Sexta-feira, 18 de Janeiro, 2019
Media

Código de regras para proteger a privacidade do jornalista na Internet

Livros como o “1984”, de George Orwell, voltam a estar à vista nas livrarias, e “um ar de perigo para a liberdade de expressão e de Imprensa expande-se lentamente como uma nuvem negra sobre o hemisfério ocidental, levantando temores antigos”. É nestes termos que é apresentado um manual que trata das regras de segurança aconselhadas aos jornalistas para se moverem no território perigoso da Internet. A má notícia é que nenhuma circulação de informação é cem por cento segura; mas a boa é que um jornalista bem preparado pode “tornar a vida mais difícil aos que pretendem descobrir as suas fontes e a informação que lhe revelam”.

O ponto de partida para esta reflexão é o de que a Imprensa se encontra num campo de batalha, e o novo Presidente dos EUA não é o único grande dirigente político a declarar abertamente que está em conflito com os jornalistas do seu próprio país. Neste contexto, os jornalistas são hostilizados sempre que queiram cumprir a sua missão de vigilantes dos abusos do poder; e este, por seu lado, terá sempre como alvo impedir a difusão de informação que lhe pareça inconveniente. 

O trabalho aqui citado tem por título A Guide for the Savvy Journalist in a World of Ever Decreasing Privacy  (Guia para o Jornalista Sabedor num Mundo onde a Privacidade Está a Desaparecer)  e o seu autor é Michael Dagan, apresentado como estando “na transição para estratégias de conteúdo e marketing de conteúdo para pequenas empresas, depois de 25 anos em postos de editoria no grupo de media Haaretz, o principal em Israel”, onde chegou a editor adjunto. 

O texto de introdução diz, entre outras coisas, que “quase todos os sistemas de cifra podem estar em perigo se alguém tiver a determinação de os decifrar”, e as primeiras regras aconselhadas têm a ver com a protecção do computador que se utiliza  -  como reduzir a sua “superfície de ataque”, limitando as aplicações instaladas, usando as que sejam de fontes reconhecidas e que requeiram direitos mínimos, manter o sistema actualizado e com vários controlos de segurança no dispositivo.

O segundo capítulo trata da comunicação que o jornalista estabelece com as suas fontes e da preservação de dados confidenciais. Tem muita informação técnica, sobre os níveis de segurança de ferramentas de cifra disponíveis no mercado, procedimentos a evitar (como não falar por telefone...), transmissão de mensagens de texto, palavras-passe, computadores mais seguros, etc.

O terceiro trata do grau de “anonimato” possível na Internet, dos navegadores existentes, dos motores de busca, e o quarto da protecção do correio electrónico. 

Nas conclusões, o autor cita uma frase da jornalista Tony Loci num artigo sobre o futuro do jornalismo de investigação, para a Fundação Nieman, de Harvard:

“Alguns jornalistas, cientistas informáticos e defensores da privacidade estão de tal modo alarmados que recomendam aos repórteres que façam as coisas à maneira antiga... e que se baseiem em entrevistas presenciais e correio postal.”

 

O artigo inicial, em Media-tics, e o manual de Michael Dagan, na versão em espanhol

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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