Quarta-feira, 18 de Julho, 2018
Media

Quando o jornalismo de investigação se investiga a si mesmo

“Pode bem acontecer que uma reportagem seja verdadeira, mas esteja errada”  -  afirmou Robert Gebellof, do New York Times, na Conferência Europeia de Jornalismo de Investigação realizada em Mechelen, na Bélgica. “Podemos fazer as contas certas, mas pôr o contexto errado, não reconhecer as incertezas ou não descrever correctamente as conclusões.” Ouvir este diagnóstico da parte de um reconhecido especialista em análise de dados pode parecer surpreendente, ou mesmo desencorajador, para qualquer profissional interessado em melhorar a qualidade do seu trabalho jornalístico. 

“No jornalismo de dados, não podemos contentar-nos com a ‘meia-verdade”  - disse ainda Gebeloff. E, ao contrário do que fazem sites de fact-checking como o Politifact, que criaram “escalas” de veracidade que vão do falso ao verdadeiro passando por tudo o que fica no meio, o jornalismo de dados tem de ser sempre verdadeiro. 

O que propõe, no fundo, é uma disciplina de exactidão intransigente no tratamento dos números, para resistir à tentação comum de retirar deles conclusões apressadas. Por outras palavras, mesmo os números nos podem enganar, se não soubermos lê-los. 

Na sua palestra, Robert Gebeloff procurou explicar o que é “estatisticamente significativo” no exame dos dados que nos são fornecidos sobre uma determinada questão, e de que modo podemos chegar a conclusões erradas, julgando-nos seguros pela sua evidência. 

Também pode acontecer que o tratamento de dados com muita contribuição estatística seja útil para explorar “relações complexas” mas, ao mesmo tempo, torne a história mais difícil de explicar aos leitores. Ele próprio conta que já deixou de escrever uma reportagem porque “nunca conseguiria explicar os métodos” ao seu público. E isso é indispensável. 

A palestra de Robert Gebeloff termina com um lista de seis pontos de verificação de factos, proposta aos profissionais que queiram fazer autêntico jornalismo de investigação, verdadeiro e correcto.

 

 

Mais informação na síntese da jornalista Winny de Yong, aqui citada da Global Investigative Journalism Network

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