Quarta-feira, 16 de Agosto, 2017
Media

Código de regras para proteger a privacidade do jornalista na Internet

Livros como o “1984”, de George Orwell, voltam a estar à vista nas livrarias, e “um ar de perigo para a liberdade de expressão e de Imprensa expande-se lentamente como uma nuvem negra sobre o hemisfério ocidental, levantando temores antigos”. É nestes termos que é apresentado um manual que trata das regras de segurança aconselhadas aos jornalistas para se moverem no território perigoso da Internet. A má notícia é que nenhuma circulação de informação é cem por cento segura; mas a boa é que um jornalista bem preparado pode “tornar a vida mais difícil aos que pretendem descobrir as suas fontes e a informação que lhe revelam”.

O ponto de partida para esta reflexão é o de que a Imprensa se encontra num campo de batalha, e o novo Presidente dos EUA não é o único grande dirigente político a declarar abertamente que está em conflito com os jornalistas do seu próprio país. Neste contexto, os jornalistas são hostilizados sempre que queiram cumprir a sua missão de vigilantes dos abusos do poder; e este, por seu lado, terá sempre como alvo impedir a difusão de informação que lhe pareça inconveniente. 

O trabalho aqui citado tem por título A Guide for the Savvy Journalist in a World of Ever Decreasing Privacy  (Guia para o Jornalista Sabedor num Mundo onde a Privacidade Está a Desaparecer)  e o seu autor é Michael Dagan, apresentado como estando “na transição para estratégias de conteúdo e marketing de conteúdo para pequenas empresas, depois de 25 anos em postos de editoria no grupo de media Haaretz, o principal em Israel”, onde chegou a editor adjunto. 

O texto de introdução diz, entre outras coisas, que “quase todos os sistemas de cifra podem estar em perigo se alguém tiver a determinação de os decifrar”, e as primeiras regras aconselhadas têm a ver com a protecção do computador que se utiliza  -  como reduzir a sua “superfície de ataque”, limitando as aplicações instaladas, usando as que sejam de fontes reconhecidas e que requeiram direitos mínimos, manter o sistema actualizado e com vários controlos de segurança no dispositivo.

O segundo capítulo trata da comunicação que o jornalista estabelece com as suas fontes e da preservação de dados confidenciais. Tem muita informação técnica, sobre os níveis de segurança de ferramentas de cifra disponíveis no mercado, procedimentos a evitar (como não falar por telefone...), transmissão de mensagens de texto, palavras-passe, computadores mais seguros, etc.

O terceiro trata do grau de “anonimato” possível na Internet, dos navegadores existentes, dos motores de busca, e o quarto da protecção do correio electrónico. 

Nas conclusões, o autor cita uma frase da jornalista Tony Loci num artigo sobre o futuro do jornalismo de investigação, para a Fundação Nieman, de Harvard:

“Alguns jornalistas, cientistas informáticos e defensores da privacidade estão de tal modo alarmados que recomendam aos repórteres que façam as coisas à maneira antiga... e que se baseiem em entrevistas presenciais e correio postal.”

 

O artigo inicial, em Media-tics, e o manual de Michael Dagan, na versão em espanhol

Connosco
Modos de combater a vigilância electrónica sobre jornalistas e as suas fontes Ver galeria

Jornalistas que tenham de trabalhar em ambientes autoritários tendem a ser alvo de vigilância electrónica. Muitos acabam por se adaptar e aceitá-la como um risco indesejado, mas inevitável na sua profissão. Ou podem tentar combatê-la. “Afinal de contas, ela ameaça a sua segurança, bem como das suas fontes, e constitui um ataque à liberdade de Imprensa e de expressão.” A reflexão é do jornalista mexicano Jorge Luis Sierra, perito em segurança digital, que adianta alguns conselhos práticos para casos destes. 

A avalancha da Internet atropelou a nossa capacidade de lidar com tantos dados Ver galeria

A grande revolução nas rotinas e normas do jornalismo foi-nos imposta, não pelo computador, mas pela Internet, quando “a avalancha informativa e as redes sociais virtuais atropelaram a capacidade das redacções processarem informações; (...) o volume cresceu em tal magnitude que se tornaram incapazes de lidar com tantos dados, factos e eventos”.

A “curadoria de notícias”, que parecia inerente ao trabalho de qualquer jornalista, tornou-se mais necessária do que nunca, mas, “como actividade lucrativa, só funciona em nichos especializados de informação”. É esta a reflexão de Carlos Castilho, ex-assessor da União Europeia para projectos de comunicação na América Central e membro da direcção do Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


O Clube Português de Imprensa fecha em Agosto para férias. E este site também. A partir de 31 de Julho e até 27 de Agosto não serão feitas as habituais actualizações diárias.

Em vésperas de fazermos esta pausa, e à semelhança do que já aconteceu no Verão passado, queremos agradecer aos jornalistas (e aos não jornalistas) pela sua preferência e que têm contribuído com as suas visitas regulares para alargar a audiência deste espaço, lançado há  menos de dois anos, com objectivo de constituir uma alternativa de informação e de reflexão sobre os jornalismo e os jornalistas, sem receio de problematizar as questões que hoje se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, tanto  às empresas editoriais como aos profissionais do sector.

São esses os conteúdos que privilegiamos, a par da cobertura das actividades do Clube, desde os ciclos de jantares-debate, em parceria com o CNC-Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o Jornal Tribuna de Macau; e ao Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, instituído pelo CNC, em conjunto com o CPI e a Europa Nostra .

No regresso prometemos mais novidades no Clube e no site. Boas Férias!   


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