Quinta-feira, 4 de Junho, 2020
Fórum

A "cruz vermelha" usada no Facebook para filtrar conteúdos indesejáveis

O problema da moderação de conteúdos, tornado mais urgente depois da proliferação de “notícias falsas” e outras agressões de toda a natureza, levou o Facebook a desenvolver as suas equipas de controlo prévio à edição. Foi anunciado que vai haver mais três mil moderadores só para a revisão dos vídeos “ao vivo”, colocados pelos utentes. Com as dimensões que tem o tráfego mundial da plataforma, muitos se interrogam sobre como funciona este esforço. O jornal britânico The Guardian obteve documentos internos que permitem ter uma ideia do que se passa, e Emily Bell faz a reflexão possível neste momento.

O volume de tráfego é de tal ordem que impõe aos “moderadores” uma urgência de decisão quase insuportável. Há tanto material a chegar constantemente, com violência explícita, apelo ao ódio, terrorismo, pornografia (incluindo revenge porn, a exibição de imagens que podem ter sido realizadas por consenso, mas que são utilizadas mais tarde como vingança ou para efeitos de extorsão), que os operadores da moderação de conteúdos reconhecem que têm de tomar decisões “em dez segundos”... 

O problema que vem com este é o da justeza da decisão: o que é que pode passar? Na prática, a empresa está a formular os seus próprios códigos de conduta sobre o que é adequado mostrar ou não, para instrução dos funcionários responsáveis por essa missão. 

Emily Bell cita alguns exemplos concretos de posts com expressões de violência e descreve um dos procedimentos usados na triagem  - uma cruz vermelha para assinalar o que deve ser apagado, e a marca de check, a verde, para o que é aceitável -  que, de passagem, lhe parece infeliz. 

Outro problema resulta de uma coisa que é boa à partida, na cultura de Silicon Valley, mas que acaba por ser mal usada. “As raízes da moderação, no Facebook, assentam nas instituições policiais e legais, e por esse motivo estão muito influenciadas pelo ideal americano da liberdade de expressão tal como é definida na Primeira Emenda. Em consequência disto, o Facebook, talvez ainda mais do que as empresas noticiosas, está ligado aos princípios de liberdade de expressão.” 

David Levesly, que foi curador de conteúdos no Facebook e que é agora o editor de redes sociais num jornal britânico, explica que o facto de o Facebook querer ser ao mesmo tempo “a impressora, o livro que é impresso, a biblioteca onde os livros são colocados e as casas das pessoas que vão à biblioteca”, cria um problema que já não é só de escala, mas de governação. 

“Eu não penso que o Facebook possa arbitrar sozinho” – diz Levesley. “Nem quero ver as empresas a desenvolverem corpos de legislação para elas e só para elas.” 

A conclusão de Emily Bell é que, num terreno de tanta importância para o interesse público, o desenvolvimento destas regras “será mais efectivo se for feito através de informação e debate público”: 

“Assim como o Facebook descobriu que era difícil manter a ideia de que não tem responsabilidades editoriais regulares, será igualmente difícil convencer o público de que os seus padrões e prática de moderação não serão melhores se forem desenvolvidos às claras.”

  

Mais informação no artigo original, na Columbia Journalism Review, que tem os links para as revelações publicadas em The Guardian

 

 

Connosco
O paradoxo no Brasil entre a ética jornalística e a ética empresarial Ver galeria

Os jornalistas brasileiros estão a ser confrontados com novos obstáculos, impostos à profissão pela Covid-19. É o caso teletrabalho,  que veio alterar, profundamente, o “modus operandi” das redacções e da investigação jornalística. 

Há, contudo, outras questões, ainda mais preocupantes, a serem discutidas por estes profissionais, como é o caso da ética jornalística, reiterou Silvia Meirelles Leite num artigo publicado na revista “objETHOS” e reproduzido no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

De acordo com a autora, enquanto os jornalistas continuam a desempenhar as suas funções e a manter a população informada, as empresas detentoras dos “media” têm de garantir apoios financeiros.

Isto leva a que, não raramente, a televisão pública seja obrigada a suprimir certas peças jornalísticas. Caso contrário, este serviço deixaria de receber financiamento governamental.

A cobertura do coronavírus reforçou a credibilidade jornalística Ver galeria

A pandemia de Covid-19 afectou praticamente todos os sectores da sociedade e influenciou a vida dos cidadãos, um pouco por todo o mundo.

Assim, os jornalistas têm vindo a assumir um papel essencial, mantendo a  população informada sobre os impactos da doença, bem como sobre as suas mutações.

Desta forma, os “media” tradicionais voltaram a merecer a atenção e “lealdade” do público, que deixou de informar-se através das redes sociais que são, tendencialmente, uma plataforma de desinformação,

considerou o jornalista Michel Ribeiro num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Perante a actual crise sanitária, recorda o autor, o jornalismo televisivo conquistou uma audiência significativa e os jornais “online” registaram um tráfego sem precedentes. Da mesma forma, mais consumidores decidiram assinar fontes de informação fidedignas e ouvir rádio para se manterem informados.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas