Terça-feira, 22 de Agosto, 2017
Media

Duelo de gigantes na Internet sacrifica os Media

As plataformas das redes sociais têm estado a criar produtos concebidos para prender os editores. Estes, que já vinham há anos a perder dinheiro para empresas como Google e Facebook, adoptam essas ferramentas na esperança de atingirem mais leitores e recolherem receita. Mas muita dessa agitação em torno da publicação de notícias não é mais do que um duelo entre gigantes, que disputam utentes e atenção. Podem os editores ganhar numa luta que não tem, realmente, a ver com eles? É esta a reflexão da jornalista Nushin Rashidian, na Columbia Journalism Review.

A autora faz a lista no primeiro parágrafo: o Snapchat criou o Discover, o Facebook os Instant Articles, a Apple tem as News, o Twitter os Moments, a Google as AMP  -  e todos disponibilizam espaços para publicar conteúdos directamente nas plataformas. Mas não se trata de competirem entre si pelo prestígio do melhor serviço oferecido ao público. É antes uma “caça aos utentes”, em que os editores acabam por ser tratados como “danos colaterais”: 

“As mais públicas exibições de agressão passam-se entre o Facebook e o Snapchat. Esta plataforma rejeitou a oferta do Facebook, para a comprar por três biliões de dólares em 2013, e agora capturou milhões de jovens utilizadores das redes sociais  - por outras palavras, o futuro.” 

Nushin Rashidian descreve em pormenor a “batalha” que tem decorrido, desde Janeiro de 2016, entre Facebook e Snapchat, cada um lançando no mercado ferramentas para tomar ou recuperar audiências ocupadas pelo outro, e em alguns casos criando cópias muito semelhantes aos originais do outro lado. 

Mas no espaço do mercado publicitário, o rival do Facebook não é o Snapchat, mas sim a Google. E na área do vídeo concorre com o Twitter, e agora até com a Amazon. 

“Onde é que tudo isto deixa os editores? A gastarem recursos nesta arena sempre em expansão, na esperança de que o retorno do investimento ultrapasse os custos.” 

“Muitos editores notam as compexidades de ‘como optimizar para plataformas concorrentes, quando aquilo que é óptimo para uma plataforma vai contra o que é óptimo para outra’. Se duas plataformas diferentes permitem, ou optimizam para diferentes extensões de vídeo, é preciso criar duas versões.” (...)  

David Skok, um perito em meios digitais que já trabalhou, entre outros, para os jornais Boston Globe e  Toronto Star, disse:

“Eu sinto que nós somos ‘danos colaterais’ na guerra entre estas plataformas. Elas vão dar a alguns editores uma hipótese de jogo, mas a outros não. Vão dar tratamento favorável a uns e não a outros. Eles já estão a seleccionar os vencedores.”

 

O artigo citado, na íntegra, na Columbia Journalism Review

Connosco
Como a prometida liberdade em “rede social” nos trouxe à ditadura das notícias falsas Ver galeria

A história de como a Internet, depois de ter prometido dar voz e libertação a todos os marginalizados, desembocou na presente ditadura das fake news em “rede social”, é uma longa teia de ilusões aceitáveis e de equívocos pouco inocentes. O jornalista Marcelo Rech, presidente do Fórum Mundial de Editores, desfia esta narrativa num artigo extenso, mas de leitura indispensável. É melhor percebermos como chegámos até aqui. E, se pudermos, mantendo a atitude que ele escolheu como título  -  “Uma chance para o optimismo”.

Este artigo é o terceiro da série sobre o tema “Da pós-verdade ao risco da pós-imprensa”, no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Dois anos de notícias falsas, com duas plataformas chamadas à responsabilidade Ver galeria

A chamada “era de ouro das notícias falsas” não tem mais de dois anos, e está hoje bem documentada, pelo que vale a pena rever a sua história. É este o tema de um artigo do jornalista Nelson de Sá, da Folha de S. Paulo, que descreve o que se passou com o “duopólio” Google-Facebook  -  a sua inicial desvalorização do problema, as tentativas de auto-justificação, as primeiras medidas de controlo e o reconhecimento de que a estrutura de financiamento das grandes plataformas está edificada para premiar o que é “viral”, não o que é verdadeiro.

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São esses os conteúdos que privilegiamos, a par da cobertura das actividades do Clube, desde os ciclos de jantares-debate, em parceria com o CNC-Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o Jornal Tribuna de Macau; e ao Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, instituído pelo CNC, em conjunto com o CPI e a Europa Nostra .

No regresso prometemos mais novidades no Clube e no site. Boas Férias!   


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