Sexta-feira, 16 de Novembro, 2018
Media

Estudo nos EUA revela quais são as tendências prévias à assinatura de publicações

Os modelos possíveis de assinatura da Imprensa, em particular em suporte digital, constituem uma das matérias que têm dividido os editores.

A questão que se coloca e que foi objecto de um estudo realizado por uma plataforma de instituições americanas, entre as quais o  American Press Institute, é quais são as motivações de quem está disposto a pagar por uma assinatura.

Como refere o site electrónico da AEDEAsociación de Editores de Diarios Españoles, decerto, muitos jornalistas já se interrogaram alguma vez sobre isso.

A resposta, porém, não é das mais fáceis e representa uma das chaves para o futuro do jornalismo. A sua importância pode, aliás, medir-se através do estudo em causa - The Media Insight Project -, cuja metodologia assentou, primeiro, numa análise qualitativa.

O inquérito abrangeu todo o território envolvendo a amostra 2.199 adultos americanos, realizado entre 16 de Fevereiro e 20 de Março de 2017.

Os resultados indicaram que mais de metade dos adultos americanos (53%) subscreveram algum canal de noticias; e, aproximadamente, metade desse segmento elegeu um jornal.

Há ainda um dado muito revelador, que contrasta com o que estamos habituados a ouvir sobre a população jovem. Entre os adultos que não completaram os 35 anos, quase quatro em cada 10 paga para estar informado.

As razões apontadas para assinar uma publicação noticiosa são, resumidamente, as seguintes:

- a cobertura destacada de um tema específico por uma determinada publicação;

- amigos e família que são subscritores dessa publicação;

- descontos e promoções.

 

Entre os jovens, segundo o mesmo estudo, a motivação mais frequente para a assinatura de um jornal, consiste em poder apoiar a missão de organizações ou empresas jornalisticas.

Muitos deles, contudo, indicam como motivação mais frequente para a assinatura, o facto de terem descoberto uma nova fonte de informação, através das redes sociais.

Em geral, nota-se um desejo de serem cidadãos informados e responsáveis.

Claro que, há sempre muitos assinantes que o são, devido à incidência do seu interesse num tema tratado com profundidade e excelência.

Finalmente, o mesmo estudo revela que dois em 10 inquiridos admitem vir a ser assinantes de algum meio informativo no futuro.

 

Leia aqui na íntegra estudo sobre Paying for news: Why people subscribe and what it says about the future of journalism

 

Connosco
Bettany Hugues defendeu a importância da memória na construção do futuro e da paz Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hugues, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hugues como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Para Alberto Dines, “o jornalismo era o próprio sentido da vida” Ver galeria

Cada história é uma vida, e algumas delas são muito especiais. “Alberto Dines foi autor e protagonista de uma dessas trajectórias incomuns: um intelectual visceral, que usou a sua inteligência e lucidez não para disputar uma partida, mas para mudar o jogo.” Sob o título “Uma vida sem ponto final”, um dos seus numerosos discípulos, Bruno Thys, evoca com a saudade de uma relação muito pessoal o percurso e obra de Alberto Dines, falecido em São Paulo em Maio deste ano.

O autor do texto que citamos valoriza uma parte da biografia menos mencionada de Alberto Dines, a que o coloca numa linhagem de judeus emigrados de uma Europa em várias convulsões:

“Dines tornou-se uma das mais cintilantes estrelas de sua geração, a primeira de judeus nascidos no Brasil. (...) Da geração de seus pais, herdou a cultura ancestral. Dines tinha sólida formação humanística e as suas raízes remontam à Haskalá, o iluminismo judaico que floresceu na Europa Ocidental nos séculos XVIII e XIX. Este movimento pregava a interacção da sabedoria judaica com a cultura europeia e produziu nomes como Einstein, Freud, Herzel e Stefan Zweig, o grande biógrafo austríaco, que, muitos anos depois, seria biografado por Dines.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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