null, 17 de Dezembro, 2017
Media

Implicações da Ética para o jornalista na era da comunicação digital

A revolução digital trouxe tantas possibilidades novas que é fácil cairmos na tentação de pensar que o progresso é sempre bom. Os jornalistas têm vindo a descobrir que pode ser bom ou mau, e que tudo o que traz implica escolhas morais. O debate actual sobre a verdade ou falsidade do que se publica é o exemplo mais recente. Charles Ess, professor no Departamento de Comunicação da Universidade de Oslo, partiu da sua formação inicial em história da filosofia para uma atenção às questões de fundo na comunicação digital. Entre os seus livros mais recentes contam-se “Ética dos Meios Digitais” e “Na Intersecção entre os Estudos sobre a Internet e a Filosofia: Quem Sou Eu Online?”

O primeiro dos dois livros citados analisa questões morais proeminentes nos media digitais  – perda de privacidade, vigilância em massa, distribuição dos direitos autorais, entre outros temas.

Para efeitos práticos, a entrevista que aqui citamos, reproduzida em ObjEthos – Observatório da Ética Jornalística, do Brasil, começa pelo conceito de “pluralismo ético”, que Charles Ess propõe como solução para sair de um dilema: ou partir de uma ética absoluta e cair na divisão entre “tecnologias boas” contra “tecnologias más”, ou concluir que toda a ética é relativa e que não é possível “a realização de normas e valores universais”. 

“Quando escrevi pela primeira vez sobre isto  - diz Charles Ess -  não existiam muitos exemplos do mundo real que eu poderia apontar para ilustrar como o pluralismo se ‘pareceria’, no geral, e como funcionaria na prática. Na segunda edição do meu livro Digital Media Ethics (de 2013), por exemplo, eu pude apontar para a privacidade, interpretada e aplicada, entre a Noruega e os Estados Unidos e, a seguir, a protecção aos dados da privacidade desenvolvidos na União Europeia em relação aos Estados Unidos.” 

A sua observação é que, “especificamente, a liberdade de expressão nos Estados Unidos é apenas um direito negativo (ou seja, uma garantia de que o Estado não interferirá com veemência para além de limites já reconhecíveis, como calúnia, ameaça de dano ou um ‘perigo claro e presente’).” 

“Em contraste, a liberdade de expressão na Noruega inclui um direito positivo  – o Estado deve apoiar activamente a liberdade de expressão, por exemplo, através de subsídios à Imprensa que assegurem a sobrevivência de jornais locais em todo o país, o que, desta forma, representa uma maior diversidade de pontos de vista em relação aos sistemas de media puramente dependentes do mercado.” 

Isso ajuda a compreender, segundo o autor, o motivo pelo qual a Noruega foi recentemente classificada no 1º lugar do Ranking Mundial de Liberdade de Expressão pela organização Repórteres sem Fronteiras, enquanto os EUA ocupam o 43º. Os Estados Unidos, afirma, protegem a liberdade de expressão, mas fazem-no “de uma maneira claramente menos efectiva”. 

Entre outros seguidores da sua linha de pensamento, Charles Ess cita Shannon Vallor [professora de Filosofia na Universidade de Santa Clara, na Califórnia], autora de “Technology and the Virtues: a Philosophical Guide to a Future Worth Wanting” (MIT Press, 2016), que inclui explicitamente o pluralismo ético como uma parte da sua abordagem a partir da ética das virtudes. 

Charles Ess responde “sim” à pergunta sobre “uma educação ética para os utentes dos meios digitais:

“Absolutamente  – pelo menos se essa educação é cuidadosamente desenvolvida e habilmente ensinada. Isso significa, em parte, que tal educação deve ir além do ‘de cima para baixo’, ‘aqui estão as regras, crianças: memorizem e obedeçam’.” 

“Embora isso possa ser um começo necessário, especialmente em culturas e países mais acostumados a esse tipo de educação, é muito mais eficaz usar exemplos e exercícios que enfatizam uma abordagem de baixo para cima, que pressupõe a sensibilidade ética dos alunos já razoavelmente bem formada.”  (...)

 

O texto da entrevista, em ObjEthos

Connosco
Novo presidente da ERC abstém-se de comentar “dossier” Altice - TVI Ver galeria

Tomou posse, na Assembleia da República, o novo Conselho Regulador da ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social, tendo como presidente o juiz-conselheiro Sebastião Póvoas. Instado pelos jornalistas a pronunciar-se sobre a questão sensível da compra da Media Capital pela Altice, o magistrado afirmou: “Eu não conheço os dossiers, tomei agora posse; são dossiers complexos e eu venho de uma área em que só nos pronunciamos depois de ler, consultar, ouvir e estudar, e é assim que vou fazer.” O parecer que competia à ERC tornar público, sobre esta matéria, não chegou a ser dado por falta de acordo entre os três membros que estavam em funções até agora.

Sobre a “decadência das redacções”, a dúvida de ser jornalista Ver galeria

“A decadência das redações e a diminuição do número de alunos cursando jornalismo apontam na direção da extinção da profissão de repórter?” A pergunta é do jornalista brasileiro Carlos Wagner, que compara a situação que encontrou há 40 anos, quando começou a sua carreira de repórter de investigação, com aquela que hoje enfrentam os novos candidatos. Para a geração dos seus pais (a mãe opunha-se a que ele seguisse este caminho), “os jornalistas tinham fama de bêbados, boémios, comunistas e de ‘língua de lavadeira’.” Mas “a preocupação dos pais da geração de repórteres que entra na faculdade no próximo ano é se ainda existirá a profissão quando o filho acabar o curso”. No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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09:00 @ Cenjor,Lisboa
03
Jan
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