, o projecto ‘neo-otomanista’ do presidente Erdogan que, graças ao fracassado golpe de Estado de 15 de Julho  - que deixou 290 mortos e mais de 78 mil detidos -  tomou um impulso inesperado”  -  escreve Beatriz Yubero num texto publicado em Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

“Este levantamento foi uma grande prenda que Deus nos deu”  - disse então Erdogan. O movimento Hizmet, dirigido por Fetullah Güllen, foi prontamente acusado de ser o verdadeiro promotor do golpe. A autora deste comentário recorda que, em Dezembro de 2013, Güllen desvendou “o maior caso de corrupção do AKP”, o partido de Erdogan. 

“No entanto, a Turquia tem hoje muito mais inimigos do que os gulenistas. As purgas políticas afectaram directamente os seculares laicos, os curdos, os académicos e, nesta última etapa, especialmente os jornalistas.” (...) 

Beatriz Yubero descreve os vários passos desta repressão, que passa pela promoção de meios afectos à política oficial (havuz medyasi), ataque directo ou intimidação dos restantes, e desemboca na situação presente: 

“Ankara fechou nos últimos quatro meses um total de 195 meios de comunicação e prendeu quase 150 jornalistas nacionais, a quem o Governo acusou de terrorismo e difusão de propaganda terrorista. Os centros desportivos transformaram-se em pavilhões de terror onde se amordaça a Imprensa livre. Segundo a Plataforma para o Jornalismo Independente, 3.000 profissionais do sector da comunicação foram despedidos deste a intentona golpista. Exceptuando alguns meios na Internet  - como Diken, Gazete Duvar e T24 -  depois da rusga sobre o diário ‘kemalista’ Cumhuriyet, podemos afirmar que praticamente já não existe qualquer voz de oposição entre os media na Turquia.” 

E, citando o Comité para a Protecção dos Jornalistas, Beatriz Yubero descreve a Turquia de hoje como “o maior cárcere de jornalistas do mundo”.

 

O artigo na íntegra, em Cuadernos de Periodistas, e o site do think tank a que pertence a autora, Baab al Shams

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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Opinião
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