Terça-feira, 27 de Junho, 2017
Media

Mulheres jornalistas espanholas contam a sua história em cenário de guerra

Muitas das reportagens de guerra que hoje lemos, ou cujas imagens nos impressionam, realizadas nos campos de batalha mais perigosos do mundo, são feitas por mulheres jornalistas. O seu número está em crescimento e só não há mais, como conta a freelance Ana Alba, que cobriu as guerras da Sérvia, Iraque, Montenegro, Kosovo e as duas Intifadas, porque agora “pedem-se crónicas grátis, ou quase, a jovens, para não ter de mandar pessoas com experiência e poupar nos seguros de vida”.

Estas palavras são de outra jornalista espanhola, Ana del Paso, que apresentou uma tese de doutoramento, na Universidade Complutense de Madrid, intitulada “Rol de las periodistas españolas enviadas a conflictos armados”, sobre os depoimentos de 32 repórteres que viveram esta experiência.

Uma das primeiras coisas que nos explica é que, se todos conhecemos as imagens e a fama de Robert Kapa, título profissional de um fotógrafo húngaro chamado Endre Ernö, co-fundador da Agência Magnum, que cobriu a guerra civil espanhola e a II Guerra Mundial, poucos sabem que a sua companheira, Gerda Taro, trabalhava com ele, e Robert Kapa era o seu pseudónimo comum, pelo que nem sempre é certo identificar a autoria exacta de determinadas imagens.  

Na sua tese, Ana del Paso descreve a outra guerra que tinham de vencer, junto dos seus meios de comunicação, para serem enviadas a locais de conflito armado. Carmen Sarmiento, da TVE, não conseguiu ser correspondente na guerra do Vietname, mas só nos anos 80 na guerra civil de El Salvador, época em que Rosa María Calaf, também da TVE, pôde trabalhar no Líbano. 

Como conta a autora desta tese, que aqui citamos de Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid  - com a qual mantemos um acordo de parceria: 

Naiara Galarraga, subdirectora do Internacional de El País, afirma que sempre se sentiu “estranha ao conceito de correspondente de guerra”, declarando-se antes “firme partidária de que o jornalista se especialize, ou cubra uma zona do mundo, e que se ocupe de tudo o que lhe diz respeito, seja ou não um conflito armado”: 

“Creio que a cobertura resulta mais rica desta forma, melhor do que com enviados especiais que vão de conflito em conflito”. (...) 

Marie Colvin, jornalista de The Guardian, assassinada pelo Daesh em Fevereiro de 2012, na localidade síria de Homs, dizia: 

“Fazer jornalismo de guerra continua a ser basicamente o mesmo, alguém tem que lá ir e ver o que está a acontecer. Não se pode conseguir a informação sem ir aos lugares onde as pessoas estão a ser atingidas e onde disparam contra ti.” Sublinhava que o importante era uma pessoa tornar-se “apaixonada e envolvida por aquilo em que acredita, e fazê-lo o mais completa e hostamente que seja capaz, e sempre sem medo.” 

Sobre jornalistas desta têmpera, Ana del Paso conclui: 

“São, como os seus companheiros masculinos, contadoras de histórias em cenários hostis, àqueles aonde ninguém que ir, porque estão mais perto do inferno do que da terra. São mulheres em guerra para dar voz aos que não a têm, mas cujos nomes constam sempre nas listas de baixas dos conflitos armados. Elas não são alheias a estas vítimas e pensam que, por meio do jornalismo, se pode construir um mundo melhor.”

 

 

O texto de Ana del Paso, na íntegra, em Cuadernos de Periodistas, da APM

Connosco
Uma foto icónica partilhada por jornais e redes sociais Ver galeria

Há imagens que valem por mil palavras. Esta que reproduzimos acima é uma delas, registada pelo bombeiro Pedro Brás, no segundo dia do incêndio de Pedrogão Grande, quando 13 companheiros se deitaram no chão exaustos, no combate aos fogos.

A foto foi reproduzida, originalmente, pelos jornais espanhóis El Mundo e El Pais e, também, entre outros, pelo site electrónico Observador, doqual retiramos este documento.

Mais tarde, a imagem percorreu mundo, através das redes sociais e tornou-se icónica de uma luta desigual contra uma calamidade em que morreram 64 habitantes de Pedrogão Grande e 254 ficaram feridos, segundo as ultimas estimativas.

A foto foi tirada na manhã de 18 de Junho, e ganhou estatuto de viral. É uma imagem que “fala por si”, representando, simbolicamente, a homenagem a todos os bombeiros que estiveram envolvidos na contenção do  terrível sinistro.

Em pouco tempo, registaram-se cerca de 80 mil partilhas na rede social Facebook, e a  foto ganhou expressão, também, no Twitter e noutros  meios de comunicação social espalhados pelo mundo.

Dirigentes europeus intimam redes sociais a envolverem-se na luta contra o extremismo online Ver galeria
O Clube

 
O Prémio de Jornalismo da Lusofonia é a nova iniciativa promovida pelo Clube Português de Imprensa (CPI) em parceria com o Jornal Tribuna de Macau (JTM), no quadro das comorações que assinalam o 35º aniversário daquele diário de língua portuguesa em Macau.

Com o valor de 10 mil euros e periodicidade anual, o Prémio será atribuído por um Júri constituído por representantes do CPI, do JTM e por personalidades de reconhecido mérito na área do jornalismo ou que se tenham distinguido na defesa, divulgação ou ensino da Língua Portuguesa no Mundo.

Trata-se, pois, de um novo Prémio que, de acordo com o respectivo Regulamento (que inserimos noutro espaço deste site) se destina “a jornalistas e à Imprensa de Língua Portuguesa de todo o Mundo, em suporte papel ou digital”. 


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Opinião
Que terá movido o Sindicato dos Jornalistas (SJ) a questionar o jornal espanhol El Mundo sobre a identidade de  um seu correspondente que cobriu os incêndios de Pedrogão Grande?   Diz a direcção do Sindicato, no respectivo site,  que “ decidiu pedir informações sobre as dúvidas levantadas acerca do suposto jornalista Sebastião Pereira(…)” . O Sindicato levou os seus esforços de...
Dados os muitos terabytes de prosa – sólidamente negativa – com que os media globais saudaram a decisão do presidente Trump, anunciada em discurso na Casa Branca no passado dia 1 de Junho, de retirar os EUA. do Acordo de Paris, seria de esperar uma cobertura exaustiva do tema, ou seja, que nenhum aspecto ou complexidade dessa terrível ameaça para a saúde do planeta escapasse à atenção dos “opinion leaders”, em...
Trump, Macron e a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral

O Presidente Trump está em guerra aberta com a comunicação social americana. E esta, na sua grande maioria, não gosta de Trump. Vários presidentes anteriores foram muito criticados pela Imprensa dos EUA – Reagan, por exemplo. Mas o grau de hostilidade que agora existe entre a Casa Branca e os jornalistas é de nível excepcionalmente alto.

Num livro colectivo acabado de publicar, simultaneamente, em treze línguas e em dezenas de países espalhados pelo mundo inteiro, cuja versão francesa se intitula, significativamente, L’âge de la Régression: Pourquoi nous vivons un tournant historique[1], Appadurai disserta sobre o «sentimento de cansaço» que, na sua opinião domina a esfera pública. Sentimento de cansaço relativamente à forma de fazer...
Fim de semana alucinante, sábado épico, jornada inédita. Muito se tem chamado a este 13 de maio, dia de Fátima, do Santo Padre, do anjo Vitória e do arcanjo Sobral. As notícias, as reportagens, os diretos. O frenesim tem sido imenso. Aliás já começou há uns dias. Amanhã, depois do nascer do sol, era bom que houvesse alguma reflexão sobre o que se passou. Será que tanta agitação na...
Agenda
11
Jul
Exposição de Jornais Centenários em Bruxelas
09:00 @ Parlamento Europeu, Bruxelas
12
Jul
Curso de Verão “Jornalismo de Investigação”
09:00 @ Universidade Internacional Menéndez Pelayo, Santander
13
Jul
Westminster Media Forum
09:00 @ Central London, Londres
27
Jul
Festival de Jornalismos de Verão
09:00 @ Couthures, França