Sexta-feira, 16 de Novembro, 2018
Media

Código de regras para proteger a privacidade do jornalista na Internet

Livros como o “1984”, de George Orwell, voltam a estar à vista nas livrarias, e “um ar de perigo para a liberdade de expressão e de Imprensa expande-se lentamente como uma nuvem negra sobre o hemisfério ocidental, levantando temores antigos”. É nestes termos que é apresentado um manual que trata das regras de segurança aconselhadas aos jornalistas para se moverem no território perigoso da Internet. A má notícia é que nenhuma circulação de informação é cem por cento segura; mas a boa é que um jornalista bem preparado pode “tornar a vida mais difícil aos que pretendem descobrir as suas fontes e a informação que lhe revelam”.

O ponto de partida para esta reflexão é o de que a Imprensa se encontra num campo de batalha, e o novo Presidente dos EUA não é o único grande dirigente político a declarar abertamente que está em conflito com os jornalistas do seu próprio país. Neste contexto, os jornalistas são hostilizados sempre que queiram cumprir a sua missão de vigilantes dos abusos do poder; e este, por seu lado, terá sempre como alvo impedir a difusão de informação que lhe pareça inconveniente. 

O trabalho aqui citado tem por título A Guide for the Savvy Journalist in a World of Ever Decreasing Privacy  (Guia para o Jornalista Sabedor num Mundo onde a Privacidade Está a Desaparecer)  e o seu autor é Michael Dagan, apresentado como estando “na transição para estratégias de conteúdo e marketing de conteúdo para pequenas empresas, depois de 25 anos em postos de editoria no grupo de media Haaretz, o principal em Israel”, onde chegou a editor adjunto. 

O texto de introdução diz, entre outras coisas, que “quase todos os sistemas de cifra podem estar em perigo se alguém tiver a determinação de os decifrar”, e as primeiras regras aconselhadas têm a ver com a protecção do computador que se utiliza  -  como reduzir a sua “superfície de ataque”, limitando as aplicações instaladas, usando as que sejam de fontes reconhecidas e que requeiram direitos mínimos, manter o sistema actualizado e com vários controlos de segurança no dispositivo.

O segundo capítulo trata da comunicação que o jornalista estabelece com as suas fontes e da preservação de dados confidenciais. Tem muita informação técnica, sobre os níveis de segurança de ferramentas de cifra disponíveis no mercado, procedimentos a evitar (como não falar por telefone...), transmissão de mensagens de texto, palavras-passe, computadores mais seguros, etc.

O terceiro trata do grau de “anonimato” possível na Internet, dos navegadores existentes, dos motores de busca, e o quarto da protecção do correio electrónico. 

Nas conclusões, o autor cita uma frase da jornalista Tony Loci num artigo sobre o futuro do jornalismo de investigação, para a Fundação Nieman, de Harvard:

“Alguns jornalistas, cientistas informáticos e defensores da privacidade estão de tal modo alarmados que recomendam aos repórteres que façam as coisas à maneira antiga... e que se baseiem em entrevistas presenciais e correio postal.”

 

O artigo inicial, em Media-tics, e o manual de Michael Dagan, na versão em espanhol

Connosco
Bettany Hugues defendeu a importância da memória na construção do futuro e da paz Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hugues, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hugues como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Para Alberto Dines, “o jornalismo era o próprio sentido da vida” Ver galeria

Cada história é uma vida, e algumas delas são muito especiais. “Alberto Dines foi autor e protagonista de uma dessas trajectórias incomuns: um intelectual visceral, que usou a sua inteligência e lucidez não para disputar uma partida, mas para mudar o jogo.” Sob o título “Uma vida sem ponto final”, um dos seus numerosos discípulos, Bruno Thys, evoca com a saudade de uma relação muito pessoal o percurso e obra de Alberto Dines, falecido em São Paulo em Maio deste ano.

O autor do texto que citamos valoriza uma parte da biografia menos mencionada de Alberto Dines, a que o coloca numa linhagem de judeus emigrados de uma Europa em várias convulsões:

“Dines tornou-se uma das mais cintilantes estrelas de sua geração, a primeira de judeus nascidos no Brasil. (...) Da geração de seus pais, herdou a cultura ancestral. Dines tinha sólida formação humanística e as suas raízes remontam à Haskalá, o iluminismo judaico que floresceu na Europa Ocidental nos séculos XVIII e XIX. Este movimento pregava a interacção da sabedoria judaica com a cultura europeia e produziu nomes como Einstein, Freud, Herzel e Stefan Zweig, o grande biógrafo austríaco, que, muitos anos depois, seria biografado por Dines.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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