Quarta-feira, 14 de Novembro, 2018
Media

Quando o jornalismo de investigação se investiga a si mesmo

“Pode bem acontecer que uma reportagem seja verdadeira, mas esteja errada”  -  afirmou Robert Gebellof, do New York Times, na Conferência Europeia de Jornalismo de Investigação realizada em Mechelen, na Bélgica. “Podemos fazer as contas certas, mas pôr o contexto errado, não reconhecer as incertezas ou não descrever correctamente as conclusões.” Ouvir este diagnóstico da parte de um reconhecido especialista em análise de dados pode parecer surpreendente, ou mesmo desencorajador, para qualquer profissional interessado em melhorar a qualidade do seu trabalho jornalístico. 

“No jornalismo de dados, não podemos contentar-nos com a ‘meia-verdade”  - disse ainda Gebeloff. E, ao contrário do que fazem sites de fact-checking como o Politifact, que criaram “escalas” de veracidade que vão do falso ao verdadeiro passando por tudo o que fica no meio, o jornalismo de dados tem de ser sempre verdadeiro. 

O que propõe, no fundo, é uma disciplina de exactidão intransigente no tratamento dos números, para resistir à tentação comum de retirar deles conclusões apressadas. Por outras palavras, mesmo os números nos podem enganar, se não soubermos lê-los. 

Na sua palestra, Robert Gebeloff procurou explicar o que é “estatisticamente significativo” no exame dos dados que nos são fornecidos sobre uma determinada questão, e de que modo podemos chegar a conclusões erradas, julgando-nos seguros pela sua evidência. 

Também pode acontecer que o tratamento de dados com muita contribuição estatística seja útil para explorar “relações complexas” mas, ao mesmo tempo, torne a história mais difícil de explicar aos leitores. Ele próprio conta que já deixou de escrever uma reportagem porque “nunca conseguiria explicar os métodos” ao seu público. E isso é indispensável. 

A palestra de Robert Gebeloff termina com um lista de seis pontos de verificação de factos, proposta aos profissionais que queiram fazer autêntico jornalismo de investigação, verdadeiro e correcto.

 

 

Mais informação na síntese da jornalista Winny de Yong, aqui citada da Global Investigative Journalism Network

Connosco
Agravam-se as ameças sobre os jornalistas na Europa Ver galeria

Jornalistas queimados em efígie, insultados e ameaçados, desacreditados pelos dirigentes dos seus próprios países. Processados, assaltados, alvo de ameaças de violação ou de morte, e em vários casos efectivamente assassinados. É este, hoje, o ambiente em que trabalham muitos jornalistas na Europa.

A organização Index on Censorship, com o apoio da Federação Europeia de Jornalistas, reuniu no relatório Mapping Media Freedom mais de três mil episódios de situações deste tipo, registadas desde Maio de 2004. A informação recolhida apresenta os jornalistas e os media onde trabalham como alvos de dirigentes políticos, empresas e mesmo o público em geral  -  mas algumas tendências principais são destacadas e apontadas neste trabalho. O objectivo é fornecer indicações úteis aos legisladores e a quantos desejem continuar a defender o ambiente favorável a uma Imprensa independente e pluralista.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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Opinião
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