Terça-feira, 27 de Junho, 2017
Fórum

A "cruz vermelha" usada no Facebook para filtrar conteúdos indesejáveis

O problema da moderação de conteúdos, tornado mais urgente depois da proliferação de “notícias falsas” e outras agressões de toda a natureza, levou o Facebook a desenvolver as suas equipas de controlo prévio à edição. Foi anunciado que vai haver mais três mil moderadores só para a revisão dos vídeos “ao vivo”, colocados pelos utentes. Com as dimensões que tem o tráfego mundial da plataforma, muitos se interrogam sobre como funciona este esforço. O jornal britânico The Guardian obteve documentos internos que permitem ter uma ideia do que se passa, e Emily Bell faz a reflexão possível neste momento.

O volume de tráfego é de tal ordem que impõe aos “moderadores” uma urgência de decisão quase insuportável. Há tanto material a chegar constantemente, com violência explícita, apelo ao ódio, terrorismo, pornografia (incluindo revenge porn, a exibição de imagens que podem ter sido realizadas por consenso, mas que são utilizadas mais tarde como vingança ou para efeitos de extorsão), que os operadores da moderação de conteúdos reconhecem que têm de tomar decisões “em dez segundos”... 

O problema que vem com este é o da justeza da decisão: o que é que pode passar? Na prática, a empresa está a formular os seus próprios códigos de conduta sobre o que é adequado mostrar ou não, para instrução dos funcionários responsáveis por essa missão. 

Emily Bell cita alguns exemplos concretos de posts com expressões de violência e descreve um dos procedimentos usados na triagem  - uma cruz vermelha para assinalar o que deve ser apagado, e a marca de check, a verde, para o que é aceitável -  que, de passagem, lhe parece infeliz. 

Outro problema resulta de uma coisa que é boa à partida, na cultura de Silicon Valley, mas que acaba por ser mal usada. “As raízes da moderação, no Facebook, assentam nas instituições policiais e legais, e por esse motivo estão muito influenciadas pelo ideal americano da liberdade de expressão tal como é definida na Primeira Emenda. Em consequência disto, o Facebook, talvez ainda mais do que as empresas noticiosas, está ligado aos princípios de liberdade de expressão.” 

David Levesly, que foi curador de conteúdos no Facebook e que é agora o editor de redes sociais num jornal britânico, explica que o facto de o Facebook querer ser ao mesmo tempo “a impressora, o livro que é impresso, a biblioteca onde os livros são colocados e as casas das pessoas que vão à biblioteca”, cria um problema que já não é só de escala, mas de governação. 

“Eu não penso que o Facebook possa arbitrar sozinho” – diz Levesley. “Nem quero ver as empresas a desenvolverem corpos de legislação para elas e só para elas.” 

A conclusão de Emily Bell é que, num terreno de tanta importância para o interesse público, o desenvolvimento destas regras “será mais efectivo se for feito através de informação e debate público”: 

“Assim como o Facebook descobriu que era difícil manter a ideia de que não tem responsabilidades editoriais regulares, será igualmente difícil convencer o público de que os seus padrões e prática de moderação não serão melhores se forem desenvolvidos às claras.”

  

Mais informação no artigo original, na Columbia Journalism Review, que tem os links para as revelações publicadas em The Guardian

 

 

Connosco
Uma foto icónica partilhada por jornais e redes sociais Ver galeria

Há imagens que valem por mil palavras. Esta que reproduzimos acima é uma delas, registada pelo bombeiro Pedro Brás, no segundo dia do incêndio de Pedrogão Grande, quando 13 companheiros se deitaram no chão exaustos, no combate aos fogos.

A foto foi reproduzida, originalmente, pelos jornais espanhóis El Mundo e El Pais e, também, entre outros, pelo site electrónico Observador, doqual retiramos este documento.

Mais tarde, a imagem percorreu mundo, através das redes sociais e tornou-se icónica de uma luta desigual contra uma calamidade em que morreram 64 habitantes de Pedrogão Grande e 254 ficaram feridos, segundo as ultimas estimativas.

A foto foi tirada na manhã de 18 de Junho, e ganhou estatuto de viral. É uma imagem que “fala por si”, representando, simbolicamente, a homenagem a todos os bombeiros que estiveram envolvidos na contenção do  terrível sinistro.

Em pouco tempo, registaram-se cerca de 80 mil partilhas na rede social Facebook, e a  foto ganhou expressão, também, no Twitter e noutros  meios de comunicação social espalhados pelo mundo.

Dirigentes europeus intimam redes sociais a envolverem-se na luta contra o extremismo online Ver galeria
O Clube

 
O Prémio de Jornalismo da Lusofonia é a nova iniciativa promovida pelo Clube Português de Imprensa (CPI) em parceria com o Jornal Tribuna de Macau (JTM), no quadro das comorações que assinalam o 35º aniversário daquele diário de língua portuguesa em Macau.

Com o valor de 10 mil euros e periodicidade anual, o Prémio será atribuído por um Júri constituído por representantes do CPI, do JTM e por personalidades de reconhecido mérito na área do jornalismo ou que se tenham distinguido na defesa, divulgação ou ensino da Língua Portuguesa no Mundo.

Trata-se, pois, de um novo Prémio que, de acordo com o respectivo Regulamento (que inserimos noutro espaço deste site) se destina “a jornalistas e à Imprensa de Língua Portuguesa de todo o Mundo, em suporte papel ou digital”. 


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Opinião
Que terá movido o Sindicato dos Jornalistas (SJ) a questionar o jornal espanhol El Mundo sobre a identidade de  um seu correspondente que cobriu os incêndios de Pedrogão Grande?   Diz a direcção do Sindicato, no respectivo site,  que “ decidiu pedir informações sobre as dúvidas levantadas acerca do suposto jornalista Sebastião Pereira(…)” . O Sindicato levou os seus esforços de...
Dados os muitos terabytes de prosa – sólidamente negativa – com que os media globais saudaram a decisão do presidente Trump, anunciada em discurso na Casa Branca no passado dia 1 de Junho, de retirar os EUA. do Acordo de Paris, seria de esperar uma cobertura exaustiva do tema, ou seja, que nenhum aspecto ou complexidade dessa terrível ameaça para a saúde do planeta escapasse à atenção dos “opinion leaders”, em...
Trump, Macron e a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral

O Presidente Trump está em guerra aberta com a comunicação social americana. E esta, na sua grande maioria, não gosta de Trump. Vários presidentes anteriores foram muito criticados pela Imprensa dos EUA – Reagan, por exemplo. Mas o grau de hostilidade que agora existe entre a Casa Branca e os jornalistas é de nível excepcionalmente alto.

Num livro colectivo acabado de publicar, simultaneamente, em treze línguas e em dezenas de países espalhados pelo mundo inteiro, cuja versão francesa se intitula, significativamente, L’âge de la Régression: Pourquoi nous vivons un tournant historique[1], Appadurai disserta sobre o «sentimento de cansaço» que, na sua opinião domina a esfera pública. Sentimento de cansaço relativamente à forma de fazer...
Fim de semana alucinante, sábado épico, jornada inédita. Muito se tem chamado a este 13 de maio, dia de Fátima, do Santo Padre, do anjo Vitória e do arcanjo Sobral. As notícias, as reportagens, os diretos. O frenesim tem sido imenso. Aliás já começou há uns dias. Amanhã, depois do nascer do sol, era bom que houvesse alguma reflexão sobre o que se passou. Será que tanta agitação na...
Agenda
11
Jul
Exposição de Jornais Centenários em Bruxelas
09:00 @ Parlamento Europeu, Bruxelas
12
Jul
Curso de Verão “Jornalismo de Investigação”
09:00 @ Universidade Internacional Menéndez Pelayo, Santander
13
Jul
Westminster Media Forum
09:00 @ Central London, Londres
27
Jul
Festival de Jornalismos de Verão
09:00 @ Couthures, França