Sábado, 25 de Maio, 2019
Jantares-debate

Nuno Crato defendeu em palestra a exigência como grande lição do Ensino

No mais recente jantar-debate do ciclo sobre o tema “Que Portugal na Europa, que futuro para a União?”  - realizado numa parceria do CPI – Clube Português de Imprensa com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário -  Nuno Crato afirmou que, “das poucas coisas que se sabem sobre Educação e desenvolvimento da Economia, há um factor decisivo para o progresso das nações, e esse factor é a Educação dos jovens, é a formação da força de trabalho”. O seu apelo final é que se mantenha o nível de exigência de metas e programas, de avaliação dos resultados obtidos e de autonomia das escolas para se organizarem neste sentido.

Nuno Crato começou pelo reconhecimento de que Portugal “melhorou significativamente nas últimas décadas”, e que isso foi reconhecido pelos instrumentos internacionais de medida:

 

“Tenho imenso gosto em poder dizer-vos que em 2015, na altura em que saíram os resultados do inquérito PISA, que se dirige a todos os alunos de 15 anos e, ainda em 2015, os resultados do inquérito TIMSS, que se dirige, na parte que subscrevemos, aos alunos do 4º ano de escolaridade, nós obtivémos, em ambos os casos, os nossos melhores resultados de sempre.”

 

“Devemos estar orgulhosos disso. Todos aqueles que contribuíram para a Educação, seja como pais, como alunos, como professores, sobretudo os professores, ou como ministros da Educação, todos nós portugueses devemos estar orgulhosos de termos chegado a estes lugares.”

 

Sublinhou especialmente que, no TIMSS, “os nossos alunos ultrapassaram os finlandeses, que é algo que quem está ligado à Educação não acreditaria, alguma vez, que fosse possível…”

 

Também na avaliação do PISA, “o que se passou foi que nós, pela primeira vez desde sempre, ultrapassámos a média da OCDE”.

 

Nuno Crato citou ainda outros dados sobre o progresso do Ensino em Portugal, nos últimos anos, nas áreas do abandono escolar precoce, das taxas de retenção e outras. E acrescentou:

 

“Outra coisa que se torna muito clara dos estudos da economia da Educação é o seguinte: Não basta pôr as crianças na escola. O que de facto conta é o que aprenderam enquanto estiveram na escola. (...)  Quando falamos da escolaridade versus desenvolvimento económico, não vemos relação nenhuma. Mas quando falamos dos resultados em conhecimento, medidos por todos esses estudos internacionais, nós vemos uma relação muito directa entre o que os jovens sabem e como a população se desenvolve, como o país se desenvolve.”

 

O orador defendeu como factores de progresso, entre outros, o facto de se ter passado a fazer a divulgação dos resultados das escolas, permitindo a comparação entre elas, os exames e aferições em matérias em que não eram realizados e o estabelecimento dos sete anos de Inglês obrigatórios.

 

Como síntese dos elementos fundamentais para conseguir que o sistema funcione, na Educação, defendeu que haja “programas e metas exigentes”, e que nesses programas estejam estabelecidas prioridades.

 

“Se há coisas que nós sabemos fazer, que é ter bons programas de Matemática e de Português, bons programas de História, Geografia e Ciências, bons programas de Inglês, ensinar os nossos jovens a saber isso, avaliar, estimulá-los, se nós sabemos fazer isso, o resto vem por acréscimo.”

 

A concluir, afirmou:

 

“Eu diria que a grande lição destes anos, e não são os últimos quatro ou cinco, são os últimos vinte anos, é: Caminho de maior exigência, caminho de maior avaliação, sempre focar nos resultados, para saber onde se chega, e o resto soma-se.”

 

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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