Quinta-feira, 19 de Outubro, 2017
Media

Duelo de gigantes na Internet sacrifica os Media

As plataformas das redes sociais têm estado a criar produtos concebidos para prender os editores. Estes, que já vinham há anos a perder dinheiro para empresas como Google e Facebook, adoptam essas ferramentas na esperança de atingirem mais leitores e recolherem receita. Mas muita dessa agitação em torno da publicação de notícias não é mais do que um duelo entre gigantes, que disputam utentes e atenção. Podem os editores ganhar numa luta que não tem, realmente, a ver com eles? É esta a reflexão da jornalista Nushin Rashidian, na Columbia Journalism Review.

A autora faz a lista no primeiro parágrafo: o Snapchat criou o Discover, o Facebook os Instant Articles, a Apple tem as News, o Twitter os Moments, a Google as AMP  -  e todos disponibilizam espaços para publicar conteúdos directamente nas plataformas. Mas não se trata de competirem entre si pelo prestígio do melhor serviço oferecido ao público. É antes uma “caça aos utentes”, em que os editores acabam por ser tratados como “danos colaterais”: 

“As mais públicas exibições de agressão passam-se entre o Facebook e o Snapchat. Esta plataforma rejeitou a oferta do Facebook, para a comprar por três biliões de dólares em 2013, e agora capturou milhões de jovens utilizadores das redes sociais  - por outras palavras, o futuro.” 

Nushin Rashidian descreve em pormenor a “batalha” que tem decorrido, desde Janeiro de 2016, entre Facebook e Snapchat, cada um lançando no mercado ferramentas para tomar ou recuperar audiências ocupadas pelo outro, e em alguns casos criando cópias muito semelhantes aos originais do outro lado. 

Mas no espaço do mercado publicitário, o rival do Facebook não é o Snapchat, mas sim a Google. E na área do vídeo concorre com o Twitter, e agora até com a Amazon. 

“Onde é que tudo isto deixa os editores? A gastarem recursos nesta arena sempre em expansão, na esperança de que o retorno do investimento ultrapasse os custos.” 

“Muitos editores notam as compexidades de ‘como optimizar para plataformas concorrentes, quando aquilo que é óptimo para uma plataforma vai contra o que é óptimo para outra’. Se duas plataformas diferentes permitem, ou optimizam para diferentes extensões de vídeo, é preciso criar duas versões.” (...)  

David Skok, um perito em meios digitais que já trabalhou, entre outros, para os jornais Boston Globe e  Toronto Star, disse:

“Eu sinto que nós somos ‘danos colaterais’ na guerra entre estas plataformas. Elas vão dar a alguns editores uma hipótese de jogo, mas a outros não. Vão dar tratamento favorável a uns e não a outros. Eles já estão a seleccionar os vencedores.”

 

O artigo citado, na íntegra, na Columbia Journalism Review

Connosco
Relatório assinala em Espanha quebra do consumo de TV por assinatura Ver galeria

O consumo doméstico de televisão por assinatura em Espanha, no ano de 2016, foi de 14,5 euros por mês, por habitação, o que significa quase 21% do seu gasto total em tecnologias de informação e comunicação. Esta quantia é 6,5% inferior à de 2015, que se situava numa média de 15,4%. Os dados são do relatório La sociedad en red 2016, elaborado pelo Observatorio Nacional de las Tecnologías de la Sociedad de la Información (ONTSI).

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O Clube

Está formado o Júri que vai apreciar os trabalhos concorrentes ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído pelo Clube Português de Imprensa (CPI) e pelo Jornal Tribuna de Macau (JTM),  com o apoio da Fundação Jorge Álvares.

O Júri será presidido por Dinis de Abreu, em representação do CPI, e integrado pelos jornalistas José Rocha Diniz, fundador e administrador do Jornal Tribuna de Macau, José Carlos de Vasconcelos, director do JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias, Carlos Magno, pela Fundação Jorge Álvares e por José António Silva Pires, também do CPI.


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