null, 25 de Junho, 2017
Media

Quando o jornalismo de investigação se investiga a si mesmo

“Pode bem acontecer que uma reportagem seja verdadeira, mas esteja errada”  -  afirmou Robert Gebellof, do New York Times, na Conferência Europeia de Jornalismo de Investigação realizada em Mechelen, na Bélgica. “Podemos fazer as contas certas, mas pôr o contexto errado, não reconhecer as incertezas ou não descrever correctamente as conclusões.” Ouvir este diagnóstico da parte de um reconhecido especialista em análise de dados pode parecer surpreendente, ou mesmo desencorajador, para qualquer profissional interessado em melhorar a qualidade do seu trabalho jornalístico. 

“No jornalismo de dados, não podemos contentar-nos com a ‘meia-verdade”  - disse ainda Gebeloff. E, ao contrário do que fazem sites de fact-checking como o Politifact, que criaram “escalas” de veracidade que vão do falso ao verdadeiro passando por tudo o que fica no meio, o jornalismo de dados tem de ser sempre verdadeiro. 

O que propõe, no fundo, é uma disciplina de exactidão intransigente no tratamento dos números, para resistir à tentação comum de retirar deles conclusões apressadas. Por outras palavras, mesmo os números nos podem enganar, se não soubermos lê-los. 

Na sua palestra, Robert Gebeloff procurou explicar o que é “estatisticamente significativo” no exame dos dados que nos são fornecidos sobre uma determinada questão, e de que modo podemos chegar a conclusões erradas, julgando-nos seguros pela sua evidência. 

Também pode acontecer que o tratamento de dados com muita contribuição estatística seja útil para explorar “relações complexas” mas, ao mesmo tempo, torne a história mais difícil de explicar aos leitores. Ele próprio conta que já deixou de escrever uma reportagem porque “nunca conseguiria explicar os métodos” ao seu público. E isso é indispensável. 

A palestra de Robert Gebeloff termina com um lista de seis pontos de verificação de factos, proposta aos profissionais que queiram fazer autêntico jornalismo de investigação, verdadeiro e correcto.

 

 

Mais informação na síntese da jornalista Winny de Yong, aqui citada da Global Investigative Journalism Network

Connosco
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Portugal aparece no segundo lugar entre os países europeus, logo a seguir à Finlândia, no índice de confiança nas notícias (ficando o Brasil entre os dois). A Finlândia atinge os 62%, Portugal chega aos 58%, e os países mais em baixo, Grécia e Coreia do Sul, ficam nos 23%. Estes são alguns números do Digital News Report 2017 do Reuters Institute, que sublinha no texto de sumário que “a revolução digital está cheia de contradições e excepções” e que as diferenças para cada país podem ser procuradas nas páginas que lhes são dedicadas, no desenvolvimento do relatório.

O Clube

 
O Prémio de Jornalismo da Lusofonia é a nova iniciativa promovida pelo Clube Português de Imprensa (CPI) em parceria com o Jornal Tribuna de Macau (JTM), no quadro das comorações que assinalam o 35º aniversário daquele diário de língua portuguesa em Macau.

Com o valor de 10 mil euros e periodicidade anual, o Prémio será atribuído por um Júri constituído por representantes do CPI, do JTM e por personalidades de reconhecido mérito na área do jornalismo ou que se tenham distinguido na defesa, divulgação ou ensino da Língua Portuguesa no Mundo.

Trata-se, pois, de um novo Prémio que, de acordo com o respectivo Regulamento (que inserimos noutro espaço deste site) se destina “a jornalistas e à Imprensa de Língua Portuguesa de todo o Mundo, em suporte papel ou digital”. 


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Há dias um jornalista que foi director de um  antigo jornal de referência, em acelerado processo de definhamento, interrogava-se sobre o futuro próximo da Imprensa em suporte de papel e profetizava , sem mencionar, que um dos diários nacionais “terá de tomar a traumática – talvez acertada, certamente inevitável -- decisão de fechar as edições em papel durante a semana, mantendo apenas as edições...
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Agenda
11
Jul
Exposição de Jornais Centenários em Bruxelas
09:00 @ Parlamento Europeu, Bruxelas
12
Jul
Curso de Verão “Jornalismo de Investigação”
09:00 @ Universidade Internacional Menéndez Pelayo, Santander
13
Jul
Westminster Media Forum
09:00 @ Central London, Londres
27
Jul
Festival de Jornalismos de Verão
09:00 @ Couthures, França