Sexta-feira, 18 de Janeiro, 2019
Media

Duelo de gigantes na Internet sacrifica os Media

As plataformas das redes sociais têm estado a criar produtos concebidos para prender os editores. Estes, que já vinham há anos a perder dinheiro para empresas como Google e Facebook, adoptam essas ferramentas na esperança de atingirem mais leitores e recolherem receita. Mas muita dessa agitação em torno da publicação de notícias não é mais do que um duelo entre gigantes, que disputam utentes e atenção. Podem os editores ganhar numa luta que não tem, realmente, a ver com eles? É esta a reflexão da jornalista Nushin Rashidian, na Columbia Journalism Review.

A autora faz a lista no primeiro parágrafo: o Snapchat criou o Discover, o Facebook os Instant Articles, a Apple tem as News, o Twitter os Moments, a Google as AMP  -  e todos disponibilizam espaços para publicar conteúdos directamente nas plataformas. Mas não se trata de competirem entre si pelo prestígio do melhor serviço oferecido ao público. É antes uma “caça aos utentes”, em que os editores acabam por ser tratados como “danos colaterais”: 

“As mais públicas exibições de agressão passam-se entre o Facebook e o Snapchat. Esta plataforma rejeitou a oferta do Facebook, para a comprar por três biliões de dólares em 2013, e agora capturou milhões de jovens utilizadores das redes sociais  - por outras palavras, o futuro.” 

Nushin Rashidian descreve em pormenor a “batalha” que tem decorrido, desde Janeiro de 2016, entre Facebook e Snapchat, cada um lançando no mercado ferramentas para tomar ou recuperar audiências ocupadas pelo outro, e em alguns casos criando cópias muito semelhantes aos originais do outro lado. 

Mas no espaço do mercado publicitário, o rival do Facebook não é o Snapchat, mas sim a Google. E na área do vídeo concorre com o Twitter, e agora até com a Amazon. 

“Onde é que tudo isto deixa os editores? A gastarem recursos nesta arena sempre em expansão, na esperança de que o retorno do investimento ultrapasse os custos.” 

“Muitos editores notam as compexidades de ‘como optimizar para plataformas concorrentes, quando aquilo que é óptimo para uma plataforma vai contra o que é óptimo para outra’. Se duas plataformas diferentes permitem, ou optimizam para diferentes extensões de vídeo, é preciso criar duas versões.” (...)  

David Skok, um perito em meios digitais que já trabalhou, entre outros, para os jornais Boston Globe e  Toronto Star, disse:

“Eu sinto que nós somos ‘danos colaterais’ na guerra entre estas plataformas. Elas vão dar a alguns editores uma hipótese de jogo, mas a outros não. Vão dar tratamento favorável a uns e não a outros. Eles já estão a seleccionar os vencedores.”

 

O artigo citado, na íntegra, na Columbia Journalism Review

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


ver mais >
Opinião
Sobre a liberdade de expressão em Portugal
Francisco Sarsfield Cabral
O caso da participação num programa matinal da TVI de um racista, já condenado e tendo cumprido pena de prisão, Mário Machado, suscitou polémica. Ainda bem, porque as questões em causa são importantes. Mas, como é costume, o debate rapidamente derivou para um confronto entre a esquerda indignada por se ter dado tempo de antena a um criminoso fascista e a direita defendendo a liberdade de expressão e a dualidade de...
O panorama dos media
Manuel Falcão
Se olharmos para o top dos programas mais vistos na televisão generalista em 2018 vemos um claro domínio das transmissões desportivas, seguidas a grande distância pelos reality shows e, ainda mais para trás, pelas telenovelas. No entanto as transmissões televisivas produzem apenas picos de audiência e contribuem relativamente pouco para as médias e para planos continuados. O dilema das televisões generalistas está na...
Informar ou depender…
Dinis de Abreu
O título deste texto corresponde a um livro publicado nos anos 70 por Francisco Balsemão, numa altura em que já se ‘contavam espingardas’ para pôr termo ao Estado Novo, como veio a acontecer com o derrube de Marcello Caetano, em 25 de Abril de 74.  A obra foi polémica à época e justamente considerada um ‘grito de alma’, assinada por quem começara a sua vida profissional num jornal controlado pela família...
Há, na ideia de uma comunicação social estatizada ou ajudada pelo governo, uma contradição incontornável: como pode a imprensa depender da entidade que mais se queixa da imprensa? Uma parte da comunicação social portuguesa – televisão, rádio, imprensa escrita — é deficitária, está endividada e admite “problemas de tesouraria”. Mas acima desse, há outro problema, mais grave:...
O jornalismo estará a render-se à subjetividade, rainha e senhora de certas redes sociais. As ‘fake news’ e o futuro dos media foram dos temas mais falados na edição de 2018, da Web Summit. Usadas como arma de arremesso político e de intoxicação, as notícias falsas são uma praga. Invadem o espaço público, distorcem os factos, desviam a atenção, comprometem a reflexão. E pelo caminho...