Sexta-feira, 27 de Novembro, 2020
Jantares-debate

Nuno Crato defendeu em palestra a exigência como grande lição do Ensino

No mais recente jantar-debate do ciclo sobre o tema “Que Portugal na Europa, que futuro para a União?”  - realizado numa parceria do CPI – Clube Português de Imprensa com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário -  Nuno Crato afirmou que, “das poucas coisas que se sabem sobre Educação e desenvolvimento da Economia, há um factor decisivo para o progresso das nações, e esse factor é a Educação dos jovens, é a formação da força de trabalho”. O seu apelo final é que se mantenha o nível de exigência de metas e programas, de avaliação dos resultados obtidos e de autonomia das escolas para se organizarem neste sentido.

Nuno Crato começou pelo reconhecimento de que Portugal “melhorou significativamente nas últimas décadas”, e que isso foi reconhecido pelos instrumentos internacionais de medida:

 

“Tenho imenso gosto em poder dizer-vos que em 2015, na altura em que saíram os resultados do inquérito PISA, que se dirige a todos os alunos de 15 anos e, ainda em 2015, os resultados do inquérito TIMSS, que se dirige, na parte que subscrevemos, aos alunos do 4º ano de escolaridade, nós obtivémos, em ambos os casos, os nossos melhores resultados de sempre.”

 

“Devemos estar orgulhosos disso. Todos aqueles que contribuíram para a Educação, seja como pais, como alunos, como professores, sobretudo os professores, ou como ministros da Educação, todos nós portugueses devemos estar orgulhosos de termos chegado a estes lugares.”

 

Sublinhou especialmente que, no TIMSS, “os nossos alunos ultrapassaram os finlandeses, que é algo que quem está ligado à Educação não acreditaria, alguma vez, que fosse possível…”

 

Também na avaliação do PISA, “o que se passou foi que nós, pela primeira vez desde sempre, ultrapassámos a média da OCDE”.

 

Nuno Crato citou ainda outros dados sobre o progresso do Ensino em Portugal, nos últimos anos, nas áreas do abandono escolar precoce, das taxas de retenção e outras. E acrescentou:

 

“Outra coisa que se torna muito clara dos estudos da economia da Educação é o seguinte: Não basta pôr as crianças na escola. O que de facto conta é o que aprenderam enquanto estiveram na escola. (...)  Quando falamos da escolaridade versus desenvolvimento económico, não vemos relação nenhuma. Mas quando falamos dos resultados em conhecimento, medidos por todos esses estudos internacionais, nós vemos uma relação muito directa entre o que os jovens sabem e como a população se desenvolve, como o país se desenvolve.”

 

O orador defendeu como factores de progresso, entre outros, o facto de se ter passado a fazer a divulgação dos resultados das escolas, permitindo a comparação entre elas, os exames e aferições em matérias em que não eram realizados e o estabelecimento dos sete anos de Inglês obrigatórios.

 

Como síntese dos elementos fundamentais para conseguir que o sistema funcione, na Educação, defendeu que haja “programas e metas exigentes”, e que nesses programas estejam estabelecidas prioridades.

 

“Se há coisas que nós sabemos fazer, que é ter bons programas de Matemática e de Português, bons programas de História, Geografia e Ciências, bons programas de Inglês, ensinar os nossos jovens a saber isso, avaliar, estimulá-los, se nós sabemos fazer isso, o resto vem por acréscimo.”

 

A concluir, afirmou:

 

“Eu diria que a grande lição destes anos, e não são os últimos quatro ou cinco, são os últimos vinte anos, é: Caminho de maior exigência, caminho de maior avaliação, sempre focar nos resultados, para saber onde se chega, e o resto soma-se.”

 

Connosco
Onde se preconiza o jornalismo social e notícias felizes Ver galeria

O Presidente da Associação de Imprensa de Madrid -- com a qual o CPI mantém um acordo de parceria -- considera essencial que os “media” continuem a promover a dimensão social do jornalismo.

No discurso inaugural do Congresso da Comunicação Especializada na Sociedade da Informação, Juan Caño recordou que, com a crise pandémica, esta função "tem sido exercida de forma exemplar por vários meios de comunicação social", que, durante meses, não se esqueceram de "encorajar a população a superar a calamidade”.

Porém, ultimamente, começou a registar-se um “cansaço dos media', perante demasiada informação", recordou Caño. 

Este fenómeno tem vindo a ocorrer "à medida que a informação se foi tornando repetitiva e deixou de oferecer soluções viáveis", acrescentou.

Esta afirmação é sustentada pelo Relatório Anual da Profissão Jornalística 2020 da APM -- a ser publicado a 16 de Dezembro -- que revela que 43% dos espanhóis considerou excessiva a cobertura da pandemia.


Jornalismo deve acolher estratégias financeiras sustentáveis Ver galeria

O jornalismo deve ser encarado como um produto, para que os “media” possam prosperar de forma sustentável, defendeu o jornalista Rich Gordon num artigo publicado no “site” do Knight Center.

De acordo com o autor, os profissionais dos “media” rejeitam, por norma, esta ideia, já que para a maioria defende o jornalismo como sendo, única e exclusivamente, um serviço público.

E, embora Gordon acredite que esta deve ser a principal premissa dos jornalistas, considera, igualmente, essencial que a imprensa siga as tendências de mercado.

Como tal, reuniu, numa lista, seis razões pelos quais os “media” devem encarar os seus conteúdos como um produto.

Em primeiro lugar, Gordon recorda que os “websites”, os jornais, as “newsletters” são “mercadorias” -- os cidadãos decidem se querem ou não consumi-las, perante uma imensidão de escolhas. Além disso, a popularidade destes produtos depende do seu nível de inovação e de qualidade.

Este tipo de mentalidade existe há dois séculos -- os jornais do século XIX seguiam as exigências do mercado, a lei da oferta e da procura. A estratégia consistia em distribuir o máximo de jornais, a um preço reduzido, esperando conseguir o apoio de anunciantes.

O Clube


Faz cinco anos que começámos este
site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.

O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária. 

Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.

O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.

Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.



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