Terça-feira, 27 de Junho, 2017
Media

Implicações da Ética para o jornalista na era da comunicação digital

A revolução digital trouxe tantas possibilidades novas que é fácil cairmos na tentação de pensar que o progresso é sempre bom. Os jornalistas têm vindo a descobrir que pode ser bom ou mau, e que tudo o que traz implica escolhas morais. O debate actual sobre a verdade ou falsidade do que se publica é o exemplo mais recente. Charles Ess, professor no Departamento de Comunicação da Universidade de Oslo, partiu da sua formação inicial em história da filosofia para uma atenção às questões de fundo na comunicação digital. Entre os seus livros mais recentes contam-se “Ética dos Meios Digitais” e “Na Intersecção entre os Estudos sobre a Internet e a Filosofia: Quem Sou Eu Online?”

O primeiro dos dois livros citados analisa questões morais proeminentes nos media digitais  – perda de privacidade, vigilância em massa, distribuição dos direitos autorais, entre outros temas.

Para efeitos práticos, a entrevista que aqui citamos, reproduzida em ObjEthos – Observatório da Ética Jornalística, do Brasil, começa pelo conceito de “pluralismo ético”, que Charles Ess propõe como solução para sair de um dilema: ou partir de uma ética absoluta e cair na divisão entre “tecnologias boas” contra “tecnologias más”, ou concluir que toda a ética é relativa e que não é possível “a realização de normas e valores universais”. 

“Quando escrevi pela primeira vez sobre isto  - diz Charles Ess -  não existiam muitos exemplos do mundo real que eu poderia apontar para ilustrar como o pluralismo se ‘pareceria’, no geral, e como funcionaria na prática. Na segunda edição do meu livro Digital Media Ethics (de 2013), por exemplo, eu pude apontar para a privacidade, interpretada e aplicada, entre a Noruega e os Estados Unidos e, a seguir, a protecção aos dados da privacidade desenvolvidos na União Europeia em relação aos Estados Unidos.” 

A sua observação é que, “especificamente, a liberdade de expressão nos Estados Unidos é apenas um direito negativo (ou seja, uma garantia de que o Estado não interferirá com veemência para além de limites já reconhecíveis, como calúnia, ameaça de dano ou um ‘perigo claro e presente’).” 

“Em contraste, a liberdade de expressão na Noruega inclui um direito positivo  – o Estado deve apoiar activamente a liberdade de expressão, por exemplo, através de subsídios à Imprensa que assegurem a sobrevivência de jornais locais em todo o país, o que, desta forma, representa uma maior diversidade de pontos de vista em relação aos sistemas de media puramente dependentes do mercado.” 

Isso ajuda a compreender, segundo o autor, o motivo pelo qual a Noruega foi recentemente classificada no 1º lugar do Ranking Mundial de Liberdade de Expressão pela organização Repórteres sem Fronteiras, enquanto os EUA ocupam o 43º. Os Estados Unidos, afirma, protegem a liberdade de expressão, mas fazem-no “de uma maneira claramente menos efectiva”. 

Entre outros seguidores da sua linha de pensamento, Charles Ess cita Shannon Vallor [professora de Filosofia na Universidade de Santa Clara, na Califórnia], autora de “Technology and the Virtues: a Philosophical Guide to a Future Worth Wanting” (MIT Press, 2016), que inclui explicitamente o pluralismo ético como uma parte da sua abordagem a partir da ética das virtudes. 

Charles Ess responde “sim” à pergunta sobre “uma educação ética para os utentes dos meios digitais:

“Absolutamente  – pelo menos se essa educação é cuidadosamente desenvolvida e habilmente ensinada. Isso significa, em parte, que tal educação deve ir além do ‘de cima para baixo’, ‘aqui estão as regras, crianças: memorizem e obedeçam’.” 

“Embora isso possa ser um começo necessário, especialmente em culturas e países mais acostumados a esse tipo de educação, é muito mais eficaz usar exemplos e exercícios que enfatizam uma abordagem de baixo para cima, que pressupõe a sensibilidade ética dos alunos já razoavelmente bem formada.”  (...)

 

O texto da entrevista, em ObjEthos

Connosco
Uma foto icónica partilhada por jornais e redes sociais Ver galeria

Há imagens que valem por mil palavras. Esta que reproduzimos acima é uma delas, registada pelo bombeiro Pedro Brás, no segundo dia do incêndio de Pedrogão Grande, quando 13 companheiros se deitaram no chão exaustos, no combate aos fogos.

A foto foi reproduzida, originalmente, pelos jornais espanhóis El Mundo e El Pais e, também, entre outros, pelo site electrónico Observador, doqual retiramos este documento.

Mais tarde, a imagem percorreu mundo, através das redes sociais e tornou-se icónica de uma luta desigual contra uma calamidade em que morreram 64 habitantes de Pedrogão Grande e 254 ficaram feridos, segundo as ultimas estimativas.

A foto foi tirada na manhã de 18 de Junho, e ganhou estatuto de viral. É uma imagem que “fala por si”, representando, simbolicamente, a homenagem a todos os bombeiros que estiveram envolvidos na contenção do  terrível sinistro.

Em pouco tempo, registaram-se cerca de 80 mil partilhas na rede social Facebook, e a  foto ganhou expressão, também, no Twitter e noutros  meios de comunicação social espalhados pelo mundo.

Dirigentes europeus intimam redes sociais a envolverem-se na luta contra o extremismo online Ver galeria
O Clube

 
O Prémio de Jornalismo da Lusofonia é a nova iniciativa promovida pelo Clube Português de Imprensa (CPI) em parceria com o Jornal Tribuna de Macau (JTM), no quadro das comorações que assinalam o 35º aniversário daquele diário de língua portuguesa em Macau.

Com o valor de 10 mil euros e periodicidade anual, o Prémio será atribuído por um Júri constituído por representantes do CPI, do JTM e por personalidades de reconhecido mérito na área do jornalismo ou que se tenham distinguido na defesa, divulgação ou ensino da Língua Portuguesa no Mundo.

Trata-se, pois, de um novo Prémio que, de acordo com o respectivo Regulamento (que inserimos noutro espaço deste site) se destina “a jornalistas e à Imprensa de Língua Portuguesa de todo o Mundo, em suporte papel ou digital”. 


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Opinião
Que terá movido o Sindicato dos Jornalistas (SJ) a questionar o jornal espanhol El Mundo sobre a identidade de  um seu correspondente que cobriu os incêndios de Pedrogão Grande?   Diz a direcção do Sindicato, no respectivo site,  que “ decidiu pedir informações sobre as dúvidas levantadas acerca do suposto jornalista Sebastião Pereira(…)” . O Sindicato levou os seus esforços de...
Dados os muitos terabytes de prosa – sólidamente negativa – com que os media globais saudaram a decisão do presidente Trump, anunciada em discurso na Casa Branca no passado dia 1 de Junho, de retirar os EUA. do Acordo de Paris, seria de esperar uma cobertura exaustiva do tema, ou seja, que nenhum aspecto ou complexidade dessa terrível ameaça para a saúde do planeta escapasse à atenção dos “opinion leaders”, em...
Trump, Macron e a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral

O Presidente Trump está em guerra aberta com a comunicação social americana. E esta, na sua grande maioria, não gosta de Trump. Vários presidentes anteriores foram muito criticados pela Imprensa dos EUA – Reagan, por exemplo. Mas o grau de hostilidade que agora existe entre a Casa Branca e os jornalistas é de nível excepcionalmente alto.

Num livro colectivo acabado de publicar, simultaneamente, em treze línguas e em dezenas de países espalhados pelo mundo inteiro, cuja versão francesa se intitula, significativamente, L’âge de la Régression: Pourquoi nous vivons un tournant historique[1], Appadurai disserta sobre o «sentimento de cansaço» que, na sua opinião domina a esfera pública. Sentimento de cansaço relativamente à forma de fazer...
Fim de semana alucinante, sábado épico, jornada inédita. Muito se tem chamado a este 13 de maio, dia de Fátima, do Santo Padre, do anjo Vitória e do arcanjo Sobral. As notícias, as reportagens, os diretos. O frenesim tem sido imenso. Aliás já começou há uns dias. Amanhã, depois do nascer do sol, era bom que houvesse alguma reflexão sobre o que se passou. Será que tanta agitação na...
Agenda
11
Jul
Exposição de Jornais Centenários em Bruxelas
09:00 @ Parlamento Europeu, Bruxelas
12
Jul
Curso de Verão “Jornalismo de Investigação”
09:00 @ Universidade Internacional Menéndez Pelayo, Santander
13
Jul
Westminster Media Forum
09:00 @ Central London, Londres
27
Jul
Festival de Jornalismos de Verão
09:00 @ Couthures, França