null, 17 de Dezembro, 2017
Media

Mulheres jornalistas espanholas contam a sua história em cenário de guerra

Muitas das reportagens de guerra que hoje lemos, ou cujas imagens nos impressionam, realizadas nos campos de batalha mais perigosos do mundo, são feitas por mulheres jornalistas. O seu número está em crescimento e só não há mais, como conta a freelance Ana Alba, que cobriu as guerras da Sérvia, Iraque, Montenegro, Kosovo e as duas Intifadas, porque agora “pedem-se crónicas grátis, ou quase, a jovens, para não ter de mandar pessoas com experiência e poupar nos seguros de vida”.

Estas palavras são de outra jornalista espanhola, Ana del Paso, que apresentou uma tese de doutoramento, na Universidade Complutense de Madrid, intitulada “Rol de las periodistas españolas enviadas a conflictos armados”, sobre os depoimentos de 32 repórteres que viveram esta experiência.

Uma das primeiras coisas que nos explica é que, se todos conhecemos as imagens e a fama de Robert Kapa, título profissional de um fotógrafo húngaro chamado Endre Ernö, co-fundador da Agência Magnum, que cobriu a guerra civil espanhola e a II Guerra Mundial, poucos sabem que a sua companheira, Gerda Taro, trabalhava com ele, e Robert Kapa era o seu pseudónimo comum, pelo que nem sempre é certo identificar a autoria exacta de determinadas imagens.  

Na sua tese, Ana del Paso descreve a outra guerra que tinham de vencer, junto dos seus meios de comunicação, para serem enviadas a locais de conflito armado. Carmen Sarmiento, da TVE, não conseguiu ser correspondente na guerra do Vietname, mas só nos anos 80 na guerra civil de El Salvador, época em que Rosa María Calaf, também da TVE, pôde trabalhar no Líbano. 

Como conta a autora desta tese, que aqui citamos de Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid  - com a qual mantemos um acordo de parceria: 

Naiara Galarraga, subdirectora do Internacional de El País, afirma que sempre se sentiu “estranha ao conceito de correspondente de guerra”, declarando-se antes “firme partidária de que o jornalista se especialize, ou cubra uma zona do mundo, e que se ocupe de tudo o que lhe diz respeito, seja ou não um conflito armado”: 

“Creio que a cobertura resulta mais rica desta forma, melhor do que com enviados especiais que vão de conflito em conflito”. (...) 

Marie Colvin, jornalista de The Guardian, assassinada pelo Daesh em Fevereiro de 2012, na localidade síria de Homs, dizia: 

“Fazer jornalismo de guerra continua a ser basicamente o mesmo, alguém tem que lá ir e ver o que está a acontecer. Não se pode conseguir a informação sem ir aos lugares onde as pessoas estão a ser atingidas e onde disparam contra ti.” Sublinhava que o importante era uma pessoa tornar-se “apaixonada e envolvida por aquilo em que acredita, e fazê-lo o mais completa e hostamente que seja capaz, e sempre sem medo.” 

Sobre jornalistas desta têmpera, Ana del Paso conclui: 

“São, como os seus companheiros masculinos, contadoras de histórias em cenários hostis, àqueles aonde ninguém que ir, porque estão mais perto do inferno do que da terra. São mulheres em guerra para dar voz aos que não a têm, mas cujos nomes constam sempre nas listas de baixas dos conflitos armados. Elas não são alheias a estas vítimas e pensam que, por meio do jornalismo, se pode construir um mundo melhor.”

 

 

O texto de Ana del Paso, na íntegra, em Cuadernos de Periodistas, da APM

Connosco
Novo presidente da ERC abstém-se de comentar “dossier” Altice - TVI Ver galeria

Tomou posse, na Assembleia da República, o novo Conselho Regulador da ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social, tendo como presidente o juiz-conselheiro Sebastião Póvoas. Instado pelos jornalistas a pronunciar-se sobre a questão sensível da compra da Media Capital pela Altice, o magistrado afirmou: “Eu não conheço os dossiers, tomei agora posse; são dossiers complexos e eu venho de uma área em que só nos pronunciamos depois de ler, consultar, ouvir e estudar, e é assim que vou fazer.” O parecer que competia à ERC tornar público, sobre esta matéria, não chegou a ser dado por falta de acordo entre os três membros que estavam em funções até agora.

Sobre a “decadência das redacções”, a dúvida de ser jornalista Ver galeria

“A decadência das redações e a diminuição do número de alunos cursando jornalismo apontam na direção da extinção da profissão de repórter?” A pergunta é do jornalista brasileiro Carlos Wagner, que compara a situação que encontrou há 40 anos, quando começou a sua carreira de repórter de investigação, com aquela que hoje enfrentam os novos candidatos. Para a geração dos seus pais (a mãe opunha-se a que ele seguisse este caminho), “os jornalistas tinham fama de bêbados, boémios, comunistas e de ‘língua de lavadeira’.” Mas “a preocupação dos pais da geração de repórteres que entra na faculdade no próximo ano é se ainda existirá a profissão quando o filho acabar o curso”. No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Jan
Produção de Televisão
09:00 @ Cenjor,Lisboa
03
Jan
04
Jan
CES 2017
09:00 @ Munique,Alemanha