Sexta-feira, 16 de Novembro, 2018
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Estudo britânico aponta redes sociais como factor de risco na saúde mental dos jovens

Quatro das cinco mais populares redes sociais são nocivas à saúde mental dos jorvens, segundo um estudo realizado por duas organizações britânicas de saúde pública. Instagram foi considerada como tendo o impacto mais negativo, por aprofundar nos jovens “sentimentos de desajustamento e ansiedade”. Também Facebook, Snapchat e Twitter foram consideradas nocivas; só o YouTube foi avaliado como tendo impacto positivo.

O estudo incidiu sobre uma amostra de quase 1.500 jovens entre os 14 e os 24 anos, tendo concluído que as quatro plataformas citadas têm efeito negativo porque “podem exacerbar as preocupações com a autoimagem física de crianças e jovens, e agravam o assédio [bullying, no original], problemas de sono e sentimentos de ansiedade, depressão e solidão”. 

“Estas conclusões vêm no seguimento de uma crescente preocupação, entre políticos, organizações de saúde, médicos, instituições de assistência e pais, sobre o facto de haver jovens em sofrimento causado por mensagens de assédio sexual [sexting], cyberbullying e o agravamento, pelas redes sociais, de sentimentos de repulsa de si mesmo e mesmo o risco de chegarem ao suicídio”. 

“É curioso ver Instagram e Snapchat classificadas como as piores para a saúde e o bem-estar. Ambas as plataformas são muito centradas sobre a imagem, e parece que podem induzir sentimentos de desajustamente e ansiedade nos jovens”  - afirmou Shirley Cramer, directora da Royal Society for Public Health, a organização que conduziu o estudo, em colaboração com o Young Health Movement

Em sua opinião, são necessárias medidas fortes “para fazer com que as redes sociais sejam menos este ‘Oeste selvagem’, no que toca à súde e bem-estar dos jovens”. 

“As empresas das redes sociais deviam apresentar uma imagem de alerta para prevenir os jovens de que estão a usá-las demasiado, enquanto o Instagram e plataformas semelhantes deviam alertar os utentes sempre que mostrem fotografias de pessoas que foram digitalmente manipuladas”  - disse ainda. 

Mas o Prof. Simon Wessely, presidente do Royal College of Psychiatrists, foi de opinião que estas conslusões eram demasiado simplistas e responsabilizavam incorrectamente as redes sociais: 

“Estou certo de que as redes sociais têm o seu papel na infelicidade, mas têm tantos benefícios como factores negativos. Precisamos de ensinar as crianças a lidarem com todos os aspectos das redes sociais, bons e maus, e de as preparar para um mundo cada vez mais digitalizado. Há o perigo real de condenarmos o meio pela mensagem.” (...) 

A Primeira-Ministra Theresa May, que fez da saúde mental infantil uma das suas prioridades, sublinhou os efeitos nocivos das redes sociais no seu discurso sobre uma “sociedade partilhada”, em Janeiro de 2017, tendo afirmado: 

“Sabemos que o uso das redes sociais nos traz mais preocupações e desafios. Em 2014, um pouco acima de um em cada dez jovens disse que já tinha sido alvo de cyberbullying, por telefone ou pela Internet.” 

 

Mais informação no artigo de Denis Campbell, editor de Saúde do diário The Guardian

Connosco
Bettany Hugues, prémio Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hugues, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hugues como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Para Alberto Dines, “o jornalismo era o próprio sentido da vida” Ver galeria

Cada história é uma vida, e algumas delas são muito especiais. “Alberto Dines foi autor e protagonista de uma dessas trajectórias incomuns: um intelectual visceral, que usou a sua inteligência e lucidez não para disputar uma partida, mas para mudar o jogo.” Sob o título “Uma vida sem ponto final”, um dos seus numerosos discípulos, Bruno Thys, evoca com a saudade de uma relação muito pessoal o percurso e obra de Alberto Dines, falecido em São Paulo em Maio deste ano.

O autor do texto que citamos valoriza uma parte da biografia menos mencionada de Alberto Dines, a que o coloca numa linhagem de judeus emigrados de uma Europa em várias convulsões:

“Dines tornou-se uma das mais cintilantes estrelas de sua geração, a primeira de judeus nascidos no Brasil. (...) Da geração de seus pais, herdou a cultura ancestral. Dines tinha sólida formação humanística e as suas raízes remontam à Haskalá, o iluminismo judaico que floresceu na Europa Ocidental nos séculos XVIII e XIX. Este movimento pregava a interacção da sabedoria judaica com a cultura europeia e produziu nomes como Einstein, Freud, Herzel e Stefan Zweig, o grande biógrafo austríaco, que, muitos anos depois, seria biografado por Dines.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
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As notícias falsas e a internet
Francisco Sarsfield Cabral
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