null, 25 de Junho, 2017
Media

A responsabilidade das plataformas digitais na proliferação das notícias falsas

Quanto mais somos expostos a coisas que não são verdadeiras, tanto mais é provável que as aceitemos como sendo de facto. Os leitores tendem a esquecer onde leram a notícia pela primeira vez. Quando voltam a encontrá-la, já é familiar pela primeira exposição, pelo que se torna mais fácil aceitá-la como verdadeira. Não importa que tenha vindo com etiqueta de fake news. A repetição é que conta.

Esta reflexão é de dois investigadores norte-americanos, ambos docentes universitários, sobre o estado actual do combate à desinformação em meio digital. O ponto a que chegam é que as coisas pioraram e, mesmo as soluções propostas pela Google, Facebook e outros gigantes da tecnologia de comunicações, são inadequadas para enfrentar o problema. 

“Reduzir a aceitação das notícias falsas significa, deste modo, torná-las menos familiares. Os editores, produtores, distribuidores e agregadores de conteúdos precisam de deixar de repetir estas histórias, principalmente nos títulos.” (...) 

“A edição online do Washington Post publica regularmente títulos com fact-checker, que consistem em afirmações que necessitam de ser avaliadas, com um ‘Teste Pinóquio’ no fim da história anexa. O problema é que os leitores estão mais inclinados a notar e a recordar a afirmação do que a conclusão.” 

“Outra coisa que sabemos é que as afirmações chocantes fixam-se na memória. Uma quantidade de investigação revelou que as pessoas estão mais inclinadas a escutar e a recordar mais tarde um título sensacionalista ou negativo, mesmo que uma ferramenta de fact checker o assinale como suspeito. As histórias de fake news quase sempre exibem afirmações alarmistas, com a intenção de captar a atenção dos que ‘navegam’ na Rede. Os fact checkers não podem competir  -  principalmente se as suas conclusões aparecem em letras pequenas.” (...) 

“As plataformas da Internet têm talvez o papel mais importante na luta contra as fake news. Precisam de mudar as notícias suspeitas mais para baixo nas listas de temas que são propostos pelos motores de busca ou pelas redes sociais. A chave para a avaliação da credibilidade, e a localização da história, deve focar-se não em temas individuais mas sim na corrente acumulada de conteúdo de um determinado site. A avaliação de histórias individuais é demasiado lenta para deter, com segurança, a sua proliferação.” (...) 

“Finalmente, o público deve responsabilizar Facebook, Google e as outras plataformas pelas suas escolhas. É quase impossível monitorar a autenticidade ou eficácia dos seus esforços contra as fake news porque as plataformas controlam os dados necessários a tais avaliações. É necessário que investigadores independentes tenham acesso a estes dados de uma forma que proteja a privacidade dos utentes, mas que nos ajude todos a compreender o que é que funciona ou não nesta luta contra a desinformação.” (...) 

 

O artigo original de Matthew Baum e David Lazer, publicado em Los Angeles Times

Connosco
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Portugal aparece no segundo lugar entre os países europeus, logo a seguir à Finlândia, no índice de confiança nas notícias (ficando o Brasil entre os dois). A Finlândia atinge os 62%, Portugal chega aos 58%, e os países mais em baixo, Grécia e Coreia do Sul, ficam nos 23%. Estes são alguns números do Digital News Report 2017 do Reuters Institute, que sublinha no texto de sumário que “a revolução digital está cheia de contradições e excepções” e que as diferenças para cada país podem ser procuradas nas páginas que lhes são dedicadas, no desenvolvimento do relatório.

O Clube

 
O Prémio de Jornalismo da Lusofonia é a nova iniciativa promovida pelo Clube Português de Imprensa (CPI) em parceria com o Jornal Tribuna de Macau (JTM), no quadro das comorações que assinalam o 35º aniversário daquele diário de língua portuguesa em Macau.

Com o valor de 10 mil euros e periodicidade anual, o Prémio será atribuído por um Júri constituído por representantes do CPI, do JTM e por personalidades de reconhecido mérito na área do jornalismo ou que se tenham distinguido na defesa, divulgação ou ensino da Língua Portuguesa no Mundo.

Trata-se, pois, de um novo Prémio que, de acordo com o respectivo Regulamento (que inserimos noutro espaço deste site) se destina “a jornalistas e à Imprensa de Língua Portuguesa de todo o Mundo, em suporte papel ou digital”. 


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Opinião
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Agenda
11
Jul
Exposição de Jornais Centenários em Bruxelas
09:00 @ Parlamento Europeu, Bruxelas
12
Jul
Curso de Verão “Jornalismo de Investigação”
09:00 @ Universidade Internacional Menéndez Pelayo, Santander
13
Jul
Westminster Media Forum
09:00 @ Central London, Londres
27
Jul
Festival de Jornalismos de Verão
09:00 @ Couthures, França