Terça-feira, 27 de Junho, 2017
Media

Jornalista espanhola denuncia os equívocos de uma informação “tóxica”

“Estamos num momento de incerteza em que os cidadãos julgam que estão informados quando, de facto, estão apenas entretidos. E isso é muito grave. A qualidade da informação que recebem deteriora-se tão depressa que pode construir uma sociedade muito indefesa.”  É esta a reflexão inicial da jornalista Rosa María Calaf, numa longa entrevista ao jornal espanhol Público, onde são discutidos todos os equívocos do ponto em que nos encontramos.

O discurso de Rosa María Calaf, despedida da TVE em 2009, passa por muitos outros temas em que esses equívocos alteram a nossa percepção da realidade e nos conduzem a opções erradas, contra nós mesmos. Citamos aqui alguns dos mais presentes, dos que têm a ver com a comunicação e com a responsabilidade dos media

Sobre a mobilização social que existia no princípio da crise económica:

“Temos de fazer autocrítica, porque nessa altura os media não souberam defender o espaço que têm de ter o jornalismo e a informação junto dos cidadãos. Nesse momento, de perigo extremo, as pessoas tinham consciência de fazer alguma coisa. Agora [ainda] o crêem, mas julgam que, quando tomam uma decisão, estão a fazê-lo sobre uma base sólida de conhecimento, e [já] não é assim.” (...) 

“A Imprensa, em vez de combater a instalação desses métodos tão preigosos, para que as pessoas se dessem conta de que estavam a ocultar-lhes a verdade, não o fez. Além disso, na maioria dos casos alinhou pelos mesmos interesses que promovem este mundo. A maioria dos media, aqui e no estrangeiro, está com grupos de poder económicos. Neste momento o perigo não é o poder político, mas o económico, (...) que devorou a política e os media.” (...) 

“Cada vez mais vivemos num mundo que não é de opinião pública, mas sim de emoção pública. E isso é muito perigoso. Basear as decisões em emoções tem um risco extraordinário, porque é muito difícil controlar as emoções. É claro que há uma parte emocional, de empatia, mas essa emoção tem de estar ancorada num conhecimemnto e numa parte racional. Não nos deixarmos levar pela primeira coisa que nos dizem.” 

Sobre a comunicação exibida pelo Estado Islâmico, cuja origem não é explicada: 

“... Como se fossem meia dúzia de vândalos fanáticos, que aparecem de repente com armamento caríssimo e complicadíssimo. Quem o paga? Quem os treina a manejá-lo? E conseguem que os jornalistas se vão embora, porque eles próprios mandam a informação. Eles fazem uns vídeos espectaculares. Quem lhes faz os vídeos, que parecem de uma empresa de Hollywood? Quem faz o quê? Esta é que é a questão a que a Imprensa devia responder, em vez de páginas cheias de ódio ou de impacto sentimental, indo pelo caminho fácil.” 

Sobre a precariedade na profissão do jornalismo: 

“A precariedade é uma forma de controlo, porque, se os redactores trabalham em situação de stress e de angústia, e não têm os recursos para exercer bem o seu trabalho, o resultado será de pior qualidade. (...)  Dizer que a precariedade foi resultado da tecnologia, ou de um momento económico, é uma cortina de fumo. O que existe por detrás é uma vontade de que as redacções não façam o jornalismo que devem, regoroso e de investigação.” (...)

 

Sobre questões de igualdade de género, e depois de ter dito que estamos a assistir a um retrocesso, que preocupa muito as mulheres que lutaram por ela, Rosa María Calaf recorda, com alguma ironia, o seu princípio na profissão: 

“Quando cheguei a Madrid era a única repórter de rua, e diziam-me  -  ‘Olha, estavas lindíssima na crónica de ontem, a blusa ficava-te muito bem.’ Depois de oito dias a ouvir estes comentários, sem má intenção, porque não era para me humilharem e queriam ser simpáticos, fiz o mesmo. E dizia-lhes  - ‘Olha, aquela tua gravata de ontem... era genial!’ E claro, ficavam desconcertados.” (...) 

Sobre o desprestígio que se lança contra os meios de comunicação: 

“Desprestigiar a televisão pública faz com que os próprios cidadãos peçam que ela desapareça. Mas quem ganha com isso? Não são os cidadãos. Uma televisão pública que funcione como deve é uma garantia para o cidadão. E o cidadão deve exigir. Assim como um serviço de saúde e uma educação pública, deve exigir bons media públicos.” (...)  

“Também os deve exigir privados. Todos estamos de acordo em que deve existir liberdade de empresa. Por que não consentimos que se ponha azeite tóxico nas latas de sardinha? Sobre isso exercemos vigilância. Por que não controlamos que a qualidade de informação seja o que deve ser?” (...) 

“Não permitimos que uma empresa nos dê a consumir sardinhas em óleo de colza. Mas permitimos que empresas nos dêem informação tóxica?” (...) 


A entrevista de Rosa María Calaf, na íntegra, em Público.es

Connosco
Uma foto icónica partilhada por jornais e redes sociais Ver galeria

Há imagens que valem por mil palavras. Esta que reproduzimos acima é uma delas, registada pelo bombeiro Pedro Brás, no segundo dia do incêndio de Pedrogão Grande, quando 13 companheiros se deitaram no chão exaustos, no combate aos fogos.

A foto foi reproduzida, originalmente, pelos jornais espanhóis El Mundo e El Pais e, também, entre outros, pelo site electrónico Observador, doqual retiramos este documento.

Mais tarde, a imagem percorreu mundo, através das redes sociais e tornou-se icónica de uma luta desigual contra uma calamidade em que morreram 64 habitantes de Pedrogão Grande e 254 ficaram feridos, segundo as ultimas estimativas.

A foto foi tirada na manhã de 18 de Junho, e ganhou estatuto de viral. É uma imagem que “fala por si”, representando, simbolicamente, a homenagem a todos os bombeiros que estiveram envolvidos na contenção do  terrível sinistro.

Em pouco tempo, registaram-se cerca de 80 mil partilhas na rede social Facebook, e a  foto ganhou expressão, também, no Twitter e noutros  meios de comunicação social espalhados pelo mundo.

Dirigentes europeus intimam redes sociais a envolverem-se na luta contra o extremismo online Ver galeria
O Clube

 
O Prémio de Jornalismo da Lusofonia é a nova iniciativa promovida pelo Clube Português de Imprensa (CPI) em parceria com o Jornal Tribuna de Macau (JTM), no quadro das comorações que assinalam o 35º aniversário daquele diário de língua portuguesa em Macau.

Com o valor de 10 mil euros e periodicidade anual, o Prémio será atribuído por um Júri constituído por representantes do CPI, do JTM e por personalidades de reconhecido mérito na área do jornalismo ou que se tenham distinguido na defesa, divulgação ou ensino da Língua Portuguesa no Mundo.

Trata-se, pois, de um novo Prémio que, de acordo com o respectivo Regulamento (que inserimos noutro espaço deste site) se destina “a jornalistas e à Imprensa de Língua Portuguesa de todo o Mundo, em suporte papel ou digital”. 


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Opinião
Que terá movido o Sindicato dos Jornalistas (SJ) a questionar o jornal espanhol El Mundo sobre a identidade de  um seu correspondente que cobriu os incêndios de Pedrogão Grande?   Diz a direcção do Sindicato, no respectivo site,  que “ decidiu pedir informações sobre as dúvidas levantadas acerca do suposto jornalista Sebastião Pereira(…)” . O Sindicato levou os seus esforços de...
Dados os muitos terabytes de prosa – sólidamente negativa – com que os media globais saudaram a decisão do presidente Trump, anunciada em discurso na Casa Branca no passado dia 1 de Junho, de retirar os EUA. do Acordo de Paris, seria de esperar uma cobertura exaustiva do tema, ou seja, que nenhum aspecto ou complexidade dessa terrível ameaça para a saúde do planeta escapasse à atenção dos “opinion leaders”, em...
Trump, Macron e a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral

O Presidente Trump está em guerra aberta com a comunicação social americana. E esta, na sua grande maioria, não gosta de Trump. Vários presidentes anteriores foram muito criticados pela Imprensa dos EUA – Reagan, por exemplo. Mas o grau de hostilidade que agora existe entre a Casa Branca e os jornalistas é de nível excepcionalmente alto.

Num livro colectivo acabado de publicar, simultaneamente, em treze línguas e em dezenas de países espalhados pelo mundo inteiro, cuja versão francesa se intitula, significativamente, L’âge de la Régression: Pourquoi nous vivons un tournant historique[1], Appadurai disserta sobre o «sentimento de cansaço» que, na sua opinião domina a esfera pública. Sentimento de cansaço relativamente à forma de fazer...
Fim de semana alucinante, sábado épico, jornada inédita. Muito se tem chamado a este 13 de maio, dia de Fátima, do Santo Padre, do anjo Vitória e do arcanjo Sobral. As notícias, as reportagens, os diretos. O frenesim tem sido imenso. Aliás já começou há uns dias. Amanhã, depois do nascer do sol, era bom que houvesse alguma reflexão sobre o que se passou. Será que tanta agitação na...
Agenda
11
Jul
Exposição de Jornais Centenários em Bruxelas
09:00 @ Parlamento Europeu, Bruxelas
12
Jul
Curso de Verão “Jornalismo de Investigação”
09:00 @ Universidade Internacional Menéndez Pelayo, Santander
13
Jul
Westminster Media Forum
09:00 @ Central London, Londres
27
Jul
Festival de Jornalismos de Verão
09:00 @ Couthures, França