Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Media

Implicações da Ética para o jornalista na era da comunicação digital

A revolução digital trouxe tantas possibilidades novas que é fácil cairmos na tentação de pensar que o progresso é sempre bom. Os jornalistas têm vindo a descobrir que pode ser bom ou mau, e que tudo o que traz implica escolhas morais. O debate actual sobre a verdade ou falsidade do que se publica é o exemplo mais recente. Charles Ess, professor no Departamento de Comunicação da Universidade de Oslo, partiu da sua formação inicial em história da filosofia para uma atenção às questões de fundo na comunicação digital. Entre os seus livros mais recentes contam-se “Ética dos Meios Digitais” e “Na Intersecção entre os Estudos sobre a Internet e a Filosofia: Quem Sou Eu Online?”

O primeiro dos dois livros citados analisa questões morais proeminentes nos media digitais  – perda de privacidade, vigilância em massa, distribuição dos direitos autorais, entre outros temas.

Para efeitos práticos, a entrevista que aqui citamos, reproduzida em ObjEthos – Observatório da Ética Jornalística, do Brasil, começa pelo conceito de “pluralismo ético”, que Charles Ess propõe como solução para sair de um dilema: ou partir de uma ética absoluta e cair na divisão entre “tecnologias boas” contra “tecnologias más”, ou concluir que toda a ética é relativa e que não é possível “a realização de normas e valores universais”. 

“Quando escrevi pela primeira vez sobre isto  - diz Charles Ess -  não existiam muitos exemplos do mundo real que eu poderia apontar para ilustrar como o pluralismo se ‘pareceria’, no geral, e como funcionaria na prática. Na segunda edição do meu livro Digital Media Ethics (de 2013), por exemplo, eu pude apontar para a privacidade, interpretada e aplicada, entre a Noruega e os Estados Unidos e, a seguir, a protecção aos dados da privacidade desenvolvidos na União Europeia em relação aos Estados Unidos.” 

A sua observação é que, “especificamente, a liberdade de expressão nos Estados Unidos é apenas um direito negativo (ou seja, uma garantia de que o Estado não interferirá com veemência para além de limites já reconhecíveis, como calúnia, ameaça de dano ou um ‘perigo claro e presente’).” 

“Em contraste, a liberdade de expressão na Noruega inclui um direito positivo  – o Estado deve apoiar activamente a liberdade de expressão, por exemplo, através de subsídios à Imprensa que assegurem a sobrevivência de jornais locais em todo o país, o que, desta forma, representa uma maior diversidade de pontos de vista em relação aos sistemas de media puramente dependentes do mercado.” 

Isso ajuda a compreender, segundo o autor, o motivo pelo qual a Noruega foi recentemente classificada no 1º lugar do Ranking Mundial de Liberdade de Expressão pela organização Repórteres sem Fronteiras, enquanto os EUA ocupam o 43º. Os Estados Unidos, afirma, protegem a liberdade de expressão, mas fazem-no “de uma maneira claramente menos efectiva”. 

Entre outros seguidores da sua linha de pensamento, Charles Ess cita Shannon Vallor [professora de Filosofia na Universidade de Santa Clara, na Califórnia], autora de “Technology and the Virtues: a Philosophical Guide to a Future Worth Wanting” (MIT Press, 2016), que inclui explicitamente o pluralismo ético como uma parte da sua abordagem a partir da ética das virtudes. 

Charles Ess responde “sim” à pergunta sobre “uma educação ética para os utentes dos meios digitais:

“Absolutamente  – pelo menos se essa educação é cuidadosamente desenvolvida e habilmente ensinada. Isso significa, em parte, que tal educação deve ir além do ‘de cima para baixo’, ‘aqui estão as regras, crianças: memorizem e obedeçam’.” 

“Embora isso possa ser um começo necessário, especialmente em culturas e países mais acostumados a esse tipo de educação, é muito mais eficaz usar exemplos e exercícios que enfatizam uma abordagem de baixo para cima, que pressupõe a sensibilidade ética dos alunos já razoavelmente bem formada.”  (...)

 

O texto da entrevista, em ObjEthos

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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