Quarta-feira, 18 de Julho, 2018
Media

Código de regras para proteger a privacidade do jornalista na Internet

Livros como o “1984”, de George Orwell, voltam a estar à vista nas livrarias, e “um ar de perigo para a liberdade de expressão e de Imprensa expande-se lentamente como uma nuvem negra sobre o hemisfério ocidental, levantando temores antigos”. É nestes termos que é apresentado um manual que trata das regras de segurança aconselhadas aos jornalistas para se moverem no território perigoso da Internet. A má notícia é que nenhuma circulação de informação é cem por cento segura; mas a boa é que um jornalista bem preparado pode “tornar a vida mais difícil aos que pretendem descobrir as suas fontes e a informação que lhe revelam”.

O ponto de partida para esta reflexão é o de que a Imprensa se encontra num campo de batalha, e o novo Presidente dos EUA não é o único grande dirigente político a declarar abertamente que está em conflito com os jornalistas do seu próprio país. Neste contexto, os jornalistas são hostilizados sempre que queiram cumprir a sua missão de vigilantes dos abusos do poder; e este, por seu lado, terá sempre como alvo impedir a difusão de informação que lhe pareça inconveniente. 

O trabalho aqui citado tem por título A Guide for the Savvy Journalist in a World of Ever Decreasing Privacy  (Guia para o Jornalista Sabedor num Mundo onde a Privacidade Está a Desaparecer)  e o seu autor é Michael Dagan, apresentado como estando “na transição para estratégias de conteúdo e marketing de conteúdo para pequenas empresas, depois de 25 anos em postos de editoria no grupo de media Haaretz, o principal em Israel”, onde chegou a editor adjunto. 

O texto de introdução diz, entre outras coisas, que “quase todos os sistemas de cifra podem estar em perigo se alguém tiver a determinação de os decifrar”, e as primeiras regras aconselhadas têm a ver com a protecção do computador que se utiliza  -  como reduzir a sua “superfície de ataque”, limitando as aplicações instaladas, usando as que sejam de fontes reconhecidas e que requeiram direitos mínimos, manter o sistema actualizado e com vários controlos de segurança no dispositivo.

O segundo capítulo trata da comunicação que o jornalista estabelece com as suas fontes e da preservação de dados confidenciais. Tem muita informação técnica, sobre os níveis de segurança de ferramentas de cifra disponíveis no mercado, procedimentos a evitar (como não falar por telefone...), transmissão de mensagens de texto, palavras-passe, computadores mais seguros, etc.

O terceiro trata do grau de “anonimato” possível na Internet, dos navegadores existentes, dos motores de busca, e o quarto da protecção do correio electrónico. 

Nas conclusões, o autor cita uma frase da jornalista Tony Loci num artigo sobre o futuro do jornalismo de investigação, para a Fundação Nieman, de Harvard:

“Alguns jornalistas, cientistas informáticos e defensores da privacidade estão de tal modo alarmados que recomendam aos repórteres que façam as coisas à maneira antiga... e que se baseiem em entrevistas presenciais e correio postal.”

 

O artigo inicial, em Media-tics, e o manual de Michael Dagan, na versão em espanhol

Connosco
CPI e "Tribuna de Macau" instituem Prémios de Ensaio e de Jornalismo da Lusofonia Ver galeria

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Mantém-se o espírito original de distinguir trabalhos “no quadro do desejado aprofundamento de todos os aspectos ligados à Língua Portuguesa, com relevo para a singularidade do posicionamento de Macau no seu papel de plataforma de ligação entre países de Língua Oficial Portuguesa”.

Jornalismo "ao vivo" em festival de Verão de "Le Monde" Ver galeria

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