Terça-feira, 27 de Junho, 2017
Media

“Fazem falta jornais sérios” para o fundador da “WikiTribune”

A proliferação deliberada de notícias falsas ganhou em velocidade e alcance com o advento da Internet, mas o mais grave é que os provocadores truculentos (trolls) que sempre existem neste espaço também mudaram de natureza  - hoje estão nos mais altos níveis dos Estados, de onde procuram “controlar os outros e ganhar influência sobre eles pela mentira”. O sector dos media atravessa um período mau, mas também, “numa época como a nossa, as pessoas dão-se conta de que fazem falta jornais sérios”. É esta a reflexão de Jimmy Wales, que lançou a plataforma WikiTribune para combater os “factos alternativos”.

Foi precisamente esta expressão, criada por uma das assessoras de Imprensa da Casa Branca a propósito do número de pessoas que estavam na posse do Presidente Donald Trump, que se tornou “decisiva” para Jimmy Wales, e o levou ao projecto que tem neste momento entre mãos. E é destas questões, da situação actual dos media e da necessidade de um jornalismo de investigação viável, que fala numa longa entrevista ao diário alemão Die Welt, que aqui citamos do El País.

Sobre Donald Trump:

“Não há a menor dúvida de que Trump é o típico troll. Tenho mesmo chegado a pensar que diz coisas em que nem ele mesmo acredita. E di-las com a única intenção de provocar as pessoas. É esta a definição original do troll: uma pessoa que entra num espaço e publica opiniões provocadoras para a maioria.” (...) 

Sobre como combater a informação falsa

“O nosso trabalho só em parte consistirá em desmascarar as notícias falsas. Também queremos publicar artigos sobre temas políticos, económicos ou do mundo da tecnologia que sejam produto da nossa própria investigação. O meu objectivo é criar algo novo, reunir jornalistas profissionais em torno do mesmo estilo de comunidade que tornou grande a Wikipedia e financiá-lo por meio do microfinanciamento colectivo.” 

Sobre a questão da transparência:

“A primeira coisa que proponho é que a nossa forma de fazer jornalismo seja o mais transparente possível. (...) Por exemplo, na WikiTribune vamos publicar o áudio das entrevistas e a transcrição em bruto, e não apenas o resumo editado.” (...) 

Segue-se, neste ponto, uma troca de reparos, entre o jornalista do Die Welt e Jimmy Wales, sobre os casos em que esta transparência pode criar situações delicadas, por exemplo a respeito da protecção das fontes. Mas o entrevistado dá outro exemplo, dos artigos baseados em informação de “organismos oficiais” sem mencionar os nomes, em que ele “gostaria de saber quem disse o quê, e por que motivo o que ouviu depois contradiz as suas declarações”. 

A segunda parte da entrevista demora-se sobre as questões de sustentabilidade de uma Imprensa responsável e, neste caso, do próprio projecto da WikiTribune. Para além do microfinanciamento, Jimmy Wales declara a sua preferência pelo envolvimento dos assinantes, o apelo a contribuições voluntárias, como aparece nas páginas de The Guardian, ou por uma paywall de tipo “suave”. 

Sobre este assunto, contou a história de um jornal digital de qualidade em que, no mesmo dia, uma boa reportagem de investigação tivera impacto sobre o público, mas um outro texto ao lado, com título apelativo, mas de conteúdo superficial, tornou-se, como se diz hoje, “viral”, e “trouxe tanto dinheiro, pela publicidade que gerou, como a reportagem de investigação, mas com a diferença de que, por esta, não pagaram quase nada”. 

“Dito de modo claro: ganham dinheiro a publicar ‘tonterias’, como faz toda a gente. É um problema que os meios de comunicação  sérios, que constituem invariavelmente o fundamento de uma democracia, se detenham cada vez mais neste ambiente. Um ambiente que surgiu quando as pessoas começaram a habituar-se a não terem de pagar nada por acederem a conteúdos na Internet.” 

A última pergunta foi por que motivo converteu a Wikipedia numa fundação, em vez de a ter comercializado e passar a fazer parte dos megamilionários da informação. Respondeu Jimmy Wales: 

“Aqui em Londres, há muitos bancos que juntam toneladas de dinheiro, muito mais do que verei em toda a minha vida. A mim parece aborrecido. (...)  A minha vida é fantástica, tenho possibilidades incríveis, posso transmitir ideias. Isso é um privilégio enorme. Nunca o trocaria por uma vida monótona de multimilionário. (...)  O que eu faço é muito mais emocionante.”

 

A entrevista na íntegra, no El País, de onde colhemos a imagem utilizada

Connosco
Uma foto icónica partilhada por jornais e redes sociais Ver galeria

Há imagens que valem por mil palavras. Esta que reproduzimos acima é uma delas, registada pelo bombeiro Pedro Brás, no segundo dia do incêndio de Pedrogão Grande, quando 13 companheiros se deitaram no chão exaustos, no combate aos fogos.

A foto foi reproduzida, originalmente, pelos jornais espanhóis El Mundo e El Pais e, também, entre outros, pelo site electrónico Observador, doqual retiramos este documento.

Mais tarde, a imagem percorreu mundo, através das redes sociais e tornou-se icónica de uma luta desigual contra uma calamidade em que morreram 64 habitantes de Pedrogão Grande e 254 ficaram feridos, segundo as ultimas estimativas.

A foto foi tirada na manhã de 18 de Junho, e ganhou estatuto de viral. É uma imagem que “fala por si”, representando, simbolicamente, a homenagem a todos os bombeiros que estiveram envolvidos na contenção do  terrível sinistro.

Em pouco tempo, registaram-se cerca de 80 mil partilhas na rede social Facebook, e a  foto ganhou expressão, também, no Twitter e noutros  meios de comunicação social espalhados pelo mundo.

Dirigentes europeus intimam redes sociais a envolverem-se na luta contra o extremismo online Ver galeria
O Clube

 
O Prémio de Jornalismo da Lusofonia é a nova iniciativa promovida pelo Clube Português de Imprensa (CPI) em parceria com o Jornal Tribuna de Macau (JTM), no quadro das comorações que assinalam o 35º aniversário daquele diário de língua portuguesa em Macau.

Com o valor de 10 mil euros e periodicidade anual, o Prémio será atribuído por um Júri constituído por representantes do CPI, do JTM e por personalidades de reconhecido mérito na área do jornalismo ou que se tenham distinguido na defesa, divulgação ou ensino da Língua Portuguesa no Mundo.

Trata-se, pois, de um novo Prémio que, de acordo com o respectivo Regulamento (que inserimos noutro espaço deste site) se destina “a jornalistas e à Imprensa de Língua Portuguesa de todo o Mundo, em suporte papel ou digital”. 


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Opinião
Que terá movido o Sindicato dos Jornalistas (SJ) a questionar o jornal espanhol El Mundo sobre a identidade de  um seu correspondente que cobriu os incêndios de Pedrogão Grande?   Diz a direcção do Sindicato, no respectivo site,  que “ decidiu pedir informações sobre as dúvidas levantadas acerca do suposto jornalista Sebastião Pereira(…)” . O Sindicato levou os seus esforços de...
Dados os muitos terabytes de prosa – sólidamente negativa – com que os media globais saudaram a decisão do presidente Trump, anunciada em discurso na Casa Branca no passado dia 1 de Junho, de retirar os EUA. do Acordo de Paris, seria de esperar uma cobertura exaustiva do tema, ou seja, que nenhum aspecto ou complexidade dessa terrível ameaça para a saúde do planeta escapasse à atenção dos “opinion leaders”, em...
Trump, Macron e a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral

O Presidente Trump está em guerra aberta com a comunicação social americana. E esta, na sua grande maioria, não gosta de Trump. Vários presidentes anteriores foram muito criticados pela Imprensa dos EUA – Reagan, por exemplo. Mas o grau de hostilidade que agora existe entre a Casa Branca e os jornalistas é de nível excepcionalmente alto.

Num livro colectivo acabado de publicar, simultaneamente, em treze línguas e em dezenas de países espalhados pelo mundo inteiro, cuja versão francesa se intitula, significativamente, L’âge de la Régression: Pourquoi nous vivons un tournant historique[1], Appadurai disserta sobre o «sentimento de cansaço» que, na sua opinião domina a esfera pública. Sentimento de cansaço relativamente à forma de fazer...
Fim de semana alucinante, sábado épico, jornada inédita. Muito se tem chamado a este 13 de maio, dia de Fátima, do Santo Padre, do anjo Vitória e do arcanjo Sobral. As notícias, as reportagens, os diretos. O frenesim tem sido imenso. Aliás já começou há uns dias. Amanhã, depois do nascer do sol, era bom que houvesse alguma reflexão sobre o que se passou. Será que tanta agitação na...
Agenda
11
Jul
Exposição de Jornais Centenários em Bruxelas
09:00 @ Parlamento Europeu, Bruxelas
12
Jul
Curso de Verão “Jornalismo de Investigação”
09:00 @ Universidade Internacional Menéndez Pelayo, Santander
13
Jul
Westminster Media Forum
09:00 @ Central London, Londres
27
Jul
Festival de Jornalismos de Verão
09:00 @ Couthures, França